quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O Sinodo de Dort




Juliano Heyse
 
Os famosos cinco pontos do Calvinismo foram propostos originalmente por João Calvino, o grande reformador francês, certo? Errado. Se você pudesse voltar no tempo e perguntasse a Calvino quais são os 5 pontos, ele não teria a menor chance de acertar. Afinal os 5 pontos foram estabelecidos mais de 50 anos após sua morte. E isso não ocorreu em Genebra, nem na França, e sim na Holanda. E é para lá que temos que voltar nossa atenção, mais precisamente para a cidade de Dordrecht.

Contexto histórico

Antes, porém, convém nos situarmos no tempo. Em 1517, Lutero publica as 95 teses (o início da Reforma Protestante). Quatro anos depois ele é "convidado" a se retratar na Dieta de Worms e lá ele faz o rompimento definitivo com a igreja católica, atrelando sua consciência à Palavra de Deus. Mais tarde, em 1536, na cidade de Genebra, Calvino publica a primeira edição das Institutas da Religião Cristã -  a melhor e mais completa sistematização da doutrina protestante até então. Aperfeiçoamentos ocorreram e a edição definitiva só foi fechada 23 anos depois, em 1559. Em 1564, Calvino morreu. Lutero já havia morrido, antes, em 1546. Os dois mais importantes reformadores já não viviam mais sobre a terra quando a nossa história começou.
Quanto a Armínio, muitas pessoas pensam que ele e Calvino travaram calorosos debates em que se digladiavam ferozmente em defesa das suas respectivas posições. Não seria totalmente impossível, mas considerando-se que Armínio tinha quatro anos de idade quando Calvino morreu, não parece razoável imaginar tal quadro. A verdade é que eles jamais se conheceram.
Igreja Reformada Holandesa

Mas vamos à nossa história. Voltamos a nossa atenção para a Holanda, que na época era conhecida como Países Baixos (o território que hoje é ocupado por Bélgica, Holanda e Luxemburgo). É lá que toda a trama acontece. Na época da Reforma o Rei da Espanha, Filipe II, governava os países baixos. O crescimento do protestantismo foi severamente coibido com fortíssimas perseguições e mortes. Estima-se que dezenas de milhares de protestantes foram mortos pelos dirigentes católicos que governavam o país.
A revolta contra os espanhóis foi crescendo até que Guilherme de Orange conseguiu, depois de muitas tentativas, conquistar a tão sonhada independência, mais tarde consolidada por seu filho Maurício de Nassau. Surgia uma nova nação protestante já que o país era, naquela época, de maioria calvinista. Os novos líderes resolveram adotar a religião reformada como religião oficial, utilizando-a como elemento de integração e estabilidade do novo país. Todos os oficiais da igreja reformada holandesa tinham que jurar seguir a Confissão Belga e o Catecismo de Heidelberg.
É importante ter em mente a forte ligação entre o estado e a igreja, comum nos tempos da reforma. Só que na Holanda as igrejas tinham uma autonomia relativamente grande, podendo nomear seus oficiais e exercer disciplina sobre os membros. Isso perturbava alguns membros do Estado. Em 1591, uma comissão, presidida por Johannes van Oldenbarnevelt e James Arminius, propôs uma estrutura mais ao gosto do poder secular: a escolha de oficiais da igreja passaria a ser feita por um grupo de representantes (quatro do Estado e quatro da igreja). Isso permitiu uma ingerência muito maior do Estado nos assuntos da igreja. Esta situação - a história mostra - costuma causar problemas. Levando-se em conta que outras religiões eram meramente toleradas (mas não tinham nem o direito de ter seus próprios templos), muitas pessoas vieram para a igreja, cuja vinda não teria ocorrido caso a igreja não fosse oficial do Estado holandês. Repetia-se algo como nos tempos do imperador romano Constantino - a igreja passava a atrair pessoas não regeneradas, muitas vezes com segundas intenções.

A Controvérsia Arminiana

Nessas condições, favoráveis por um lado, mas perigosas por outro, é que surgiu a Controvérsia Arminiana. Duas questões foram levantadas na época - uma doutrinária e outra de política eclesiástica. Primeiro: O ensino de James Arminius era compatível com a Confissão Belga e com o Catecismo de Heidelberg? Afinal, todos os oficiais da igreja haviam se comprometido a permanecerem fiéis a ambos os credos. Segundo: Caso o ensino não estivesse de acordo, a igreja reformada teria poder para destituir aqueles que pregavam doutrinas que conflitavam com aqueles credos?
A questão da autoridade tornou-se problemática porque o governo insistia em manter nos ofícios eclesiásticos pessoas que a igreja considerava que deviam ser destituídas. Dessa forma, entre 1586 e 1618 aumentou muito o número de ministros que permaneciam nas igrejas contra a vontade da congregação e das assembléias eclesiásticas. As igrejas, intranqüilas, exigiam a convocação de um sínodo nacional para esclarecer a situação. Mas o governo central temia o crescente poder das igrejas reformadas e insistia em não permitir a convocação do sínodo.
Foi em meio a tudo isso que James Arminius surgiu - um personagem controverso. Era considerado até pelos seus opositores como sendo um pastor fiel, bom cristão, sóbrio, moderado, homem sincero e de raras habilidades intelectuais. Mas é difícil não concordar com a principal acusação que ele sempre carregou: era um homem que sofria de uma certa "duplicidade". Isso ficará claro quando analisarmos a sua história nos próximos parágrafos.

James Arminius

Armínio nasceu em 1560, no sul da Holanda. Estudou em Genebra com Beza, o sucessor de Calvino. Tornou-se ministro em Amsterdam em 1588. Não foram seus escritos, mas sim sua pregação que começou a chamar a atenção por não parecer muito ortodoxa. Ele decidiu fazer uma pregação expositiva no livro de Romanos. Sua interpretação de boa parte dos primeiros textos do livro surpreendeu seus ouvintes. Mas foi no capítulo 7 que ele trouxe sobre si uma avalanche de protestos. O texto de Romanos 7:14-15 diz: "Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto.". Armínio propôs que esse texto se referia a uma pessoa não regenerada, contrariando o que os principais exegetas reformados sempre defenderam, ou seja, que Paulo falava sobre si mesmo, na condição de cristão. Ao pregar em Romanos de 8 a 11, ele enfatizou o tempo todo o livre arbítrio do homem e ao chegar a Romanos 13, afirmou que o Estado tinha a suprema autoridade em assuntos eclesiásticos e religiosos.
Por conta de tudo isso, um de seus colegas, Petrus Plancius, registrou denúncia contra ele para que ele fosse investigado pelo consistório. Havia rumores sobre o novo ensino em todo o país. Armínio, no entanto, confirmava pleno compromisso com a Confissão Belga e com o Catecismo de Heidelberg. No entanto, ficava cada vez mais evidente que ele tinha problemas com o artigo 16 da confissão, o qual afirmava a doutrina da eleição.
Em 1602 surgiu uma vaga na famosa Universidade de Leiden, para suceder um de seus principais professores de teologia, morto pela praga que assolava a Holanda naquele ano. Alguém indicou o nome de James Arminius para sucedê-lo. Havia uma preocupação quanto à ortodoxia de Armínio, e portanto a sua aceitação foi condicionada a uma entrevista com o Dr. Franciscus Gomarus sobre os pontos chaves da doutrina. Gomarus era um famoso Calvinista, profundo conhecedor da Palavra. Diante de diversos comissários, Armínio rejeitou publicamente diversas doutrinas pelagianas quanto a graça natural, livre arbítrio, pecado original e predestinação. Também prometeu jamais ensinar qualquer coisa em desacordo com a doutrina oficial das igrejas. Assim sendo, ele foi aceito como Professor de Teologia da Universidade de Leiden.
Em suas aulas públicas, Armínio permaneceu firme nas suas promessas. Mas em aulas particulares, a alunos selecionados, ele expressava francamente suas dúvidas e questionamentos. Esses alunos foram fortemente influenciados por ele e começaram a propagar alguns desses ensinamentos. Por onde iam, questionavam a doutrina reformada, atacando-a de diversas formas.
Armínio permanecia afirmando estar em pleno acordo com a doutrina reformada enquanto disseminava seus novos pontos de vista nos bastidores. Seus adversários o condenam fortemente por demonstrar absoluta falta de caráter fazendo um tipo de "jogo-duplo". Ao mesmo tempo, seus defensores o elogiam dizendo que tudo o que ele fez foi pensando sempre na unidade da universidade e das igrejas. O leitor pode decidir por si mesmo.

Arminius versus Gomarus

A intranqüilidade aumentava e em 1607 o sínodo da Holanda do Sul recebeu queixas contra os ensinamentos de Armínio. O sínodo convocou James Arminius e o colocou mais uma vez frente a frente com Franciscus Gomarus e os dois expuseram e compararam seus pontos de vista. Mais uma vez Armínio alegou total fidelidade à Confissão Belga e como os delegados não conseguiram perceber grandes diferenças entre o que foi exposto por Arminius e por Gomarus, recomendaram que houvesse tolerância mútua. Outra conferência foi convocada em 1609, também não redundando em avanços. Naquele mesmo ano Armínio morreu de tuberculose.
 
Os Cinco Artigos do Arminianismo

Com a morte de Armínio, sua causa passou a ser liderada por Johannes Uitenbogaard e Simon Episcopius. Em 1610, sob a liderança de Uitenbogaard, os arminianos se reuniram e elaboraram uma representação (remonstrance - por isso são conhecidos até hoje como os remonstrantes). Nela os arminianos atacavam algumas doutrinas calvinistas e estabeleceram 5 artigos com suas próprias posições:
1.             A eleição está condicionada à previsão da fé.
2. Expiação universal (Cristo morreu por todos os homens e por cada homem, de forma que ele conquistou reconciliação e perdão para todos por sua morte na cruz, mas só os que exercem a fé podem gozar desse benefício).
3. Necessária a regeneração para que alguém seja salvo (aparentemente, uma visão perfeitamente ortodoxa, mas mais tarde ficou claro que a visão deles era tal que negava fortemente a depravação da natureza humana).
4. A possibilidade de resistir à graça.
5. A incerteza quanto à perseverança dos crentes (mais tarde eles deixaram claro que não criam de forma alguma na garantia da perseverança).
Os artigos foram assinados por 46 ministros.
Os calvinistas responderam com uma reafirmação da doutrina calvinista. Formou-se o grupo conhecido na história como os contra-remonstrantes. Isso ocorreu em 1611.

A convocação do Sínodo

O poder público não ficou indiferente à controvérsia que ganhava contornos cada vez mais perigosos. Havia pessoas que estavam utilizando a controvérsia religiosa para incitar rebeliões e outras formas de ação política. Assim, em 11 de novembro de 1617, Maurício de Nassau decidiu que um sínodo nacional deveria ser convocado em 1 de novembro de 1618. Estava criado o quadro para o surgimento do famoso Sínodo de Dort.
Encorajado pelo Rei Tiago I da Inglaterra, o governo central holandês enviou convites a diversos representantes de países reformados para que enviassem delegados para participarem do sínodo. O governo holandês requisitava a cada país que fossem enviados alguns de seus teólogos mais renomados, de proeminente erudição, santidade e sabedoria, que com seu conselho e juízo pudessem trabalhar diligentemente para apaziguar as diferenças que tinham surgido nas igrejas da Holanda, trazendo paz àquelas igrejas.
Outro motivo para convidar os teólogos estrangeiros, foi a tentativa de garantir a isenção que os remonstrantes alegavam que a igreja da Holanda não possuia. Uma terceira razão estava ligada ao fato dos remonstrantes alegarem continuamento ao povo que as demais igrejas protestantes compartilhavam da mesma visão que eles. A presença dos delegados estrangeiros poderia dirimir esta e outras dúvidas.

O Sínodo de Dort

Em 13 de novembro de 1618 o Sínodo Nacional de Dort foi estabelecido. Todas as despesas seriam pagas pelo governo holandês. O sínodo era composto de 84 membros e 18 comissários seculares. Dos 84 membros, 58 eram holandeses, oriundos dos sínodos das províncias, e os demais (26) eram estrangeiros. Todos tinham direito a voto.
Após um culto de oração todos foram para o local das reuniões. O moderador era Johannes Bogerman. A primeira atividade foi o pronunciamento do juramento:
"Prometo, diante de Deus em quem creio e a quem adoro, que está presente neste lugar, e que é o Perscrutador de nossos corações, que durante o curso dos trabalhos deste Sínodo, que examinará não só os cinco pontos e as diferenças resultantes deles mas também qualquer outra doutrina, não utilizarei nenhum escrito humano, mas apenas e tão somente a Palavra de Deus, que é a infalível regra de fé. E durante todas estas discussões, buscarei apenas a glória de Deus, a paz da Igreja, e especialmente a preservação da pureza da doutrina. Assim, que me ajude Jesus Cristo, meu Salvador! Rogo para que ele me assista por meio do seu Espírito Santo!"
Os membros foram divididos em 18 comitês. A cada questão proposta ao sínodo, cada um dos comitês formulava sua própria resposta que era depois apresentada ao Sínodo como um todo. O material escrito era entregue aos moderadores que compilavam um texto único. Esse texto era aprovado pelos próprios moderadores ou ia a voto.
O tema principal do Sínodo era o arminianismo. Foram convocados para comparecer diversos teólogos arminianos. Estes se reuniram antes em Rotterdam e nomearam oficiais para representá-los. A estratégia deles era atacar os contra-remonstrantes como sendo fanáticos religiosos. A idéia era centrar forças contra o supralapsarianismo de Gomarus.
Simon Episcopius foi escolhido para ser o orador dos remonstrantes. Logo na segunda reunião, ele já se indispôs com todos e usou de uma artimanha típica dos arminianos. Fez críticas ao Sínodo, ao governo e ao príncipe Maurício. Quando instado a fornecer uma cópia do discurso, alegou que esta estava ilegível. Mais tarde concordou em fornecer uma cópia, mas esta não continha as críticas aos governantes.
A batalha era severa. Os remonstrantes alegavam que o sínodo não tinha competência para julgá-los. Bogerman, o moderador, retrucava dizendo que o sínodo havia sido legalmente constituído pelo poder público. Os remonstrantes deveriam ter aceitado esse argumento, já que sempre defenderam que o estado é a autoridade máxima nas questões religiosas e eclesiásticas. Ao serem convidados a colocar no papel suas divergências em relação à Confissão Belga, os remonstrantes negaram-se a obedecer. Quando Bogerman perguntou se eles reconheciam os artigos da representação de 1610, permaneceram calados.
Como os remonstrantes dificultavam demais os trabalhos, em 14 de janeiro de 1619 Bogerman perguntou a eles definitivamente se eles iriam comportar-se e submeter-se ao Sínodo. Eles responderam que não se submeteriam ao Sínodo. Irritado, Bogerman precipitou-se e mandou-os embora sem consultar os demais membros. As mesas e cadeiras dos arminianos foram retiradas e passou-se a analisar suas opiniões através de seus escritos. O principal documento analisado foi a representação de 1610 com seus 5 artigos.

Os Cânones de Dort

O documento final, os Cânones de Dort, foi formulado em 93 artigos, separados em 5 pontos de doutrina. O documento foi assinado por todos os delegados em 23 de Abril de 1619. Foram ao todo 154 reuniões ao longo de sete meses. Prevaleceu a interpretação ortodoxa.
Muitos consideram injustas as medidas tomadas após o sínodo. Afinal, mais de 200 ministros remonstrantes foram depostos de seus cargos. Alguns se retrataram e retornaram às suas funções, mas boa parte foi definitivamente banida. Mas é bom lembrar que o que hoje seria considerado, talvez, indevida perseguição religiosa, era uma prática absolutamente comum a todas as religiões e países da época.
É importante entender também que os ministros remonstrantes eram muitas vezes mantidos em seus cargos apesar de estarem violando o juramento que fizeram de manterem-se fiéis à confissão belga e ao catecismo de Heidelberg. Isso era conseguido por meio do apoio de políticos poderosos. Enquanto isso, os mesmos políticos perseguiam os contra-remonstrantes chegando ao ponto, em algumas situações, de impedir-lhes o acesso ao local de culto. A religião e a controvérsia eram freqüentemente usadas para fins políticos.
Pode-se dizer que ocorreu com os arminianos o que já aconteceu centenas de vezes na história da igreja. Nas palavras de Johns R. de Witt:
"um homem raramente é honesto o suficiente para sair de sua igreja, se suas convicções são incompatíveis com as daquela igreja. Normalmente ele tenta, por meio de uma estranha linha de argumentação casuística, converter a igreja ao seu próprio entendimento da verdade".
Os arminianos, ao romperem suas promessas e no entanto permanecerem atuando na igreja, encaixaram-se perfeitamente nessa descrição.
É bom lembrar que outras religiões eram toleradas na Holanda naquele período, apesar de não poderem construir templos próprios. Entre estes haviam peregrinos, luteranos, anabatistas e até mesmo católicos romanos. Mas nenhum deles ameaçava a igreja "de dentro" como faziam os arminianos.
Conclusão

O Sínodo de Dort foi importante por ter mostrado a tentativa dos arminianos de diminuírem a soberania de Deus na salvação, engrandecendo o papel do homem na sua própria salvação.
Mais tarde, os cinco pontos de divergência em relação aos artigos arminianos passaram a ser conhecidos como os "cinco pontos do calvinismo" e um acróstico foi criado para facilitar a lembrança de cada ponto. A esse acróstico deu-se o nome de TULIP:
T  otal depravação
U  ma eleição incondicional
L  imitada expiação
I  rresistível graça
P  erseverança dos santos
É importante frisar que os cinco pontos e os cânones de Dort não são uma exposição da doutrina reformada. Esta é muito mais abrangente. Longe de serem uma exposição do calvinismo, os cinco pontos servem muito mais para enfatizar diferenças entre o calvinismo e o arminianismo, principalmente na relação da soberania de Deus com a salvação. O ensino de Calvino é muito mais amplo e abrangente e, no que se refere aos cinco pontos, alguns deles ele nem sequer tratou em profundidade, como é o caso, por exemplo, da expiação limitada.
Acreditamos firmemente que é importante conhecer as origens daquilo em que cremos e perceber que, tal qual ocorreu com outras doutrinas como a Trindade e a dupla natureza de Cristo, a verdade de Deus esteve sempre sob ataque e homens corajosos sempre se levantaram para batalhar "diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos" (Jd 3). Graças a Deus.

Bibliografia
Seaton, W. J., Os Cinco Pontos do Calvinismo (São Paulo - Editora PES)

Wikipedia, Synod of Dort, http://en.wikipedia.org/wiki/Synod_of_Dort

Vandergugten, S., The Arminian Controversy and the Synod of Dort, 
http://www.spindleworks.com/library/vandergugten/arminian_c.htm

Wikipedia, Five Points of Calvinism,
http://en.wikipedia.org/wiki/Five_points_of_Calvinism


ORIGINALMENTE PUBLICADO EM: 
http://www.bomcaminho.com/jh001.htm

Intercambio feito por: Felipe Medeiros 

Fonte: www.ump-da-quarta.blogspot.com

A Maldição do Homem Moderno

 
Por  A.W. Tozer

 
 
Existe uma maldição antiga que permanece conosco até hoje — a disposição da sociedade humana de ser completamente absorvida por um mundo sem Deus.


Embora Jesus Cristo tenha vindo a este mundo, este é o pecado supremo dos incrédulos, o qual levou o homem a não sentir — nem sentirá — a presença dEle que permeia todas as coisas. O homem não pode ver a verdadeira Luz, tampouco pode ouvir a voz do Deus de amor e verdade.
Temos nos tornado uma sociedade “profana” — completamente envolvida em nada mais do que os aspectos físico e material desta vida terrena. Homens e mulheres se gloriam do fato de que são capazes de viver em casas luxuosas, vestir roupas de estilistas famosos e dirigir os melhores carros que o dinheiro pode comprar — coisas que as gerações anteriores nunca puderam ter.
Esta é a maldição que jaz sobre o homem moderno — ele é insensível, cego e surdo em sua prontidão de esquecer que existe um Deus. Aceitou a grande mentira e crença estranha de que o materialismo constitui a boa vida. Mas, querido amigo, você sabe que o seu grande pecado é este: a presença eterna de Deus, que alcança todas as coisas, está aqui, e você não pode senti-Lo de maneira alguma, nem O reconhece no menor grau? Você não está ciente de que existe uma grande e verdadeira Luz que resplandece intensamente e que você não pode vê-la? Você não tem ouvido, em sua consciência e mente, uma Voz amável sussurrando a respeito do valor e importância eterna de sua alma, mas, apesar disso, tem dito: “Não ouço nada?”
Muitos homens imprudentes e inclinados ao secularismo respondem: “Bem, estou disposto a agarrar minhas chances”. Que conversa tola de uma criatura frágil e mortal! Isto é tolice porque os homens não podem se dar ao luxo de agarrar as suas chances — quer sejam salvos e perdoados, quer sejam perdidos. Com certeza, esta é a grande maldição que jaz sobre a humanidade de nossos dias — os homens estão envolvidos de tal modo em seu mundo sem Deus, que recusam a Luz que agora brilha, a Voz que fala e a Presença que permeia e muda os corações.
Eu mesmo fui ignorante até aos 17 anos, quando ouvi, pela primeira vez, a pregação na rua e entrei numa igreja onde ouvi um homem citando uma passagem das Escrituras: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim... e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11. 28,29).
Por isso, os homens buscam dinheiro, fama, lucro, fortuna, entretenimento permanente ou apego aos prazeres. Buscam qualquer coisa que lhes removam a seriedade do viver e que os impeça de sentir que há uma Presença, que é o caminho, a verdade e a vida.
Eu era realmente pouco melhor do que um pagão, mas, de repente, fiquei muito perturbado, pois comecei a sentir e reconhecer a graciosa presença de Deus. Ouvi a voz dEle em meu coração falando indistintamente. Discerni que havia uma Luz resplandecendo em minhas trevas.
Novamente, andando pela rua, parei para ouvir um homem que pregava, em um cantinho, e dizia aos ouvintes: “Se vocês não sabem orar, vão para casa, ajoelhem-se e digam: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador”. Isso foi exatamente o que eu fiz. E Deus prometeu perdoar e satisfazer qualquer pessoa que estiver com bastante fome espiritual e muito interessado, a ponto de clamar: “Senhor, salva-me!”
Bem, Ele está aqui agora. A Palavra, o Senhor Jesus Cristo, se tornou carne e habitou entre nós; e ainda está entre nós, disposto e capaz de salvar. A única coisa que alguém precisa fazer é clamar com um coração humilde e necessitado: “ó Cordeiro de Deus, eu venho a Ti; eu venho a Ti!”

Fonte: Editora Fiel

 

terça-feira, 31 de julho de 2012

A Força Oculta dos Protestantes



Em razão da falsa dicotomia entre os valores que regem as vidas dos homens na esfera particular e as que devem regê-los na vida pública, muitos acreditam que a religião deve ocupar somente este primeiro espaço, exclusivamente na esfera íntima de cada, e por isso não deve contribuir em nada com o espaço público, seja nas leis, nas ciências ou até mesmo nas artes.
Ocorre que este divisão não existe, e a cosmovisão bíblica tem muito a contribuir em todas as áreas da vida humana, sendo isto um imperativo para todos os homens regenerados por Cristo. Deste modo, a palavra de Deus estabelece os princípios para que o direito seja justo, para que a arte seja bela e digna, para que a ciência seja válida e assim por diante.
Tendo esta filosofia como pano de fundo, o pastor e doutor em economia pela universidade de Genebra, André Biléler, nos apresenta neste livro a forma com que a cosmovisão reformada, ultrapassou a esfera religiosa e influenciou os rumos da economia e das democracias ao redor do mundo.
Esta obra é recomendada a todos que desejam entender melhor a respeito da influência do cristianismo em áreas crucias de nossa sociedade contemporânea. E após sua leitura, somos desafiados a nos espelhar nos homens e mulheres do passado, a fim de influenciar mais uma vez a sociedade de acordo com os valores perfeitos e imutáveis das Santas Escrituras, e assim glorificar o nome de Deus.
Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd
 
Fonte: www.ump-da-quarta.blogspot.com

Discernindo o mundanismo

Por Douglas Wilson
Qual é a diferença entre essas duas afirmações?
  1. Não cometa adultério.
  2. Não seja mundano.
A primeira afirmação é objetiva e pode ser definida de forma objetiva. A segunda não pode. Porém, as duas são requerimentos das Escrituras para nós. Como seremos submissos à vontade de Deus quando temos problemas para discernir Seus vários requerimentos? Devemos pensar cuidadosamente sobre o que Ele nos falou para fazermos.
Quando alguém cobiça internamente outra pessoa que não seja seu cônjuge, ela comete adultério. Dadas algumas circunstâncias, essa cobiça se manifestará no adultério em si. A Palavra de Deus é muito clara quanto à proibição do adultério, tanto interno, quanto externo.
Consequentemente, saber se o adultério ocorreu não requer discernimento. Requer apenas os fatos. A Palavra de Deus proíbe dormir com a mulher de outro homem. Se um indivíduo dormir com a mulher do outro, então ocorreu adultério. Quando a concupiscência chega a adultério, se torna nítido que a vontade de Deus foi violada.
Mas quando alguém tem um coração mundano, que tipo de comportamento resultará disso? A resposta é: qualquer forma de comportamento imaginável. Consequentemente, mundanismo não pode ser definido, mas deve ser discernido. Essa é uma estrada com valas dos dois lados, e os cristãos erraram em ambas direções.
Alguns cristãos perceberam que o mundanismo não pode ser definido. Mas a reação deles quanto a essa verdade é assumir que nada pode ser feito em relação ao mundanismo e que qualquer tentativa de fazer algo é “legalismo”. Isso é negligência com o que Deus disse explicitamente para fazermos: “Não amar o mundo…”
Outros cristãos, zelosos pelo bem, tentaram fazer algo acerca do mundanismo, definindo-o e depois banindo qualquer manifestação dele, colocando-o sob proibição. As definições, entretanto, são necessariamente inadequadas, e logo o mundanismo aparece novamente e todas as regras bem intencionadas levam cativos consigo.
O primeiro grupo de cristãos é levado por qualquer moda que o mundo inventa. O lema desse grupo parece ser um desafio lançado para o mundo: “Tudo o que vocês fazem, nós podemos fazer pior”. Pense em qualquer coisa e os cristãos a fazem colocando um versículo bíblico aonde for possível. Quer uma lista? Rock, atividade aeróbica, dieta, estilos de corte de cabelo, maquiagem, psicologia de autoajuda, e assim por diante, ad nauseam. Essas são áreas nas quais o mundanismo pode ser discernido; eles não são representantes de nenhuma tentativa da minha parte de formular uma nova lista. Você pode fazer dieta sem ser mundano, e eu estou ouvindo rock enquanto escrevo isso aqui. Mas não se pode negar que tais atividades (e muitas outras) estão saturadas de mundanismo.
Os cristãos que estão na outra vala veem o problema e criam novas leis. Mas essas leis são, na melhor das hipóteses, ineficazes e, na pior, legalistas. É mundano ir ao cinema? Sim. Então ir ao cinema vai para a lista, e falam para os membros da igreja que eles não podem ir. O resultado? Eles assistem filmes no videocassete. O legalismo ocorre quando as pessoas pensam que a santificação delas consiste em não fazer algumas coisas. Um legalista pode tentar ser consistente em seu comportamento exterior (usando um vídeo cassete), mas ele continua sem saber qual é a essência da piedade.
Qual é a solução para esse dilema? O mundanismo não pode ser permitido na igreja, e não pode ser tratado eficazmente por meio de regras. O mundanismo só pode ser erradicado por meio do discernimento de homens e mulheres de Deus. Quando eles enxergarem o mundanismo, eles devem falar. Mas, certamente, essa sinceridade os colocará em uma posição estranha.
Que tipo de pessoa é confiável para lidar com mundanismo? O autor de Hebreus menciona características de maturidade durante uma discussão sobre diferentes níveis de discipulado. Ele diz: “Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal” (Hb 5.14).
Note que o adulto tem o discernimento entre bem e mal que somente pode ser adquirido “pela prática”. Em outras palavras, um novo cristão seria incapaz de fazer esse julgamento. Mas esse não é o caso em relação ao comportamento que é claramente proibido nas Escrituras. A Bíblia proíbe assassinato, adultério, roubo, etc. Todos os cristãos entendem que essas coisas são erradas, e esse entendimento não requer discernimento.
Porém, existem áreas que, claramente, os cristãos imaturos precisam do discernimento de seus irmãos e irmãs mais maduros. Os problemas surgem, no entanto, quando os cristãos foram ensinados a olhar para qualquer aplicação extrabíblica de princípios bíblicos como legalismo. “O que você quer dizer com ‘eu não deveria estar vestindo isso’?”, “Aonde está isso na Bíblia?”. Esse equívoco é ainda mais provável porque realmente existe muito legalismo.
Esse problema pode ser resolvido se algumas coisas cruciais forem lembradas. Primeira, maturidade não é a mesma coisa que idade. Existem muitos santos mais velhos que estão não somente encalhados na lama, mas essa lama endureceu há anos. Essas pessoas não estão pedindo para você ser livre da sua cultura porque eles foram da deles. Eles querem que você seja livre da sua porque eles estão presos à cultura deles. Eles querem que você troque sua calça jeans por um terno de três peças, e rock por swing. Uma troca como esta não tem sentido.
Em segundo lugar, declarar possuir discernimento não é a mesma coisa que possuí-lo. Ninguém vai identificar suas próprias ações como legalismo. Todos afirmam ter discernimento, tendo-o ou não.
Quando você é confrontado por alguém sobre o seu comportamento em qualquer área cinzenta, verifique se essa pessoa atende aos seguintes critérios:
  1. Essa pessoa vive de acordo com a vontade revelada de Deus? Ela vive dentro dos limites da moralidade bíblica? Se ela tem problema com o preto e o branco, não há motivo para confiar nela em relação às áreas cinzentas. Se ela não consegue enxergar aquela grande letra “E” do exame de vista, não tem sentido pedir para ler as letras miúdas.
  2. Essa pessoa é independente da cultura dela, ou é simplesmente independente da tua? Essa oposição que ela tem ao mundanismo surtiu algum efeito em relação à maneira como ela vive?
  3. Essa pessoa é livre? O Espírito do Senhor traz liberdade, e essa liberdade deve ser aparente na vida de qualquer pessoa que é confiável para a tarefa de detectar o mundanismo.
Se esses critérios forem encontrados, podemos confiar nesse indivíduo quando ele fizer uma afirmação sobre algo em particular. À medida que os novos cristãos se submetem a esse padrão de instrução, eles também irão aprender e crescer em maturidade. O resultado será verdadeira libertação do mundo.
Fonte: Ipródigo

 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

versículos distorcidos por arminianos.

Objeção aos “versículos” arminianos.

calvino 3 
 Por Denis Monteiro

Apresentarei neste artigo uma objeção à interpretação remonstrante sobre passagens que supostamente apoiam a doutrina da expiação ilimitada (que Cristo morreu por toda a humanidade), e sobre a doutrina de que o cristão pode perder a salvação, doutrinas que são apoiadas pelos arminianos. As passagens são: João 3.16; Rm 14.15; 1Co 8.11; 2Co 5.18,19; Cl 1.19,20; 1Tm 2.5,6; 1Jo 2.2.
João 3. 16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Segundo a interpretação arminiana desta passagem (João 3.16), dizem eles, que está se referindo a morte de Cristo por toda a humanidade, “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16.

Mas será que o texto está dizendo que a morte de Cristo foi para toda a humanidade? Para esta afirmação, necessita-se de provas. Mas segundo o texto grego diz que “deu para o que nele crê não pereça.”. Deus não deu para o mundo, e sim, para cada um que crê, ou seja, é limitado. Porque muitos não creram e nem crerão.

Como eu posso afirmar isso? Deste modo, olhando para a doutrina da justificação. Na doutrina da justificação vemos que somos absolvidos na morte de Cristo e se Cristo morreu por toda a humanidade logo, todos estão absolvidos. Mas o texto bíblico não diz isso. Em Isaías 53 diz que “ele justificará a muitos” . Paulo aos Romanos diz que “somos justificados pela fé” são justificados justamente aqueles que Deus “de antemão conheceu…predestinou…chamou…justificou…” (Rm 8.29,30). Fé/crê (gr. pisteuo/pistis) está justamente atrelado com a morte de Cristo “ deu seu filho Unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça” (Jo 3.16) e com a justificação “o homem é justificado pela fé” (Rm 3.28) “para sermos justificados pela fé em Cristo” (Gl 2.16).

Então concluísse em Jo 3.16 que a entrega de Cristo, como descrito em Isaías 53 foi pelas “as nossas dores” e que foi “ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades”. Cristo foi “moído” segundo o agrado do Senhor Deus e que “o trabalho da sua alma ele [Jesus] verá e ficará satisfeito” e Cristo “justificará a muitos”. João 3.16 nos mostra a certeza de salvação, “todo aquele que nele crê não pereça”, e a expiação limitada, limitada aos que crê (creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna. Atos 13:48).
Romanos 14.15 Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu.
1 Coríntios 8.11 E pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu.
Olhando estas duas passagens, sem analisar o contexto, dar-se a entender que o crente pode perder para sempre a salvação. Mas será que esta interpretação está correta em relação com a Escritura Sagrada? Nestas duas igrejas os crentes “fortes” estava pecando por terem feito os crentes “fracos” pecarem. E a relação entre as duas igrejas são a mesma, por causa de alimento.

Analisando Romanos 14 em seu contexto, a afirmativa arminiana sobre a perda de salvação é errônea. Em Romanos 14.4 Paulo diz “Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar.”. William Hendriksen diz:
É preciso ter em mente que “o que come’ ou “o forte” é a pessoa que está, pela soberana graça [de] Deus e pelo poder iluminador do Espírito Santo, de posse da percepção do significado da morte de Cristo para o viver diário. Em melhor condição que a pessoa “fraca” ou “abstinente”, ela apreendeu a verdade tão maravilhosamente expressa em Colossenses 2.14, a saber: que Cristo “cancelou o escrito de divida, que consistia em ordenanças, o qual se nos opunha. Ele o removeu, pregando-o na cruz”.

A pergunta, pois, é esta: “Quando uma pessoa, pela graça de Deus, guarda esta lição no coração, ela renunciará a esta joia preciosa?”  Por certo ela não pode permanecer de pé por seu próprio poder. Ela, porém, possui um Salvador que disse: “Minhas ovelhas ouvem minha voz; eu as conheço,e elas me seguem, e eu lhes dou a vida eterna, certamente jamais perecerão, e ninguém as arrebatará de minhas mãos” (Jo 10.27-28). Ou, como Paulo expressa a mesma verdade aqui em Romanos 14.4: “E ele ficará de pé, porque o Senhor é poderoso para mante-lo de pé”

Esta explicação de Hendriksen é plausível, porque o comentarista não nega o seu contexto. Porque se no verso 15, segundo a interpretação arminiana, o cristão pode se perder para sempre. O versículo 4 mostra claramente que o cristão pode até cair, mas não se perder eternamente porque é Deus quem o sustenta. D.A. Carson explica:

A palavra perecer (apollymi) é bem forte, normalmente com o significado de condenação eterna (2.12; 1Co 1.18; 2Co 2.15; 2Ts 2.10). Esse pode ser o sentido aqui, embora, se for, pode ser que Paulo não pense nisso literalmente. Ou pode ser que “perecer” esteja sendo usado aqui com um sentido bem mais fraco: o de “causar dano espiritual”.

Logo, segundo o auxilio de D.A. Carson e a tradução da Bíblia viva, o termo “perecer” 1Co 8.11 é “de causar um grave dano espiritual”. Então concluísse que o termo “perecer” em Romanos tem o mesmo sentido de 1Co 8.11 pelo o fato de estarem tratando, praticamente, do mesmo assunto. Porque se não anularemos a obra de Cristo, o qual diz o profeta Isaías: “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si.” E o termo “perecer” em 1Co 8.11 não pode significar perdição eterna, porque se for assim, logo, Paulo caiu em contradição.Veja a declaração dele em 1Co 8.1: “O qual [Deus] vos confirmará também até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.”.
2Corintios 5.18,19 E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação;Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.
Para os arminianos, o versículo 19 está dizendo que Cristo reconciliou “consigo o mundo” e que este mundo, segundo a interpretação deles, é literalmente o universo e tudo quanto nele há. Mas será que mais uma vez eles estão correto segundo as Escrituras Sagradas? Veremos.

Paulo no versículo 14 e 15 diz: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram.
 
E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.”, ou seja, Paulo está dizendo que Cristo morreu por todos e por estes que Cristo morreu não viverá mais para si mesmo, mas para Cristo. E continuando, o apóstolo diz no vs.17: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”. Seguindo a ordem da descrição do apóstolo, no vs.15 Paulo diz que a morte de Cristo por “todos” fez que estes “todos” não “vivam mais para si” mas vivam para Cristo, o qual morreu e ressuscitou por eles. E estes que por quem Cristo morreu, eles estão agora em Cristo, porque Cristo morreu por eles, e assim, vivem para Cristo e estes são uma “nova criatura”. Agora quem são estes que por quem Cristo morreu, por que se Cristo morreu por toda a humanidade, como explicam os arminianos, logo toda a humanidade não vive mais para si mesmo mas vivem para Cristo e são também uma nova criatura?

Então, se os arminianos dizem ser este “mundo” descrito em 2Co 5.19 a humanidade inteira, então toda a humanidade não vive mais para si mesmo e sim vive para Cristo e nisto os adeptos da doutrina do universalismo estão certos, que todos no fim serão salvos. Mas o interessante é que o vs.18 faz referencia a uma pequena palavra “vos” que significa na gramática pronome pessoal da 2.ª pessoa do plural, que se emprega quando nos dirigimos a muitas pessoas. E no verso seguinte Paulo faz referencia a um pronome demonstrativo “isto,é” demonstrando que este mundo somos nós, igreja. Veja a comparação: “que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo” / “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”. Então, concluísse que este “mundo” descrito em 2Co 5.19 somos nós, os quais Cristo reconciliou desde a fundação do mundo, os quais não irão adorar a besta e nem o falso profeta como descrito em Apocalipse: “Todos os habitantes da terra a adorarão, aqueles cujos nomes desde o princípio do mundo não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto.” Apocalipse 13.8, porque os que irão adorar e se perder eternamente são aqueles que por quem Cristo não morreu e nem estavam escrito no livro da vida desde a fundação do mundo. Porque é na morte de Cristo que somos reconciliados, logo os que adorarão a besta são justamente aqueles que por quem Cristo não morreu; “A besta que viste era, e já não é, e ela há de subir do abismo e vai-se para a perdição. Os habitantes da terra, cujos nomes não estão escritos no livro da vida desde o princípio do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e que já não é e que virá.” Apocalipse 17:8.

Mais uma vez, a interpretação arminiana não se enquadra com a Escritura Sagrada.
Colossenses 1.19,20 Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse. E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.
Para os arminianos, este versículo está tratando da reconciliação universal em Cristo. Que tudo o que há na terra e no céu, tanto homens, mulheres e anjos foram reconciliados com Deus. Calvino em sua exposição na Carta aos Colossenses pergunta: “Pois, que ocasião há para reconciliação, onde não há discórdia nem ódio?”, Calvino faz esta pergunta, sobre a suposta reconciliação dos anjos que estão nos céus. D.A. Carson faz uma breve explicação desta passagem:

Céus e terra foram restaurados à ordem definida por Deus. O universo está sob o domínio do seu Senhor e a paz cósmica foi restaurada. Reconciliar e “fazer a paz” (que envolve a ideia de trazer a paz; ou seja. vencer o mal) são expressões usadas como sinônimos para descrever a obra poderosa que Cristo realizou na história por meio de sua morte na cruz.

Carson explica que até os principados e potestades foram “apaziguados”, e assim ele continua:
 
Continuam a existir e se opõem a homens e mulheres (cf. Rm 8.38,39), mas no fim das contas não podem prejudicar alguém que esteja em Cristo. Sua queda é certa (1Co 15.24-28). Além disso, não se pode deduzir a partir desse versículo que todos os homens e mulheres ímpios aceitaram livremente a paz alcançada pela a morte de Cristo. Mesmo que no final todo joelho se dobre diante de Jesus e o reconheça como Senhor (Fp 2.10,11), não devemos supor que todos ficarão felizes com isso. Sugerir que o v.20 aponta para uma reconciliação universal, na qual todas as pessoas acabarão por desfrutar as bênçãos da salvação, não tem nenhum fundamento.

Mas será que esta reconciliação com todas as coisa, tanto as que estão na terra, como as que estão no céu tem a ver com toda a humanidade perdida? Ou será que esta reconciliação com todas as coisas tem a ver com os versículos 13 e 14? O qual diz: O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados. Esta reconciliação foi dada no ato da morte de Cristo, Ele nos tirou do lado inimigo, o qual é o inimigo de Deus, e nos fez sua propriedade. Mas se o arminiano pensa que esta reconciliação foi a toda humanidade, então todos são amigos de Deus, e isto irá contradizer o que o próprio apóstolo Paulo disse em Romanos 1.18 “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens…”. Logo, entende-se que esta reconciliação foi feita aos eleitos, porque no cap. 2.13ss Paulo faz referencia ao cap. 1.19,20 mas explicando mais claramente para que não haja nenhuma má interpretação. Segue-se assim:

Colossenses 2.13 E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, 

Paulo é claro em dizer que estávamos mortos, separados de Deus. E não tem como fazer uma reconciliação com alguém morto. Então, Paulo diz que Cristo nos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas. A mesma referência que Paulo faz em 1.13 “O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados”

Colossenses 2.14,15 Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.

Paulo está dizendo que Cristo riscou o escrito de divida que era contra nós cravando-a na cruz e segundo Calvino: “Paulo, contudo, diz que ficaram desarmados [os demônios], de modo que já não podem apresentar nada contra nós, sendo assim destruída a atestação de nossa culpa.”. A mesma referencia que Paulo faz em 1.21,22 “Vós, sendo outrora alienados e inimigos no vosso entendimento pelas vossas más obras, contudo agora vos reconciliou no corpo da sua carne pela sua morte, para vos apresentar santos e sem defeito e inculpáveis perante ele.” (Sociedade Bíblica Britânica).

Então temos que pensar um pouco. Se Cristo reconciliou todas as coisas, como dizem os arminianos, todos os seres humanos existentes na terra. Então as ofensas deles, todas as ofensas (2.13), estão perdoadas. Será, então, que a doutrina universalista está correta, todos serão salvos? Logo, não podemos fazer esta afirmativa porque o próprio apóstolo diz que nos “nos reconciliou no corpo da sua carne [na de Cristo] pela sua morte, para vos apresentar santos e sem defeito e inculpáveis perante ele.” (Colossenses 1.22). Paulo está dizendo que a reconciliação foi dada a nós e somos nós que seremos apresentados diante de Deus “santos e sem defeito e inculpáveis perante ele”.
1Timóteo 2.4-6 Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo.
Segundo a interpretação arminiana, esta passagem é uma pedra no sapato calvinista, ou o tendão de Aquiles do calvinista. Porque para eles a declaração do apóstolo Paulo é que Deus deseja que todos os homens, sem exceção, sejam salvos. E que Cristo também morreu por todos os homens, sem exceção. Mas será que mais um vez a interpretação remonstrante está correta? Veremos.

Mas antes eu tenho que fazer uma pergunta: “Cristo morreu por todo ser humano individualmente, inclusive por Judas e o Anticristo, expiando realmente a culpa e pagando a dívida de todos e de cada um?”

Mas como de praxe, nós reformadores temos que explicar um pouco do contexto da passagem para que tenhamos uma melhor interpretação da mesma. Paulo admoesta aos irmãos da igreja que cada um deles devem fazer orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens;
 
Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; (1 Timóteo 2:1-2). Paulo vem alertando os irmão para que não hajam entre eles um exclusivismo. Ou seja, Paulo estava dizendo que era para fazer orações não só pelos irmãos mas por todos os tipos de pessoas. Não só por irmãos em Cristo, mas pelos reis e pelos que estão elevados em dignidade. E nisto segue-se a ordem e Paulo diz que “todos os homens se salvem” e que houve “redenção por todos”. Ou seja, oração por todos, a salvação de todos e que Cristo morreu por todos. Mas será que o termo “todos” tem a ver com toda a humanidade, em sua totalidade?

O pronome “todos” dito pelo o apóstolo não quer dizer “por todos os seres humanos”, mas sim “por todos os tipos de pessoas” de qualquer que seja a sua posição na vida. Porque, analisando o pronome grego, “todos” (gr. panton) significa “todos os tipos”, “todas as espécies” o mesmo pronome grego descrito em 6.10 “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males…”(Almeida Corrigida e Revisada Fiel). Então seguindo o texto grego, Deus em sua redenção e eleição foi para todos os tipos de homens (Mt 20.28; Mc 14.24). E isto é explicado em Apocalipse 5.9 “compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação”. Ou seja, “Cristo comprou para o Senhor Deus, homens de todos os tipos sem exceção. Existem homens redimidos e eleitos em todas as tribos, língua, povo e nação” (paráfrase minha).

Mais um vez, analisando as Escrituras Sagrada, a interpretação arminiana não condiz com a hermenêutica bíblica.
O ultimo texto a ser analisado é:
1 João 2.2 E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.
Segundo a interpretação arminiana/ católica, desta passagem, Cristo haveria morrido por toda a humanidade. Eles dizem que esta frase: “pelos de todo o mundo”; se refere a toda a humanidade. Mas será que esta interpretação está correta? Vamos analisar.
 
Primeiro, quero fazer uma comparação com uma passagem no Evangelho do mesmo escritor desta epistola. Se encontra em João 11.51-52 : Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos.; (e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. 1Jo 2.2). Veja a semelhança da narrativa de João em seu evangelho e na epistola. Mas você deve estar se perguntando: “Ela, a epistola, não foi escrita só para gentios?” João inicia a sua carta com os seguintes dizeres: O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida 
(Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada);
 
O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo. 1 João 1:1-3. Parece que João está escrevendo a pessoas que estavam desde o inicio com ele, pessoas estas que tinham visto a Cristo, tocado nEle e ouvido palavras de dEle. Logo, João estava escrevendo primeiramente para Judeus , o qual era coluna da igreja “judia”: “Reconhecendo a graça que me fora concedida, Tiago, Pedro e João, tidos como colunas, estenderam a mão direita a mim e a Barnabé em sinal de comunhão. Eles concordaram em que devíamos nos dirigir aos gentios, e eles, aos circuncisos.” Gálatas 2:9.

Então, segue-se que a comparação da passagem da primeira epistola é clara com a passagem no Evangelho de João que Cristo não só morreu pelos os judeus convertidos, mas também pelos os outros que andam dispersos que não são deste aprisco, que serão agregadas (Jo 10.16).

A segunda analise que eu quero fazer é da palavra “mundo”. Vimos anteriormente que Cristo não morreu só pelos judeus convertidos mas pelos outros que serão reunidos em um corpo os filhos de Deus que andam dispersos. Agora veremos sobre esta colocação da palavra “mundo”. Louis Berkhof explica:

“A palavra mundo algumas vezes se usa para indicar que o particularismo do Antigo Testamento pertence ao passado, e que abriu caminho ao universalismo do Novo Testamento”
O reverendo Augustus Nicodemus faz uma declaração quanto a esta palavra, mundo:

“Entretanto, não podemos aceitar qualquer solução que minimize a eficácia do sacrifício de Jesus ou que exclua o aspecto de abrangência universal do que ele fez, ainda que não o compreendamos inteiramente – rejeitamos obviamente o universalismo, que declara a salvação de cada homem e mulher que já viveu. Assim, provavelmente deveríamos preferir a abordagem reformada tradicional, que remonta a Agostinho, e afira que Cristo morreu pelo mundo apenas potencialmente, enquanto que, eficazmente, somente pelo o seu povo, os eleitos. E ainda, dentro dessa mesma abordagem, devemos procurar entender as palavras que apontam para uma extensão universal da obra de Cristo dentro de seus respectivos contextos. Assim, aqui em 2.2, não é impossível que João quis dizer que Cristo morreu não somente por ele e pelo os crentes a quem escreveu essa carta, mas também por outras pessoas de todas as nações do mundo, ou pessoas de todas as classes sociais.”

Então não podemos dizer que Cristo morreu só pelo o mundo  daquela época, mas por pessoas de todos os tipos de todas as épocas, pessoas estas, que foram agregadas ao rebanho de Cristo. Mas será que esta palavra mundo, referindo-se a morte de Cristo, quer referir-se a expiação por toda a humanidade? A palavra mundo, nem sempre refere-se a toda a humanidade. Porque se for, então o evangelho já foi anunciado a toda a humanidade, segundo a narrativa de Paulo em Romanos 1.8 “Primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.  e em Colossenses Paulo diz que a verdade do evangelho chegou a vós, como também está em todo o mundo;” Colossenses 1.5,6.

Para finalizar, quero fazer uma comparação com as ações de nossa vida. Quando estamos para sair para algum lugar com a nossa família, e a mesma demora para sair nós a chamamos, e quase sempre chamamos assim: “Todo mundo pode entrar no carro, para nós irmos embora?” É claramente que não estamos chamando toda a humanidade para entrar no carro e ir embora, mas que estamos chamando um certo grupo de pessoas para entrar no carro e partir. Na tradução da Bíblia Viva quando Jesus prega para a mulher samaritana lhe mostrando quem poderia e pode matar a sede de um miserável pecador, diz a Palavra de Deus que ela “deixou o seu cântaro ao lado do poço, voltou à aldeia e disse a todo mundo.” (João 4.28 – Bíblia Viva), e é claro que ela não anunciou sobre Jesus Cristo a toda a humanidade e sim “àqueles homens” (Jo 4.28 – Almeida Corrigida e Revisada Fiel). Logo, este texto de 1 João 2.2 não apoia a doutrina de que Cristo morreu por toda a humanidade, porque em outras passagens vemos declarações de que Cristo morreu por sua igreja, por suas ovelhas:

Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, Efésios 5:25

Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. Romanos 5:8-10

Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. João 10:11

Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas. João 10:15

Pois, da mesma forma que o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, o Filho também dá vida a quem ele quer dá-la. João 5:21 – NVI

Mas se Cristo morreu por toda a humanidade, por que Cristo orou por aqueles que o Pai Soberano deste a Cristo e não por toda a humanidade? “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.” João 17:9 

Nota: 

Comentário Bíblico Vida Nova, D.A Carson; R.T France; J.A. Motyer; G.J. Wenham. – São Paulo: Vida Nova, 2009
Bíblia de Genebra, Ed. Cultura Cristã.
Romanos -  João Calvino.  - 2º Edição – São Paulo: Parakletos, 2001.
Comentário do Novo Testamento Romanos. William Hendriksen, São Paulo: Cultura Cristã.
1 Coríntios – João Calvino. – 2º ed. – São Bernardo do Campo, SP: Edições Parakletos, 2003
Série Interpretando o Novo Testamento: Primeira Carta de João. – Augustus Nicodemus Lopes. – São Paulo: Cultura Cristã, 2004.


 

Catecismo de Heidelberg I | Anglicana Carisma


Marcelo Lemos

1. Qual é o seu único fundamento, na vida e na morte?

O meu único fundamento é meu fiel Salvador Jesus Cristo (l). A Ele pertenço, em corpo e alma, na vida e na morte (2) , e não pertenço a mim mesmo (3). Com seu precioso sangue Ele pagou (4) por todos os meus pecados e me libertou de todo o domínio do diabo (5). Agora Ele me protege de tal maneira (6) que, sem a vontade do meu Pai do céu, não perderei nem um fio de cabelo (7). Além disto, tudo coopera para o meu bem (8). Por isso, pelo Espírito Santo, Ele também me garante a vida eterna (9) e me torna disposto a viver para Ele, daqui em diante, de todo o coração (10).

(1) 1Co 3:23; Tt 2:14. (2) Rm 14:8; 1Ts 5:9,10. (3) 1Co 6:19,20. (4) 1Pe1:18,19; 1Jo 1:7; 1Jo 2:2,12. (5) Jo 8:34-36; Hb 2:14,15; 1Jo 3:8. (6) Jo 6:39; Jo 10:27-30; 2Ts 3:3; 1Pe 1:5. (7) Mt 10:29,30; Lc 21:18. (8) Rm 8:28. (9) Rm8:16; 2Co 1:22; 2Co 5:5; Ef 1:13,14. (10) Rm 8:14; 1Jo 3:3.