quinta-feira, 20 de setembro de 2012

QUANDO A GANÂNCIA NOS DOMINA (COLIBRI OU ESPÍRITO SANTO?)


Por Pr. Silas Figueira


“Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão” 1Tm 6.7-11.

O apóstolo Paulo alerta seu filho na fé Timóteo que há um perigo que nos rodeia e que devemos tomar redobrado cuidado, esse perigo é a ganância. Que é o desejo de ficar rico sem qualquer escrúpulo.

Paulo na verdade está repetindo, em outras palavras, o que o Senhor Jesus disse no Sermão do Monte, quando alertou aos seus discípulos que não podemos servir a dois senhores:

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt 6.24).

O termo riqueza ou mamom é usado para descrever a cobiça que domina o coração de uma pessoa. A palavra mamom é uma transliteração da palavra hebraica "Mamom" (מָמוֹן), que significa literalmente "dinheiro". Nas palavras tanto de Jesus como nas de Paulo o desejo de ficar rico leva a ganância ou avareza, e dessa forma quem é dominado por esse desejo acaba se afastando de Deus que é o provedor de todas as coisas e passa a confiar em Mamom como o único provedor em sua vida. Esse demônio é descrito como devorador de almas, e um dos sete príncipes do Inferno. Sua aparência é normalmente relacionada a um nobre de aparência deformada, que carrega um grande saco de moedas de ouro, e "suborna" os humanos para obter suas almas. Em outros casos é visto com uma espécie de pássaro negro (semelhante ao Abutre), porém com dentes capazes de estraçalhar as almas humanas que comprara [1].

Independentemente de sua aparência esse demônio tem seduzido muitas pessoas e a Bíblia nos alerta do perigo que é se deixar seduzir por ele. O primeiro perigo que a Bíblia nos alerta é que podermos nos tornar uma pessoa ambígua, ou seja, ficamos divididos entre dois senhores. No caso em questão a pessoa deixa de adorar a Deus pelo que Ele é e passa a servir a Mamom pelo o que ele pode vir a dar. Com isso, a pessoa que está dividida, na verdade está longe de Deus e está totalmente servindo a Satanás, pois o próprio Jesus deixou bem claro que não podemos servir a dois senhores e o Senhor não se deixa escarnecer. Veja o que ele disse aquele homem que queria servi-lo, mas que para isso ele deveria vender tudo que tinha e distribuir com os pobres, depois segui-Lo. Jesus não tinha nada contra o que ele possuía, mas da forma idolátrica que ele possuía os seus bens. A sua confiança e a sua religião estavam firmadas no que ele possuía e não em Deus que ele dizia servir (Mt 19.16-22). É bom lembrar que predominava entre os judeus daqueles dias a ideia de que as riquezas eram um sinal do favor de Deus, e que a pobreza era um sinal de falta de fé. Jesus então está mostrando para os discípulos que quem confia nas riquezas e não em Deus não entrará no Reino de Deus. Para isso Jesus ilustra a Sua palavra falando que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha (agulha de costura), do que entrar um rico no Reino de Deus:

“Então, disse Jesus a seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Mt 19.23,24).

A Bíblia nos mostra que essa busca insaciável e avarenta pelas riquezas é idolatria, a qual é demoníaca (cf. 1Co 10.19,20; Cl 3.5), e há muitos cristãos caindo nessa ilusão.

Segundo perigo que a Bíblia nos alerta é que quem é dominado por esse desejo é levado a ruína e a perdição (1Tm 6. 9).

Observe como essa ruína e perdição ocorrem. Em primeiro lugar Paulo diz que essa cobiça é uma tentação, ou seja, procede de Satanás, pois Deus não tenta ninguém e nem pode ser tentado: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta” (Tg 1.13). Deus prova os seus servos e provação é diferente de tentação (cf. Gn 22).  

Em segundo lugar, Paulo nos diz que isso é uma cilada, uma armadilha para derrubar os incautos. Essa tentação leva a uma cilada que leva a muitas concupiscências insensatas e perniciosas, ou seja, o senso moral fica totalmente ofuscado como resultado da paixão que o domina [2]. A pessoa passa a agir de forma impensada, pois é dominada por um desejo incontrolável, tal pessoa perde o senso, ou seja, é dominado por uma concupiscência insensata (sem senso, que perdeu a razão). Outro detalhe que Paulo nos chama a atenção é que essa concupiscência é perniciosa. Esse termo quer dizer que é algo prejudicial, nocivo, ruinoso; perigoso. É como se a pessoa estivesse com uma febre muito grave, acompanhada de delírios, e amiúde mortal.

Em terceiro lugar, Paulo fala que tal desejo leva a pessoa à morte; morte essa que pode ser tanto espiritual quanto física, pois a pessoa é afogada na ruína e perdição. Paulo está dizendo que tal pessoa está em total decadência e desgraça. Esse é o preço pago pela ganância.  Um exemplo disso é o Mister Colibri, onde milhares de pessoas pensam que irão ficar ricas ou até mesmo milionárias da noite para o dia ganhando cerca de 240% de lucro ao mês. Isso não existe, mas tem pessoas cegas pela ganância que não conseguem ver isso.      



Moeda virtual não tem lastro

A dona de casa Ivonete Mendes, de Itatiba, interior de São Paulo, é associada do Mister Colibri há quatro meses. Além dela, a irmã, a mãe e dois sobrinhos também aderiram ao site. Ivonete investiu R$ 5.000 e recebe cerca de R$ 1.300 por mês. Sua irmã já investiu R$ 15 mil e ganha mais de R$ 2.000 por mês. "É uma empresa maravilhosa, só preciso assistir a um minuto e meio de propaganda", comemora.

Para conseguir esse lucro, ela precisa vender seu dinheiro virtual, os LPs, a outros associados, geralmente os que são mais novos no esquema. "Quando preciso de dinheiro rápido, vendo cada LP por R$ 1,70, mas já cheguei a vender por R$ 2".

O problema é que quando houver mais vendedores que compradores, o LP vai se desvalorizar, até que os associados percebam que ele não tem valor nenhum. "É uma temeridade pessoas darem dinheiro para algo que não tem nenhuma regulamentação e nem garantia legal", diz o professor de gestão empresarial da faculdade IBS/FGV, Pedro Leão Bispo.

"Captar dinheiro sem oferecer nenhum produto ou serviço é crime contra a economia popular", esclarece o advogado especialista em direito criminal Fernando Khaddour. "Não conheço a Mister Colibri e não posso falar sobre a empresa, mas cabem investigações do Ministério Público ou da Polícia Federal para que sejam esclarecidas as formas de operação da empresa". (PG) [3]. 

Esse amor às riquezas levam as pessoas a aprofundar raízes em todo tipo de males:

"Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores".

Primeiramente, se desviam da fé, ou seja, a pessoa se apostata da fé deixando de servir a Deus para servir os seus próprios interesses, pois passa a amar o dinheiro mais que a Deus. E segunda coisa que ocorre por se apostar da fé é que a própria pessoa se fere ou se transpassa com muitas dores. As consequências são as piores possíveis na vida do ganancioso. A ganância cega e leva a pessoa a amar a si mesmo (egoísmo) e passar por cima de tudo e de todos.

A MAIOR RIQUEZA É O SENHOR EM NOSSAS VIDAS

“Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão”

Depois de Paulo alertar dos perigos da riqueza, ou melhor, do amor ao dinheiro, ele mostra a Timóteo o que é prioridade na vida.

Em primeiro lugar, que na vida nada trazemos e nada levaremos dela. Em outras palavras Paulo está nos dizendo que tudo que alcançarmos nessa terra é lucro, mas ao mesmo tempo é fugas e passageiro. Observe o que ele disse: “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes”. O termo contente que dizer que temos satisfação em tudo, que estamos satisfeito com que o Senhor tem nos dado. É isso que Paulo nos fala em Filipenses 4. 10-13:

“Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade.

Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece”.

Segunda coisa que Paulo nos mostra é devemos fugir dessa tentação, pois ela pode ser maior que nossa resistência e não conseguiremos resisti-la: “Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas”. Com o pecado não se brinca, pelo contrário se foge-se dele.

Terceira coisa que Paulo lembra a Timóteo é que existem riquezas maiores a serem perseguidas. “Antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão”. Essas sim são riquezas que devemos buscar constantemente para sermos ricos aos olhos de Deus e também diante dos homens. Pois essas riquezas espirituais moldam e revelam o nosso caráter e nos faz testemunhas fiéis diante dos homens e diante de Deus.

Quero concluir dizendo que a ganância é o maior mal que entrou em nossas igrejas com o nome de Evangelho da Prosperidade. Esse espírito que na verdade é o espírito de mamom tem estado em muitas igrejas, algumas vezes disfarçadamente e outras descaradamente.

Que o Senhor nos de sabedoria e discernimento espiritual para não cairmos nessa tentação.

Que o Senhor nos ajude!
Fonte:
2 – Kelly, J.N.D. I e II Timóteo e Tito, Introdução e Comentário. Ed. Mundo Cristão e Edições Vida Nova, São Paulo, SP. Reimpressão 1986: p. 130
3- Grossi, Pedro,  Jornal O Tempo - Belo Horizonte (08/06/2012)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Evangelizando as Testemunhas de Jeová: O Espírito Santo- Parte 2

Evangelizando as Testemunhas de Jeová: O Espírito Santo- Parte 2

Segundo a Liderança TJ, o Espírito muitas vezes é derramado, batiza-se nele e ele enche pessoas, fato esse que provaria que ele não é uma pessoa. Então pergunte ao TJ:
Se dizer “batizado com Espírito” prova que Ele não é uma pessoa, então o que dizer de I Cor 10:2 e Gálatas 3:27? Moisés e Jesus não seriam pessoas ?
Pode ser que o TJ tente ainda destacar os dizeres de seus Líderes. Mas essa comparação usando a Bíblia, onde pessoas são usadas como símbolos de coisas, colocará o TJ em dificuldades. Argumente com ele que se nesse caso, Moisés e Jesus não deixam de ser pessoas, por que o Espírito Santo não seria?

Outra erro da Liderança TJ é que, o Espírito Santo não foi visto em muitas visões celestiais, então ele não pode ser uma terceira pessoa da Divindade. Muito pode ser dito sobre essa argumentação. Pergunte:
Se por Estevão não ver o Espírito Santo no céu prova que ele não é uma pessoa Divina, então onde estava o Filho na visão de Ezequiel capitulo 1?
O argumento dos Líderes TJs aqui é sem sentido, por vários motivos. Primeiro que, não aparecer nessas visões não significa que Ele não exista. Segundo, eles precisam provar qual é o motivo que Ele precisa aparecer nessas visões para que só assim ele é uma pessoa Divina. Terceiro, que no livro de Apocalipse Jesus é visto no céu como um cordeiro de chifres e o Espírito Santo em seu ministério sétuplo. As figuras são suficientes, dentro do propósito do livro, mostrar as realidades celestiais. O argumento do silêncio é gratuito, e como tal, pode ser descartado.

Pergunte: "Ananias e Safira , mentiram para quem ? É possível mentir para ‘algo’ que não seja pessoal?"
Quanto trabalho os Líderes TJs devem ter para sustentar essa mentira. Mas, mais uma vez o malabarismo de textos bíblcos é aplicado. Eles dizem que o espírito é de Deus, vindo Dele, então foi ao final das contas a Deus que eles mentiram.
Como algo pode representar ativamente alguém? Sei que varias coisas inanimadas representam a Deus. Batismo, Santa Ceia e a própria Bíblia. Mas a forma que desonramos e honramos essas coisas são por sí mesmas reveladas. Elas representam algo. Não é possível relacionarmos com essas coisas de forma ativa, mas apenas representativas. Outro motivo que mostra que a comparação é insuficiente, é que a mentira por sí exige uma 'vítima'. Não é possível mentir para algo porque a mentira só é emitida para pessoas. Mentir é omitir a verdade para alguém que quer saber, ou que tenha direito de saber, a verdade.
Sendo o Espírito Santo uma pessoa, tal como era Pedro (o representante do Espírito naquele momento), foi ofendido pela mentira.
Argumente ainda: Leia Romanos 15.30. Uma força ama? Como? Não se esqueça de ler esse texto com o TJ. Ele não poderá demonstrar como algo ama, especialmente quando outras pessoas são citadas no mesmo versículo.
Continua...
 

Jeremias: um exemplo de fidelidade


“A mim veio, pois, a palavra do SENHOR, dizendo: Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações. Então, lhe disse eu: ah! SENHOR Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança. Mas o SENHOR me disse: Não digas: Não passo de uma criança; porque a tosos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eu te mandar falarás. Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR. Depois, estendeu o SENHOR a mão, tocou-me na boca e o SENHOR me disse: Eis que ponho na tua boca as minhas palavras. Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e para plantares. Tu, pois, cinge os lombos, dispõe-te e dize-lhes tudo quanto eu te mandar; não te espantes diante deles, para que eu não te infunda espanto na tua presença”. Jr 1. 4-10, 17.     
Quando nos voltamos para as escrituras somos surpreendidos com o tipo de pessoas que Deus usa para realizar os seus projetos. Muitas vezes, para nosso desapontamento, os homens e mulheres bíblicos não foram os heróis que imaginamos. Não encontramos modelos impecáveis de virtude. Por exemplo: Abraão mentiu; Jacó enganou; Moisés assassinou e murmurou; Davi cometeu adultério, e Pedro blasfemou. E quando nós olhamos para eles muitas vezes nós nos vemos, e isso porque nós fomos moldados no mesmo barro que eles. A Bíblia recusa-se a alimentar a nossa ânsia por cultuar heróis para que possamos somente cultuar Aquele que nos chamou assim como chamou esses personagens bíblicos.
Quando procuramos nas escrituras alguém que se encaixe em uma vida de fidelidade, meus olhos recaem sobre a vida do profeta Jeremias. Poderíamos citar muitos outros exemplos, no entanto eu vejo na vida desse homem um exemplo de fidelidade no sofrimento e não no prazer.
Hoje em dia fala-se muito sobre “uma vida de excelência”, se existe alguém que se encaixe bem dentro desse contexto bíblico é o profeta Jeremias. O seu livro nos deixa claro que a excelência é resultado de uma vida de fé, de estar mais interessado em Deus do que em si mesmo, e que tem pouco a ver com autoestima, conforto ou realizações.
As qualidades marcantes em sua vida são sua bondade, sua virtude e sua excelência. Ele viveu a vida em sua totalidade. No entanto, sua piedade não o livrou das dificuldades, pois enfrentou esmagadoras tempestades de hostilidade e fúria de dúvidas amargas. A bondade de Jeremias não se traduzia em “ser bonzinho”. A palavra mais adequada talvez fosse bravura. Por que falamos isso? Porque durante seu ministério público de quarenta anos e meio às mais confusas e caóticas décadas de toda a história de Judá, Jeremias foi invencível. Por diversas vezes seu íntimo foi tomado por intensa agonia, porém Jeremias nunca se desviou do curso traçado por Deus. Ele foi cruelmente escarnecido e severamente perseguido, mas jamais mudou a sua posição. Havia sobre ele uma tremenda pressão para que mudasse, fizesse concessões, desistisse e se escondesse. Jeremias, porém, jamais aceitou fazer qualquer destas coisas. Ele portou-se como “muros de bronze”.
JEREMIAS: UM PROFETA AS PORTAS DO CATIVEIRO
O ministério profético de Jeremias foi dirigido ao Reino Sul (Judá), durante os últimos quarenta anos de sua história (626-586 a.C.). Ele viveu para ser testemunha das invasões babilônicas em Judá, que resultaram na destruição de Jerusalém e do templo. Tudo isso ocorreu porque a nação não deu ouvidos a voz do Senhor por intermédio do seu profeta (cf. Jr 6.8,10, 14,15, 22,23, 7.24). Jeremias testemunhou a queda de Jerusalém, capital de Judá, esmagada sob as forças do exército babilônico. Presenciou todos os horrores da guerra que proclamou, pois parte das suas profecias se cumpriram enquanto estava vivo.
JEREMIAS: UM PROFETA QUE VIVIA O QUE PREGAVA
A função de um profeta é convocar as pessoas a viverem bem, de forma certa – a serem humanas. Porém, isso é mais do que apenas transmitir essa mensagem, é necessário também vivê-la. O profeta deve ser aquilo que prega. Da mesma forma, nós crentes em Jesus temos a obrigação de viver o que pregamos principalmente os pastores, pois são os primeiros a exortarem a igreja a ter uma vida com Deus e, infelizmente, pelo que temos visto por aí, alguns são os últimos a tentarem por em prática o que pregam.  Abençoam as famílias, mas são divorciados. Pregam a fidelidade, mas são infiéis. Falam sobre liberalidade, mas são apegados ao dinheiro. Dizem que tudo que fazem é para glória de Deus, mas estão visando mesmo é a sua glória. Dizem que estão à sombra da cruz, mas estão mesmo é a luz dos holofotes. Pregar é muito fácil, difícil é ser como Jeremias, coerente com o que se está pregando.
AS CONSEQÜÊNCIAS DA FIDELIDADE DE JEREMIAS
1º – VIDA SOLITÁRIA (Jr 16.1-4)
“Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Não tomarás mulher, não terás filhos nem filhas neste lugar. Porque assim diz o SENHOR acerca dos filhos e das filhas que nascerem neste lugar, acerca das mães que os tiverem e dos pais que os gerarem nesta terra: Morrerão vitimados de enfermidades e não serão pranteados, nem sepultados; servirão de esterco para a terra. A espada e a fome os consumirão, e o seu cadáver servirá de pasto às aves do céu e aos animais da terra”.
O celibato e a austeridade de Jeremias eram sinais da chegada de tempos difíceis e, de desastre para Judá. O profeta envidou todos os seus esforços para cumprir sua missão, esquecendo os confortos e prazeres pessoais. Não lhe restaria tempo para cumprir seus deveres normais como marido e como pai. Era um tempo ruim para constituir família em Jerusalém. De fato, não haveria mais células familiares após o exército babilônico terminar a matança. O Senhor diz para Jeremias: “Eis que farei cessar neste lugar, perante vós e em vossos dias, a voz de regozijo e a voz de alegria, o canto do noivo e a da noiva” (Jr 16.9). A nação de Judá estava próxima do fim, e no fim também deveria estar seu regozijo. Assim, antes que tudo acontecesse, o profeta tinha de retirar-se de toda a ocasião de felicidade. O profeta Jeremias veria, com os próprios olhos, a calamidade que terminaria com a alegria da nação.
Se o sofrimento do profeta já era grande, imagine se ele perdesse a família? Seria muito maior seu sofrimento. Às vezes Deus nos impede de termos determinadas coisas para nos poupar de sofrimentos maiores posteriormente.
2º – SOFRIMENTO FÍSICO (Jr 20.1-3)
“Pasur, filho do sacerdote Imer, que era presidente da Casa do SENHOR, ouviu a Jeremias profetizando estas coisas. Então, feriu Pasur ao profeta Jeremias e o meteu no tronco que estava na porta superior de Benjamim, na casa do SENHOR. No dia seguinte, Pasur tirou Jeremias do tronco. Então, lhe disse Jeremias: O SENHOR já não te chama Pasur e sim, Terror-Por-Todos-Os-Lados”.
Jeremias acusou os líderes de Judá de renderem-se a um sistema religioso que lhes garantia o sucesso em qualquer um de seus empreendimentos, mas que, ao mesmo tempo, eles estavam abandonando o Deus que os havia chamado para uma vida de amor e fé. Jeremias também os acusou de utilizar elementos religiosos dos povos que os cercavam, criando um ritual religioso visando aos benefícios da luxúria, manobrando fórmulas religiosas a fim de obter prosperidade financeira. Não está nada diferente os dias atuais da do tempo do profeta Jeremias, quantas igrejas hoje que mais parece um centro espírita do que uma igreja evangélica é tanto galho de arruda, tanto sal grosso, tanta espada de São Jorge que misericórdia! Outras, mais parecem um comitê político, os púlpitos viram palanques e o nome do Senhor tem sido usado não para levar as pessoas a se converterem dos seus maus caminhos, mas para fazer com que estes que os escutam votem neles. O povo não passa de massa de manobra nas mãos desses falsos crentes. E muitos ainda dizem que estão ali por ordem do Senhor Jesus, inclusive pastores. O tempo passa, mas o homem continua o mesmo. E quem ousa se levantar contra essa gente é perseguido ferozmente, quando não, são rotulados como crente sem visão, que não tem as revelações de Deus, e por aí a fora. Meu irmão, seja um Jeremias, não se venda a essa gente, não lhes dê atenção. Não troque o pouco de Deus pelo “muito” do diabo. Jeremias sofreu na pele por ser fiel a Deus, mas ele não foi o único. Muitos antes dele sofreram e depois dele também. Mas o fim é a glória que está reservada para os fiéis.
3º – CRISE EXISTENCIAL (Jr 20.7-9)
“Então eu disse a Deus: O SENHOR me convenceu a ser profeta, e eu aceitei pensando que seria protegido. O SENHOR foi mais forte do que eu e me obrigou a anunciar suas palavras. E veja o resultado! Hoje toda a população de Jerusalém ri às minhas custas! Porque sempre me obrigou a gritar alto, anunciando castigo e destruição? Por causa disso, todos zombam de mim e já não posso sair à rua sem passar vergonha! E apesar de tudo isso, não posso deixar de falar sobre o SENHOR. Se penso em parar, as suas palavras queimam como fogo no meu coração e nos meus ossos, o sofrimento é tanto que não posso agüentar” (Bíblia Viva). O próprio texto fala por si.
Fidelidade a Deus, muitas vezes gera perseguição e morte, veja o que o apóstolo Paulo falou a esse respeito: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3.12). E foi exatamente isso que John Wycliffe sofreu.
John Wycliffe viveu aproximadamente entre 1320 e 1384. Discordando frontalmente da postura da igreja oficial da sua época, Wycliffe defendia a idéia de que as pessoas deveriam ler a Bíblia em sua própria língua. “As Escrituras Sagradas são propriedade do povo e ninguém pode tirá-las do povo. Cristo e seus discípulos converteram o mundo fazendo a Bíblia conhecida de um modo que lhes era familiar… Oro com todo o meu coração para que, fazendo o que este livro recomenda, possamos todos chegar à vida eterna”, disse certa vez.
Como foi que John Wycliffe pôs a Bíblia nas mãos dos ingleses? Primeiro, ele organizou um grupo e começou a traduzi-la da Vulgata, a tradução latina. Em 1382, John Wycliffe havia traduzido o Novo Testamento para o inglês. Cada linha de sua tradução foi escrita a mão; a imprensa só seria inventada 68 anos depois. Quando a obra se completou, Wycliffe procurou homens que pudessem ensinar as verdades da Bíblia ao povo inglês. Esses homens, foram treinados por ele e ficaram conhecidos pelo nome de lolardos, viajavam por todo o país, de dois em dois, pregando e ensinando a Bíblia.
A igreja oficial tentou destruir a tradução, mandou prender Wycliffe e o declarou culpado de corrupção da igreja. Wycliffe perdeu o emprego como professor na Universidade de Oxford, e foi excluído da igreja. Doente, retirou-se para o interior do país, onde veio a falecer. Foi tão odiado que em 1415, ou seja, 31 anos depois da sua morte, seus ossos foram queimados em praça pública por ordem do Papa, e as cinzas lançadas no rio Swift, como símbolo da destruição de sua memória.
A memória e o exemplo de Wycliffe, porém, continuam vivos ainda hoje. Existe até uma sociedade missionária – os tradutores da Bíblia de Wycliffe – cujo ministério consiste em traduzir a Palavra de Deus para outros idiomas; o grupo já conseguiu fazê-lo para cerca de 650 línguas. A grande preocupação hoje da maior parte dos editores da Bíblia é colocá-la na linguagem do povo, herança de um teólogo que por causa da Bíblia se fez maldito.
Jeremias, assim como Wycliffe pagaram um alto preço por serem fiéis a Deus. E você? A sua fidelidade a Deus tem gerado perseguição em sua vida? O apóstolo Pedro nos fala em sua primeira carta que se pelo nome de Cristo somos injuriados, bem-aventurados somos, porque sobre nós repousa o Espírito da glória e de Deus (1Pe 4.14). E completa dizendo: “Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome”. (1Pe 4.15,16). A perseguição pode vir sobre a nossa vida, mas que seja pela nossa fidelidade a Deus e não por estarmos sendo infiéis a Ele.
O final de Jeremias não é conclusivo. Nós gostaríamos de saber o seu fim, mas não sabemos. O capitulo 44 retrata como o profeta Jeremias passou grande parte da sua vida, pregando a Palavra de Deus para um povo que o desprezava. Uma parte do povo que conseguiu fugir para o Egito passou a adorar os deuses de lá e a queimar-lhes incenso. O Senhor foi trocado pela Rainha do Céu. Mas lá no Egito, um lugar que ele não gostaria de estar, tendo ao lado pessoas que o trataram de forma cruel, ele prosseguiu fiel e corajosamente, sob o fardo de uma impiedosa rejeição.
Existe uma fonte extra bíblica chamada “lives of the prophets” de Charles Curtle Terrey que diz Jeremias morreu no Egito, apedrejado até a morte pelos judeus. Ele foi enterrado no lugar onde se erguia o palácio do Faraó; pois era honrado pelos egípcios, em virtude dos benefícios que haviam recebido por intermédio dele. Mediante suas orações, as serpentes, chamadas de epoth pelos egípcios, haviam ido embora. Bem disse Jesus: “Não há profeta sem honra, senão na sua terra e na sua casa” (Mt 13.57).
Profeta vive para Deus e procura fazer a Sua vontade, ainda que para isso tenha que sofrer retaliações. Profeta luta pela causa de Deus sem medo dos homens. “Profeta é aquela pessoa que cria um problema, revelando o problema a fim de solucionar o
problema”.
A atuação apaixonada dos profetas tem um significado central, que é a representação em pequena escala dos sentimentos e intenções do próprio Deus. É Deus escolhendo uma pessoa para falar em nome dele, para que o povo pudesse ver e ouvir o drama de Deus no drama de um ser humano. E quando isso acontece, o profeta se torna o nervo exposto de Deus, pois sua sensibilidade ao mal e à injustiça aumenta a níveis quase insuportáveis. O nervo exposto do profeta é uma janela para entendermos o caráter de Deus e que, como tal, provoca dores intensas. Profeta é muito mais do que previsão de eventos futuros, é Deus chamando de volta para si os que o rejeitaram.
Bibliografia:
GRAY, Alice. Histórias Para o Coração. Jimmy Durante. 1ª Ed. Editora United Press, Editora Hagnos. São Paulo, SP: 2001 reimpressão – setembro – 2004.
GUEDES, Marson. O Caminho de Jeremias. 1ª ed. Associação Religiosa Editora Mundo Cristão. São Paulo, SP: 2004.
ORTBERG, John. Somos Todos (A)Normais? 1ª ed. Editora Vida. São Paulo, SP: 2005.
PETERSON, Eugene. Corra Com os Cavalos. 1ª ed. Editora Textos, RJ e Editora Ultimato, MG: 2004.
Fonte: Napec
 

O que é Pietismo?

Pietismo é uma visão que olha para o mundo mais amplo como uma questão de extrema insignificância, pois se foca exclusivamente em tornar a alma individual melhor. Radicalmente individualista e profundamente gnóstico, o movimento evita o envolvimento político, denigre o exercício do domínio e algumas vezes faz adições à lei de Deus. Isso, sem dúvida, nunca deveria ser confundido com piedade, que é algo bom. Piedade é santidade no caráter, um zelo de crescer em graça e sabedoria, dar muito fruto do Espírito. Porque essas duas coisas são frequentemente confundidas, não é incomum aqueles mais relaxados na busca da santidade acusar os mais zelosos de pietismo. De forma semelhante, não é incomum alguns que são apaixonados em reafirmar os direitos régios do Rei Jesus, que anseiam em ver o Seu reino reconhecido, desdenhem a busca da piedade pessoal como uma distração.
Nosso chamado, sem dúvida, é trabalhar para manifestar o reinado de Cristo sobre todas as coisas, incluindo nossas almas. E devemos fazer isso em círculos concêntricos. Isto é, minha primeira obrigação é buscar a minha própria santidade. Em seguida devo trabalhar para ver que meus filhos cresçam na graça. Em seguida estão aqueles sob o meu cuidado pastoral, direta ou indiretamente. Finalmente devo trabalhar para ver todas as instituições sob o Seu domínio. Todos nós deveríamos reconhecer quão firmemente ligadas essas coisas são. O mundo, a igreja, minha família melhorarão à medida que eu melhorar. Não abandonei essas coisas para buscar uma piedade maior; estou buscando uma maior piedade servindo a Deus nessas áreas. Da mesma forma, purificar o mundo, a igreja e a minha família por sua vez redundam para minha própria santificação. Ninguém pode errar ao trabalhar para ver a glória e a beleza da autoridade de Cristo mais amplamente reconhecida.
Dito isso, eis aqui alguns exemplos onde a piedade termina e o pietismo começa. Não é incomum ouvir alguns cristãos bem intencionados argumentarem que não deveríamos tentar tornar o aborto ilegal, pois, somos informados, “Isso é uma questão do coração”. Em vez disso, somos informados que precisamos somente trabalhar para ganhar almas, e a questão do aborto cuidará de si mesma. O mesmo, sem dúvida, poderia ser dito sobre o assassinato. O assassinato é ilegal, e as pessoas ainda o praticam. Dessa forma, por que ver os assassinos processados? Ganhar almas não é muito mais importante? Bem, o Senhor a quem alegamos adorar estabeleceu o Estado como um instrumento de justiça. Ele deu a esse Estado a espada para punir os malfeitores. Isso significa que ele chama o Estado a proteger os não nascidos. É impiedade abandoná-los mediante o abandono do nosso chamado profético ao mundo. Sem dúvida deveríamos buscar ver almas alcançadas. Assim como deveríamos buscar ver a justiça sendo feita para com os não nascidos.
Isso nos leva ao nosso segundo exemplo. Há aqueles que argumentam que a única função da igreja é a Palavra e os Sacramentos. A Bíblia, nos é dito, não fala diretamente sobre questões políticas. A igreja não deveria estar falando contra comportamento homossexual. A igreja não deveria falar em favor dos não nascidos. Cultura é simplesmente cultura, uma realidade humana mais que uma realidade espiritual. Não há, portanto, tal coisa como trazer a carpintaria, poesia ou política sob o Senhorio de Cristo. Isso é pietismo. Ele pode estar disposto a afirmar o Senhorio de Cristo sobre todas as coisas, mas não de uma forma que você possa dizer que Jesus reina. A Palavra nos chama a fazer o Seu reinado conhecido, a destruir as obras do diabo e suas tropas diabólicas. E os sacramentos alistam (batismo) e alimentam (Ceia do Senhor) o Seu exército.
Pietismo é uma palavra feia, e podemos ser culpados de usá-la demasiadamente. Um problema, contudo, é que o pietismo é uma realidade feia. A piedade nos chama a sair e demonstrá-la lá fora, em nome do nosso Rei ressurreto e soberano.
 
 
Fonte: Highlands Ministries
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – setembro/2012


Sobre o Autor

R. C. Sproul Jr.
R. C. Sproul Jr.
Dr. R.C. Sproul Jr. gradou-se no Reformed Theological Seminary e no Grove City College. Recebeu seu Doutorado em Ministério em 2001. É o pastor fundador da Saint Peter Presbyterian Church, e é o fundador, diretor e professor do Highlands Ministries. Sproul Jr. escreveu e editou dezenas de livros, incluindo Biblical Economics, Almighty Over All,Tearing Down Strongholds, Eternity in our Hearts, Bound for Glory, When You Rise Up, Believing God e The Call to Wonder (2012). The important thing is that he is the the father of Darby, Campbell, Shannon, Delaney, Erin Claire, Maili, Reilly and Donovan.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

OBSERVAÇÕES SOBRE A AUTENTICIDADE DE I João 5:7


"Em I João5:7,8 o Texto Recebido (Textus Receptus) nos apresenta duas tríades de testemunhas, uma no céu, a outra na terra, e declara a unidade da primeira tríade em um só ser. No texto grego revisado que fundamenta as versões modernas, tudo isto é omitido, e toda a referência a eruditos modernos e que têm implicações doutrinárias parecem minar a doutrina da Trindade, e particularmente a doutrina da deidade de Cristo. As diversas leituras nos manuscritos e versões contam-se por centenas de milhares, mas a grande maioria são insignificantes. Entre as poucas diversas leituras importantes há umas que atingem esta única doutrina – uma doutrina fortemente debatida entre crentes ortodoxos e hereges logo antes de serem escritos os três mais antigos manuscritos (cópias).

As controvérsias Ariana e Sabeliana correram ardentemente nos Séculos III e V e as cópias ora tidas com elevado valor entre eruditos, foram escritas nos séculos IV e V. A hostilidade desses documentos contra a doutrina trinitariana incita a mente à conclusão que tais omissões e alterações não são meramente os erros ocasionais dos copistas, mas a obra dum esforço deliberado. Ao lembrarmos da data do grande contesto trinitariano na Igreja, e ao compará-lo com a data atribuída a esses documentos, a nossa suspeita grandemente se sobressalta. O partido de Atanásio introduziu testemunhas espúrias no texto a fim de promover a sua doutrina trinitariana, ou o partido de Ários apagou testemunhas autênticas das cópias do texto sagrado a fim de ocultar esta doutrina?

Os alegados códices mais antigos concordam em omitir um número notável de testemunhas da divindade de Cristo assim como omissões relativas a prática e fé do Evangelho. Isto aconteceu porque esses documentos antigos representam as opiniões dos copistas que consideravam os Trinitarianos atanasianos como corruptores, ou pode ser comprovado que as omissões foram feitas propositadamente pelos Arianos para apagar as evidências escriturísticas contra o seu caso?

Todos os críticos votam contra a autenticidade de I João 5:7, mas vejamos se a questão é tão clara como acham. Os argumentos em favor de sua autenticidade conduzem elevado grau de probabilidade, e este texto é um bom exemplo do valor da evidência interna, desprezada pelos críticos modernos. Segue o texto completo com as palavras disputadas entre parênteses:



HOTI TREIS EISIN HOI MARTUROUNTES (EN TO OUTANO, HO LOGOS, KAI TO HAGION PNEUMA, KAI HOUTI HOI TREIS HEN EISI. KAI TREIS EISEN HOI MARTUROUNTES EM TE GE) TO PNEUMA, KAI TO HUDOR , KAI TO HAIMA; KAI HOI TREIS EIS TO HEN EISIN.

A evidência interna contra a omissão é a seguinte:

1. O artigo, numeral e particípio masculino HOI TREIS MARTUROUNTES, são forçados a concordar diretamente com três neutros, uma dificuldade gramatical grosseira e insuperável. Se as palavras disputadas permanecem, elas concordam com dois masculinos e um substantivo neutro HO PATER, HO LOGOS, KAI TO HAGION PENUMA e, conforma a regra de sintaxe, os masculinos entre um grupo controlam o gênero do neutro ligado a eles. Desta forma a concorrência dos masculinos TREIS MARTUROUNTES no verso 8 concordando com os neutros PNEUMA, HUDOR e HAIMA podem se explicar pela força de atração, bem conhecida na sintaxe grega.



2. Omitidas as palavras disputadas, o verso 8 segue logo após o 6 e faz uma repetição grosseira, esquisita e aparentemente sem nexo do testemunho do Espírito, duas vezes logo em seguida.



3. Com a omissão das palavras, as palavras concludentes no final do verso 8 contém uma referência incoerente. As palavras gregas KAI HOI TREIS EIS TO HEN EISIN significam exatamente: “e estes concordam com aquele (já mencionado) Ser”. Esta versão mantém a força do artigo definido deste verso. Então o que é “Aquele” com que “estes três” concordam? Com a omissão do verso 7, “Aquele” não aparece, e por conseguinte “Aquele” do verso 8, que indica um já apresentado ao leitor, não tem antecedente na passagem. Permaneça o verso 7 e tudo fica claro, e as três testemunhas terrestres testemunham àquela unidade já mencionada que O Pai, a Palavra e o Espírito constituem.



4. João declara nos 6 versos anteriores que a fé é o vínculo da nossa vida espiritual e a vitória sobre o mundo. Esta fé deve ter uma base sólida, e a verdade em que a fé se apoia é a Filiação e Divindade de Cristo. Vê os versículos 5,11,12,20. A única fé que vivifica a alma e vence o mundo é (verso 5) a crença que Jesus é o Filho de Deus, que Deus o constituiu nossa Vida, e que esta Vida é o Deus verdadeiro. O apoio de Deus para esta fé provém de :



PRIMEIRO: No verso 6, nas palavras do Espírito Santo falando através de homens inspirados;



SEGUNDO: No verso 7, nas palavras do Pai, da Palavra e do Espírito, declarando e confirmando por milagres a Filiação e unidade com o Pai;



TERCEIRO: No verso 8, pela obra do Espírito Santo ao aplicar o sangue e água do lado ferido de Cristo para nossa purificação;



QUARTO: No verso 10, na consciência espiritual do próprio crente, certificando-lhe que sente por dentro uma mudança divina.



Como tudo isto é harmonioso ao aceitarmos o verso 7 como autêntico, mas ao omiti-lo, o fecho de arco está faltando, e fica eliminado a prova contundente que a nossa fé é divina (verso 9).



Também temos que levar em conta o tempo e as circunstâncias nas quais a passagem foi escrita. João avisa seus filhos espirituais que seu objetivo é adverti-los contra enganadores (2:26), cuja heresia era a negação da verdadeira Filiação e encarnação de Jesus Cristo (4:2). Sabemos que esses hereges eram os Cerintianos e Nicolaitanos. Irineu e outros escritores primitivos nos contam que esses todos corrompiam a doutrina da trindade. Cerinto ensinava que Jesus não nasceu milagrosamente duma virgem, e que a Palavra, Cristo, não era verdadeira e eternamente divina, mas um certo tipo de “Aion” angélico ligado com o homem natural Jesus até a sua crucificação. Os Nicolaitanos negaram que o “Aion” Cristo tivesse um corpo real, e lhe atribuíram somente um corpo e sangue fantasmagórico. É contra esses erros que João está fortalecendo os seus “filhos” e é o ponto destacado no controverso verso 7. Se permanece o verso 7, então toda ao passagem é articulada para excluir ambas as heresias. No verso 7 ele rebate o erro cerintiano declarando a unidade do Pai, da Palavra e do Espírito , e com maior precisão pelo emprego do neutro HEN EISEN a fim de concentrar o ponto em UMA substância única. Em seguida ele rebate os Nicolaitanos declarando a própria humanidade de Jesus, o real derramamento de sangue, e a aplicação pelo Espírito, daquela água e sangue dos quais ele testifica como testemunha ocular no Evangelho – 19:34,35.



Ao vermos que João em sua epístola adverte seus “filhos” contra “enganadores” que ensinavam erro sobre a verdadeira Filiação do Senhor Jesus Cristo e sobre a Sua encarnação e verdadeira humanidade, e ao vermos ainda mais João revelar estes erros nos versos 7 e 8 do capítulo 5, somos levados a reconhecer a coerência na passagem toda e que apresenta forte evidência interna em favor da autenticidade do “Texto Recebido” (Received Text).

OS MANUSCRITOS

É verdade que o verso controverso tem pouco apoio das cópias gregas e encontra-se somente em duas - o Manuscrito Montfort na Universidade de Dublin e no Códice WIZANBURGENSIS do séc. VIII. A principal autoridade nos manuscritos para I João 5:7 está nas versões latinas e ele se acha, com poucas exceções em todos os códices destas versões, tanto na Vulgata quanto no Antigo Latim. Entre os escritores antigos que fazem referência ou alusão às palavras disputadas acham-se Tertuliano e Cipriano e muitos outros subseqüentes autores latinos. A passagem é considerada verdadeira Escritura com a quase unânime concordância da Cristandade latina desde os tempos mais remotos. Deve se lembrar que o Antigo Latim foi traduzido do grego numa época bem primitiva, certamente dentro dum século da morte dos Apóstolos. As igrejas africanas não perderam os seus livros sagrados na mesma medida das igrejas gregas durante as grandes perseguições e é nos escritores africanos que encontramos as mais antigas citações do verso disputado. Um outro fato relevante é que as antigas igrejas latinas não ficaram tão atingidas pela heresia ariana, a fonte principal suspeita de tantas corrupções. No conteste contra os arianos, o Concílio de Cartago, e outros “Pais” primitivos apelaram com confiança inabalável para este verso como testemunho contundente contra eles.

 
Orígenes exerceu poderosa influência sobre a transmissão do texto grego no período antes de serem escritas algumas das cópias mais antigas ora existentes. Mosheim o descreve como “um composto de contradições, sábio e imprudente, inteligente e burro, entendido e sem entendimento, o inimigo da superstição e seu patrocinador; um enérgico defensor do cristianismo e seu corruptor; ativo e vacilante; um a quem a Bíblia deve muito e um do qual ela tem sofrido muito”. Ele foi o grande corruptor, e a fonte ou pelo menos o canal, de quase todos os erros especulativos que perturbaram a Igreja nas épocas sucessivas. Nolan afirma que as discrepâncias mais características entre o texto grego comum e os textos correntes na Palestina e Egito no tempo de Orígenes são identificáveis com uma fonte marcionita ou valentiniana, e que a mão de Orígenes mediou a introdução dessas corrupções nos textos subseqüentes.

 
É altamente relevante que textos importantes sobre a doutrina trinitariana, que aparecem no grego e latim estão faltando nos antigos manuscritos da Palestina e do Egito. Os textos disputados tinham o propósito de condenar e combater os erros dos Ebionitas e Gnósticos, Cerintianos e Nicolaitanos. Não é surpresa que a influência de Orígenes teria resultado na exclusão de algumas dessas testemunhas autênticas das cópias gregas, enquanto as cópias no Antigo Latim deveriam conservar as palavras de I João 5:7 , porque circulavam em áreas não atingidas pela influência de Orígenes.

( Sumarised from Dabney’s Discussions, published by Banner of Truth Trust.) This article no. 17 published by the Trinitarian Bible Society, Tyndale House, Dorset Road, London, SW193NN, England."


A Benção de ter uma alma atormentada!


Por Josemar Bessa

Há textos na Bíblia que nos surpreendem com base no que lemos na Bíblia. O apóstolo Pedro diz algo surpreendente em 2 Pedro 2.7 – “E livrou o justo Ló...” – Quando penso em Ló, não me lembro de Ló como alguém especialmente justo na história famosa em que ele aparece em Sodoma e Gomorra.

Ele escolheu habitar nas campinas verdes de Sodoma (Gênesis 13.13). Ainda lembro de algo pior – na hora da fuga, quando as cidades seriam destruídas, Ló demorou (Gênesis 19.16). Depois que escapou da cidade foi embebedado por suas filhas... De fato não é uma grande história.

Mas Pedro ainda consegui chamá-lo de “justo” em algum sentido. E se Deus repetidamente tinha assegurado a Abraão que ele não iria punir o justo com o ímpio (Gn 18.25), então é lógico que o veredicto é o mesmo do de Pedro. Então em que sentido Ló era um homem “justo”? (Não estamos usando o termo como a justiça imputada por Deus quando justifica o homem em Cristo – é óbvio – mas de uma vida que resulta de tudo o que Deus opera no homem por graça – justificação, regeneração...).

Vemos, e Pedro nos mostra, (que com resultado daquilo que Deus faz no coração de um homem por graça ) – viver lá foi um tormento para Ló. Ló não foi um homem que banalizou o pecado e com ele se acostumou. Ló, diz Pedro: “...se afligia, era atormentado... com o procedimento dos que não tinham princípios morais” – em outra versão: “Ló vivia enfadado da vida dissoluta dos homens...” (2 Pedro 2.7). Sua alma justa estava “atormentada” ao contemplar todos os dias a vida dos homens alienados de Deus e expressando seu amor ao pecado – “Pois vivendo entre eles, todos os dias aquele justo se atormentava em sua alma justa por causa das maldades que via e ouvia” - “porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, vendo e ouvindo sobre suas obras injustas”  - 2 Pedro 2.8.

Apesar de todas as falhas que vemos em Ló, ele é um exemplo digno a este respeito: o pecado o incomodava!

Este é um equilíbrio difícil – como ser atormentado pelo pecado, e ainda ser uma fonte de boa notícia para o pecador. É um grande desafio – porque muitos ao dizerem que desejam ser fonte de salvação dos pecadores... missionais... banalizam o pecado, encontram estratégias que não mostram apenas amor, mas sim que não tem uma alma atormentada pelo pecado.

Por um lado queremos mostrar amor e respeito aos nossos vizinhos, amigos de escola, trabalho... queremos que encontrem misericórdia, desejamos vê-los regenerados pela graça soberana de Deus...  Queremos ver pecadores reconciliados com Deus em Cristo, em paz com Deus... no entanto, NUNCA podemos fazer a paz com o pecado do e no mundo.

Tanto quanto queremos mostrar bondade para com nossos vizinhos, amigos, conhecidos... o seu pecado, a sua rejeição a Cristo... sua rejeição a lei de Deus, sua vida como se Deus não existisse... nos atormenta. Não nos opomos ao pecado do mundo simplesmente porque ele é errado, leva o homem a tristes consequências... Em nossos novos corações ( se somos de fato regenerados ) – nos opomos aos seus pecado (pessoas, mundo, sociedade) e nossos, porque o achamos terrível, desagradável, angustiante... para nossos novos corações, e, acima de tudo, porque rouba a glória de Deus.

Aí Ló é um exemplo para nós. Ele não tinha um sentimento frio e morno sobre o pecado, como muitos tem. Não tinha uma familiaridade com o pecado que o deixou insensível e cauterizado ante a hediondez do pecado aos olhos de Deus. Muitas pessoas se chocam com o pecado e a impiedade apenas a primeira vista – nos ambientes em que com ele são obrigados a conviver, mas logo ficam acostumados a vê-lo, que vê-lo já não faz grande diferença, pelo contrário há um indiferença.

Já não temos percebido a estratégia do mundo e do diabo que é fazer com que olhemos o pecado e ao olharmos nos sintamos normais e como algo normal. Mas como alguém disse no passado, “nossa grande segurança contra o pecado está em que o pecado nos choque”. Mas num mundo repleto de sensualidade ( como o que vivemos, como o que Ló vivia) – estamos em grave perigo de nos tornarmos insensíveis ao pecado, e disfarçarmos, o que é pior, essa insensibilidade com a desculpa de estarmos amando os pecadores e tentando salvá-los...

Podemos realmente dizer hoje que como Ló, nossas almas justas são atormentadas todos os dias ( não pelas tristezas humanas) mas pelos pecados, maldades... contra Deus que vemos e ouvimos? Nossas almas ficam atormentadas? Ou seria mais correto dizer que achamos muito disso normal e as vezes até engraçado? O que você tem ouvido e visto tem te atormentado? Ou já fizemos paz com os pecados que um dia nos chocavam? Estamos entretidos com coisas que antes nos fariam recuar de dor na alma pelo quanto tudo aquilo rouba a glória de Deus e o ofende? Temos crescido em nossos corações calos insensíveis ao pecado e que nos torna confortáveis diante dele?

Quando não somos atormentados mais, isso não é evidência de amar o pecador, é evidência de uma coração que se assemelha a eles em seu pecado. Isso não é abrir portas para “ganhá-los, é estar sendo vencido pelo pecado.

A verdade triste é que muitos de nós sente apenas cócegas pelo pecado do mundo, e não tormento. Podemos morrer de rir dos pecados do mundo. Mas poucos de nós podemos dizer honestamente hoje: “Rios de lágrimas correm dos meus olhos, porque a tua lei não é obedecida” – Salmos 119.136.

Deus tenha misericórdia de nossa geração!!!

Fonte: Josemar Bessa