sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Manifesto Cristão


A maior parte do cristianismo evangélico hoje é fundamentado em clichês. A maior parte do nosso cristianismo vem de músicos que se dizem cristãos, e não da bíblia. A maior parte do que os evangélicos acreditam é ditado pela cultura secular e não pela escritura. 
Poucos são os que encontram a porta estreita. Consequentemente, as ideias mais populares possivelmente não são os conceitos mais próximos da verdade bíblica. Nos dias de hoje, desconfie de qualquer “Best-seller”. Desconfie de qualquer um que for sucesso ou um furacão de vendas, simplesmente porque a genuína verdade cristã jamais foi e nunca será “digerida” pelas massas. A maior prova disso, é que mataram o seu autor. Se caiu no gosto da maioria é falso. Lembre-se, Jesus se referiu aos seus verdadeiros seguidores como “pequenino rebanho”.
A apostasia que a Bíblia nos advertiu que seria evidente nos últimos dias já está em pleno andamento. Somente aqueles que se mantiverem firmes a Palavra de Deus serão protegidos e salvos. Este remanescente de crentes fiéis será visto como pessoas antiquadas e de mentalidade fechada. 
A natureza da salvação de Cristo é deploravelmente deturpada pelo evangelista moderno. Eles anunciam um Salvador do inferno ao invés de um Salvador do pecado. E é por isso que muitos são fatalmente enganados, pois há multidões que desejam escapar do Lago de fogo, mas que não têm nenhum desejo de ficarem livres de sua pecaminosidade e mundanismo. Sem santificação ninguém verá o Senhor.
Os Evangélicos modernos procuram encher suas igrejas de analfabetos bíblicos, convencendo-os que eles irão para o céu, simplesmente porque levantaram a mão e fizeram uma oração, como sinal de aceitação de Jesus como Salvador, e que Ele vai lhes dar o sucesso familiar, social e financeiro, se tiverem um nível de moralidade considerável e forem dizimistas fiéis; o que se constitui propaganda enganosa.
Muitos dizem não ter vergonha do evangelho, mas são uma vergonha para ele. A primeira geração de cristãos pós-modernos já está aí. São crentes que pouco ou nada sabem da Palavra de Deus e demonstram pouco ou nenhum interesse em conhecê-la. Cultivam uma espiritualidade egocêntrica, com nenhuma consciência missionária. Consideram tudo no mundo muito “normal” e não veem nenhuma relevância na cruz de Cristo. Acham que a radicalidade da fé bíblica é uma forma de fanatismo religioso impróprio e não demonstram nenhuma preocupação em lutar pelo que creem.
Você sabia que 80 á 90% das pessoas que “aceitam a Cristo” em trabalhos evangelísticos se “desviam” depois? O motivo de tudo isso tem sido esse evangelho centrado no homem que é pregado nos púlpitos, nas TVs e nas casas, onde o bem-estar e a prosperidade tem se tornado “mais valiosos” que o próprio sangue de Cristo. A graça já não basta mais (apesar dos louvores e acharmos Cristo tão meigo). O que nós realmente queremos é “o segredo” para sermos bem-sucedidos. Desejamos “uma vida com propósitos” para taparmos com peneira o vazio que sentimos. O Vazio de um espírito morto que somente Deus pode ressuscitar. Queremos “o melhor de Deus para nós” nesta vida, no lugar de tomarmos a nossa cruz e de negarmos a nós mesmos. Queremos conhecer “as leis da prosperidade” mais do que o Espírito de Santidade; e, para nos justificarmos, tentamos ser pessoas auto-motivadas e de alta performance, antes de sermos cristãos cuja alegria está em primeiro lugar Nele; e santos bem aceitos pelo mundo a despeito das Palavras de Jesus contrariar esse posicionamento.
A falha do evangelismo atual reside na sua abordagem humanista. Esse evangelho é francamente fascinado com o grande, barulhento, e agressivo mundo com seus grandes nomes, o seu culto a celebridade, a sua riqueza e sua pompa berrante. Para os milhões de pessoas que estão sempre, ano após ano, desejando a glória mundana, mas nunca conseguiram atingi-la, o moderno evangelho oferece rápido e fácil atalho para o desejo de seus corações. Paz de espírito, felicidade, prosperidade, aceitação social, publicidade, sucesso nos negócios, tudo isso na terra e finalmente, o céu. Se Jesus tivesse pregado a mesma mensagem que os ministros de hoje pregam, ele nunca teria sido crucificado. 
Hoje temos o espantoso espetáculo de milhões a ser derramado na tarefa de proporcionar irreligioso entretenimento terreno aos chamados filhos do céu. Entretenimento religioso é, em muitos lugares rápido meio de se esvaziar as sérias coisas de Deus. Muitas igrejas nestes dias tornaram-se pouco mais do que pobres teatros de quinta categoria onde se "produz" e mercadeja falsos “espetáculos” com a plena aprovação dos líderes evangélicos, que podem até mesmo citar um texto sagrado fora de contexto em defesa de suas delinquências. E dificilmente um homem se atreve a levantar a voz contra isso. 
A maioria dos crentes não acredita que a Bíblia diz o que está escrito: acreditam que ela diz o que eles querem ouvir. Contornar a Palavra de Deus e chamar os nossos desejos de direção divina, só leva à multiplicação do pecado. Há muitos vagabundos religiosos no mundo que não querem estar amarrados a coisa alguma. Eles transformaram a graça de Deus em libertinagem pessoal e muitas vezes coletiva. Se você crê somente no que gosta do evangelho e rejeita o que não gosta, não é no evangelho que você crê, mas, sim, em você mesmo. 
Ai de vocês que pregam seu falso evangelho, transformam a casa de Deus em comércio. Vendem seus CDs, vendem seus falsos milagres, vendem suas falsas unções, vendem falsas promessas de prosperidade, enquanto na verdade só vocês têm prosperado. Como escaparão do juízo que há de vir? 


"Ao ouvirem isso, muitos dos seus discípulos disseram: "Dura é essa palavra. Quem consegue ouvi-la?" Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele. E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido." Joã 6:60;66-65

- Conteúdo adaptado a partir de algumas ideias e textos de diversos autores Cristãos.
 
Fonte: www.aounicodeusverdadeiro.blogspot.com/ 

Quando as emoções controlam o seu apetite

O que fazer se o seu estado de humor controla o seu garfo? De acordo com esta matéria da CNN traduzida por Natasha Romanzoti e publicada no HypeScience, sorria e coma o bolo de chocolate sem culpa:

Comer para melhorar o humor pode ser uma coisa boa

Quando ficamos bravos, tristes, ansiosos, depressivos, enfim, só tem uma coisa que pode acalmar todo e qualquer sentimento ruim: muita comida porcaria. E será que comer um pedaço gigante de bolo de chocolate para esquecer um problema é tão ruim assim?

Segundo pesquisadores, não. Surpreendentemente, o “comer emocional” não deve ser uma coisa que atrapalhe a saúde. Pelo contrário, tentar conter o impulso de comer só aumenta as chances da pessoa realmente comer demais o que não deve.

A maioria dos desejos é embalada com poderosas substâncias químicas naturais que trazem prazer. O chocolate, por exemplo, contém serotonina e outros neurotransmissores que dão uma sensação de felicidade, como a anandamida. Quando ele chega ao estômago, o corpo responde com uma corrida de endorfinas, proporcionando-lhe bons sentimentos.

Os cientistas explicam que somos propensos a comer por razões emocionais. Desde o nascimento, quando somos amamentados, há uma conexão emocional entre ser alimentado e ser amado. Por isso, é contraproducente proibir pessoas de comer quando elas se sentem mal.

E, segundo os pesquisadores, é possível se consolar com alimentos e permanecer magro; é só seguir regras básicas.

A primeira delas é só comer emocionalmente o que você realmente gosta. Antes de comer qualquer coisa, faça o “teste das quatro perguntas”: pergunte-se se você realmente, realmente, realmente, realmente quer aquilo. Isso vai evitar que você coma qualquer coisa que estiver a sua frente, mesmo porque você acaba comendo mais (porque aquilo não o satisfaz).

Esse é o perigo de responder a um desejo muito rápido. Se você não estiver com fome, mas precisar de um pouco de prazer, não coma a primeira coisa que lhe estiver ao alcance da mão. Não só aquilo vai lhe engordar, como não vai lhe proporcionar o prazer.

Além disso, quando for comer, se afaste de tudo: computador, TV, telefone; assim, você pode se concentrar apenas no alimento. Se você não tirar um momento para desfrutá-lo, a verdadeira razão pela qual você está comendo (melhorar emocionalmente) não vai ocorrer (além do já mencionado perigo de comer mais desnecessariamente).

Comer de estômago vazio é outra má ideia. Se você comer uma boa refeição com proteína, legumes, etc, a sobremesa tem mais chances de ser emocionalmente satisfatória. Muitas pessoas pulam refeições para economizar calorias e ir direto para a sobremesa, mas isso causa picos de açúcar no sangue, e as pessoas acabam comendo mais sobremesa – e não economizando calorias.

E, principalmente, não se sinta culpado. Isso tira o prazer da comida. Ninguém deve se sentir culpado se usar a comida para celebrar ou se confortar. Se odiar por comer aquele chocolate só vai fazer você precisar de outro impulso ao humor. Ou seja: quando você comer para se sentir bem, permita-se se sentir bem. Então, levante, se sacuda, e siga em frente.

 Estive uns dias afastado do mundo virtual por está cuidando da minha esposa doente, mas hoje que ela já está melhor, cirurgiada, em recuparação, aproveito para divulgar esta mensagem do meu irmão em Cristo Helder. Leia na Integra, extraido do 5calvinistas.blogspot.com

Nem todos descansam em paz

Publicado originalmente no Reforma e Carisma.

Quem já viu desenho animado, deve se lembrar de quando um personagem "morre" e é enterrado. Nestes momentos, aparece uma lápide de pedra com a inscrição "RIP", uma abreviação de "rest in peace", que significa "descanse em paz" em português. O termo "RIP" também é conhecido de quem usa o Twitter e é uma hashtag muito comum usada quando morre alguém famoso, como a cantora Amy Winehouse.

A ideia por trás da expressão é a de que morte significa o fim do sofrimento. Morrer é descansar das aflições e angústias da vida, uma forma de por fim às dores e lutas. A esperança deste descanso é a crença que move a maioria dos cerca de um milhão de pessoas que se suicidam todo ano. O fim da vida seria a forma de fugir do bullying, das doenças, da decepção e da dor provocada pela morte de outras pessoas. Afinal, não existir é melhor do que certos graus de sofrimento.

Pelo menos é o que parece para algumas celebridades ao comentarem o falecimento da cantora Amy Winehouse, uma diva mergulhada em drogas e desespero. Demi Moore espera que "sua problemática alma soul encontre paz". Lily Allen partilha da mesma esperança: "Ela era uma alma perdida, espero que ela descanse em paz".

No entanto, estão eles certos? A morte trará paz a todas as almas do mundo?

A Bíblia é categorica: a resposta é não. Na verdade, o resultado de nossa morte depende do julgamento e da obra de Deus em nossas vidas:
Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo, assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam. (Hebreus 9:27-28)
Há um julgamento
Em primeiro lugar é preciso que entendamos que seremos julgados por Deus pelo que fizemos em nossa vida. Quando morremos não estamos livres do que fizemos ou deixamos de fazer enquanto vivíamos. Ao contrário, é o momento em que nossas ações e crenças serão pesadas diante de Deus:
Pois todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más. (2 Coríntios 5:10)
Para aqueles que fizeram o bem, a morte é sim o momento do descanso e da recompensa. É a hora de receber o louvor de Cristo e aguardar até que Ele venha trazer salvação completa a todos os que O aguardaram.

Mas, para quem fez o mal, a penalidade será aplicada "de acordo com as obras praticadas". Nestes casos, a morte não é o fim, mas sim o início de um sofrimento ainda maior do que aquele que foi experimentado em vida. Segundo o próprio Jesus, o inferno é um lugar tão terrível, que é mais apavorante do que a própria morte:
Eu lhes digo, meus amigos: não tenham medo dos que matam o corpo e depois nada mais podem fazer. Mas eu lhes mostrarei a quem vocês devem temer: temam aquele que, depois de matar o corpo, tem poder para lançar no inferno. Sim, eu lhes digo, esse vocês devem temer. (Lucas 12:4-5)
Não há uma segunda chance, outras vidas onde se pode recomeçar com menos pressão e consertar o que foi feito no passado. O julgamento acontece assim que morremos e nos encontramos com o Senhor.
Quadro "O Juízo Final", de Jehan Cousin Le Jeune

Jesus: o Salvador de muitos
Qual o critério usado por Deus neste julgamento? Com certeza as obras definem as penas e recompensas, mas não são elas que definem se o veredicto será "inocente" ou "culpado". A sentença depende do sacrifício que Cristo Jesus fez na cruz, morrendo no lugar dos pecadores, para tirar os pecados de muitos.

Não há outra forma de ser considerado inocente. A Bíblia ensina que todos nós pecamos e, por esta razão, o pagamento justo que deveríamos receber era a morte:
Que concluiremos então? Estamos em posição de vantagem? Não! Já demonstramos que tanto judeus quanto gentios estão debaixo do pecado. Como está escrito: "Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus". (Romanos 3:9-11)

Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 6:23)
Logo, a lógica bíblica é a de que todos nós deveríamos ser condenados por Deus. A morte seria o início da dor para todos. Mas, em Cristo há uma exceção:
Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus. (João 3:16-18)
A única forma de enfrentar o Juízo e encontrar a paz após a morte é crendo em Jesus. Aquele que crê que Jesus veio ao mundo para morrer no lugar dos pecadores e deposita em Cristo a sua vida, esse não é condenado. Mas todos os que duvidam de Cristo e não creem n'Ele já estão condenados. Esses jamais descansarão em paz.

Aguardando a Cristo
Mas o que muitos precisam é de paz para o presente. Muitas vezes a vida parece mesmo insuportável, um fardo enorme e impossível de se carregar. Eu mesmo já pensei em tentar o suicídio algumas vezes e em vários momentos questionei se a vida valeria mesmo a pena ser vivida. E sei que não sou o único. O que fazer nessas situações?

A resposta é dada no final de Hebreus 9:28. Jesus veio trazer a salvação aos que O aguardam, aos que estão esperando o Seu retorno. De fato, aquele que crê em Cristo já é salvo, está livre da condenação eterna e conta com a ajuda de Deus desde agora. Mas a salvação ainda não está completa e só será concluída no fim dos tempos.

O cristão deve ter, portanto, uma atitude de esperança e paciência diante do sofrimento. Ele precisa ter fé de que a dor e os problemas são passageiros. Mesmo que os nossos problemas se arrastem por décadas, no final Cristo virá e nos livrará de toda dor. Contudo, essa é uma bênção que só alcança aqueles que esperam por Jesus.

O que não quer dizer que não tenhamos um socorro imediato. Jesus está o tempo todo diante do Pai, orando por nós e nos convidando a irmos até Ele para recebermos a graça e a misericórdia de que necessitamos:
Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim sendo, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade. (Hebreus 4:14-16)
Não importa qual o sofrimento que nos aflige: Jesus pode nos socorrer. Ele entende as nossas fraquezas e está ao lado do trono do Pai, oferecendo o que nós precisamos para vencer os momentos de necessidade. Enquanto não encontramos o descanso definitivo de nossos problemas, em Cristo podemos achar tudo o que precisamos para perseverar e vencer.

Não adianta, portanto, nos iludirmos pensando que a morte trará a paz. Morrer não é a solução. A única forma de realmente derrotar a dor e as tristezas de nossa vida é crendo em Jesus, nos aproximando do trono do Pai e aguardando o retorno de Cristo. Até que esse dia chegue, por mais difíceis que seja a nossa situação, Deus sustentará os que crerem n'Ele.

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Valor do Carater


O que faz um homem digno de ser seguido? Certamente, alguns são líderes somente por título ou posição. Mas, o tipo de homem que inspira outros a segui-lo é um homem de virtude ou caráter. Dwight Eisenhower, ex-general e ex-presidente dos Estados Unidos, certa vez disse: "Para ser líder, um homem deve ter seguidores. E. para ter seguidores, este homem precisa obter a confiança deles. Portanto, a suprema qualidade de um líder é a integridade inquestionável. Sem isso, não há possibilidade de nenhum sucesso real... Se os companheiros acharem-no culpável de falsidade, se o acharem carente de integridade, ele falhará. Seus ensinamentos e ações precisam concordar entre si. Por conseguinte, a primeira grande necessidade de um líder e integridade e excelente determinação".
A despeito do fato de que muitos líderes procuram menosprezar a importância do caráter na "vida particular" de uma pessoa, certamente aquilo que um homem é em sua privacidade afeta profundamente sua vida pública. Se um homem prova sua integridade em cumprir obrigações básicas para com sua esposa e filhos, ele provavelmente será confiável nos outros compromissos da vida.
Tendo estabelecido a importância da liderança espiritual, no capítulo anterior, podemos agora tratar de sua essência. Entender os elementos essenciais da liderança espiritual proporciona a motivação e o equipamento que precisamos para avançar no papel que Deus nos confiou. Qual é o primeiro passo para ser um líder espiritual? Liderança começa em seu coração e sua vida. Se você não consegue liderar a si mesmo, não conseguirá liderar outros.
Todas as companhias aéreas têm vídeos de segurança ou instruções pessoais que incluem informação sobre a perda de pressurização da cabine. Se a cabine de uma aeronave perde pressurização, máscaras de oxigênio caem sobre os assentos. Os pais são orientados a primeiramente colocarem suas próprias máscaras, antes de arrumar a colocação das máscaras de seus filhos. Um pai ou uma mãe que desmaia na tentativa de colocar a máscara em seu filho, não será de ajuda para si mesmo ou para a criança! Esta ilustração é também uma verdade na liderança familiar. Você precisa antes cuidar de seu coração e de sua vida, para estar pronto a liderar sua família.
David Vaughan, em seu livro The Hillars of Leadership (Os Pilares da Liderança), faz a observação perspicaz de que "a verdadeira liderança é muito mais profunda que qualquer influencia ou vantagem, entretanto, pode trazer tanto uma como outra. Não é primariamente o que um homem faz, mas o que ele é — não a sua influência, mas seu caráter". Enquanto o caráter meramente possa parecer simplista ou superestimado como base da liderança, para líderes espirituais não há outro lugar por onde começar! J. R. Miller, um devotado pastor do século dezenove, expressou com simplicidade: "O marido tem sua parte. Ele deve ser um bom homem... Nenhum homem está preparado para ser marido, se não for um bom homem. Ele não precisa ser impor­tante, nem rico. nem brilhante, nem inteligente, mas tem de ser bom. ou não é digno de ter a dócil, confiável e terna vida de uma esposa sob seus cuidados".
Existem ao menos três simples razões pelas quais um caráter piedoso é o primeiro componente da liderança espiritual. Primeiro, Jesus ensinou: raiz produz fruto (Mt 7.15-20). Este conceito é verdadeiro tanto na sua vida como na sua família! Um coração voltado para o Senhor será manifestado em uma vida voltada para Deus. Sua santidade vai produzir frutos em sua esposa e filhos.
Segundo, se o seu exemplo diferir de suas palavras, sua família seguirá o seu exemplo! As pessoas não seguem líderes aos quais não respeitem. Você pode fazer-se eloquente em dizer a seus filhos que Jesus é a prioridade na vida. Mas, se eles o virem faltando à igreja em três de cada quatro domingos, a fim de ter divertimento, suas palavras parecerão fingidas. Não apenas os pregadores têm de "praticar o que pregam". Dizer: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço" não inspirará o coração de sua esposa e filhos.
A terceira razão pela qual um caráter piedoso é a base da liderança espiritual, é que pessoas foram criadas para imitar. Jesus não desceu do céu somente para morrer na cruz, ressuscitar e, então, "voar" de volta para o céu. Ele veio para viver com seus discípulos. Ele os ensinou verbalmente, e viveu esses ensinamentos, dando 33 anos de exemplo perfeito. A liderança espiritual que você precisa assumir tão seriamente deve começar em seu coração e em sua vida.

Requisitos Bíblicos para Liderança

A Bíblia sempre requer santidade nos homens que lideram. Em Êxodo 18, Jetro disse a Moisés que ele precisava recrutar homens para ajudá-lo a julgar a nação de Israel. Disse que se escolhessem "homens capazes, tementes a Deus. homens de verdade, que aborreçam a avareza" ( x 18.21). As habilidades que Moisés teria de procurar brotariam do forte caráter de san­tidade deles. Talvez teria sido mais fácil, inicialmente, escolher homens que fossem populares com as pessoas ou que tivessem um currículo de empreendimentos seculares bem-sucedidos, sem preocupação com a atitude do coração deles para com Deus. Mas, a longo prazo, o povo de Deus sofreria espiritualmente, porque das raízes desses corações carnais teriam nascido frutos maus.
Em Atos 6.1-2. entre o grande grupo de cristãos que ainda vivia em Jerusalém, algumas viúvas eram negligenciadas na distribuição de alimento. A solução foi selecionar "sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço" (At 6.3). Mesmo para supervisionar o atendimento às mesas, caráter era o que predominava na descrição para executar o trabalho. A habilidade também estava incluída — "aos quais encarregaremos deste serviço" — mas caráter era a exigência chave. Os homens teriam que ser bons, sábios e cheios do Espírito de Deus, para se adequarem à tarefa.
As qualificações bíblicas para os oficiais da igreja, presbíteros e diáconos contêm vários requisitos de virtudes (sobriedade, autocontrole, gentileza e desapego ao dinheiro); e ainda contêm outros requisitos sobre habilidades específicas (veja 1Tm 3 e Tt 1). As duas listas, contudo, incluem ou começam com a qualificação "irrepreensível”. Se outros puderem apontar uma falha moral visível na vida de um homem, então, ele não é irrepreensível e não estará capacitado a servir em nenhum desses ofícios!
Como pastor, dê-me dois ou três homens santos para liderarem a igreja Comigo, em vez de cinco ou seis experimentados líderes seculares de integridade questionável. Como é verdadeiro em políticos, também o é em todos os líderes; não importa o quanto uma pessoa promete, se não tem caráter para manter sua palavra. A maior dádiva que você pode dar a sua esposa e filhos é sua santidade pessoal. Ainda que não seja um padrão perfeito, esta postura deve ser consistente com um crescimento em santidade.

O Âmago de um Caráter Piedoso

Você não pode levar sua família a seguir Jesus, se pessoalmente não é um seguidor de Jesus. Você já chegou a uma posição em sua vida onde parou de confiar em si mesmo e em sua própria bondade, para ter um correto relacionamento com Deus? A única maneira de uma pessoa ser verdadeiramente perdoada e justificada perante o Senhor é pela fé no Senhor Jesus Cristo. Ele obedeceu perfeitamente às leis de Deus e morreu na cruz como sacrifício substitutivo pelos pecadores. Três dias depois. Deus O ressuscitou da morte, e Ele oferece perdão a todos que invocarem seu nome. A Bíblia diz: “O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rm 6.23). Você começa a ser um líder espiritual, quando deixa seu pecado e se apega a Cristo.

Disciplinas Espirituais

É sempre difícil para um atleta conseguir fazer sucesso, após ter permanecido sem treinar, enquanto tentava conseguir um contrato melhor. Ele pode ter obtido a melhor performance como amador, mas, depois de passar algum tempo sem treinamento, sua precária condição física e a falta de conhecimento das táticas do time impedirão o seu sucesso. Infelizmente, o mesmo pode ser dito dos líderes familiares. Muitos homens procuram liderar suas famílias, mas agem como desportistas que aguardam uma oferta melhor. Sim, eles crêem em Cristo, mas ou são crentes neófitos, malnutridos, ou são muito ocupados com as coisas do mundo, para progredirem seriamente em maturidade cristã. Sua falta de tempo para o treinamento impede sua liderança espiritual.
Paulo nos diz que o caminho para crescer em maturidade é gastar tempo treinando no Ginásio de Deus. 1 Timóteo 4.7-8 diz:
"Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercita-te, pessoalmente, na piedade. Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo e proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser". A palavra grega traduzida por "exercita" deu origem ao nosso vocábulo "ginásio". Precisamos nos utilizar dos meios que o Espírito Santo usa para desenvolver o caráter piedoso em nós. Consideremos três disciplinas espirituais básicas.
1) Leitura Bíblica
Como leite para um bebê, assim é a Bíblia para o cristão. Pedro disse: "Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação" (1 Pe 2.2). No Salmo 19, Davi analisa o efeito poderoso da Bíblia na vida de uma pessoa. "A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos. O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre: os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente, justos" (SI 19.7-9). Estas seis descrições das Escrituras esclarecem que, se você quer progredir no caráter cristão, a Bíblia deve fazer parte de sua dieta diária!
2) Oração
Se a Bíblia é o Senhor falando conosco, a oração somos nós falando com Deus. Certa vez. Jesus contou uma história para ensinar-nos "o dever de orar sempre, e nunca esmorecer". (Lc 18.1). Em outra parte, Paulo ordenou aos crentes: "Orai sem cessar" (1Ts 5.17). Certamente, ser um líder espiritual envolve orar por sua esposa e filhos, mas também é essencial orar por si mesmo! Se você quer crescer em maturidade cristã, precisará da ajuda de Deus. Peça a Ele que o faça sábio, santo, fiel, amoroso e forte — alguém que entenda e viva a verdade da Bíblia. Às vezes, eu também tenho de pedir energia e humildade para brincar de bonecas com minha filha, ao fim de um dia estressante!
3) Envolvimento na Igreja
A vida cristã não foi planejada para ser vivida de modo solitário. Embora sejamos individualmente responsáveis por seguir a Cristo, fomos feitos por Ele com a necessidade de convivermos com outros cristãos. Precisamos do exemplo, da responsabilidade, do discernimento nas Escrituras e do encorajamento prático de outros. Hebreus 10.25 nos diz para não deixarmos de congregar, como é costume de alguns, mas para encorajarmo-nos uns aos outros, especialmente ao vermos que a volta de Jesus se aproxima. Este encontro regular de encorajamento é a reunião da igreja.
Uma das coisas mais importantes que você pode fazer para crescer em santidade é ser membro ativo de uma igreja onde a Palavra de Deus é fielmente pregada e vivida. Se você não estiver ligado a outros, na família da igreja, todo o seu entendimento prático do papel de marido estará minado. Ainda que alguns objetem que o sério envolvimento na igreja toma o tempo da família, seu avanço em maturidade cristã realmente intensificará cada momento em que vocês estiverem juntos. Embora seja possível exceder-se no tempo dedicado à igreja, o problema mais típico é não envolver-se!
Não é tão exagerado dizer que, se você pratica estas disciplinas fielmente, provavelmente já esteja progredindo como líder espiritual. Contudo, se você não "se exercita" constantemente no Ginásio de Deus, poderá ler todos os manuais de como ser um bom marido e pai, e, ainda assim, falhar como líder espiritual. Aquele que espera um cargo ideal para começar a praticar aquilo que já aprendeu, não é um líder eficiente! Você pode ser capaz de liderar sua família já na "categoria amador", mas dificilmente será tão nobre quanto na grande "categoria profissional" de avanço do reino de Cristo neste mundo!
Um ex-líder militar e ex-presidente dos Estados Unidos. Teddy Roosevelt, disse: "Antes que um homem possa disciplinar outros homens, precisa demonstrar sua habilidade em disciplinar a si mesmo. Antes de ser-lhe permitido comandar a comissão, ele precisa evidenciar o domínio de seu próprio caráter. Depois, olhe para o trabalho de suas mãos. Ouça as palavras de sua boca. Pelos seus frutos o conhecerá": As Forças Armadas podem procurar por alguns homens bons, mas o Senhor está buscando homens bons e piedosos, para liderarem a si mesmos em santidade e, assim, estarem preparados para levar sua esposa, filhos, igreja e sociedade à santidade! Você se comprometerá, pela graça de Deus, a ser um desses homens? Você dedicará seu coração a Je­sus Cristo? Você se exercitará no Ginásio de Deus, para crescer em maturidade cristã? Deus o ajudará. Os homens de Deus em sua igreja o ajudarão. Você poderá fazê-lo pela graça de Deus e para a glória de Deus!
 Por John Scrots
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Fonte:
Homens Fortes, Editora Fiel.

Extraído do site: http://www.eleitosdedeus.org/familia-casamento/valor-do-carater-john-crotts.html#ixzz1RMN2sZu2
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Desculpas

Estive uns dias sem postar e ainda estou com tempo reduzido e estarei postando menos por problemas de saúde da minha esposa que está na expectativa de fazer cirurgia extraindo os ovários. Orem por nós e fiquem na Paz e Graça de Jesus!

Instituto Presbiteriano do Cariri

Em breve o Rev. Altino Junior estará inaugurando o IPC (Instituto Presbiteriano do Cariri), nas salas de aulas do prédio de Educação Cristã da Igreja Presbiteriana de Monteiro. Os professores serão o Rev. Altino Junior, Rev. Eudes e outros pastores de origem reformada. Maiores informações no fone (83) 99713610.

Arrependida, Mara Maravilha lança DVD infantil com músicas para a família

Ex-apresentadora mirim gravou canções como 'Papai do Céu Não Gosta' e 'Salve Amazônia'.
Mara Maravilha já disse em entrevista que se arrependeu de músicas infantis com teor sexual como "Lobo Mau" e "Faço tudo o que você quiser". Agora, ela acaba de divulgar seu novo DVD voltado desta crianças, mas desta vez, as letras falam de família, educação e ecologia. "Papai do Céu Não Gosta" e "Salve Amazônia" estão entre as canções do novo disco.

Notícias Cristãs com informações do EGO

SOU ÉTICO E CITO AS FONTES! Acabei de copiar do Site Notícias Cristãs. Link Original: http://news.noticiascristas.com/

segunda-feira, 27 de junho de 2011

MISSÕES CATÓLICAS E PROTESTANTES A PARTIR DO SÉCULO 16

Alderi Souza de Matos
A igreja cristã, em suas diferentes expressões, sempre tem tido a consciência de possuir uma missão no mundo. O entendimento dessa missão varia de uma confissão para outra, mas inclui no mínimo o objetivo de anunciar o evangelho (a mensagem cristã) a outros povos e culturas, e implantar a igreja entre esses povos. Alguns períodos da história do cristianismo foram especialmente dinâmicos no que diz respeito ao esforço missionário da igreja. Um desses períodos foi o que teve início com as grandes navegações empreendidas por diversas nações européias no final do século 15 e início do século 16. Tais viagens, que tinham primariamente objetivos comerciais, tiveram como resultado um contato sem precedentes com novos povos e regiões do planeta. Adicionalmente, esse período coincidiu com a ocorrência de profundas transformações religiosas na vida da Europa, notadamente o surgimento da Reforma Protestante e a revitalização do catolicismo romano em reação à mesma. Esse catolicismo militante tomou a dianteira no que diz respeito às missões mundiais.

1. A cruz e a espada
Até o final do século 15, a atuação missionária católica romana limitou-se quase que exclusivamente à Europa ocidental. Fora da Europa ocorreram apenas umas poucas iniciativas isoladas, que não produziram resultados duradouros, como a missão do franciscano João de Monte Corvino na China em 1294. Também ficou célebre o trabalho persistente, porém infrutífero, do terciário franciscano Ramón Lull entre os muçulmanos do norte da África, onde foi morto por volta de 1315. A Europa oriental e o Oriente Médio eram campos de atuação da Igreja Ortodoxa, que enfrentava sérias limitações impostas pelo islamismo.

Todavia, a partir de 1492, com o surgimento dos impérios coloniais espanhol e português nas Américas, na África e na Ásia, a Igreja Romana teve uma oportunidade inédita para expandir a sua fé nesses continentes ainda pouco alcançados. Nesse esforço tiveram papel destacado as ordens religiosas, tanto antigas (franciscanos, dominicanos, agostinianos) quanto novas, especialmente os jesuítas, oficializados em 1540. As perdas sofridas pela igreja na Europa em decorrência da Reforma Protestante foram compensadas pela conquista de outros povos para a cristandade.

Em muitas regiões, os missionários católicos chegaram ao mesmo tempo em que os conquistadores e colonizadores, como foi o caso da América Latina e de algumas partes da América do Norte, África e Extremo Oriente. Em outros casos, os missionários atuaram fora de áreas colonizadas por seus correligionários, enfrentando, portanto, maiores dificuldades. Na África, as primeiras regiões atingidas, entre 1490 e 1650, foram o Congo, Angola, Moçambique e Madagascar, com poucos resultados iniciais. Quanto ao Oriente, ficaram célebres os esforços de pioneiros como Francisco Xavier (Índia, Malásia, Japão), Rodolfo Acquaviva (Índia), Mateus Ricci (China), Alexandre de Rhodes (Indochina) e Roberto de Nobili (Índia), entre outros. Em virtude da colonização espanhola, as Filipinas tornaram-se o único país majoritariamente cristão da Ásia.

Uma situação mais complexa envolveu a América Latina, em que os missionários atuaram lado a lado com os conquistadores e foram parte de um sistema que com freqüência explorou os nativos e contribuiu para a destruição da sua cultura e identidade. Houve, no entanto, honrosas exceções, como os frades Bartolomé de las Casas, Luis Beltrán e Juan de Zumárraga, que protegeram os índios, bem como Pedro Claver, o benfeitor dos escravos africanos na Colômbia. A expulsão dos jesuítas dos domínios portugueses (1759) e espanhóis (1767) colocou um fim a esse período áureo das missões católicas no terceiro mundo.

2. Primórdios protestantes
Nos séculos 16 e 17, um período de intensa atividade missionária católica em vários continentes, os protestantes pouco fizeram em termos de missões mundiais. As causas apontadas para isso são várias: (a) a teologia dos reformadores não dava ênfase à Grande Comissão como um desafio para a igreja da época; (b) o protestantismo ainda incipiente buscava consolidar-se em meio a grandes dificuldades; (c) os protestantes tinham acesso limitado às novas áreas missionárias; (d) havia falta de instrumentos eficientes como as ordens religiosas católicas.

As primeiras tentativas de missões aos indígenas americanos, todas infrutíferas, ocorreram no Brasil, nas Índias Ocidentais e no Suriname (séculos 16 e 17). Nessa época surgiram as primeiras missões evangélicas inglesas, voltadas para a América do Norte: a Sociedade para a Propagação do Evangelho na Nova Inglaterra (1649), a Sociedade para a Promoção do Conhecimento Cristão (1698) e a Sociedade para a Propagação do Evangelho em Terras Estrangeiras (1701).

O movimento missionário protestante teve seus primórdios com o pietismo alemão, um movimento de renovação do luteranismo liderado por Philip Spener e Auguste Francke, com sede na Universidade de Halle (1694). A colaboração entre o rei da Dinamarca e os pietistas resultou na primeira missão protestante, que enviou os missionários Bartolomeu Ziegenbalg e Henrique Plütschau para Tranquebar, na Índia, em 1705.

Os pietistas influenciaram o conde Nikolaus Ludwig von Zinzendorf (1700-1760), que acolheu em sua propriedade na Saxônia um grupo de refugiados morávios perseguidos pela Contra-Reforma, herdeiros do pré-reformador tcheco João Hus. Sob a liderança do piedoso Zinzendorf, os morávios empreenderam um vigoroso movimento missionário que até 1760 enviou 226 missionários a São Tomás (Ilhas Virgens), Groenlândia, Suriname, Costa do Ouro, África do Sul, Jamaica, Antigua e aos índios norte-americanos.

3. Pioneiros anglo-saxões
Os ingleses, influenciados tanto pelos pietistas e morávios quanto pelo avivamento evangélico do século 18, iniciaram um movimento de oração intercessória pela conversão dos pagãos. Um líder de grande impacto foi o batista William Carey (1761-1834), considerado “o pai das missões modernas”. Em 1792, ele publicou “Um estudo sobre a obrigação dos cristãos de usarem meios para a conversão dos pagãos” e pregou um célebre sermão baseado em Isaías 54.2-3. Vencendo muita oposição e desânimo, fundou com vários companheiros a Sociedade Batista Particular para a Propagação do Evangelho entre os Pagãos, depois denominada Sociedade Missionária Batista. Em 1793, Carey foi para a Índia, onde passou o restante da sua vida e traduziu a Bíblia para vários idiomas.

Finalmente, no início do século 19, um grupo de estudantes do Seminário de Andover, na Nova Inglaterra, criou a “Sociedade de Investigação do Assunto de Missões”, o que levou em 1810 à fundação da Junta Americana de Comissionados para Missões Estrangeiras. Dois anos depois, vários missionários foram enviados para a Ásia, entre os quais Adoniram Judson, que trabalhou na Índia e na Birmânia. Outros campos pioneiros da Junta Americana foram o Ceilão, o Oriente Próximo, a China e Madura, uma ilha da Indonésia.

No século 19, outros notáveis missionários protestantes foram: Reginald Heber (Índia), Robert Morrison e Hudson Taylor (China), Guido Verbeck, James Hepburn e Samuel Brown (Japão), Horace Underwood e Henry Appenzeller (Coréia), John Paton (Mares do Sul), Ludwig Nommensem (Sumatra), Daniel Bliss e Howard Bliss (Síria), David Livingstone e Robert Moffat (África), Robert Kalley, Ashbel Simonton e William Bagby (Brasil). Entre as mulheres, destacaram-se Mary Slessor (Calabar, África Ocidental), Florence Young (Austrália, Ilhas Salomão e China) e Amy Carmichael (Índia), entre outras.

O historiador Kenneth S. Latourette concluiu: “Nunca antes, em um período de igual duração, o cristianismo ou qualquer outra religião tinha penetrado pela primeira vez em uma área tão grande”, no que foi secundado pelo missiólogo J. Herbert Kane: “Nunca dantes na história da igreja cristã se fizera um esforço tão concentrado, organizado e hercúleo visando levar o evangelho até os confins da terra”.

4. Missões em retrospecto
A avaliação do esforço missionário nos últimos séculos, quer católico quer protestante, leva a algumas conclusões gerais, tanto positivas como negativas. Em seu livro A Concise History of the Christian World Mission (Breve história da missão cristã mundial), Herbert Kane arrola algumas críticas que têm sido feitas a muitos missionários: (a) tinham um complexo de superioridade; (b) trataram de maneira insensível as religiões “pagãs”; (c) deixaram de distinguir entre o cristianismo e a cultura ocidental; (d) exportaram o denominacionalismo juntamente com o evangelho; (e) deixaram de incentivar a indigenização do cristianismo; (f) foram culpados de paternalismo; (g) não foram sábios no uso dos fundos missionários do Ocidente; (h) identificaram-se muito de perto com o sistema colonial.

Ao mesmo tempo, é importante destacar as contribuições positivas de muitos missionários: (a) amaram os povos entre os quais trabalharam; (b) desenvolveram uma apreciação genuína pelas culturais locais; (c) aprenderam as línguas locais e traduziram as Escrituras; (d) proporcionaram educação moderna para os povos do terceiro mundo; (e) foram os primeiros a crer no potencial dos “nativos”; (f) abriram hospitais, clínicas e escolas de medicina; (g) introduziram reformas sociais e políticas; (h) formaram uma ponte entre o Oriente e o Ocidente; e (i) plantaram a igreja em quase todos os países do mundo.

Perguntas para reflexão:
1. Por que a associação entre as missões cristãs e o colonialismo foi tão problemática? Isso ainda acontece hoje?
2. Foi justificável a demora dos protestantes em iniciar missões em âmbito mundial? Por quê?
3. Quais os principais desafios e barreiras enfrentados pelas missões internacionais e transculturais? Como superá-los?
4. Qual deve ser o objetivo maior do esforço missionário em determinada região ou país?
5. Quais são as diferentes ênfases das missões católicas e protestantes?
Sugestões bibliográficas:
CALDAS, Carlos. O último missionário. São Paulo: Mundo Cristão, 2001.
CÉSAR, Elben M. Lenz. História da evangelização no Brasil: dos jesuítas aos neopentecostais. Viçosa, MG: Editora Ultimato, 2000.
GONZÁLEZ, Justo L. Uma história ilustrada do cristianismo. Vol. 7: A era dos conquistadores. São Paulo: Vida Nova, 1983.
NEILL, Stephen. História das missões. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 1997.
STEUERNAGEL, Valdir (Org.). A missão da igreja: uma visão panorâmica sobre os desafios e propostas de missão para a igreja na antevéspera do terceiro milênio. Belo Horizonte: Missão Editora, 1994.

A oração na história da igreja

Alderi Souza de Matos

No início da era cristã, a espiritualidade pessoal judaica era caracterizada por três elementos principais: esmolas, oração e jejum (ver Mt 6.1-18). Jesus valorizou essas práticas, contanto que realizadas com uma atitude interior correta, dando ênfase especial à oração. Ele estabeleceu alguns princípios a serem observados: prioridade da oração particular, discrição e humildade (“fechada a porta”), objetividade (sem “vãs repetições”), confiança no cuidado paternal de Deus. Também ensinou aos seus discípulos uma significativa oração modelo, o “Pai Nosso”.

No final do 1º século ou início do 2º, começaram a surgir normas sobre a oração. Um antigo documento da época, a Didaquê, afirma o seguinte: “Não orem como os hipócritas, mas como o Senhor ordenou no evangelho: ‘Pai nosso que estás no céu... Porque teu é o poder e a glória para sempre’. Orem assim três vezes por dia” (8:2-3). Existem evidências de que, desde uma época muito remota, os cristãos em muitos lugares observavam certas horas de oração particular. Tertuliano menciona a manhã e a noite, bem como as tradicionais horas terceira, sexta e nona. Além disso, a Tradição Apostólica de Hipólito fala de um culto público matinal para ensino e oração ao qual todos eram incentivados a ir diariamente. No culto público, os cristãos ajoelhavam-se para orar, exceto aos domingos (ver G. P. Fisher, History of the Christian Church, pág. 65).

Em pouco tempo surgiram orações litúrgicas pré-estabelecidas. A Didaquê (caps. 9 e 10) apresenta alguns belos exemplos:

“Celebrem a eucaristia deste modo: Digam primeiro sobre o cálice: ‘Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da santa vinha do teu servo Davi, que nos revelaste por meio de teu servo Jesus. A ti a glória para sempre’. Depois digam sobre o pão partido: ‘Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da vida e do conhecimento que nos revelaste por meio de teu servo Jesus. A ti a glória para sempre. Do mesmo modo que este pão partido tinha sido semeado sobre as colinas, e depois recolhido para se tornar um, assim também a tua Igreja seja reunida desde os confins da terra no teu reino, porque tua é a glória e o poder, por meio de Jesus Cristo, para sempre’.

Depois de saciados, agradeçam deste modo: ‘Nós te agradecemos, Pai santo, por teu santo Nome, que fizeste habitar em nossos corações, e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelaste por meio do teu servo Jesus. A ti a glória para sempre. Tu, Senhor todo-poderoso, criaste todas as coisas por causa do teu Nome, e deste aos homens o prazer do alimento e da bebida, para que te agradeçam. A nós, porém, deste uma comida e uma bebida espirituais, e uma vida eterna por meio do teu servo. Antes de tudo, nós te agradecemos porque és poderoso. A ti a glória para sempre. Lembra-te, Senhor, da tua Igreja, livrando-a de todo o mal e aperfeiçoando-a no teu amor. Reúne dos quatro ventos esta Igreja santificada para o teu reino que lhe preparaste, porque teu é o poder e a glória para sempre. Que a tua graça venha, e este mundo passe. Hosana ao Deus de Davi. Quem é fiel, venha; quem não é fiel, converta-se. Maranata. Amém’”.

Na Epístola de Clemente aos Coríntios (c. 96 AD) existe uma oração tão elaborada que pode ter sido usada habitualmente por esse líder no culto público (Fisher, pág. 65). Por volta do ano 150, o culto cristão foi descrito da seguinte maneira por Justino Mártir em sua Primeira Apologia (caps. 65, 67):


“Depois de termos lavado dessa maneira aquele que se converteu e deu o seu consentimento, o conduzimos aos irmãos reunidos para em comum oferecer orações por nós mesmos, por aquele que foi iluminado e por todos os homens do mundo... Ao terminar as orações, mutuamente nos saudamos com o ósculo da paz e logo se traz ao presidente o pão e um cálice de vinho com água. Ele os recebe, oferecendo-os ao Pai de todas as coisas num tributo de louvores e glorificações, em nome do Filho e do Espírito Santo, dando graças por sermos considerados dignos de tamanhos favores da sua clemência. Terminadas as orações e ações de graça, os presentes as ratificam com o “Amém”, palavra hebraica que significa “assim seja”... Sobre tudo o que recebemos, louvamos o Criador de todas as coisas em nome de Jesus Cristo, seu Filho, e do Espírito Santo” [Referência ao costume, obrigatório para os cristãos assim como para os judeus, de dar graças a Deus antes de receber as suas dádivas, o que tornava cada refeição um ato sagrado.]

Podia haver a tendência de valorizar mais as esmolas e o jejum que a oração: “O jejum é melhor que a oração, mas as esmolas melhores que ambos” (2 Clemente 16). Mais tarde, passou-se a ter em alta estima as orações intercessórias dos santos falecidos, especialmente os mártires. Daí surgiu o costume de dirigir orações a eles. Mais adiante, o mesmo foi feito com Maria. Desde o segundo ou o terceiro século, também surgiu a prática de se orar pelos mortos.

A oração recebeu grande ênfase em conexão com o monasticismo. Bento de Núrsia (6º século) entendia que ela era o âmago da vida monástica. Todos os dias havia horas prescritas para a oração particular, mas a maior parte das devoções ocorria na capela, onde os monges se reuniam sete vezes durante o dia e uma vez no meio da noite, conforme o Salmo 119.164, 62.

Na Idade Média, os místicos, como era de se esperar, deram grande ênfase à oração. Foi o caso de Bernardo de Claraval (séc. 12) e dos Irmãos da Vida Comum (séc. 14). Outros exemplos são os místicos espanhóis do século 16, Teresa de Ávila (1515-1582) e João da Cruz (1542-1591). O misticismo geralmente surgia numa época em que a religião se tornava excessivamente institucionalizada e as pessoas buscavam um relacionamento mais pessoal com Deus.

Em reação à religiosidade medieval, o protestantismo retornou a padrões exclusivamente bíblicos no que diz respeito à oração. Os reformadores escreveram amplamente sobre o assunto. Calvino dedicou ao tema o maior capítulo das Institutas (Livro III, Cap. 20), que tem por título: “A oração, que é o principal exercício da fé e por meio da qual recebemos diariamente os benefícios de Deus”. Ele aborda questões como: (a) a natureza e o valor da oração; (b) as regras da correta oração; (c) a intercessão de Cristo; (d) a rejeição das doutrinas errôneas da intercessão dos santos; (e) tipos de oração: particular e pública; (f) o uso do canto e da linguagem falada na oração; (g) exposição detalhada da Oração do Senhor, e (h) momentos especiais de oração e necessidade de perseverança.

No protestantismo, alguns movimentos têm dado grande ênfase à oração. Alguns exemplos significativos são o puritanismo inglês e norte-americano, o pietismo alemão, o avivamento evangélico inglês e os despertamentos norte-americanos. Certos personagens ficaram conhecidos pela sua vida de oração: Martinho Lutero, George Miller, João Wesley, Charles Simeon, Robert Murray M’Cheyne, Jonathan Edwards e David Brainerd, entre outros.
Fonte: www.mackenzie.com

História do Movimento Reformado


 ULRICO ZUÍNGLIO: O FUNDADOR DA TRADIÇÃO REFORMADA

Alderi Souza de Matos

A grande importância atribuída a João Calvino, o mais destacado teólogo e organizador do movimento reformado, muitas vezes obscurece a figura do reformador Ulrico Zuínglio, o líder inicial desse movimento. Zuínglio nasceu no dia 1º de janeiro de 1484 (apenas dois meses após o nascimento de Lutero) na vila de Wildhaus, no Cantão de St. Gall, nordeste da Suíça. Após freqüentar uma escola latina em Berna, ingressou na Universidade de Viena, onde entrou em contato com o humanismo. Em seguida, estudou na Universidade de Basiléia, na qual foi influenciado pelo interesse bíblico de alguns mestres e formou um círculo de amigos que mais tarde o puseram em contato com o grande humanista holandês Erasmo de Roterdã.

Após obter o grau de mestre em 1506, foi ordenado ao sacerdócio e tornou-se pároco na cidade de Glarus. As influências humanistas e as suas próprias experiências como capelão de mercenários suíços na Itália o levaram a opor-se a esse sistema. Tal fato contribuiu para a sua transferência para Einsiedeln em 1516 e dois anos mais tarde para Zurique, onde se tornou sacerdote da principal igreja da cidade. Tendo lido recentemente a tradução do Novo Testamento feita por Erasmo, começou em 1519 a pregar uma série de sermões bíblicos que causaram forte impacto. A partir dessa época, defendeu um grande programa de reformas em cooperação com os magistrados civis. Suas idéias sobre o culto público e os sacramentos representaram uma ruptura mais radical com as antigas tradições do que fez o movimento luterano.

O ano de 1522 foi decisivo. Zuínglio protestou contra o jejum da quaresma e o celibato clerical, casou-se secretamente com Ana Reinhart, escreveu Apologeticus Archeteles (seu testemunho de fé) e renunciou ao sacerdócio, sendo contratado pelo concílio municipal como pastor evangélico. Nos dois anos seguintes, uma série de debates públicos levou à progressiva implantação da reforma em Zurique, culminando com a substituição da missa pela Ceia do Senhor em 1525. Infelizmente, alguns de seus primeiros colaboradores, tais como Conrado Grebel e Félix Mantz, adotaram posturas radicais quanto ao batismo, dando início ao movimento anabatista, que gerou fortes reações das autoridades.

Os últimos anos da vida de Zuínglio foram marcados por crescente atividade política. No interesse da causa reformada, ele defendeu a luta contra o império alemão e também contra os cantões católicos da Suíça. Buscando fazer uma aliança com os protestantes alemães, encontrou-se com Lutero no célebre Colóquio de Marburg, convocado pelo príncipe Filipe de Hesse em 1529. Embora concordassem em quase todos os pontos discutidos, os dois reformadores não puderam chegar a um acordo com relação à Ceia do Senhor. No dia 11 de outubro de 1531, quando acompanhava as tropas protestantes na segunda batalha de Kappel, Zuínglio foi morto em combate. Segundo se afirma, suas últimas palavras foram: “Eles podem matar o corpo, mas não a alma”. 
Fonte: www.mackenzie.br