terça-feira, 16 de junho de 2009

Hermenêutica Reformada

Os princípios de interpretação bíblica derivam naturalmente de pressupostos bíblico-teológicos. Eles devem nortear nossa interpretação da Bíblia. O princípio geral do qual se deriva todos os outros é o da auto-interpretação das Escrituras. Este princípio enfatiza que a Bíblia deve ser nossa primordial norma de autoridade para interpretar ela mesma, ao invés de recorrermos a tradições eclesiásticas ou a supostas novas revelações do espírito. Diante disso surge o princípio de analogia da fé. A fé significa o conjunto de doutrinas fundamentais das escrituras. Portanto, quando formos interpretar determinado texto, observar o ensino geral das escrituras, comparar nossa interpretação com as doutrinas fundamentais da fé cristã. A relevância deste princípio é importantíssimo para a hermenêutica reformada, porque respeita a unidade da fé. Diante dessa analogia que o interprete deve realizar, emergi a importância que a teologia sistemática tem para a nossa interpretação. A relação entre a hermenêutica e a teologia sistemática é de troca. Enquanto a exegese, fundamentada nos princípios hermenêuticos, produz a teologia sistemática. A teologia sistemática também serve à hermenêutica, direcionando a interpretação.
Um bom interprete precisa ter um bom conhecimento das doutrinas bíblicas que são organizadas pela teologia sistemática. Também importante para o interprete é a teologia bíblica que organiza a revelação de modo histórico. A teologia bíblica nos mostra o conceito de progressividade da revelação, que demonstra o desenvolvimento da revelação enfatizando a organicidade das Escrituras. Também está ligada ao conceito da história da redenção que tem como centro Cristo. Um exemplo claro da importância da teologia bíblica para o interprete é a doutrina do culto. Se entendermos que no antigo testamento o ponto central do culto era o sacrifício do cordeiro que aponta para o cordeiro santo de Deus, isso nos ajudará a compreendermos que a pregação do sacrifício realizado por Cristo em nosso culto deve ser a parte mais central.
Outro princípio muito importante é o cristológico, o significado deste princípio é que toda a Bíblia, tanto o Novo como o Antigo testamento nos revela Cristo, e também que ambos se concentram em Jesus. Este princípio é grandemente norteador para o interprete, porque nos ensina que a chave para a interpretação das Escrituras é a segunda pessoa da Trindade. O capítulo 24 de Lucas nos mostra o quanto este princípio é verdadeiro ao mostrar que o próprio Cristo nos diz que o antigo testamento o revela e aponta para Ele. Um fato também muito importante que este princípio nos mostra é que a promessa do antigo testamento se cumpre no novo testamento, que a nossa interpretação do antigo testamento deve ser iluminada pelo novo testamento. Isto está totalmente de acordo com o conceito de progressividade que se completa no fechamento do cânon bíblico.
Uma das coisas mais importantes na hermenêutica é o estudo da tipologia. A tipologia é algo intrinsecamente importante na conexão e progressão entre o antigo e o novo testamento. Pois tipologia é a analise de acontecimentos, personagens, elementos, e algumas situações que prefiguram outros acontecimentos (Moisés, o libertador do povo no Egito, prefigura a redenção perfeita realizada pelo verbo eterno de Deus, portanto temos aqui uma relação de tipo e antítipo), e realidades na nova aliança. Um ponto interessante é que a tipologia não pode jamais ser confundida com a alegoria, porque a alegoria é fruto da imaginação fértil de alguns, enquanto a tipologia está fundamentada na revelação e pode ser demonstrada por meio da exegese. Os tipos podem ser explícitos (São aqueles que estão citados de modo direto no novo testamento, como é o caso de 1Pe 3:21, onde se ensina que o dilúvio era uma figura do batismo), ou também implícitos (Estes são percebidos pela clara relação que possuem com alguns aspectos no antigo testamento, embora não referidos de maneira obvia no novo.).

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