sexta-feira, 15 de junho de 2012


Breve Catecismo de Westminster

PERGUNTA 1. Qual é o fim principal do homem?
RESPOSTA. O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre.
Referências: Rm 11.36; 1Co 10.31; Sl 73.25-26; Is 43.7; Rm 14.7-8; Ef 1.5-6; Is 60.21; 61.3.

PERGUNTA 2. Que regra deu Deus para nos dirigir na maneira de o glorificar e gozar?
R. A Palavra de Deus, que se acha nas Escrituras do Velho e do Novo Testamentos, é a única regra para nos dirigir na maneira de o glorificar e gozar.
Ref. Lc 24.27, 44; 2Pe 3.2, 15-16; 2Tm 3.15-17; Lc 16.29-31; Gl 1.8-9; Jo 15.10-11; Is 8.20; Hb 1:1 comparado com Lc 1.1-4 e Jo 20.30-31.

PERGUNTA 3. Qual é a coisa principal que as Escrituras nos ensinam?
R. A coisa principal que as Escrituras nos ensinam é o que o homem deve crer acerca de Deus, o dever que Deus requer do homem.
Ref. Jo 5.39; 20.31; Sl 119.105; Rm 15.4; 1Co 10.11.

PERGUNTA 4. Quem é Deus?
R. Deus é espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.
Ref. Jo 4.24; Ex 3.14; Sl 145.3; 90.2; Tg 1.17; Rm 11.33; Gn 17.1, Ap 4.8; Ex 34.6-7.

PERGUNTA 5. Há mais de um Deus?
R. Há só um Deus, o Deus vivo e verdadeiro.
Ref. Dt 6.4; 1Co 8.4; Jr 10.10; Jo 17.3.

Quais as funções da ética reformada? Com a palavra, André Biéler

A ética reformada [...] possui três funções. A primeira e mais importante é a espiritual. A Lei divina deve ajudar cada individuo a descobrir que, sendo sua presente natureza desnaturada com referência a sua identidade primeira, ele está muito longe de conduzir-se naturalmente, na conformidade da vontade de Deus. Ele deve, por conseguinte, arrepender-se, pedir perdão, e converter-se para beneficiar-se da vida nova a qual Cristo o convida, na sua comunhão.

A ética tem, em seguida, uma função moral propriamente dita. A Lei de divina relembra incessantemente ao crente convertido, sempre propenso a esquecê-la, essa vontade de Deus que ele é convida a amar, tendo-a aceito como um dom consecutivo ao perdão, uma graça. Ele se torna obediente por reconhecimento e não mais por obrigação.

Enfim, ela tem uma função política. Graças à Lei de Deus, todos os cidadãos e magistrados sabem segundo quais critérios morais podem e devem elaborar as leis e conformar sua conduta na sociedade para obter ordem social, econômica e política viável e duradoura.

BIÉLER, André. In: A Força Oculta dos Protestantes. Traduzido por Paulo Manoel Protasio.  São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 1999. Capítulo II: Os combates pela democracia, pp. 75.

SOBRE O AUTOR: André Biéler, suíço, pastor e doutor em Ciências Econômicas.
Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd
Facebook:  http://www.facebook.com/rodrigo.ribeiro.14811

Polícia do Laos prende pastor, por difundir a fé cristã


Um pastor de 53 anos continua atrás das grades, após ser preso pela polícia do Laos, na última quarta-feira (6) sob a acusação de forçar a conversão das pessoas ao cristianismo, disse um porta-voz da ONG de Assistência aos Direitos Humanos e Liberdade Religiosa no Laos - Human Rights Watch for Lao Religious Freedom (HRWLRF).
A prisão de Asa, identificado apenas por este nome, ocorreu por volta das quatro horas, em sua casa na aldeia Peeyeur , na província Luang Namtha, de acordo com HRWLRF. A polícia então conduziu Asa para a prisão provincial Namtha Luang, cerca de 50 Km de sua aldeia, longe o bastante para impedir visitas de familiares ou amigos, devido ao limitado acesso ao transporte rodoviário.
Se o procedimento legal fosse seguido, disse a HRWLRF, a polícia teria mantido Asa na prisão por três dias, enquanto investigava as acusações contra ele.
Na quinta-feira (7), Khamla, um proeminente líder cristão na província, reuniu-se com a polícia e descobriu que Asa havia sido acusado de converter pessoas a Cristo.
Há, dois anos atrás, a polícia havia forçado Asa a assinar documentos, concordando que ele pararia de proclamar a Cristo e, de induzir as pessoas a aceitá-lo. Este ano, porém, muitas pessoas da aldeia Peeyeur, e os moradores vizinhos, tocados pela vida e testemunho de Asa, aceitaram a Cristo.
Os líderes da Igreja dizem que as autoridades locais têm a intenção de eliminar o cristianismo de Luang Namtha, num esforço para proteger a região como patrimônio mundial. Eles usam a prisão de seis cristãos tailandeses, pegos pregando na província, em 24 de março, como exemplo; os seis foram liberados no início de junho, após várias semanas de detenção.
As autoridades de Luang Prabang, uma província vizinha, convocaram dois líderes cristãos e cerca de 80 cristãos da aldeia Hueysell, em janeiro, e ordenou-lhes que abandonassem sua fé ou seriam expulsos de suas casas. Até o momento as autoridades não colocaram as ameaças em prática.
A Constituição do Laos e outros regulamentos, como um decreto de 2002 sobre prática religiosa (conhecido como Decreto 92), teoricamente, protegem a liberdade de crença e de culto para todas as religiões, mas funcionários de aldeias, distritos e províncias, muitas vezes desrespeitam essas leis e mesmo assim ficam impunes.


Fonte: Missão Portas Abertas
 
 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

É a Tradução do Novo Mundo uma Bíblia Sem Valor? (Uma defesa da TNM)

ATENÇÃO: Essa é uma apologia feita por pessoas que são "simpatizantes" das Testemunhas de Jeová (ainda que não totalmente, mas especialmente do conceito antitrinitário dessa seita). Na próxima sexta-feira, permitindo Deus, apresentarei uma breve refutação dessa longa defesa. Uma postagem sobre a opinião de alguns eruditos sobre a TNM veja AQUI.

"É a Tradução do Novo Mundo uma Bíblia Sem Valor (fonte: MENTES BEREANAS)?

“....[Essa obra] deve preencher uma genuína necessidade. Essa tradução é fiel sem ser deficiente, espirituosa sem ser vulgar.” – Morton S. Enslin, Journal of Religion.
“.... oportuna, uma obra bem-vinda.... somente aqueles que já tiveram oportunidade de lidar com o intricado texto [bíblico] pode apreciar a habilidade e julgamento do editor.” – James Moffatt, Journal of Biblical Literature.
“Esta obra significa um verdadeiro avanço na erudição americana. Todos os americanos estão endividados com a erudição precisa e paciente desta importante versão.” – Journal of Bible and Religion.
“É um nobre monumento em erudição, e moderna, a mais clara janela pela qual o leitor americano entra na mente daqueles que escreveram os clássicos mais duradouros do mundo, escritos originalmente em hebraico e grego.” – Christian Century.
“O objetivo desta tradução é nos dar o significado dos textos originais como eram entendidos pelos seus primeiros leitores e ainda indumentado de um inglês respeitável. Além do mais é um tesouro para o leitor, e especialmente para o estudante da Bíblia.” – Presbyterian Banner.
“A obra é em um inglês puro, bonito, claro, freqüentemente direto, e muito agradável de se ler.” – Christian Evangelist.
Fonte das Citações: University of Chicago
Sabe a qual tradução os elogios acima se referem? Na sua opinião, qual é a possibilidade de tais palavras se referirem à Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas? Se o leitor está à par do assunto, sabe que não existe nenhuma possibilidade disso ter acontecido, pois provavelmente a versão do Novo Mundo (versão oficial das Testemunhas de Jeová) é a tradução mais criticada que existe, por motivos vários. Os comentários acima são apenas alguns dos diversos que foram tecidos por ocasião do lançamento de uma certa tradução da Bíblia nos Estados Unidos.

A elogiadíssima Bíblia em apreço é a An American Translation, de Edgar Johnson Goodspeed, um conhecido erudito americano especializado em língua grega, Ph.D pela Universidade de Chicago, autor de diversas obras de referência. Com esse vasto currículo, e um conhecimento do grego incontestável, observe como o Dr. Goodspeed traduziu certos versículos do Novo Testamento em sua obra:

“No princípio a Palavra existia, e a palavra estava com Deus, e a Palavra era divina.” – João 1:1.
“E todos os anjos de Deus se inclinem diante dele [de Jesus].” – Hebreus 1:6.
“Mas do filho ele diz: ‘Deus é teu trono para todo o sempre!’ ” – Hebreus 1:8.
“Eu existia antes de Abraão ter nascido!” – João 8:58.
“.... [Cristo] veio fisicamente deles [dos judeus] – Deus que é sobre todos seja abençoado para sempre.” – Romanos 9:5.

Se você é um trinitarista convicto provavelmente seu semblante se contorceu de asco e desprezo pelas versões acima. “Como pode essa tradução receber tamanhos elogios?”, talvez se pergunte. Os versículos que aí estão são algumas das passagens que os trinitaristas geralmente usam para mostrar que Jesus é Deus. Mas se isso for feito na Bíblia de Goodspeed tais versículos não servirão para apoiar os intentos trinitários, mas acabarão por dar suporte à maneira da Tradução do Novo Mundo traduzir certos versos das Escrituras, apesar do Dr. Goodspeed nunca ter sido Testemunha de Jeová e nem ter apoiado os seus credos religiosos.

O Dr, Goodspeed não era um apoiador da Tradução do Novo Mundo. Embora a Watchtower (editora das Testemunhas de Jeová) alegue que recebeu uma carta dele parabenizando a Tradução do Novo Mundo [TNM], sabe-se que ele fez comentários depreciativos sobre a TNM (referente ao AT), e disse que ela não era recomendada para a leitura pública. (Questions For Jehovah's Witnesses Who Love The Truth, Kunkletown, Pennsylvania, W.I. Cetnar, 1983, p. 64). Nem tampouco ele era um apoiador irrestrito do anti-trinitarismo, pois em outras passagens importantes para o credo da Trindade ele traduziu exatamente como os trinitários querem. Se ele quisesse defender a todo custo a não divindade trinitária de Cristo ele poderia facilmente ter encontrado uma maneira de deixar os versículos que apoiam essa idéia em perfeito acordo, assim como faz a TNM.

O exemplo acima serviu para mostrar que traduzir uma obra a partir de um idioma primitivo é uma tarefa dinâmica e árdua, e que não é tão simples condenar essa ou aquela tradução. Dogmatismo nesse campo também não é adequado. Todas as traduções têm o seu valor, e estão sob aspectos semânticos e morfológicos que devem ser considerados. Não raro existem passagens com várias possibilidades de tradução para o vernáculo, sem que nenhuma delas seja necessariamente errada. Isto é assim especialmente em pontos gramaticais em que os peritos não são unânimes. Há tradutores que fazem uso do contexto para auxiliar em suas decisões, apesar desse método entrar no arriscado campo das interpretações, sobre as quais a formação religiosa do tradutor tem forte influência. Como não é o propósito deste artigo entrar no ambiente da exegese, o aspecto contextual não será aqui analisado profundamente, apenas comentado brevemente. A ênfase será na apresentação de uma variabilidade de versões bíblicas confrontadas com a tão má afamada Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas. Não será objeto deste artigo entrar no mérito de discussões apologéticas ou gramaticais. Os autores das obras citadas é que serão os “responsáveis” pelo juízo de valor aqui apresentado.

É certo que a TNM contém erros como toda obra humana, e em uma ocasião oportuna isso também será comentado em artigos futuros. Mas será que são justas todas as críticas que são feitas ela?

Nuanças históricas e sociais exercem o seu papel na nobre tarefa de se traduzir a Bíblia. Todas as versões têm sua história, influências e paradigmas. No caso da TNM existe uma história secreta (hoje não tão secreta assim) que deve ser considerada: a influência de outras traduções vernáculas. Sabe-se que os tradutores da TNM não possuíam conhecimento acadêmico das línguas originais, com exceção de Frederic Franz, ex-presidente da Watchtower. Por esse motivo lançaram mão do trabalho de outros tradutores para concluir a TNM. Compensaram a falta de formação lingüistica com um exaustivo trabalho de garimpagem técnica, que teve como resultado uma tradução repleta de ferramentas de pesquisa não disponíveis nem em versões bem conceituadas nos círculos acadêmicos. Quem quiser pode comprovar essa particularidade por adquirir uma TNM com referências e notas marginais. Em virtude destes recursos, certo periódico descreveu a TNM como “a mais completa versão das Escrituras”, já lançada no Brasil. – Revista Veja, de 03 de junho de 1987, p. 64.

Há os que defendem a idéia de que a TNM é uma paráfrase da famosa versão Rei Jaime. Mas como a TNM foi lançada em partes no decorrer de vários anos, o mais provável é que os seus autores tenham realmente tentado traduzir por si próprios as Escrituras Sagradas, especialmente o Novo Testamento, a língua que Frederic Franz estudou na Faculdade, e a língua materna de George Gangas, co-autores da TNM. O que não impede que tenham sempre levado em consideração outras versões vernáculas. Sendo correta essa teoria, o resultado, sem dúvida, seria um misto de tradução e paráfrase. Como ninguém viu o desenrolar do trabalho da Comissão Tradutora da TNM, só resta analisar o resultado da obra e comparar com outras versões, para tirar algumas conclusões.

As críticas mais ferrenhas a TNM geralmente se restringem às chamadas passagens cristológicas. Com relação a elas, a Watchtower conseguiu um grande feito: descobriu que praticamente todos esses versículos possuem outras possibilidades aceitáveis de tradução, muitas vezes corroboradas por peritos e obras bem conceituadas do mundo erudito. Por mais que apologistas católicos e protestantes não reconheçam, isso é um fato. Alguns exemplos serão aqui fornecidos.

João 1:1

“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus.” – Versão CNBB.

Embora a frase acima seja a mais comum em edições da Bíblia, segundo várias outras traduções a conclusão “a Palavra era Deus” pode ser traduzida de diversas outras maneiras (Atenção: nem todas são literais):

1) The Wiclif Translation (1380), de Jonh Wiclif: “E deus era a palavra.” (OBS.: o primeiro theos desta passagem também foi traduzido em letra minúscula).

2) The New Testament, In An Improved Version (1808): “E a Palavra era um deus.”

3) The Monotessaron; or, the Gospel History, According to the Four Evangelists (1829), de John S. Thompson: “E o Logos era um deus.”

4) The Emphatic Diaglott (1864), de Benjamim Wilson: “E um deus era a Palavra.”

5) La Sainte Bible, Segond-Oltramare (1879): “E a Palavra era um ser divino.”

6) O Novo Testamento (1907), de Curt Stage: “O Verbo era próprio do Ser Divino.”

7) O Novo Testamento (1910), de Rudolf Boehmer: “Estava firmemente ligado com Deus, sim, próprio do Ser Divino.”

8) The Restored New Testament (1914): “E verdadeiramente o Pensamento divino era o Deus secundário.”

9) O Novo Testamento de Friedrich Pfaefflin (1919): “E era de peso divino.”

10) The People's New Covenant (1925): “Originalmente havia a Palavra, ou DEUS-Idéia existia; e o DEUS-Idéia existia na expiação [?; em inglês é “at-one-ment”] com DEUS; e o DEUS-Idéia era DEUS-manifesto.”

11) La Bible du Centenaire, Societé Biblique de Paris. (1928): “E a Palavra era um ser divino.”

12) An American Translation (1935), de J.M.P. Smith e E.J.Goodspeed: “E a Palavra era divina.”

13) O Novo Testamento - Uma Nova Tradução de Johannes Greber (1937): “E o Verbo era um deus.”

14) Das Neve Testament (1946), de Ludwig Thimme: “E a Palavra era de espécie divina.”

15) Os Quatro Evangelhos - Uma Nova tradução de Charles Cutler Torrey (1947): “E o Verbo era deus.”

16) A New Translation of the Bible (1954),de James Moffatt: “O Logos era divino.”

17) As Sagradas Escrituras (1951),do Dr. Hermann Menge: “E Deus (=do Ser Divino) o Verbo era.”

18) The Authentic New Testament (1958), de Hugh J. Schonfield: “E o Verbo era divino.”

19) The New Testament (1958), de James L. Tomanek: “E a Palavra era um deus.”

20) Wuest Expanded Translation (1961): “A Palavra estava em companheirismo com Deus, O Pai. E a Palavra era como a Sua absoluta deidade [isto é, como a absoluta deidade do Pai].” (Colchetes acrescentados).

21) A New Translation (1968, 1969), de William Barclay: “A natureza da Palavra era a mesma que a natureza de Deus.”

22) New English Bible (1970): “O que Deus era a Palavra era.”

23) The Abbreviated Bible (1971): “– – – ” (Omite a parte final do versículo).

24) The Translator New Testament (1973), de W. D. McHardy: “A Palavra estava com Deus e compartilhava sua natureza.”

25) Das Evangelium Nach Johannes (1975), de Siegfried Schulz: “E um deus (ou: da espécie divina) era a Palavra.”

26) The Gospel of John, Revised Edition (1975), de William Barclay: “E a Palavra era Deus.”

27) Das Evangelium Nach Johannes (1978), de Johannes Schneider: “E da sorte semelhante a Deus era o Logos.”

28) Evangelium Nach Johannes (1979), de Jürgen Becker: “E um deus era o Logos.”

29) The Sacred Scriptures, Bethel Edition (1981): “A Palavra estava com Yahweh, e a Palavra era Elohim.”

30) The Unvarnished New Testament (1981): “E Deus era o que a Palavra era.”

31) The Original New Testament (1985), de Hugh J. Schonfield: “Então a Palavra era divina.”

32) The Word Made Fresh (1988), de Andy Edington: “– – – ” (Omite a parte final do versículo).

33) Revised English Bible (1989): “E o que Deus era a Palavra era.”

34) Scholars Version (1993): “Era o que Deus era.”

O popular tradutor escocês William Barclay (da citação anterior de nº 21) concluiu com a frase: “A natureza da Palavra era a mesma que a natureza de Deus.” No entanto, numa edição posterior, ele resolveu traduzir esse versículo na forma mais conhecida: “E a Palavra era Deus” (citação nº 26). Sabe-se que Barclay não cria na doutrina da Trindade. Mas isso não o impediu de voltar a versão tradicional de João 1:1, nem tampouco fez com que ele evitasse traduzir outros versículos do jeito que querem os trinitaristas.

Referente a João 1:1, Barclay fez o seguinte comentário: “É difícil entendermos essa afirmação, e ela é difícil porque o grego, língua na qual João escreveu, tinha uma maneira diferente de dizer as coisas.... Quando o grego usa um substantivo quase sempre é com o artigo definido ho [“o”]. Quando o grego se refere a Deus ele não diz simplesmente theos [“deus”]; ele diz ho theos [“o deus”]. Então quando o grego não usa o artigo definido junto com um substantivo, o substantivo se torna mais um adjetivo. João não queria dizer que a palavra era ho theos [“o Deus”]; como se dissesse que a palavra fosse idêntica a Deus. Ele disse que a palavra era theos – sem o artigo definido – o que significa que a palavra tinha, por assim dizer, exatamente a mesma característica e qualidade e essência e maneira de ser de Deus. Quando João disse a palavra era Deus ele não estava dizendo que Jesus era idêntico a Deus.... Nesse caso é melhor entendermos com o significado de que Jesus é divino. Vê-lo é o mesmo que ver o que Deus é.” – The Gospel of John, Revised Edition (1975), pp. 39, 74, Westminster John Knox Press.

João 1:1 é certamente um dos mais controversos pontos das Escrituras, ao contrário do que pensam as imutáveis mentes trinitárias não à par dos fatos. Quem afirma categoricamente que a TNM está absolutamente errada neste versículo fecha os olhos à realidade. Note mais comentários que confirmam isso:

“A verdadeira tradução aqui [em João 1:1] provavelmente seja: de Deus. Veja-se Nota Crítica..... [Diz a nota crítica:] Há três motivos diferentes para se crer que ‘de Deus’ seja a tradução correta. Primeiro, os manuscritos, segundo declarados na Nota; segundo, a lógica do argumento; porque, se o evangelista quis dizer ‘era Deus’, não haveria motivo para o versículo seguinte; terceiro, a construção gramatical da sentença: pois não teria ele escrito ‘era Deus’ ho logos én theós, que, de qualquer modo, teria sido mais elegante? Mas se lermos kai theoû-ho lógos, o theoû estará no seu lugar apropriado na sentença. Tenho-me refreado de corrigir o texto nessa passagem por causa do desejo expresso do falecido Bispo Westcott.” – The Patristic Gospels – A English Version of the Holy Gospels, pp. 118, 156; colchetes acrescentados. (Detalhe: o tradutor dessa Bíblia verteu João 1:1 da forma tradicional “o Verbo era Deus”, o que não impediu o seu honesto comentário).

“Um predicativo anartro precedendo ao verbo, tem primariamente sentido qualificativo. Indicam que o logos tem a mesma natureza de theos... A cláusula poderia talvez ser traduzida: ‘o Verbo tinha a mesma natureza de Deus.’” – Philip B. Harner, Journal of Biblical Literature, 1973, pp. 85, 87.

“João 1:1 deve ser rigorosamente traduzido ‘o verbo estava com o Deus [= o Pai], e o verbo era um ser divino’.” – Dictionary of the Bible, de John L. McKenzie, 1965, p. 317.

João 8:58

“Antes que Abraão existisse, eu sou.” - Mateus Hoepers.

“Antes que Abraão fosse, eu sou.” - William Barclay.

“Antes de haver um Abraão eu sou.” - Steven Byington.

OUTRAS VERSÕES:

“Desde antes de Abraão existir, eu tenho existido.” – The New Testament (1869), de G.R. Noyes.

“Eu já existia antes de Abraão nascer!” – Goodspeed Bible (1935).

“Antes de Abraão ter nascido, eu já era aquele que eu sou.” - Das Neue Testament (1965), de Jörg Zink.

“Antes de Abraão nascer, já eu era aquele que sou.” – O Novo Testamento, Interconfessiona l (1978).

“Eu existo desde antes Abraão existir.” – Vérsion Popular (1983).

“Eu já existia antes de Abraão ter nascido.” – James Moffatt Bible (1994).

“Eu já existia antes de Abraão nascer.” – A Bíblia Viva (1996).

“Antes que Abraão existisse, eu existo.” – Bíblia do Peregrino(1996).

“Eu já existia antes de Abraão ter nascido!” – New Living Translation (1996).

“Eu já era antes de Abraão nascer” – Worldwide English New Testament (2001).

“Eu sou o que sou antes de Abraão existir.” – The Message (2002), de Eugene H. Peterson.

Embora a tradução “eu sou” esteja correta, se vista pelo sentido literal, parece bem evidente que o que Jesus queria dizer era que ele já existia antes de Abraão existir. Todo bom tradutor sabe que o literalismo geralmente não garante uma boa tradução, embora no que diz respeito à Bíblia isto tenha sua utilidade. Mesmo do ponto de vista gramatical, ao converter o texto canônico para o vernáculo, todas as traduções aí citadas que não vertem a expressão grega egó emí por “eu sou” estão corretas. Sobre este ponto em questão, o professor universitário de língua grega, Nicholas Kip, fez o seguinte comentário:

“Em alguns lugares, os trinitaristas manipulam claramente a evidência. O exemplo clássico disto é, acho eu, João 8:58. Ali, Jesus disse: ‘Antes que Abraão existisse eu sou.’ (Almeida) Os trinitaristas pegam este uso de ‘eu sou’, por parte de Jesus aqui, e relacionam-no com a declaração feita por Jeová a Moisés, em Êxodo 3:14 (Al): ‘Eu sou o que sou.’ Visto que tanto Jesus como Jeová usaram a expressão ‘Eu sou’, eles argumentam que isto faz com que Jesus e Jeová sejam uma só pessoa. E o radical grego realmente diz sou no presente, em João 8:58.

“No entanto, até as próprias gramáticas de teologia deles reconhecem que, quando uma expressão aparece no tempo passado na sentença, o verbo no presente pode às vezes ser traduzido como se já tivesse iniciado no passado e prosseguido até o presente. Isto também ocorre no francês e no latim. Por isso, quando a Tradução do Novo Mundo diz ‘eu tenho sido’, em vez de ‘eu sou’, ela está traduzindo corretamente o grego. (João 8:58) Todavia, os trinitaristas agem como se: ‘Não, isso nem mesmo é possível!’ Assim, comecei a notar esta distorção da evidência por parte dos detratores da Sociedade.” – Despertai!, de 22 de março de 1987, p. 14.

Embora o professor Kip tenha se tornado Testemunha de Jeová, ele deixa claro no resto do seu relato, que ele já tinha essa opinião antes de conhecer as Testemunhas de Jeová. Portanto, sua declaração é significativa neste momento. Interessante, é que a Watchtower na sua The Kingdom Interlinear Translation verte João 8:58 da seguinte forma: “Antes de Abraão tornar-se eu sou.” O que vem a confirmar a declaração do professor Kip.

Atos 20:28

“ [Pastoreai] a Igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue.” - Versão Pedreira de Castro.

OUTRAS VERSÕES:

“.... o Senhor comprou com o seu próprio sangue.” – Reina-Valera (1960)

“.... por meio do sangue do seu próprio Filho.” – A Bíblia na Linguagem de Hoje (1973).

“.... pelo sangue de seu próprio Filho.” – A Bíblia Fácil, CBC (1973).

“.... pelo sangue do seu próprio Filho.” – A Bíblia de Jerusalém (1981).

“.... com o sangue de seu Filho.” – Mensagem de Deus (1983).

“.... pelo sangue de seu próprio Filho.” – Novo Testamento de José Raimundo Vidigal (1984).

“.... com o sangue do seu próprio Filho.” – Edição Pastoral (1991).

“.... com o sangue de seu próprio Filho.” – Contemporary English Version (1995).

A Tradução do Novo Mundo verte:

“...com o sangue do seu próprio [Filho].”

Romanos 9:5

“São israelitas... dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém.” – Versão Almeida.

OUTRAS VERSÕES:

“...e dos quais, por descendência física, veio o Cristo. Deus, que é sobre todos, seja bendito por todas as eras! Amém.” – The Riverside New Testament (1934).

“...e da sua raça, segundo a carne, é o Cristo. Deus, que é sobre todos, seja bendito para sempre. Amém.” –Revised Standard Version (1952).

“...e deles, na descendência natural, procedeu o messias. Que Deus, o supremo sobre todos, seja bendito para sempre! Amém – The New English Bible (1961).

“...e Cristo, como ser humano, pertence à sua raça. Que Deus, que governa sobre todos, seja louvado para sempre! Amém.” – Today's English Version (1966).

“...e deles veio o messias (falo de suas origens humanas). Bendito para sempre seja Deus, que é sobre todos! Amém.” – The American Bible (1970).

“...e deles é o Cristo, segundo a carne. O Deus que está acima de tudo seja bendito pelos séculos! Amém.” –Bíblia Vozes (1982).

“...e deles nasceu Cristo segundo a condição humana, que está acima de tudo. Deus seja bendito para sempre. Amém.” – Edição Pastoral (1990).

“Aqueles famosos ancestrais, que também eram ancestrais de Jesus Cristo. Oro que Deus, que governa sobre todos, seja louvado para sempre!” - Contemporary English Version (1995).

“...de sua linhagem segundo a carne descende o Messias. Seja para sempre bendito o Deus que está acima de tudo.” – Bíblia do Peregrino (1996).

* Nota ao pé de página sobre Romanos 9:5: “Ou ‘Cristo, que é sobre tudo. Seja Deus louvado para sempre!’.” – Nova Versão Internacional.

Filipenses 2:6

“[Mesmo Jesus] sendo em forma de Deus, não considerou ser igual a Deus como uma usurpação.” – versão Alfalit Brasil.

OUTRAS VERSÕES:

“O qual, sendo em forma de Deus, não achou que ter igualdade com Deus fosse algo de que devesse apossar-se.” – The New Testament (1869), de G. R. Noyes.

“Sendo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus como aquilo que devia agarrar-se com força.” – Reina-Valera (1960).

“Ele – realmente de natureza divina! – nunca se fez, com autoconfiança, igual a Deus.” - Das Neue Testament (1965), edição revisada, de Friedrich Pfaefflin.

“O qual, embora sendo em forma de Deus, não achou que ser igual a Deus fosse algo do que gananciosamente se apoderar.” – La Bibbia Concordata (1968).

“Ele sempre teve a mesma natureza de Deus, mas não tentou ser, pela força, igual a Deus.” – A Bíblia na Linguagem de Hoje (1973).

“Tinha toda natureza de Deus, [mas] não considerou a igualdade com Deus algo para ser agarrado.” – New International Version (1984) [colchetes acrescentados].

“O qual, sendo em forma de Deus, não achou que a igualdade com Deus fosse algo do que se apossar.” –The New Jerusalem Bible (1985).

“Ele existia na forma de Deus, [mas] não considerou a igualdade com Deus algo para ser agarrado.” – New American Standard Bible (1995). [colchetes acrescentados].

“Embora sendo Deus [‘ou existindo na forma de Deus’, nota] não considerou que ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se.” – Nova Versão Internacional (2000).

“Ele era na forma de Deus, mas não contou que a iguldade com Deus fosse algo para se agarrar.” – English Standard Version (2001).

“Apesar dele ter existido na forma de Deus, não considerou a igualdade com Deus algo para se agarrar.” – International Standard Version (2002).

“Ele tinha uma condição igual a Deus, mas não pensou muito de si mesmo a ponto de se agarrar às vantagens daquela condição não importe o que importasse.” – The Message (2002), de Eugene H. Peterson.

A Tradução do Novo Mundo verteu da seguinte forma:

“O qual, embora existisse em forma de Deus, não deu consideração a uma usurpação, a saber, que devesse ser igual a Deus. ”

Tito 2:13 [= 2 Pedro 1:1]

“Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus.” - Versão Almeida.

OUTRAS VERSÕES:

“...do grande Deus e de nosso Salvador, Cristo Jesus” – The Riverside New Testament (1934).

“...do grande Deus e de nosso Salvador, Cristo Jesus” – James Moffatt Bible (1935).

“...do grande Deus e de nosso Salvador, Jesus Cristo.” – La Sainte Bible, de Loius Segond (1957).

“...do grande Deus e de nosso Salvador, Cristo Jesus.” – The New American Bible (1970).

“...do grande Deus e do Salvador Nosso, Jesus Cristo.” – Novo Testamento, de Mateus Hoepers (1978).

“...do nosso grande Deus e do nosso Salvador Jesus Cristo.” – Bíblia do Peregrino (1996).

A Tradução do Novo Mundo verte:

“...do grande Deus e [do] Salvador de nós, Cristo Jesus.”

Hebreus 1:6

“Adorem-no [i.e., a Jesus] todos os anjos de Deus”. – Bíblia de Jerusalém.

“Que todos os anjos de Deus prostrem-se diante dele [de Jesus].” – Tradução Ecumênica da Bíblia.

“E todos os anjos de Deus se inclinem diante dele [de Jesus].” – Goodspeed Bible.

Qual das traduções acima é a correta? Os anjos tinham que adorar ou se curvar diante de Jesus? Qualquer pessoa com conhecimento básico de grego coiné sabe que proskinéo, palavra usada neste versículo, pode ser traduzida em qualquer um dos significados acima citados. O termo proskinéo significa adoração, homenagem, reverência ou o ato de curvar-se. Portanto, é o tradutor quem determina qual é a melhor acepção. Por exemplo, a Bíblia de Jerusalém traduziu proskinéo, em Mateus 18:26, da seguinte forma: “Caiu aos seus pés e, prostrado....”, embora tenha vertido “adorar” em Hebreus 1:6.

* Nota da Bíblia do Peregrino sobre Hebreus 1:6: “ ‘Adorem’: rendendo homenagem ao soberano.”

Hebreus 1:8

“Com referência ao Filho: ‘Deus é o teu trono para todo o sempre.’” – Tradução do Novo Mundo.

“Sobre o Filho porém afirma: o teu trono, ó Deus, permanece para sempre.” – Edição Pastoral.

O apóstolo Paulo está a citar o Salmo 45:7. Note como a própria tradução usada acima (Edição Pastoral) traduz esse Salmo: “Seu trono é de Deus, e permanece para sempre! O cetro do seu reino é o cetro de retidão!”. Qual seria então a tradução correta? Já que a mesma passagem é traduzida de maneiras diferentes? A tradução correta é “Deus” ou “de Deus”?

Observe como diversas traduções vertem o Salmo 45:7:

“Teu divino trono é para sempre, teu cetro real, um cetro de equidade.” – Tanakh.

“O teu trono é de Deus e para sempre.” – O Salmos (LEB).

“Deus é teu trono para todo o sempre.” – The Bible in Living English.

“Teu trono é de Deus, para sempre e eternamente!” – Bíblia de Jerusalém.

“O teu trono é de Deus e para sempre.” – Mensagem de Deus.

“Teu divino trono dura para todo o sempre.” – Revised Standard Version.

“O que Deus lhe deu vai durar para sempre.” – A Bíblia na Linguagem de Hoje.

“O teu trono é de Deus para sempre e eternamente.” – La Bible de Jerusalém.

“Teu trono é de Deus para todo o sempre.” – The Message (American Bible Society).

Há versões que até omitem a expressão “Ó Deus”:

“O teu trono subsiste no século do século.” – Hebreus 1:8, Pedreira de Castro.

“Teu trono subsistirá para sempre.” – Salmo 45:7, Moffatt.

Observe três notas ao pé de página sobre Salmo 45:7 e Hebreus 1:8:

Salmo 45:7: “Ou ‘teu trono é de Deus’.” – American Standard Version.

Salmo 45:7: “Ou ‘teu trono é um trono de Deus’, ou ‘teu trono, ó Deus’.” – Revised Standard Version.

Salmo 45:7: “Ou ‘teu divino trono’.” – New Living Translation (Tyndale House).

Hebreus 1:8: “Ou ‘Deus é teu trono’.” – Revised Standard Version.

Não há motivo para ser dogmático sobre qual é a tradução correta desses versículos. Os autores das notas acima são especialistas nos idiomas originais da Bíblia, e são eles que dizem que há várias possibilidades de tradução igualmente aceitáveis do ponto de vista gramatical.

Esse salmo se dirigia originalmente ao rei de Israel. Como dificilmente o salmista teve a intenção de dizer que o rei fosse Deus, é bem razoável que a tradução correta seja “de Deus”, pois o poder régio do governante judeu provinha de Deus. Talvez seja por esse motivo que a Bíblia na Linguagem de Hoje verte: “O que Deus lhe deu vai durar para sempre.”

Mesmo que o salmista estivesse chamando o rei de “deus”, é bom lembrar que o próprio Yahweh aplicou o termo “deus” a diversas outras pessoas, ou autorizou que elas usassem tal termo:

¨ Anjo se apresentando como Deus – Êxodo 3:4,5; Atos 7:29,30.

¨ Moisés chamado por Yahweh de Deus. – Êxodo 4:16; 7:1.

¨ Anjo chamado de Deus – Juízes 13:21,22.

¨ Anjos chamados de Deuses – Salmo 8:4,5; Hebreus 2:6,7 (Vide a Septuaginta, e compare com outras traduções).

¨ Juízes israelitas chamados por Yahweh de Deuses. – Salmo 82:1,6.

¨ A casa de Davi chamada de Deus – Zacarias 12:8.

Os versículos aí citados mostram que o nome “Deus” pode ser usado de forma especial e esporádica a pessoas que representam oficialmente o Altíssimo. Esta possibilidade é comentada por vários tradutores:

* Nota ao pé de página sobre o Salmo 45:7: “Este poema nupcial é dedicado ao rei para exaltar suas qualidades físicas, augurar-lhe a vitória no campo de batalha e um reinado de justiça e verdade. Na qualidade de Ungido, é ele o representante do Senhor na terra e, por sua função de exercer e promover a justiça, é intitulado ‘deus’ ”. – Bíblia Vozes.

* Nota ao pé de página sobre o Salmo 45:7: “Deus, palavra que por vezes é aplicada a homens (cf. Ex. 4:16), parece aqui designar o rei.” – Tradução Ecumênica da Bíblia.

* Nota ao pé de página sobre o Salmo 45:7: “Vemos no termo ’elohîm um vocativo qualificando o rei; este título protocolar é de fato aplicado ao Messias. (Is. 9,5).” – Bíblia de Jerusalém.

* Nota ao pé de página sobre o Salmo 45:7: “É duvidoso o sentido da invocação ‘Ó Deus’: ou interrompe o poema com uma elevação a Deus, ou se refere ao próprio rei, a quem chama de ‘divino’.” – Salmos, a Oração do Povo de Deus, de Ivo Storniolo.

* Nota ao pé de página sobre Hebreus 1:8: “Fórmula de entronização. Ao rei dirige-se a denominação elohim: deus.” – Tradução Ecumênica da Bíblia.

É interessante como tradutores trinitaristas conseguem chegar a conclusões que acabam por minar a crença de que Jesus é o Deus Todo-Poderoso, crença que se baseia no fato de Jesus ter recebido a denominação “Deus” em algumas passagens bíblicas. Ora, não o receberam também diversas outras pessoas? Onde as Escrituras dizem que essa peculiaridade não pode também se aplicar ao Senhor Jesus? – 1 Coríntios 4:6.

Bem, mas saindo do campo da análise lógica e da exegese, porém, teria a construção gramatical desse versículo espaço para mais de uma possibilidade de tradução? O erudito bíblico B. F. Westcott fez o seguinte comentário sobre essa passagem:

“A LXX. Admite dois modos de verter: [ho théos] pode ser considerado um vocativo em ambos os casos (Teu trono, ó Deus,... portanto, ó Deus, Teu Deus...) ou pode ser considerado o sujeito (ou predicado) no primeiro caso (Deus é Teu Trono, ou Teu trono é Deus...) , e um aposto de [ho theós sou] no segundo caso, (Portanto, Deus, o Teu Deus...)... É bem improvável que [Élohím] no original fosse dirigido ao rei. A conclusão a que se chega, pois, é contra a crença de que [ho theós] seja um vocativo na LXX. Assim, de modo geral, parece melhor adotar na primeira oração a tradução: Deus é Teu trono (ou: Teu trono é Deus), isto é, ‘Teu reino funda-se em Deus, a Rocha inabalável’.” – The Epistle to the Hebrews (Londres, 1889), pp. 25, 26.

Portanto, o professor Edgar Goodspeed ao traduzir Hebreus 1:8 tinha razões concretas para escolher a seguinte versão:

“Mas do filho ele diz: ‘Deus é teu trono para todo o sempre!’ ”.

O mesmo fizeram os tradutores James Moffatt e Steven Byngton, e os tradutores das versões Revised Standard Version – Westminster Study Bible, e da The Twentieth Century New Testament. Sendo assim, a TNM não está só na sua maneira de verter Hebreus 1:8, e os seus tradutores não podem ser acusados de que não têm base alguma para apoiar sua escolha.

1 João 5:20

“Sabemos que Jesus Cristo, o Filho de Deus veio e nos mostrou o Deus verdadeiro. E por causa de Jesus, nós agora pertencemos ao Deus verdadeiro que dá vida eterna.” – Contemporary English Version.

“Sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” – Versão Almeida.

Qual das duas versões acima contém a idéia intencionada originalmente pelo apóstolo João? Como a maioria dos cristãos atuais são trinitários, é evidente que a segunda versão apresentada receberá maior apoio. A conclusão “este é o verdadeiro Deus” satisfaz qualquer trinitarista. No entanto, leia a frase precedente, que levou à conclusão, em outras traduções:

“Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu inteligência para conhecermos o Deus verdadeiro. E nós estamos com o Verdadeiro, graças a seu Filho Jesus Cristo.” – Edição Pastoral.

“Nós sabemos que o Filho de Deus veio, e nos deu discernimento, para que pudéssemos conhecer o VERDADEIRO; e nós estamos no VERDADEIRO, - pelo seu Filho Jesus Cristo.” – The Emphatic Diaglott.

“Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu inteligência para conhecer o Verdadeiro. Estamos com o Verdadeiro e com o seu Filho Jesus Cristo.” – Bíblia do Peregrino.

“E sabemos que veio o Filho de Deus e que nos deus entendimento, para que conheçamos ao verdadeiro Deus e estejamos em seu verdadeiro Filho.” – Vicente M. Zione.

“E sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos o verdadeiro Deus e estarmos no seu verdadeiro Filho.” – Pedreira de Castro.

Percebe a menção de duas pessoas nessas versões? Qual destas duas pessoas é o Deus verdadeiro? Seguramente é aquele para quem Jesus orou certa vez: “A vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que tu enviaste, Jesus Cristo.” (João 17:3, Edição Pastoral) Notou a incrível semelhança entre estas duas passagens? Se João 17:3 e 1 João 5:20 foram escritos pela mesma pessoa, é de se esperar que estes dois versículos concordem um com o outro.

A Variabilidade de Traduções Quando um Dogma Não Está Envolvido

“Paulo recolhera um feixe de lenha seca e estava jogando na fogueira. Então uma cobra, fugindo do calor, saiu e se prendeu na mão de Paulo. Vendo a cobra dependurada em sua mão, os nativos disseram: Este homem certamente é um assassino: escapou do naufrágio, mas a justiça divina não o deixa viver’ .... Os nativos ficaram na expectativa de que ele inchasse e caísse morto de repente. Depois de esperarem por um bom tempo e, vendo que nada acontecia, mudaram de idéia e começaram a dizer que ele era um deus.” – Atos 28:3-6, Edição Pastoral.

Os primitivos manuscritos bíblicos não têm pontuação, nem diferenciação entre letras maiúsculas e minúsculas. Em tais manuscritos a parte final de Atos 28:6 reza: “E COMEÇARAM A DIZER QUE ELE ERA DEUS.” Se este versículo se referisse a Jesus, como você acha que ele apareceria nas maioria das Bíblias? Certamente não haveria a expressão “um Deus”; haveria “Deus”. Mas como um dogma não está aqui envolvido os tradutores seguem a lógica normal do argumento e traduzem “um deus”.

Semelhante caso ocorre em Atos 12:22 quando uma multidão entusiasmada elogiou um discurso feito por um homem. Como foi esse elogio? Bem, a resposta depende de qual tradução da Bíblia você usa. Veja dois exemplos:

“É a voz de um deus, e não de homem!” – Alfalit Brasil.

“É a voz de deus, e não de homem.” – Nova Versão Internacional.

“É a voz de Deus e não de um homem!” – Bíblia de Jerusalém.

Como pode uma mesma palavra (theo) ser traduzida de três maneiras diferentes? O certo é “deus”, “um deus” ou “Deus”? Conforme os comentários já citados neste artigo por peritos em grego, as três possibilidades acima são aceitáveis do ponto de vista gramatical. Cabe apenas ao tradutor escolher sua alternativa. Evidentemente se as palavras acima se referissem a Jesus não haveria dúvida na mente da maioria dos tradutores sobre qual caminho seguir.

Uma História Real

O dia é sete de março de 1797. Uma navio parte da Inglaterra rumo ao Taiti. Um grupo de missionários estimulado por um movimento conhecido como Grande Despertamento resolve singrar os mares em busca de um ideal: pregar o Evangelho num território totalmente virgem no Pacífico Sul. Os anos se passam e devido a doenças, fome e privações quase todos os missionários resolvem voltar para a Grã-Bretanha. No entanto, dois jovens destemidos de nomes Henry Nott e John Davies, ambos com cerca de 26 anos, resolvem permanecer no Taiti porque um sonho tomara conta de suas almas: traduzir a Bíblia para o povo taitiano.

Quando chegaram inicialmente ao Taiti, Nott e Davies não sabiam nada da complexa língua taitiana. Memorizaram apenas algumas palavras que visitantes anteriores haviam repassado para eles. O desafio de aprender o taitiano era enorme para alguém não acostumado a sons com abertura abrupta da glote, semelhante às antigas línguas semitas, além de diversas outras dificuldades lingüisticas. E o pior, não havia gramáticas, não havia escolas, nem sequer havia a forma escrita daquele idioma! Mesmo em doze anos de pregação nenhum nativo se convertera ao cristianismo para juntar-se a eles nessa tarefa. Como eram esforçados aqueles dois homens!

O que dizer da formação acadêmica de Davies e Nott? Como eles queriam traduzir a Bíblia a partir dos originais hebraico e grego, é de se esperar que ele fossem mestres nestas línguas. Certo? Errado! Nott era um simples pedreiro e Davies um aprendiz de mercearia. Mal sabiam escrever na própria língua materna. Portanto, eles tinham dois grandes desafios. Primeiro, aprender o taitiano, inventar uma forma escrita e ensinar o povo a ler. Segundo, aprender hebraico e grego sozinhos. Eles não fugiram desses obstáculos, foram à luta.

Solicitaram da London Missionary Society algumas publicações que os ajudassem. Receberam um dicionário grego-inglês, uma Bíblia com dicionário em hebraico, uma edição do Textus Receptus, uma King James, uma Septuaginta, além de alguns outros textos básicos. Precisamente em dezembro de 1835, quase 40 anos depois de iniciada sua missão, terminaram a tradução da Bíblia para o taitiano.

Pouco antes de falecer, ao 70 anos, Nott publicou um dicionário com 10.000 verbetes taitianos.

A Bíblia de Nott, como ficou depois conhecida, tinha uma singularidade: o nome próprio de Deus Ieova (YHWH) no Novo Testamento. Por causa da influência desta Bíblia, até hoje o nome Jeová desfruta de uma certa popularidade no Taiti, aparecendo até em faixadas de algumas igrejas protestantes.

Depois que Nott e Davies completaram sua versão da Bíblia, muitos outros tradutores se basearam nela para traduzirem a Bíblia para outras centenas de ilhas do Pacífico Sul. Se basearam não somente na tradução em si, mas na formatação escrita do taitiano, inventada por Nott e Davies. Hoje em dia o trabalho daqueles dois homens é considerado o padrão a ser seguido pelos tradutores modernos, estes sim com a educação formal que muitos consideram indispensável para um trabalho de qualidade.

Conclusão

A Watchtower é muito conhecida, em alguns círculos acadêmicos e apologéticos, por esconder fatos importantes de seus adeptos. Isso faz com que ela seja bastante criticada. Por outro lado, o que foi aqui exposto serviu para mostrar que a Watchtower produziu uma Bíblia que é injustamente censurada. Embora ela contenha realmente alguns erros, como toda tradução, os versículos geralmente alvo de críticas possuem um esteio que não pode ser desprezado. Além disso, não terem os autores da TNM formação acadêmica não é um obstáculo intransponível. A história de Henry Nott e John Davies mostra que o aprendizado autodidata pode proporcionar realmente a capacidade de se traduzir a Bíblia. Depende apenas da motivação, potencial intelectual e dedicação, além dos recursos financeiros disponíveis, o que não falta à Watchtower. Sem esquecer de mencionar que há várias décadas ela tem uma tradição inegável em traduzir publicações em centenas de idiomas, inclusive em hebraico e grego modernos. Alguns de seus membros de alto escalão também têm o costume de estudar obras teológicas e eruditas. Por tudo isso é natural que a Tradução do Novo Mundo possua características de uma boa tradução, mesmo que ela não seja a melhor tradução disponível. Mas com certeza não é a pior.

Os diversos tradutores da Bíblia que verteram aqueles versículos de forma semelhante a TNM, acabaram por dar suporte à Tradução do Novo Mundo, embora essa não fosse a intenção deles. Mesmo que algumas dessas fontes sejam acusadas também de sectárias, tal como as Testemunhas de Jeová, isso não acontece com todas. Vários trinitaristas convictos traduziram os chamados versículos cristológicos de acordo com a TNM. Isso não pode ser desconsiderado. Essa situação incômoda faz que muitos trinitaristas chamem tais tradutores e eruditos de “teólogos independentes”, seja lá o que isso significa.

Existe um aspecto, não abordado aqui, que também é relevante. A TNM possui algumas passagens bem interessantes que fazem dela uma versão mais precisa do que muitas outras disponíveis ao público. Por exemplo, é comum as versões não fazerem distinção entre os termos gnosis e epgnosis, traduzindo ambas as palavras simplesmente por “conhecimento”. A TNM traduz gnosis por “conhecimento” e epgnosis por “conhecimento exato”, refletindo de forma mais precisa os originais.

Um outro caso é a forma de traduzir três palavras gregas: bréfos, paidion e pais. Muitas versões traduzem essas palavras invariavelmente por “criança”. Mas há uma sutil diferença entre elas. Cada uma se refere a um determinado estágio no crescimento de uma criança. A Tradução do Novo Mundo leva em conta essa diferença e traduz de uma maneira tal que cada uma dessas palavras tenha um correspondente exclusivo, quais sejam: “bebê”, “menininho” e “criança”.

Outros exemplos podem ser vistos no apêndice da Tradução do Novo Mundo com Referências e Notas Marginais (1986). Nesta edição o leitor fica sabendo que os antigos manuscritos bíblicos existem aos milhares, e possuem centenas de variantes que mudam completamente o sentido de certos versículos, resultando em várias alternativas de tradução. Só para se mencionar uma fonte, quando se leva em consideração os rolos do Mar Morto, detecta-se várias diferenças em relação ao texto massorético, embora não se trate de pontos que abalem a fé cristã.

Não existe tradução perfeita. É como diz o famoso adágio italiano “tradutor traidor”. Quem já traduziu algum texto estrangeiro para o nosso idioma, mesmo sem ser profissionalmente, percebeu as dificuldades naturais que surgem: as sutis variações de sentido que dificultam a simples conversão literal para a nossa língua (vide citação nº 10 na consideração de João 1:1). Se dificuldades existem em idiomas modernos, quanto mais haverá em idiomas milenares! Uma posição equilibrada da situação, mesmo retendo alguns preconceitos, é o melhor caminho. O valor inerente de todas as traduções deve ajudar na difícil tarefa de saber como o Autor Divino quer que entendamos as palavras contidas na Escrituras Sagradas.

A Bíblia contém milhares de versículos, como uma tradução pode ser condenada como inútil por causa da reprovação de apenas um punhado de passagens? Se você ler, por exemplo, os Evangelhos ou os Atos dos apóstolos na Tradução do Novo Mundo, não vai se emocionar do mesmo jeito que se emocionaria em outra versão? Isso por si só já é uma prova de que a TNM tem também o seu valor, além do que foi aqui considerado.

Independente de qual versão, leia a Bíblia diariamente. Deixe para Deus, o justo Juiz, a tarefa de determinar a glória ou a desonra de nossos tradutores. Afinal de contas, um dia não precisaremos mais de traduções, pois “temos conhecimento parcial e.... atualmente vemos em contorno indefinido por meio dum espelho de metal”, mas depois será “face a face”. Até lá, “permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor”. O amor que “não se incha de orgulho.... não se irrita, [e] nem guarda rancor”. – 1 Coríntios 13:4, 5, 9, 12, 13, Tradução do Novo Mundo e Tradução Ecumêmica da Bíblia.

Carlos M. Silva

 

DEUS, NOSSO REFÚGIO...

"Tu tens sido o meu refúgio, uma torre forte contra o inimigo."
(Salmo 61:3)

Se você já se perdeu do caminho e foi parar numa estrada deserta, no meio da madrugada, sem placas de informação ou postos de gasolina, você sabe bem o que é ansiar por um refúgio, um abrigo. A ansiedade consome as energias, e a tensão torna a situação mais difícil. Tudo o que se deseja é encontrar um lugar onde seja possível recuperar o fôlego, descansar um pouco e planejar o próximo passo.

Se há pressa por causa de um parente enfermo, se há risco de assalto por causa do local ermo, se o carro pode quebrar ou ficar sem combustível a qualquer momento, a preocupação aumenta ainda mais.

A Bíblia nos estimula a pensar em Deus como um refúgio seguro. Sua tenda é lugar de descanso e abrigo para aqueles que o conhecem e buscam. Em sua presença, renovamos a tranquilidade, a esperança e a força para seguir a jornada. Com o seu divino auxílio, recebemos o suporte necessário para prosseguir enfrentando as dificuldades e os inimigos que surgirem – quer sejam eles representados por provações, lutas ou tentações, quer se constituam em pessoas, situações, memórias ou perspectivas.

Devemos pensar em Deus como nosso refúgio seguro. E prossiguir na caminhada com serenidade e fé.

 
 
Via: lpc.org.br