quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Ser como Cristo praticando a Palavra

“Meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós” (Gl 4.19).
A epístola aos Gálatas foi escrita às igrejas do Sul da Galácia fundada por Paulo e Barnabé quando de sua primeira viagem missionária, ou seja, quando eles estiveram em Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe (At 13.13-14.25).
Esta carta teve dois motivos básicos quando foi escrita: a defesa do apostolado de Paulo e frear as heresias que estavam entrando nessas igrejas. As igrejas da Galácia haviam sido invadidas pelos falsos mestres judaizantes logo após a primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé. Esses mestres judaizantes estavam ensinando que os gentios deveriam ser circuncidados e que deveriam observar a Lei de Moisés para serem salvos, ou seja, eles estavam dizendo que a graça de Cristo não era suficiente para que eles alcançassem a salvação. Eles interpretavam tanto a Lei quanto o Evangelho erradamente.
Eles não entendiam que o papel da Lei não é salvar, mas revelar o pecado. A função da lei não é levar a homem ao céu, mas conduzi-lo ao Salvador.
Podemos dizer que a carta aos Gálatas é um tratamento de choque para uma igreja que está com o pé na estrada da apostasia [1].
Por isso que o apóstolo dos gentios diz com tanta veemência: “sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós” (Gl 4.19b).
SER COMO CRISTO PRATICANDO A PALAVRA é andar nos passos do Mestre sem olhar para trás. Como disse Jesus: Porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou” (Jo 5.30).
SER COMO CRISTO PRATICANDO A PALAVRA é nos posicionarmos contra as heresias que hoje tem invadido as nossas igrejas. Como disse Paulo a Tito: “Porque existem muitos insubordinados, palradores frívolos e enganadores, especialmente os da circuncisão. É preciso fazê-los calar, porque andam pervertendo casas inteiras, ensinando o que não devem, por torpe ganância” (Tt 1.10,11).
Se realmente queremos ser como Cristo praticando a palavra, nós precisamos estar como o apóstolo Paulo atento as heresias que tentam destruir a igreja nos dias de hoje, pois o próprio apóstolo nos diz que era imitador de Cristo (1Co 11.1). Dentro desse contexto desta carta vemos que Paulo se apresenta como uma mãe em agonia de parto (Gl 4.19b). Por isso quero destacar algumas coisas básicas que Paulo fez e que serve de exemplo para todos nós hoje:
A primeira coisa que observamos é que o apóstolo Paulo lutou em defesa do Evangelho:
“Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo” (Gl 1.6,7).
O apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos 1.16 disse: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”.
Existem três tipos de pessoas: os que se envergonham do evangelho, os que são vergonha para o evangelho e os que não se envergonham do evangelho.
Os que não se envergonham do Evangelho o defendem com unhas e dentes. Foi isso que Paulo fez. As igrejas da Galácia estavam trocando o verdadeiro evangelho por um falso evangelho. Trocando a liberdade de Cristo pela escravidão da Lei.
Hoje não estamos vivendo dias diferentes da época de Paulo, pelo contrário, o mesmo espírito que agiu naquela época é o mesmo espírito maligno que atua hoje tentando perverter o verdadeiro Evangelho. Como está escrito em 1Tm 4.1: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios”.
Se não, vejamos o que tem atuado em muitas igrejas hoje:
O Evangelho da Prosperidade – onde a benção e a graça de Deus sobre a pessoa é medida pelos bens que ela possui. Teologia esta que está na maioria dos púlpitos das igrejas pentecostais e neopentecostais. Descobri recentemente um detalhe interessante nesta teologia, que Cristo morreu na Cruz do Calvário para que eu tivesse muita saúde, carro zero, casa na praia e ser muito rico, ou seja, Jesus não passa de um gênio da lâmpada.
Teologia Inclusiva – A Teologia Inclusiva, como a própria denominação sugere, é um ramo da teologia tradicional voltado para a inclusão, prioritariamente, dos homossexuais. Segundo os seus adeptos, a Teologia Inclusiva contempla uma lacuna deixada pelas estruturas religiosas tradicionais do Cristianismo, pois, por meio da Bíblia, compreende que todos os que compõem a diversidade humana, seja ela qual for, têm livre acesso a Deus por meio do sacrifício de Jesus Cristo na cruz. É o famoso venha como está e fique como está.
Alguns textos que condenam o homossexualismo: Gn 19; Lv 18.22, 20.13; Rm 1.24-28,32; 1Co 6.9,10; 1Tm 1.8-10. Mas Deus é poderoso para mudar a vida dessas pessoas.
Teísmo Aberto ou Teologia Relacional – O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas. Deus não é soberano. Deus ignora o futuro, pois ele vive no tempo, e não fora dele. Ele aprende com o passar do tempo. Deus se arrisca. Ao criar seres racionais livres, Deus estava se arriscando, pois não sabia qual seria a decisão dos anjos e de Adão e Eva. E continua a se arriscar diariamente. Deus corre riscos porque ama suas criaturas, respeita a liberdade delas e deseja relacionar-se com elas de forma significativa.
Igrejas Emergentes – As igrejas emergentes estão mais preocupadas com o ouvinte do que com a mensagem em si, e em seu desejo de pregar um evangelho que seja “aceitável” ao homem pós-moderno, acabam por negligenciar os pressupostos básicos do cristianismo, chegando mesmo a negar a literalidade do nascimento virginal de Cristo, seus milagres, a ressurreição de Jesus e a existência do inferno eterno. É “a preferência pela vivência correta ao invés da doutrina correta”. Teologia passa longe dessas igrejas.
Missão Integral – Esse evangelho não passa de uma variante protestante da Teologia da Libertação. Os que defendem essa teologia são líderes cristãos que continuam trancados no armário do socialismo [2].
Teologia Liberal (ou liberalismo teológico) A “Teologia Liberal é um movimento que, iniciado no final do século XIX na Europa e Estados Unidos, tinha como objetivo extirpar da Bíblia todo elemento sobrenatural, submetendo as Escrituras ao crivo da crítica científica (leia-se ciências humanas) e humanista. No liberalismo teológico, geralmente, não há espaço para os milagres, profecias e a divindade de Cristo Jesus”. Relativizando a autoridade da Bíblia, o liberalismo teológico estabeleceu uma mescla da doutrina bíblica com a filosofia e as ciências da religião. Ainda hoje, um autor que não reconhece a autoridade final da Bíblia em termos de fé e doutrina é denominado, pelo protestantismo ortodoxo, de “teólogo liberal”. Um pequeno exemplo nós encontramos em relação à existência de Jó. Para os liberais ele não passa de uma alegoria, mas então eu me questiono porque que em Ez 14.14,20; Tg 5.11 falam dele como se ele fosse um personagem real. Então eu fico com a Bíblia e não com os defensores dessa teologia.
Bem disse Jesus “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt 22.29).
Por eu lutar contra essas coisas que estão entrando em muitas igrejas eu tenho sido taxado de conservador. Como se isso fosse uma ofensa para mim, mas lhes digo que não é.
A segunda coisa que observamos é que o apóstolo Paulo lutou pela singularidade do Evangelho:
“Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” (Gl 1.8,9).
Depois de falar da apostasia da igreja e da ação nociva dos falsos mestres, Paulo reafirma a singularidade do Evangelho, afirmando que todos aqueles que pervertem o evangelho e perturbam a igreja com falsas doutrinas estão debaixo da maldição divina. Três coisas nós observamos aqui:
Em Primeiro lugar – o evangelho é maior que os apóstolos. A mensagem é maior que o mensageiro. A prova do ministério de uma pessoa não é a sua popularidade: “Levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos” (Mt 24.11), nem os sinais e prodígios miraculosos que ela realiza:Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mt 24.23,24), mas sim sua fidelidade à Palavra de Deus: Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.14-17).
Em Segundo lugar – o evangelho é maior que os anjos. (Hb 1.14: “Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?” Tem igrejas que ouvem e veem anjos voando pra lá e pra cá e ouvem os seus “recados”, mas estão surdas a voz de Deus através de Sua Palavra.
Em Terceiro Lugar – o evangelho puro e simples traz bênção, mas o evangelho adulterado gera maldição. A palavra ANÁTEMA quer dizer banimento divino.
A terceira coisa que observamos é que o apóstolo Paulo mostrou qual era a sua verdadeira motivação em pregar o Evangelho:
“Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1.10).
O apóstolo Paulo não era um político nem agia como tal, mas um embaixador do Reino de Deus. Seu propósito não era agradar aos homens, mas levar a eles a mensagem da salvação que lhe fora designada.
Duas coisas eu quero destacar aqui:
Em primeiro lugar: Paulo não negociou a verdade para procurar o favor dos homens (v 10a). No Evangelho Emergente o apóstolo Paulo seria banido, pois ele não estaria agradando aos seus ouvintes com a sua teologia.
Em segundo lugar: Paulo estava a serviço de Cristo e não dos homens (v 10b). Paulo não pregava para agradar, pois não negociava a verdade da Palavra.
Charles Spurgeon dizia para seus alunos: “Meus filhos, se a rainha da Inglaterra vos convidar para serdes embaixadores em qualquer país do mundo, não vos rebaixeis de posto, deixando de serdes embaixadores do Rei dos reis e Senhor dos senhores”.
Diante da situação que se encontrava as igrejas da Galácia nós temos uma pequena ideia porque o apóstolo Paulo disse “sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós”. Porque na verdade Paulo era apóstolo, mas também era pastor. E na condição de pastor ele sofria por ver a igreja sendo atacada de forma tão cruel pelos judaizantes. Paulo se apresenta como uma mãe que sofre por seus filhos, mas não deixa de exortá-los (Gl 4.19): “Meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós”.
1) Paulo na condição de pastor aprofunda relacionamentos com os membros dessas igrejas – 19a – Paulo os chama de meus filhos. Como pai da fé dos Gálatas demonstra profundo desgosto pela imaturidade dessas igrejas, mas não deixa de lhes chamar a atenção por estarem errando.
2) Paulo na condição de pastor quer gerar filhos espirituais sadios – 19b– Não filhos deformados espiritualmente, mas perfeitos em Cristo.
3) Paulo na condição de pastor busca a maturidade dos crentes – 19c – Não basta nascer, é preciso crescer rumo à maturidade espiritual. Portanto qualquer sistema religioso que não produza o caráter de Cristo na vida de seus adeptos não é realmente cristão, mas um pseudo cristianismo.
SER COMO CRISTO PRATICANDO A PALAVRA é mais que pastorear, é lutar pela sã doutrina com todas as forças. É não esmorecer diante das adversidades e nem se vender a esse sistema corrompido institucionalizado que temos visto por aí.
Paulo defendeu o seu apostolado com a vida e não só com palavras. Ele viveu o que pregou e pregou o que viveu. Que o Senhor nos ajude a sermos assim também.
Notas:
[1] LOPES, Hernandes Dias. Gálatas, a carta da liberdade cristã. Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2011: p. 9.
[2] VENÂNCIO, Norma Braga. A Mente de Cristo Conversão e Cosmovisão Cristã. Ed. Vida Nova, São Paulo, SP, 2012: p. 49.
Fonte: Napec
 

Ellen White, mais informada do que Jesus. Sera?

Jesus disse que não sabia o dia e a hora de sua volta. Isso evidentemente por causa da sua missão messiânica, a ele não foi comunicado a respeito disso. Esse tema causa sempre longas discussões por causa da divindade de Cristo. Mas basta-nos para o momento acreditar em Cristo. Pelo menos até aquele momento, o Filho do Homem foi privado dessa informação (Mt 24.36). Outro detalhe é que os anjos também não sabem!

Mas os Adventistas tem uma deusa Diana, A Grande Ellen White, que sabia o dia e a hora do retorno de Cristo (puxa, saber o ano já seria 10!). Lamentamos que ela não se lembrou quando ‘saiu’ do histerismo profético e visionário. Mas se lembrava que o dia foi lhe revelado, algo bem mais que o Santo Homem Jesus sabia! Depois de Deus Pai, a nossa senhora Adventista soube do que Jesus nem sabia, muito menos os anjos.

Veja o que ela escreveu no livro, Primeiros Escritos:

“A luz atrás deles desaparecia, deixando-lhes os pés em densas trevas, de modo que tropeçavam e, perdendo de vista o sinal e a Jesus, caíam do caminho para baixo, no mundo tenebroso e ímpio. Logo ouvimos a voz de Deus, semelhante a muitas águas, a qual nos anunciou o dia e a hora da vinda de Jesus.” P. 15

“O mar fervia como uma panela e lançava pedras sobre a terra. E, falando Deus o dia e a hora da vinda de Jesus, e declarando o concerto eterno com o Seu povo, proferia uma sentença e então silenciava, enquanto as palavras estavam a repercutir pela...” . 285

Interessante é que ao defender isso,  os adventistas dizem que ela se esqueceu! Mas o que está em foco aqui, não é o fato de ela se esquecer, o que em si mesmo já seria suspeito, porém, o fato de ela ser informada, e o tal grupo, de algo que Cristo Jesus não foi!

Além disso, quando o Senhor Jesus disse (Mt 24.36) ele coloca que era segredo e exclusividade de Deus Pai, ele não revelaria a ser humano algum, nem a anjos. Parece que o assunto se manteve assim mesmo após a ressurreição do Senhor. Não em relação a ele (pois agora ele era um homem glorificado e ainda ascenderia ao céu assumindo a posição divina a ele reservada), mas em relação aos humanos.

Por que o Titã Leandro Quadros não sai em defesa da Bíblia contra Ellen White?  Ele tenta defender ela dizendo que essa visão se refere ao tempo da volta, ou seja, bem próximo da volta de Cristo os 144 mil serão informados disso para fortalecê-los (AQUI). Ela ouviu o dia e a hora na visão, e o povo adventista ouvirá. De qualquer maneira, a questão não é quando ouvirão, mas SE ouviriam.

Mais uma vez, tudo pelo Adventismo, nada pela verdade!



 

Um abismo chama outro abismo...A decadência de um "pastor carismático"...


Um abismo chama outro abismo...A decadência de um "pastor carismático"...

Pastor "Carismático" da "Comunidade Carisma",  antes ortodoxo, depois, evolucionista, neo-agnóstico (teísta-aberto), liberal teologicamente, romanizado, esquerdista e da turma de choque do Ricardo Gondim, estimula o ABORTO "indiretamente" através do seu post no twitter:


Rui Luis @Ruiluisr

Um excelente artigo sobre o direito das mulheres à escolha. Leiam com a calma reflexiva que o tema merece.
 
Infelizmente, não existe ninguém da respectiva comunidade para confrontar o mesmo e chamar atenção para os fundamentos da fé evangélica. Os fundamentos ortodoxos foram destruídos...
 
Se o mesmo quer defender suas ideias, têm todo o seu direito, porém, a partir de uma "comunidade evangélica", pelo menos no passado, é lamentável o estrago para os demais cristãos em Osasco.
 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Cultos alternativos crescem no Brasil

igrejaforro.jpg
Por Johnny Bernardo

Algo no mínimo curioso está acontecendo em algumas igrejas evangélicas do Brasil. Crentes de diferentes denominações estão adicionando ao modelo tradicional de culto, caracterizado pela presença de hinos, orações e pregações,  passos de rock, forró, pop, e até mesmo funk. Rio de Janeiro e Minas Gerais são os estados com maior ocorrência de cultos alternativos. O movimento é um reflexo da Rede Ministerial criada nos EUA pelos pastores Bruce L. Bugbee – fundador da Network Ministres International, com sede na Califórnia – e Bill Hybels – da Willow Creek Community Church, com sede em Chicago. Preocupados com a dimuição do número de jovens em suas comunidades, Bugbee e Hybels decidiram trazer para os púlpitos ritmos conhecidos da juventude norte-americana, como o Rock and roll. Em pouco tempo, segundo o livro "Rede Ministerial" (Vida, 1996), somente a comunidade de Willow Creek alcançou a marca de 15.000 membros e já é considerada a segunda maior igreja evangélica dos EUA, além de ser citada como exemplo de crescimento.

Passada a febre das igrejas em células (ou "Modelo de Bogotá"), igrejas evangélicas brasileiras aderem, aos poucos, o modelo desenvolvido por Bugbee e Hybels. No Rio de Janeiro, o ex-membro do grupo de funk Hawaianos, Tonzão – que em dezembro de 2011 deixou o grupo após se converter na Igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias – criou o "Passinho do Abençoado". Tonzão – que teve apoio do Pr. Marcos Pereira para criar um grupo de funk evangélico – declara não ser pecado "dançar na igreja". Em maio, em um culto na sede da IADUD, Tonzão disparou: "Se no mundo eu cantava e dançava – foi assim que tu me conheceu – agora a mesma coisa eu vou fazer pra Deus. O mistério é profundo, acho bom ficar ligado".

Enquanto no Rio de Janeiro Tonzão e outros fankeiros de Cristo entretêm multidões de crentes com passos típicos do funk, evangélicos mineiros realizam cultos mesclados com passos de forró. "É algo comum em Minas Gerais", revela um pastor de Betim que não quis se identificar. Segundo o líder, crentes pentecostais e tradicionais – particularmente batistas – dançam enquanto um grupo de obreiros canta forró. Em uma das reuniões promovidas pela Igreja Batista Shamá, a banda Forró Átrios levou diversos crentes ao êxtase com a letra "Sabor de Mel". Em setembro de 2011, a Igreja Casa de Oração Para Todas as Nações, de Mutum (MG), realizou um congresso onde vários ritmos da música brasileira – dentre os quais o forró – animaram os fieis.

Polêmica

Defendida por alguns como um meio de evangelismo e avivamento, a dança – em seus diversos ritmos, como o funk e o forró, por exemplo – é vista com desconfiança por líderes evangélicos. Nos EUA, a Willow Creek Community Church é conhecida como "igreja do entretenimento" por supostamente ter substituído a liturgia tradicional por um show gospel. O Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil proibiu - em um pronunciamento feito em janeiro de 2011 - uso da dança nas reuniões litúrgicas. Assim como a IPB, outras denominações históricas e pentecostais proíbem a presença da dança em seus cultos como forma de preservação da doutrina e da liturgia religiosa.

Um dos principais problemas trazidos à discussão por Niassa Jamena e Camila Queiroz, da Impressão Digital 126 (produto laboratorial ligado a Facom, UFBA), é a consequente associação da dança à sensualidade. "Embora muitas pessoas não vejam problemas e até encarem o novo mercado de músicas gospel de forma positiva, a questão de como desvincular as danças, muitas vezes sensuais e sexualmente apelativas (associadas a ritmos como funk, pop, arrocha, pagode e forró eletrônico) das versões tocadas nos meios evangélicos, ainda causam muita polêmica", ressalta Jamena e Queiroz.

Para provar a tese, a equipe do ID 126 entrevistou algumas pessoas que revelaram opiniões diversas. Segundo o vocalista da banda de pagode gospel Expressão do Louvor, Ju diz que é possível dançar todos os ritmos sem sensualidade. "Todos podem dançar como quiserem, mas, sabendo que vamos ter que prestar contas a Deus de tudo o que fizermos, então, para mim é só dançar com a consciência de que Deus está vendo tudo e que não é agradável dançar com passos que valorizem a sensualidade". Milena dos Santos, 21, frequentadora da Igreja Batista do Rio Sena, diz que é difícil, sim, aliar as letras gospel com determinados ritmos porque o fiel pode se empolgar e fazer o passo, mas que não é impossível. Para ela, depende de cada um. Já Márcio Moreno, cantor de arrocha gospel, é um pouco mais categórico quando perguntado sobre o assunto. "Na realidade eu louvo ao senhor. Não danço e não falo de arrocha. Através dos meus louvores passo a mensagem de Cristo aos que gostam do ritmo", explica.

Fonte: Artigonal

Deus e o mal na vida do crente

“Porém ele lhe disse: como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios” Jó 2:10
"Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal” (Jó 1:1). Assim começa a história do homem a quem Deus havia abençoado com uma esposa e "sete filhos e três filhas" (Jó 1:2). Além da bela família, Deus o havia feito prosperar, pois "o seu gado era de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; eram também muitíssimos os servos a seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do oriente" (Jó 1:3). Jó tinha motivos de sobra para louvar a Deus. Ele reconhecia que todo o bem que lhe sucedia, era dádiva divina: "o Senhor o deu" (Jó 1:21), dizia.

Mas, o que aconteceria se ele experimentasse o mal? Sabemos o que aconteceu. Num só dia Jó perdeu todos os seus bens e, mais trágico ainda, um vento derrubou a casa em que estavam seus dez filhos, matando a todos. Ao receber a notícia Jó "se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou" (Jó 1:20). A profunda dor o levou à adoração imediata: "nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor O deu, e o Senhor O tomou: bendito seja o nome do Senhor" (Jó 1:21). Adorar não reverteu a situação, pelo contrário, ficou ainda pior. Acometido de "úlceras malignas, desde a planta do pé até ao alto da cabeça" (Jó 2:7) ouve sua esposa dizer "ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre" (Jó 2:9). Sua firme resposta é: "como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios" (Jó 2:10).

O que aprendemos com a história e atitude de Jó? Aprendemos que:

1. Tanto o bem como o mal provém das mãos de Deus. Deus ordena todas as coisas, nada acontece fora de Seu conselho. Inclusive as coisas ruins, que chamamos de mal, procedem de Deus. A Bíblia faz inúmeras afirmações do tipo “a mão do Senhor era contra eles para mal” (Jz 2:15), “eis que suscitarei da tua própria casa o mal sobre ti” (2Sm 12:11), “trouxe o Senhor sobre eles todo este mal” (1Rs 9:9), “eis que este mal vem do Senhor” (2Rs 6:33), “trouxe o nosso Deus todo este mal sobre nós” (Ne 13:18), “eu trago do norte um mal, e uma grande destruição” (Jr 4:6), “sucederá algum mal na cidade, sem que o Senhor o tenha feito?” (Am 3:6) e “desceu do Senhor o mal até à porta de Jerusalém” (Mq 1:12). Todas as coisas, sejam boas ou más, estão sob o governo soberano de Deus, que delas dispõe como Lhe agrada. Apesar disso, Deus não é o autor do pecado, pois "longe de Deus esteja o praticar a maldade e do Todo-Poderoso o cometer a perversidade!" (Jó 34:10). O mal, ou melhor dizendo, o sofrimento ocasionado por Deus não é pecaminoso, mas cumpre Seus propósitos santos.

2. O mais santo dos homens pode ser o mais afligido deles. Apesar do mal trazido pelo Senhor geralmente ser expressão do juízo de Deus sobre o pecado e a rebeldia, não significa que todo sofrimento é causado pelo pecado na vida da pessoa afligida. Vemos o caso de Jó. Era “homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal” (Jó 1:1). No entanto, sabemos o quando sofreu. E o que dizer de Jesus? Jamais pecou, no entanto “era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53:3-5). Ser um crente fiel não é garantia de bênçãos e prosperidade, e experimentar o mal não é evidência de que a pessoa vive em pecado ou tem falta de fé.

3. Devemos receber as coisas boas e as más como vindas de Deus. O dualismo que atribui a Deus as bênçãos e a Satanás o mal que nos advém não é menos que impiedade e loucura. “Como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal?” (Jó 2:10), reponde Jó à sugestão de sua mulher. A loucura a que Jó se refere não é deficiência intelectual, mas impiedade grosseira, como em Sl 14:1: "Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem". O crente fiel irá receber de boa mente tudo o que Deus lhe enviar, seja bom ou ruim, pois sabe “que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28). Sendo assim, o crente jamais maldiz a sua sorte, mas louva a Deus que ordena o mal para seu bem final. Como José, reconhece: “Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem, para fazer como se vê neste dia” (Gn 50:20).

Diante dessas lições percebemos a malignidade da teologia da prosperidade. Ao pregar que Deus nos dá coisas boas, negam o controle e o uso soberano que Deus faz do mal. Ao profetizar apenas saúde e bênçãos materiais para os que são fiéis, não preparam as pessoas para o sofrimento que certamente virá sobre o crente e algum momento de suas vidas e, pior, atribuirão tais males ao pecado e falta de fé. Ao dizerem que todo sofrimento é obra do Diabo, promovem um dualismo que dá mais glória ao Diabo que pode fazer o que bem entender do homem, enquanto que para que Deus possa frear a ação do inimigo é preciso que o homem realiza coisas em favor de Deus. A cura para essa doença é uma teologia que exalte a soberania de Deus e reconheça a Sua providência em tudo o que acontece, seja bom, seja ruim.

Soli Deo Gloria
 
P. S. Deus cria o mal circunstancial, não o mal moral, Ele criou tudo bom (Gn 1.31), depois se tornaram mal e não foram criadas más (Ec 7.20). 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

A proibição de comer sangue é válida para os cristãos hoje?

Esse assunto é 'controverso'. Atos 15.29 realmente proíbe comer sangue como alimento? O texto diz: "Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá."
 
 
Algumas observações precisam ser ressaltadas. David Reed, ao objetar a proibição de transfusão de sangue por parte das Testemunhas de Jeová (o que não é o foco aqui) destaca o que nos interessa agora:

 

“... a igreja primitiva tratava esta carta apostólica como uma determinação permanente? Obviamente, a idolatria é permanentemente proibida, mas e a respeito dos outros preceitos mencionados na carta? E a respeito de se oferecer carne aos ídolos? Paulo discutiu este assunto demoradamente em sua Primeira Carta aos Corín¬tios, indicando que "um ídolo nada é" e que "não somos piores se não comermos, nem melhores se comermos". Ele argumenta con¬tra comer tal carne, quando isto se torne um obstáculo para os novos crentes que apenas recentemente abandonaram a adoração idólatra. (Veja 1 Cor. 8:1 13.) Mas, geralmente, os cristãos são li¬vres para comer "de tudo quanto se vende no mercado, nada per¬guntando por causa da consciência" e para comer "de tudo o que puser diante de vós" na casa de incrédulos (I Cor. 10:25 27). Desse modo, a parte da carta de Atos 15 que se refere a carnes oferecidas aos ídolos não deve ter sido vista como uma determinação permanente para a igreja. Não existem fundamentos, então, para se afirmar que a declaração acerca do sangue tem força hoje também.”




Observando a proposta dele, acredito que não teríamos problemas quando compramos um produto que tem seu nome dedicado a algum ídolo. Em época de festas juninas, os ‘Sãos’ recebem destaques em alimentos peculiares (milho, amendoim, doces, etc).

 

Porém, o fato é que o sangue não recebeu atenção posterior dos Apóstolos lançando mais luz sobre o tema, como fez Paulo sobre os alimentos.

 

O que você acha?

EDUCAÇÃO MINISTERIAL – UMA PERSPECTIVA PAULINA

Por Isaltino Gomes Coelho Filho

“A teologia é coisa demasiadamente importante para deixá-la nas mãos dos teólogos profissionais” (Ward Gasque). Ela é patrimônio de todos os crentes e não apenas da academia teológica. A academia se apossou da teologia e a sofisticou e complexizou. A doutrina do Espírito Santo se tornou Pneumatologia. Mas a teologia é pecúlio de toda a igreja e não pode ser elitizada e transformada em discurso incompreensível e alheio às necessidades da igreja. Não é para diletância de um grupo.

A igreja tende a se afastar das Escrituras e traçar seus caminhos. Ela copia o mundo. Por exemplo, a vida administrativa e prática da igreja têm sido analisadas pelo ângulo gerencial, mais que pelos carismas neotestamentários. Igualmente, a teologia tem sido pautada por pensadores seculares mais que pelas Escrituras. Lembro-me de uma frase de Kierkegaard: “A teologia, cheia de ademanes, chega à janela e, mendigando os beneplácitos da filosofia, oferta-lhe os seus encantos”1. Ele criticou a subordinação da Teologia à Filosofia. No seu estilo de combate do hegelianismo em particular e à Filosofia em geral, diz: “Entender Hegel deve ser muito difícil, mas entender Abraão, que facilidade!”2. Muita gente vive na mesma situação combatida pelo pensador dinamarquês: gosta do complexo e do difícil. A simplicidade das Escrituras não as atrai, pois são banais. A leitura da Bíblia passou a ser feita pela cultura secular. Em muitos segmentos ela não interpreta o mundo, mas é interpretada por ele. A cosmovisão deixa de ser bíblica e se torna mundana. A Bíblia não é pregada e quando o é, sua análise é superficial. Há autênticos discursos seculares com tintura bíblica. Os apóstolos se assustariam se entrassem em algumas igrejas evangélicas de hoje, onde o Novo Testamento é premeditadamente ignorado, Jesus não é pregado e a cruz sequer mencionada. Menos ainda a ressurreição.

Exatamente pela dificuldade da Igreja em se pautar pelas Escrituras (a não ser por partes dela que lhe sejam convenientes) muito de nossa pedagogia é secular. O ministério pastoral em particular e o ministério cristão em geral são formatados secularmente. Nossa formação de obreiros alega ter conteúdo religioso, mas sua forma é secular. Prova disso é a visão do MEC em seu desejo de que a educação teológica dos seminários por ele reconhecidos tivesse a “exclusão da transcendência”3. Algo semelhante a um curso de Medicina com “exclusão do corpo humano”. Felizmente a ABIBET se posicionou contra esta incongruência. Mas a secularização ronda a educação teológica. Não apenas pelo MEC, mas por causa do nosso estilo secularizante de vida.

Ressabia-me que nosso ensino teológico seja formatado por correntes pedagógicas seculares. Quero propor a pedagogia de Paulo. Está em 2Timóteo 2.2: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros”.

A pedagogia paulina começa com o conteúdo da fé cristã, não com teorização secularizante sobre os fatos da fé. “O que de minha parte ouvistes”. O que Timóteo ouviu de Paulo? Por certo que não banalidades ou generalidades. Nem pinceladas da cultura secular. Este é o homem que Stott disse ser “intoxicado de Cristo”. Cristo era a sua obsessão (1Co 2.2). A educação teológica falhará se não formar pessoas cheias de Cristo, empolgadas com ele, mais entusiasmadas pelo seu evangelho que por outros aspectos. Um obreiro costumava citar determinado pensador duas ou três vezes em cada sermão. Certo dia, nos cumprimentos pós-culto, um membro da igreja se queixou disso e o pastor lhe disse: “Irmão, sou apaixonado por Fulano (o pensador)”. O irmão lhe disse: “Pastor, seja apaixonado por Jesus Cristo!”. É triste quando o rebanho tem que mostrar ao pastor, formado em um seminário, qual deve ser o tema de sua pregação. A educação teológica precisa formar pessoas cristificadas (dando outro sentido ao termo de Chardin).

A pedagogia paulina é pessoal e relacional, não livresca: “O que de mim ouviste”. Ninguém poderá me acusar de ser antilivro, mas o foco é na pessoalidade do ensino. Homens intoxicados de Cristo intoxicam outros de Cristo. O conteúdo de muitos púlpitos revela uma impressionante ausência de Cristo. Um mestre teológico deve saber lidar com pessoas e deve ter o que dizer. Deve passar uma fé verdadeira e autêntica. Homens de fé tíbia e dúbia não devem ocupar cadeiras em seminários.

A pedagogia de Paulo requer que o aluno tenha caráter: “transmite a homens fiéis e também idôneos”. “Fiéis” é pistós, a pessoa que mantém a fé com que se comprometeu, alguém digno de confiança. É preciso terminar com a ideia de que a educação ministerial é para sacudir as pessoas. Ela é para fortalecer para o testemunho. Ela produz fortalecimento da fé. Estudos teológicos que enfermam foram ministrados por homens enfermos. A teologia não afasta de Deus, mas aproxima. O verdadeiro teólogo não semeia dúvidas, mas aprofunda convicções. Teólogo não apenas fala de Deus como Ele, mas principalmente como Tu. “Tenha em mente que a primeira vez que alguém falou de Deus na terceira pessoa (falou sobre Deus, e não mais com Deus), foi no momento em que soou a famosa pergunta: ‘É assim que Deus disse…? (Gn 3.11). Este fato deveria fazer-nos pensar”4. Teologia não pode deixar de ser vida.

“Idôneos” é hiskanos, “suficiente”, “suficiente em habilidade”. A pedagogia paulina visava instrumentalizar o obreiro para o trabalho. Há obreiros que sequer sabem dirigir um culto! Fui convidado para pregar em um culto evangelístico e após a mensagem deu-se a palavra a um “grupo de louvor” que trouxe três mensagens agitadas, de letra pouco compreensível, quebrando todo o ambiente estabelecido, e depois se fez um apelo para as pessoas aceitarem a Cristo. Como? Há pregadores que sequer sabem se expressar em seu idioma!

A pedagogia paulina busca capacitar o homem fiel para exercer seu ministério com competência. Não basta boa vontade.

“Para instruir a outros”. A pedagogia de Paulo pensa em reprodução, em formação sequencial de outros obreiros. O ministro não é o “faz tudo”, mas o treinador de outros. Ele alimenta outros, capacita outros, e assim faz seu trabalho render mais. A igreja é também um pecúlio de todos e não dos ministros. Os ministros treinam outros. A pedagogia paulina é para formar obreiros que se reproduzem em obreiros. A educação teológica não é para formar críticos do sistema, mas obreiros que formem obreiros, numa constante preparação de gente para o serviço. Intriga que com tantos seminários e tanta ênfase na educação teológica, haja muitas igrejas e congregações sem pastores. Muitos se aglomeram nos grandes centros urbanos, esperando um pastorado ficar vago. Poucos querem ir para o campo. No Amapá há várias congregações sem pastores, mas em grandes cidades e nos estados com mais conforto, sobram obreiros. Falta cristificação e faltam homens intoxicados de Cristo, que devem ser metas da educação teológica.

Parece irreal? É demais para um versículo só? Se for pela quantidade de versículos, é mais que os modelos que tenho visto, sem versículo algum. Mas a questão não é a quantidade de versículos nem o biblicismo. É o fato de que era assim que Paulo treinava obreiros. Algumas diretrizes são imprescritíveis: o conteúdo (a fé histórica, a tradição cristã enraizada no Novo Testamento), a pessoalidade (não livresca nem na base de monografias e pesquisas, mas do ensino pessoal e transmissão de experiência – o que o MEC não consegue habilitar), e capacitando para o testemunho, não para o diletantismo.

Receio que a educação teológica esteja se sofisticando, tornando-se hermética, afastando-se das igrejas (que por isso se afastam dos seminários), mais centrada em treinar pessoas para repartir o conteúdo da fé cristã. Se a educação teológica for ministrada para produzir os mesmos resultados da secular, perdeu a razão de ser. Os seminários não devem estranhar se as igrejas os abandonarem e se ele se tornarem desinteressantes para os vocacionados. Necessitamos recuperar a visão paulina. Ele foi um grande missionário, grande treinador de obreiros e um grande teólogo. Não foi um falastrão teológico. Ele é o modelo do pedagogo teológico. Seu método merece ser pensado.

Notas
1 KIERKEGAARD, Sören. Temor e tremor. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d, p. 48.
2 Idem.
3 Conforme consta do “Livro do mensageiro” da 91ª. Assembleia da Convenção Batista Brasileira, p. 231.
4 THIELICKE, Helmuth. Recomendações aos jovens teólogos e pastores. S. Paulo: Sepal, 1990, p. 59.

 

A santidade é o princípio-chave – João Calvino


1.         O plano das escrituras para a vida de um cristão é duplo: primeiro, que sejamos instruídos na lei para amar a retidão, porque por natureza, não estamos inclinados a fazê-lo; segundo, que aprendamos umas regras simples porém importantes, de modo a não desfalecermos nem nos debilitarmos em nosso caminho.

Das muitas recomendações excelentes que a Escritura faz, não ha nenhuma melhor que este princípio: "Sede santos porque eu sou santo."

Quando andávamos espalhados como ovelhas sem pastor, e perdidos no labirinto do mundo, Cristo nos chamou e nos reuniu para que pudéssemos nos voltar a Ele.


2.         Ao ouvir qualquer menção de nossa união mística com Cristo, deveríamos recordar que o único meio para desfrutá-la é a santidade. A santidade não é um mérito por meio do qual podemos obter a comunhão com Deus sem um dom de Cristo, o qual nos capacita para estarmos unidos a Ele e a segui-lo. É a própria glória de Deus que não pode ter nada a ver com a iniqüidade e a impureza; portanto, se queremos prestar atenção à sua exortação, é imprescindível que tenhamos este princípio sempre presente.

Se no transcurso de nossa vida cristã queremos seguir vinculados aos princípios mundanos, para que então fomos resgatados da iniqüidade e da contaminação deste mundo?

Se desejamos pertencer a seu povo, a santidade do Senhor nos admoesta a que vivamos na Jerusalém santa de Deus.

Jerusalém é uma terra santa, portanto, não pode ser profanada por habitantes de conduta impura.

O salmista disse: Jeová, quem habitará em teu tabernáculo? Quem morará em teu monte santo? O que anda em integridade, faz justiça e fala a verdade em seu coração."
O santuário do altíssimo deve manter-se imaculado. Ver (Lev. 19.2; 1 Ped. 1.16; Is. 35.10; Sal. 15.1, 2 e 24.3, 4.)

   A santidade significa obediência total a Cristo


1. A escritura não nos ensina somente o princípio da santidade, como também nos diz que Cristo é o caminho a este princípio.

Posto que o Pai nos tem reconciliado consigo mesmo por meio de Cristo, nos ordena que sejamos conformes à sua imagem.

Aqueles que pensam que os filósofos têm um sistema melhor de conduta, lhes pediria que nos mostrem um plano mais excelente que obedecer e seguir a Cristo.
A virtude mais sublime de acordo com os filósofos é viver a vida de acordo com a natureza, porém a Escritura nos demonstra Cristo como nosso modelo e exemplo perfeito.
Deveríamos exibir o caráter de Cristo em nossas vidas, pois o que pode ser mais efetivo para nosso testemunho e de mais valor para nós mesmos?

2.         O senhor nos tem adotado para que sejamos Seus filhos sob a condição de que revelemos uma imitação de Cristo, que é o Mediador de nossa adoção.
A menos que nos consagremos de maneira devota e ardente à justiça de Cristo, não só nos afastaremos de nosso Criador, como também estaremos renunciando voluntariamente ao nosso salvador.

3.         A Escritura acompanha sua exortação com as promessas sobre as incontáveis bênçãos de Deus e o fato eterno e consumado da nossa salvação.

Portanto, posto que Deus tem revelado a si mesmo como Pai, se não nos comportarmos como seus filhos seremos culpados da ingratidão mais desprezível.

Posto que Cristo nos tem unido ao seu corpo como membros, deveríamos desejar fervorosamente não desagradá-lo em nada. Cristo, nosso cabeça, tem ascendido aos céus; por tanto deveríamos deixar para trás os desejos da carne e elevar nossos corações a Ele.

Posto que o Espírito Santo nos tem consagrado como templos de Deus, proponhamos a nós mesmos, em nossos corações, não profanar Seu santuário, antes manifestar Sua glória.

Tanto nossa alma como nosso corpo estão destinados a herdar uma coroa incorruptível. Devemos, então, manter ambos puros e sem man¬cha até o dia do nosso Senhor.

Estes são os melhores fundamentos para um código correto de conduta. Os filósofos nunca se elevam por sobre a dignidade natural do homem, porém, a Escritura aponta-nos nosso salvador sem mancha, Cristo Jesus. Ver Rom. 6.4; 8.29.