sábado, 23 de julho de 2016

O QUE NÃO É A SUBMISSÃO?

6 COISAS QUE NÃO SÃO SUBMISSÃO DA MULHER AO MARIDO (I PE 3.1–6)


Por John Piper 

Tradução: Thiago Mancini


 

Introdução:

     O que não é a submissão da mulher ao marido de acordo com I Pedro 3.1–6?

Quando eu preguei nesta passagem há aproximadamente 20 anos atrás, as mulheres que congregam na minha igreja acharam que esta questão foi realmente útil para elas por que nós trouxemos do texto pressuposições da nossa experiência.

Você pode ouvir que a submissão significa seis ou sete coisas, e cinco destas coisas podem parecer horríveis para você, enquanto duas podem parecer boas.

     Se você trouxer as suas ideias pré-concebidas para a Bíblia, você pode jogar o bebê fora quando joga a água da banheira fora, e dizer: “Se é isto que submissão significa, então eu estou fora daqui”. E isto seria muito triste. Você pode estar certo, você pode estar errado; mas isto seria triste.

Eu escrevi abaixo seis coisas que não são a submissão da mulher ao marido no casamento. E eu realmente quero que vocês leiam este texto.


     “Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa, ao observar o vosso honesto comportamento cheio de temor.
     Não seja o adorno da esposa o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário; seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranqüilo, que é de grande valor diante de Deus.
     Pois foi assim também que a si mesmas se ataviaram, outrora, as santas mulheres que esperavam em Deus, estando submissas a seu próprio marido, como fazia Sara, que obedeceu a Abraão, chamando-lhe senhor, da qual vós vos tornastes filhas, praticando o bem e não temendo perturbação alguma. ”
(I Pe 3.1–6 ).

1] Submissão Não É Concordar Com Tudo

     Submissão não é concordar com tudo, como por exemplo, a fé cristã, porque o marido em I Pe 3.1–6 é um incrédulo.

     Se nesta situação o marido disser: “Você não pode ter esta religião. Nesta família nós adoramos ISIS (ou qualquer outra divindade )

Se esta esposa disser: “ Sinto muito! ”

É possível ser submissa e se recusar a pensar o que o seu marido diz que você deveria pensar.
Este texto não faz sentido sem isto. Ela jurou fidelidade a Jesus.
Jesus é agora o Senhor dela e o Rei dela.
Ela é como uma estrangeira e uma exilada neste casamento.
Este marido pertence a outro deus, e ela é chamada a viver a viver com ele.
Não se divorcie por problemas de religião.
    
Se ele disser: “Eu não quero que você seja cristã!”, o quê ela diz?

Ela diz: “Eu te amo. Eu quero ser submissa a você. Eu pretendo ser submissa a você. Mas nesta questão eu realmente não tenho escolha. Eu pertenço a Jesus.

Ele pode mandá-la embora. Isto aconteceu em I Coríntios 7.
O descrente se separará, o que seria uma grande tragédia.

     Submissão não significa que você deve concordar com as opiniões do seu marido, mesmo em assuntos tão sérios e fundamentais como a fé cristã.
Deus fez você com uma mente.
Você tem que pensar.
Você é uma pessoa, você não é apenas um corpo e também não é uma máquina.
Você é um ser pensante que é capaz de processar se o Evangelho é verdadeiro.
E se o Evangelho é verdadeiro, você acredita no Evangelho, 
  
Você não pode acreditar no Evangelho! ”,

você humildemente e submissivamente não se submete a isto.


2] Submissão Não Significa Deixar O Seu Cérebro No Altar

     Agora, talvez este é o mesmo ponto, mas é necessário dizer isto desta maneira também.
Qualquer homem que diz: “Eu sou a cabeça pensante desta família”, está doente e tem um ponto de vista enfermo de sua autoridade.

     Eu lidei com um casal certa vez. A esposa disse que ela precisava pedir permissão ao marido para ir ao banheiro. E isto realmente acontecia.
Eu apenas olhei para ele e disse:

Você não está bem. Você possui uma visão incrivelmente distorcida da autoridade masculina no lar.  Você não compreende a Bíblia Sagrada. Você está tomando palavras como ‘autoridade’, ‘liderança’ ou ‘subimissão’; e então você está se afastando da Bíblia e preenchendo estas palavras com o significado que você quer que elas tenham. Você não está tirando o seu entendimento destas palavras da Bíblia.”

     Subimissão nunca significa deixar o cérebro no altar.
Durante todo o casamento, o marido está pensando com um centro mental independente que tem pensamentos dignos de serem escutados. É o trabalho da união de uma só carne.

     Liderança não significa que você não escuta.
Liderança nem ao menos significa ter sempre a última palavra.
A boa liderança sempre diz: “Você estava certa; eu estava errado.”
     Liderança é tomar a iniciativa. Às vezes eu digo: “Quem diz, ‘Vamos...’”, mais frequentemente na sua relação?

     “Vamos sair para comer.”
     “Vamos tentar colocar as nossas finanças em ordem.”
     “Vamos para a Igreja na hora certa no próximo domingo.”

     Quem diz isto mais frequentemente?
Se é a esposa você tem um problema, e o problema é com o cara.
Se é o cara, ela provavelmente está feliz porque ela não quer ser aquela que diz “vamos” uma e outra vez.

 Esposas não querem dizer “vamos” na maioria das vezes.
Em geral – eu sei que eu estou generalizando – liderança significa uma tendência em direção à iniciativa à qual a mulher prospera.
Não é ditadura, e nunca escutar.
Não é nem mesmo ter a última palavra.
     Se você perguntar à minha esposa: “o que é que submissão significa para os Pipers?”, uma coisa que ela diria é: “Nós estabelecemos o princípio desde cedo que se nós não podemos concordar, Johnny vai tomar a decisão. 

Isto é muito básico. E isto quase nunca acontece. E uma das razões pela qual quase nunca acontece é que nós estamos juntos a muito tempo, e nós sabemos o que o outro pensa. Outra razão importante é que eu sempre me rendo à minha esposa Noël. Eu não preciso estar certo, ou ter o meu direito, ou ter a última palavra.

3] Submissão Não Significa Que Você Não Pode Tentar Influenciar O Seu Marido.

     Submissão não significa evitar o esforço para influenciar ou para mudar o marido. O grande ponto do texto é, “Conquistá-lo”.
Sua vida é dedicada a mudar este marido de um incrédulo em um crente.

     Você pode imaginar se alguém dissesse que submissão significa “parar de tentar mudar o marido”?

Bem, eu entendo que eles possam estar querendo dizer.

     Mas se o seu marido está vivendo em pecado ou sua esposa está vivendo em pecado ou na incredulidade, você quer que eles mudem, e você não seria uma pessoa amorosa se não quisesse a melhora delas – se você parasse de querer a melhora delas.

     Isto pode parecer insubordinação para alguns. Mas biblicamente, não é.

4] Subimissão Não É Colocar A Vontade Do Marido Acima Da Vontade De Cristo.

     Subimissão não é colocar a vontade do marido acima da vontade de Cristo.
Cristo (e não o marido) é o Senhor dela agora, por amor ao Senhor, ela vai se submeter ao marido, mas o marido não é o Senhor da esposa.
Portanto, aonde quer que ela tenha que escolher entre os dois, ela escolhe Jesus.

     Se o seu marido disser: “Vamos nos envolver em uma falcatrua!”, ou “Vamos fazer sexo grupal!”, a escolha dela deve ser clara. Eu vou com Jesus nesta situação. Ela deveria dizer isto não com uma atitude arrogante, mas sim de modo submisso e cativante.

     Ele será capaz de discernir nela um desejo de que ele não faça isto para que ela pudesse se alegrar nele como o seu líder. Você sente isto?
Eu não vou seguir a sua liderança nisto, e eu não estou seguindo você com um comportamento que diz à você que eu quero seguir a sua liderança, mas neste momento eu não posso, ao menos não desta maneira.

5] Subimissão Não Significa Receber Toda A Força Espiritual Através Do Marido

     Submissão não significa receber toda a força espiritual através do marido.
Ele não está lhe dando nenhuma força espiritual neste texto e ela tem muita.
A esperança dela está em Deus.
Provavelmente ela está indo à igreja no Domingo de manhã antes que ele acorde, recebendo sua força em algum outro lugar, recebendo cosmovisão em algum outro lugar.

6] Submissão Não Significa Viver Ou Agir Sob Medo

     O temor a Deus desta esposa é intrépido.
     Eu amo as Escrituras. Eu sou um complementarista.
Eu acredito que o homem é chamado para um tipo único de liderança no casamento.
Eu acredito que as mulheres são chamadas para um tipo único de submissão no casamento.
E eu acredito que isto é uma coisa bonita – a maneira com a qual estes dois papéis se complementam e servem um ao outro.

     Se nós sondarmos a profundidade e continuarmos cavando as Escrituras, mesmo que elas tenham sido escritas em outro tempo, elas vão dar uma forma muito bonita ao casamento no dia de hoje.
    
     Portanto, à luz de tudo o que eu disse sobre o que não é a submissão, eu definiria a submissão da seguinte maneira:

Submissão é o chamado definido para a esposa honrar e sustentar a liderança do marido, e então ajudar a sustentar a liderança do marido de acordo com os seus dons.




sexta-feira, 22 de julho de 2016

VERDADES ESPIRITUAIS EXTRAÍDAS DE GÊNESIS 3.15 (PARTE 3)

Veronilton Paz da Silva
Pastor Licenciado pelo PRVP

sexta-feira, 15 de julho de 2016

7 MOTIVOS PARA NÃO SE PREOCUPAR



motivos biblicos para nao se preocupar
Existe um pecado que bons cristãos de classe média cometem mais do que o pecado da preocupação?

Você acorda dez minutos depois do que esperava e a ansiedade já começa a tomar conta de você: e se eu estiver atrasado? E o tráfego? Como está o clima? Você passa na frente do espelho e se preocupa que seu rosto tem mais rugas do que costumava ter. Desce as escadas correndo e, porque está com pressa, deixa seus filhos comerem qualquer coisa que queiram, e aí, então, você começa a se preocupar se o açúcar realmente causa câncer. Enquanto arruma as crianças, você se dá conta que um de seus garotos não fez o dever de casa, de novo. Você se preocupa por não saber se ele algum dia vai ter juízo e, enquanto deixa seus filhos na escola, você se preocupa com a possibilidade deles se envolverem com a galera errada ou se vão cair da escada horizontal.


Assim que chega em casa, você checa o Facebook apenas para relaxar. Lá você lê sobre quão incríveis são as crianças de todas as outras pessoas e sobre todos os fantásticos cupcakes que suas amigas fazem e você se preocupa com a possibilidade de ser um fracasso como mãe. Mais tarde, nessa mesma manhã, você sente aquela dor no seu joelho novamente. Você se preocupa com a possibilidade de ter que fazer uma cirurgia de substituição total da junta do joelho e se o seguro irá cobrir e como você irá pagar por isso e quem irá tomar conta das crianças se você estiver imobilizada por um mês. Então você se preocupa com a dor que talvez esteja um pouco pior, assim você checa todos os sites médicos e se dá conta de que você provavelmente tem um caso raro de coqueluche que se espalhou para seus membros.

Horas mais tarde, quando seus filhos estão na cama, você liga a televisão para se esquecer do que aconteceu no dia. À medida que passa os canais e se envolve com as notícias, você começa a se preocupar com a economia e o vórtice polar e o aumento da criminalidade na sua cidade. Você se preocupa com as divisões raciais no país e como irá falar com seu amigo que vê as coisas de modo pouco diferente e, talvez, você se preocupa por não saber se a polícia a trataria com justiça ou se preocupa com a segurança de seu irmão que é policial. Então, você desliga a TV e fala com seu esposo e se preocupa com a tosse dele que não parece melhorar e se preocupa com as demissões que estão acontecendo no trabalho. E, finalmente, ao se deitar para dormir você sente uma tremenda sensação de ansiedade e nem sequer sabe o porquê. Por razões que não consegue sequer entender, você começa a se preocupar com sua vida e seus filhos e seus pais e sua igreja e sua saúde e com voar e dirigir e dormir e comer e um medo generalizado de que os dias futuros poderiam ser realmente ruins.

Consegue se identificar?

Jesus pode ajudar.

Preocupação pode ser o pecado mais comum entre as pessoas “normais” da igreja. Agora, você pode achar que isso não é muito encorajador. “Ótimo, eu me preocupo com tudo. E agora, além da minha preocupação, eu vou me sentir mal por me preocupar e vou me preocupar com isso.” Mas seja encorajado: Se preocupação é apenas uma parte de sua personalidade ou parte do que envolve ser mãe (ou um estudante ou um empresário ou o que quer que seja), Deus pode não fazer nada para ajudá-lo. Mas se preocupação é um pecado, então Deus pode perdoá-lo por isso e ajudá-lo a superar isso.

Mateus 6.25-34 é uma das grandes passagens da Bíblia sobre preocupação. Jesus diz três vezes “não andeis ansiosos” (25, 31, 34). Mas ele não para aí. Jesus está interessado em mais do que transmitir comandos. Ele quer trabalhar com os nossos corações. E então ele dá sete razões por que não deveríamos ser ansiosos.

Razão #1: A vida é importante demais (Mt 6.25). Nós precisamos endireitar nossas prioridades. Realmente importa que você tenha as coisas boas da vida; comida, bebidas extravagantes, roupas luxuosas? Você está vivendo toda sua vida por uma etiqueta na parte de trás de suas calças ou no interior de sua camisa que a faz se sentir a “tal”? Você vai olhar para o seu passado e desejar ter sido mais exigente quanto às suas escolhas de vestuário? A vida não é mais do que um aglomerado de células tentando conseguir seu sustento, tentando se sentir bem, tentando ter uma boa aparência?

Vivemos em uma era na qual as pessoas enlouquecem por causa de comida. Enquanto a maioria das pessoas ao longo da história mundial tem se preocupado em saber se conseguirão alguma coisa para comer, nós nos preocupamos com o tipo de vida que a galinha teve antes de a comermos. Eu não estou dizendo que não deveríamos nos preocupar com a maneira como os animais são tratados. Porém, vamos nos lembrar de que a vida é mais do que o alimento e o corpo é mais do que as vestes.

Razão #2: Você é importante demais (Mt 6.26). Nós não apenas insultamos Deus quando nos preocupamos com comida e roupas e dinheiro, insultamos nós mesmos. A preocupação diz ao mundo, “Eu não tenho valor”. A ansiedade é uma afronta a bondade de Deus e ao valor do homem e da mulher feitos à sua imagem. Deixem os pássaros e esquilos serem seus pregadores. Deus os está alimentando. Quando os vir a encarando através da janela, eles estão dizendo: “O que você está olhando? Confie em Deus.” Quando você ouvir os pássaros cantando, eles estão cantando uma canção para lembrá-lo da provisão de Deus. Deus cuida dos pequenos animais; ele cuidará de você.

Razão #3: Não faz bem algum (Mt 6.27). Você já refletiu sobre os tempos difíceis da vida e pensou: “Não sei como teria conseguido fazer aquilo se não tivesse me preocupado?” Ninguém reflete sobre o passado e conclui: “O dinheiro estava curto, mas a preocupação realmente me fez superar.” “O ensino fundamental foi difícil. Eu apenas gostaria de ter me preocupado mais.” “O diagnóstico foi assustador, mas então eu consegui que todos os meus amigos se preocupassem juntamente comigo.”

Se agora todos nós fizéssemos uma pausa por alguns segundos e nos preocupássemos com o pagamento do carro, o pagamento da hipoteca ou com a possibilidade de estarmos sem seguro, não viveríamos nem um segundo a mais. Eu não chequei isso com os médicos que conheço, mas não acho que eles, em momento algum, se aproximem do leito e digam ao paciente: “Bem, senhora, o quadro não parece bom. Tudo que podemos fazer neste momento é nos preocuparmos.”

O homem não sabe sua hora. Não cabe a nós dirigirmos os nossos passos (Jr 10.23). Todos os nossos dias foram escritos no livro de Deus quando nem um deles havia ainda (Sl 139.16). Você e eu precisamos admitir que somos impotentes com relação a certas coisas. Eu sou impotente para fazer todo tipo de coisa. Não posso fazer alguém crer no evangelho. Não posso ressuscitar os mortos. Não posso sentar ao lado do berço por toda uma noite para garantir que o bebê continue respirando. E certamente não posso viver nem mais um nanossegundo além do que devo viver. Ninguém jamais viveu uma hora a mais por ter se preocupado com quando iria morrer.

Razão #4: Deus se importa com você (Mt 6.28-30). Deus faz as flores do campo crescerem. Por quê? Porque ele quer. Porque elas são bonitas. Porque ele é criativo. Porque ele gosta de beleza. Porque ele quer que as pessoas desfrutem delas. Porque ele se importa com as flores. E ele cuida até mesmo da relva. A relva vai morrer. Seu gramado ficará marrom. Vai ficar frio, congelado, morto – provavelmente já está. Mas em alguns meses, tudo vai reverdecer. E você não terá nada a ver com isso. Talvez você plante algumas outras sementes. Talvez você contrate um especialista em cuidado de gramados para ajudar a deixar tudo excelente. Mas mesmo se você não fizer nada, a relva voltará a crescer. Porque Deus é Deus e ele gosta de grama verde.

Você vê o que Jesus chama de preocupações? Ele nos chama de “os de fé pequena.” Nossa preocupação é um insulto para o caráter de Deus. Quando nos preocupamos, não estamos acreditando na verdade sobre Deus. Nós estamos duvidando que ele vê, que ele sabe, que ele se importa, que ele é mais do que capaz. Fé é mais do que uma vaga noção de que Jesus existiu e que vamos para o céu se pedirmos para ele entrar em nossos corações. Fé é uma maneira prática de olhar para o mundo. A fé bíblica se estende para toda a vida, não meramente a salvação de nossas almas. Quando nos preocupamos, estamos dizendo a Deus: “Não confio em você para conduzir a minha vida. Eu não acho que você realmente esteja no controle. É melhor eu me preocupar com essas coisas. Preciso fazer tudo para tomar conta de mim mesmo porque não tenho certeza de que você irá.” Mas pense sobre isso: Deus cuida de animais selvagens. Ele toma conta de flores do campo. Ele cuida até mesmo da relva. Por que ele não cuidaria de você?

Razão #5: Os pagãos se preocupam (Mt 6.30-32a). Alguns de nós nos preocupamos tanto que podemos até ser ateus. Estamos vivendo como se Deus realmente não existisse. É isso que os pagãos fazem.

Um pagão não tem que ser alguém que adora ídolos e sacrifica sapos. Um pagão é alguém que acha que a vida consiste em que se vai comer, em que se vai beber, em que se vai vestir. Pagãos pensam que a vida consiste na abundância de suas posses. Pagãos gastam e acumulam seu dinheiro como se não houvesse um Deus no universo os protegendo e cuidando deles.

Deixe-me pausar aqui porque alguns de vocês estão fazendo a pergunta que o resto de nós tem medo de dizer: “Mas e se Deus não cuidar de mim? E os cristãos morrendo de fome? E os cristãos sendo expulsos de suas casas? E os milhares de bons cristãos que, nesse ano, irão morrer de câncer e por causa de acidentes de carro ou ataques cardíacos? Deus não promete cuidar deles também?”

Essas são perguntas aceitáveis – e perguntas que não iriam surpreender Jesus ou qualquer dos escritores da Bíblia. O livro do Apocalipse fala sobre um determinado número de mártires. Paulo disse aos Romanos que mesmo em meio à tribulação, perseguição, fome, nudez, perigo, espada e matança, nós seríamos mais do que vencedores. Jesus disse aos seus discípulos: “E sereis entregues até por vossos pais, irmãos, parentes e amigos; e matarão alguns dentre vós. De todos sereis odiados por causa do meu nome. Contudo, não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça. É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma.” (Lucas 21.16-19). Jesus nunca disse aos seus discípulos que ser um cristão era um vale gratuito para sair do sofrimento.

Então, podemos contar com Deus ou não?

Primeiro, precisamos nos lembrar do contexto. Jesus está falando sobre pessoas que servem a mamom ao invés de servirem a Deus (Mt 6:24). No relato de Lucas 12, Jesus está falando sobre ricos tolos construindo celeiros maiores e sobre pessimistas preocupados acumulando tesouros na terra. O que ele está tentando provar é que nós não morreremos por causa de generosidade elevada. Essa é a primeira coisa a notar.

Mas isso é apenas parte da resposta. Eu acho que o resto da resposta é encontrado no versículo 32: “Vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas”. O que são “elas”? Os versículos 30 e 31 sugerem que “elas” sejam comida e bebida. E para quê nós precisamos dessas coisas? Para viver. Deus sabe o que nós precisamos para continuar a viver… tão longo ele quer que vivamos. Deus sabe que precisamos de roupas, comida e bebida para viver e nos dará todas as roupas, comida e bebida para vivermos até que ele queira que morramos.

Isso é baseado em uma profunda verdade teológica: Deus não é estúpido. Deus nos vê. Ele sabe que estamos aqui. Ele não saiu para almoçar. Ele não está tirando um cochilo. Ele não é como um pai que perde um filho em alguma outra parte do supermercado. Ele é por você, não contra você. Jesus não promete que todos os seus sonhos mais mirabolantes irão se concretizar, mas promete que Deus irá lhe dar o que você precisa para glorificá-lo e para viver todos os dias que ele escreveu em seu livro.

Isso pode soar meio bobo, mas é realmente profundo. Há mais na vida, Jesus está dizendo, do que viver. Nós iremos morrer. Então, não faça com que seu objetivo na vida seja simplesmente permanecer vivo; você irá falhar nesse aspecto. Nós estamos aqui para fazer mais do que evitar a morte. “Deus lhes dará toda a comida e bebida e roupas que vocês precisam para viver”, diz Jesus. “E quando eu quiser que parem de viver, vocês irão parar de viver. Eu estou no controle. Vocês foram colocados aqui por uma razão maior do que apenas viver.” Seja consumido, diz o v. 33, com o reino. Seja consumido com o vislumbre do reinado e do domínio de Deus sobre sua vida, sua família, sua igreja, e os povos perdidos do mundo. Afinal de contas, você não é um pagão.

Razão #6: O reino é mais importante (Mt 6:33). Jesus quer libertar os pessimistas preocupados. Quando nós temos carros, barcos, tratores e casas bacanas, nós nos preocupamos com eles. E se um acidente acontecer, ou um raio cair, ou um ladrão invadir a casa? Jesus diz “Que tal um tesouro melhor? Por que não perder sua vida pelas coisas que permanecem?” Como diz Randy Alcorn, “Você não pode levar o dinheiro com você, mas pode enviá-lo antecipadamente.”

Não se livre de todos os seus alvos: substitua seus alvos pagãos por alvos piedosos. Seja consumido com o reino. Seja consumido com o vislumbre do reinado e do domínio de Deus sobre sua vida, sua família e sua igreja. Gaste-se pelos povos perdidos do mundo. Faça de sua prioridade apresentar mais pessoas ao Rei, traga mais pessoas para o reino, treine pessoas para viverem sob a autoridade desse Rei e de seu reino.

Jesus pode não tornar sua vida fácil, mas ele fará sua vida feliz. Ele quer nos libertar da busca por becos sem saída aos quais temos nos metido. Se você vive por causa do dinheiro, tem razão de estar ansioso. Se a coisa mais importante em sua vida é sua carreira, isso pode dar errado. Se sua saúde ou sua aparência ou seus filhos são suas paixões reais, você pode se decepcionar grandemente. Você tem razão para se inquietar. Mas se você busca o reino em primeiro lugar, você não pode perder.

Razão #7: O amanhã estará ansioso por si mesmo (Mt 6:34). A graça de hoje foi para as provações de hoje. E quando as provações de amanhã chegarem, então Deus terá uma nova graça esperando por você.

Ansiedade é viver o futuro antes que ele chegue. “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele.” (Lm 3:22-24).

O que irá acontecer amanhã?

Eu posso lhe dar mil exemplos de coisas que não sabemos – diagnósticos, acidentes, empregos, testes, encontros, bebês, críticas, conversas difíceis, até a morte. Nós não sabemos o que irá acontecer amanhã. Mas aqui está uma coisa com a qual você e eu podemos contar: haverá novas misericórdias do Senhor quando chegarmos lá.

Como posso parar de me preocupar? Conte com o apoio de Jesus. Mas também olhe para Jesus. Ele vê. Ele sabe. Ele se importa. Ele é um compassivo sumo sacerdote. E ele nunca irá deixá-lo nem abandoná-lo.

Por: Kevin DeYoung


Tradução: Márcio Faleiro

Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

MinisterioFiel.com.br

Kevin DeYoung é o pastor principal da University Reformed Church, em East Lansing (Michigan)
Graduado pelo Hope College
Mestrado em teologia pelo Gordon-Conwell Teological Seminary
É preletor em conferências teológicas e mantém um blog na página do ministério ­ The Gospel Coalition



QUE É UM EVANGÉLICO?

crente

Os rótulos geralmente são confusos, especialmente quando o conteúdo da embalagem muda. Suco de uva pode virar vinagre com o passar dos anos na adega, porém o rótulo não muda junto com as mudanças na substância. O mesmo vale para o termo evangélico".


Desde o "Ano do Evangélico", correspondente ao bicentenário de nossa nação (no caso os EUA) em 1976, o termo - pelo menos na América do Norte - veio a identificar aqueles que salientam um determinada marca da política, uma abordagem moralista e frequentemente legalista da vida, e certo tipo de imitação, "cafona" de estilo de evangelismo. Para alguns o termo compreende o emocionalismo que eles veem na televisão religiosa. Para outros, hipocrisia e justiça própria. E aí há as memórias que muitos de nós, que fomos criados como evangélicos, temos: ambientes familiares fortes e cuidadosos; um senso de pertencer a um mesmo lugar, com os amigos que gostam de conversar das "coisas do Senhor".

Independente do seu passado, é importante entender o significado do termo "evangélico".

As pessoas só começaram a usar o rótulo no século XVI, designando aqueles que abraçaram o Evangelho que havia - num sentido bem real - sido recuperado pela Reforma Protestante naquele século. "Evangélico" vem de "evangel", que é o termo grego para "evangelho". Deste modo, os "evangélicos" eram luteranos e calvinistas que queriam recuperar o evangel e proclamá-lo dos altos dos telhados. Era uma designação empregada para colocar os Protestantes num agudo contraste com os Católicos Romanos e "seitas". Mas para entender por que estes Protestantes pensavam que eram realmente aqueles que recuperaram o verdadeiro e bíblico Evangelho, temos que entender o que era aquele evangelho.

O "Evangel"

A Reforma era uma coleção de "solas" - esta é a palavra latina para "somente". Eles vibravam ao dizer "Sola Scriptura!", significando, "Somente as Escrituras". A Bíblia era a "única regra para fé e prática" (Westminster) para os reformadores. Você vê que a igreja acreditava que a Bíblia era totalmente inspirada e infalível, mas a igreja era o único intérprete infalível da Bíblia. Os Reformadores acreditavam que a Tradição era importante e que os Cristãos não a deveriam interpretar por eles mesmos, mas que todos os cristãos sejam clérigos ou leigos, deveriam chegar a um comum entendimento e interpretação das Escrituras juntos. A Bíblia não deveria ser exclusivamente deixada aos "espertos", mas isso nunca significou para os Reformadores que cada cristão deveria presumir que ele ou ela pudessem chegar a interpretações da Bíblia sem a orientação e assistência da Igreja.

O principal ponto de "Sola Scriptura" era este: Não deveria ser permitido à Igreja fazer regras ou doutrinas fora das Escrituras. Não existem novas revelações, nem papas que ouvem diretamente a voz de Deus, e nada que a Bíblia não apresente deveria ser ordenado aos cristãos.

O segundo "sola" era "Solo Christus", "Somente Cristo". Isto não queria dizer que os Reformadores não criam na Trindade - pois o Pai e o Espírito Santo eram igualmente divinos, mas que Cristo, sendo o "Deus-Homem" e nosso único Mediador, é o "Homem de frente" para a Trindade. "Aquele que me vê a Mim, vê ao Pai que me enviou", disse Jesus. Num tempo em que meros seres humanos estão tomando o lugar de Cristo como Mediador entre Deus e cristãos, os reformadores proclamaram juntamente com Paulo: "Há somente um Deus e um Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem" (1 Tim. 2: 5). Eu cresci em igrejas onde tínhamos "apelos ao altar" e esta pode ser a coisa mais próxima que nós cristãos modernos temos do "chamado ao altar" medieval, a missa. Em nossas igrejas, o pastor atuaria como mediador, vendo nossa mão levantada "enquanto cada cabeça está baixa e cada olho fechado", e nós iríamos para a frente onde ele estava, o chamado "altar" e repetiríamos uma oração após ele. Então ele afirmaria que, tendo "feito a oração", nós agora estaríamos salvos. Eu me lembro de ter sido "salvo" novamente, e novamente. Quando me senti culpado após uma particular e desagradável noite de sábado, lá ia eu novamente ao altar. Cristãos medievais estavam sempre apavorados até a morte, por ver que poderiam morrer com pecados não confessados e assim iriam para o inferno. Assim, a missa era uma oportunidade de "estar em dia com Deus" e de "encher a banheira" que tinha tido um vazamento por causa do pecado.

Os reformadores, porém, diriam àqueles dentre nós que vivem ansiosos quanto ao fato de estar ou não dentro do favor de Deus, ou se estamos cedendo demais ou obtendo vitória: "Somente Cristo!" É a Sua vida e não a nossa, que conta para a nossa salvação; foi a Sua morte sacrificial e ressurreição vitoriosa que nos assegurou vida eterna. Porque Ele "entregou tudo"; o Seu mérito cobre totalmente o nosso demérito.

E isso nos traz ao próximo "sola" - "Sola Gracia" (Somente a Graça!) Roma acreditava na graça; de fato, a Igreja insistia que, sem a graça, ninguém poderia ser salvo. Só que a graça era o tipo de "um pó mágico" que ajudava a pessoa a viver uma vida melhor - com a ajuda de Deus. Os reformadores, em contrapartida, diziam que a graça não é uma substância que Deus nos dá para vivermos uma vida melhor, mas sim uma atitude em relação a nós, aceitando-nos como justos por causa da santidade de Cristo, e não nossa.

Por isso eles lançaram o quarto "somente" (sola), que sabemos ser "Sola Fide" (somente a fé). Considerando que somos salvos somente pela graça, como obtemos essa graça? Roma argumentava que essa graça era distribuída pela igreja através dos vários métodos que os "altos escalões" haviam inventado. Fé mais amor, ou fé mais boas obras, ou alguma coisa assim, tornou-se a fórmula para a salvação. Os reformadores ao contrário, insistiam que do início ao fim, "salvação é obra do Senhor" (João 2: 9). "O Espírito dá vida; o homem em nada colabora" (João 6: 55). "Não depende da decisão, nem do esforço do homem, mas da misericórdia de Deus" (Rom 9: 16). Assim a fé em si mesma é um dom da graça de Deus e não se pode dizer dela que seja "a coisa" que nós fazemos na salvação: Pois nós não somos nascidos da vontade da carne ou da vontade do homem, mas de Deus" ( João 1: 13).

No minuto em que uma pessoa olha para "Cristo somente" para sua salvação, dependendo da Sua vida santa e sacrifício substitutivo na cruz, naquele exato momento ela ou ele é justificado (posto em posição de justiça, declarado justo, santo, perfeito). A própria santidade de Cristo é imputada (creditada) na conta do crente, como se ele ou ela tivessem vivido uma vida perfeita de obediência - mesmo enquanto aquela pessoa continua a cair repetidamente no pecado durante sua vida. O Cristão não é alguém que está olhando no espelho espiritual, medindo a proximidade de Deus pela experiência e progresso na santidade, mas é antes alguém que está "olhando para Cristo, o Autor e Consumador da nossa fé"( Heb. 12: 2). Resumindo, é o estilo de vida de Cristo, não o nosso, que atinge os requisitos de Deus, e é por Ele que a justiça pode ser transferida para nossa conta, pela fé (olhando somente para Cristo).

Finalmente, os reformadores disseram que tudo isso significa que Deus é quem tem todo o crédito. "Soli Deo Gloria" (Somente a Deus seja a Glória) era a forma que eles colocavam - nosso último "sola", que quer dizer, "A Deus somente seja a Glória" Um evangélico, portanto, era centrado em Deus; alguém que estava convencido de que Deus havia feito tudo e que não restava nada que o homem considerasse seu a não ser seu próprio pecado. Isto não apenas transformou radicalmente a vida devocional dos crentes que o abraçaram, mas toda a estrutura social também.

Numa velha taverna do século XVII em Heidelberg, na Alemanha, lê-se no alto "Soli Deo Gloria!" Johann Sebastian Bach, o famoso compositor, assinou todas as suas composições com aquele slogan da Reforma. Do mesmo modo, um outro compositor, Handel, declarou, "Que privilégio é ser membro da igreja evangélica, saber que meus pecados estão perdoados. Se nós fossemos deixados à mercê de nós mesmos, meu Deus, o que seria de nós?" Grandes e nobres vidas requerem grandes e nobres pensamentos, e a soberania e a graça de Deus são, para o crente, grandes e nobres pensamentos. Os reformadores disseram a Roma o que J.B.Philipps, o tradutor inglês da Bíblia, disse à igreja contemporânea: "O Deus de vocês é muito pequeno".

A Reforma, a qual produziu o termo "evangélico", também recuperou a doutrina bíblica do "sacerdócio universal de todos os santos" e a noção bíblica do chamado e vocação. A igreja tinha dividido os cristãos em primeira classe (aqueles que serviriam no "ministério cristão em tempo integral") e segunda classe (aqueles que estavam empregados em serviços "seculares"). Os reformadores concediam, por direito, que todos os cristãos são sacerdotes e são, por isso, ministros de Deus, independente de estarem varrendo uma sala para a glória de Deus, moldando uma peça de cerâmica, defendendo um cliente na corte, curando um paciente, ordenhando uma vaca, ou conduzindo uma congregação no louvor. Não há o "secular" e o "sagrado" - Deus criou o mundo inteiro e fez a vida neste mundo como algo inseparável de nossa própria humanidade.

Como nós ajustamos as coisas hoje?

A questão, é claro, é se "evangélico" hoje significa o que significou há quinhentos anos.

Em primeiro lugar, muitos dos evangélicos de hoje têm uma visão das Escrituras inferior à que a igreja de Roma tinha no século XVI. Instituições evangélicas de peso duvidam da confiabilidade da Bíblia e de sua infalibilidade - a menos, claro, que se trate daquilo que eles já decidiram que é verdade. Outros acreditam que a Bíblia é inerrante, porém acrescentam novas regras e revelações ao cânon. "A Bíblia é suficiente", nos aconselhariam os reformadores. Os sermões, com muita frequência, são "pop-inspiracionalistas" discursos superficiais de "Como criar filhos positivos" ou "Como ter uma auto-estima" em detrimento de sérias exposições das Escrituras. De acordo com o Gallup, "Os EUA são um país de iletrados bíblicos", ainda que 60 milhões deles se consideram "evangélicos".

Em segundo lugar, muitos evangélicos modernos também não acreditam que Cristo é suficiente. Às vezes pessoas muito boas e nobres substituem Cristo como nosso único Mediador, assim como o Espírito Santo. Enquanto louvamos o Espírito juntamente com o Pai e o Filho, o Filho tem este papel único de nosso único advogado e Mediador. Não devemos olhar para a obra do Espírito nos nossos corações, mas para a obra de cristo na cruz. Às vezes, nós temos mediadores humanos que não são o Deus-Homem Jesus Cristo. Precisamos de outras coisas pelo meio, como a figura do pastor no "apelo" do altar ao qual me referi anteriormente. Não muito tempo atrás eu vi um tele-evangelista de sucesso tirando o fone do gancho e informando seus telespectadores que "esta é sua conexão com Deus". Uma banda secular, "Depeche Mode", canta sobre "Seu próprio Jesus Pessoal" que pode ser contactado ao se pegar no fone e fazendo sua confissão. Enquanto estivermos neste assunto, também deveríamos mencionar que foi a venda de indulgências de John Tetzel (redução do período no purgatório em troca de valores em dinheiro) que inspirou as "Noventa e Cinco Teses "de Lutero, desencadeando a Reforma. "Quando a moeda bate no cofre", o coro cantava, "uma alma do purgatório é vivificada". Será que isso realmente é diferente da venda da salvação que temos visto na televisão cristã, rádio, e mesmo em muitas igrejas? Dinheiro e salvação têm sido distorcidos para serem uma coisa só no meio de muitos de nós. "Eles vendem salvação a você", canta Ray Stevens, "enquanto eles cantam 'Amazing Grace' ('Graça Maravilhosa')".

Muitos evangélicos hoje creem que "Somente a Graça" (sola gracia) é algo como livre-arbítrio, uma decisão, uma oração, uma ida até a frente, uma segunda bênção, algo que nós façamos por Deus que nos dará confiança de sermos alvo do Seu favor. Doutrinas como eleição, justificação e regeneração são discutidas quase que nunca, porque elas mostram o quadro de uma humanidade que é incapaz e nem ao menos pode cooperar com Deus em matéria de salvação. Se nós formos salvos é Deus e Deus somente que deverá faze-lo.

E sobre "Somente a Fé" (sola fide)? Muitos evangélicos acham que a fé não é suficiente. Se um indivíduo crê em Cristo e daí sai e o anuncia, será que a fé é suficiente? Alguns insistem que a fé mais a entrega, ou a fé mais a obediência, ou fé mais um sincero desejo de servir ao Senhor servirão como uma fórmula. O fato de que os evangélicos hoje lutam com estas questões indica que nós não ouvimos o "som seguro" de "Somente a Fé" em nossas igrejas. Fé é suficiente porque Cristo é suficiente.

Como se comparariam os evangélicos de hoje com os seus predecessores em matéria de "Somente a Deus seja a Glória"? Auto-estima, glória-própria, centralidade do "eu" parecem dominar a pregação, ensino e a literatura popular do mundo evangélico. Os evangélicos de hoje sabem muito pouco do grande Deus dos reformadores - um Deus que faz tudo conforme o Seu agrado, em relação aos céus e às pessoas sobre a terra e "que faz tudo conforme o conselho da Sua vontade" (Dn. 4; Ef. 1: 11). Os evangélicos hoje, refletindo sua cultura e sociedade mais ampla, estão intimidados por um Deus que é Deus. Porém que outro Deus é digno de confiança? Em poucas palavras, que outro Deus existe? Louvar ao Deus de uma experiência pessoal ou o Deus de preferência pessoal é louvar um ídolo. Os reformadores levaram isso a sério, e aqueles que quiserem ser evangélicos genuínos também devem faze-lo.

Conclusão

Muitas pessoas se perguntam por que o povo da "Reforma" parece bravo. Ninguém quer estar ao redor de pessoas bravas - e eu não gostaria de ser conhecido como uma pessoa "brava". Mas precisamos encarar o fato de que estes são tempos de grande infidelidade para o povo de Deus. A nós foi dada uma fé rica, com Cristo no centro. Porém trocamos nossa rica dieta por um saco de pipocas e estamos mal nutridos. Se os evangélicos terão a mesma saúde espiritual que tiveram em épocas passadas, eles terão que voltar para as verdades que fazem de "evangélicos" "evangélicos". A Bíblia - nosso único fundamento; Cristo - nossa única esperança; Graça - nosso único evangelho; Fé - nosso único instrumento; a Glória de Deus - nosso único alvo; o Sacerdócio de todos os santos - nosso único ministério. Este evangelicalismo original ainda é suficiente para fazer, mesmo de nossas menores vitórias, algo muito grande.



Nota Sobre o Autor: Dr. Michael Horton é professor no Seminário Teológico Reformado, Orlando-Flórida e editor da revista Modern Reformation.

Extraído do Jornal "Os Puritanos" Ano V - Número 3

Via: www.monergismo.com

Extraído de: http://www.materiasdeteologia.com/2014/06/que-e-um-evangelico-por-michael-horton.html#ixzz4EW6MVA1V

Verdades Espirituais Extraídas de Gênesis 3:15 (Parte 2)


Missº Veronilton Paz da Silva
Pastor licenciado pelo PRVP

quinta-feira, 7 de julho de 2016

MENSAGEM DO CPL 2015 - FAÇA A PODA


Rev. Jeremias Pereira
Oitava Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte-MG

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Verdades Espirituais Extraídas de Gênesis 3.15 (Parte 1)


Missº Veronilton Paz da Silva
Pastor Licenciado Pelo PRVP

MENSAGEM BASEADA EM MATEUS 1.1-17 (GENEALOGIA DE JESUS) - PREGADA NA IPB MONTEIRO-PB (IGREJA MÃE)

Veredas da Justiça: Sermões que Edificam

TEXTO: MATEUS 1.1-17
[1] Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. [2] Abraão gerou a Isaque; Isaque, a Jacó; Jacó, a Judá e a seus irmãos; [3] Judá gerou de Tamar a Perez e a Zera; Perez gerou a Esrom; Esrom, a Arão; [4] Arão gerou a Aminadabe; Aminadabe, a Naassom; Naassom, a Salmom; [5] Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede; e Obede, a Jessé; [6] Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias; [7] Salomão gerou a Roboão; Roboão, a Abias; Abias, a Asa; [8] Asa gerou a Josafá; Josafá, a Jorão; Jorão, a Uzias; [9] Uzias gerou a Jotão; Jotão, a Acaz; Acaz, a Ezequias; [10] Ezequias gerou a Manassés; Manassés, a Amom; Amom, a Josias; [11] Josias gerou a Jeconias e a seus irmãos, no tempo do exílio na Babilônia. [12] Depois do exílio na Babilônia, Jeconias gerou a Salatiel; e Salatiel, a Zorobabel; [13] Zorobabel gerou a Abiúde; Abiúde, a Eliaquim; Eliaquim, a Azor; [14] Azor gerou a Sadoque; Sadoque, a Aquim; Aquim, a Eliúde; [15] Eliúde gerou a Eleazar; Eleazar, a Matã; Matã, a Jacó. [16] E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo. [17] De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze; desde Davi até ao exílio na Babilônia, catorze; e desde o exílio na Babilônia até Cristo, catorze”.

INTRODUÇÃO
A genealogia na Bíblia é simplificada, mostrando apenas um dos filhos de cada personagem. A genealogia completa contaria com todos. A Bíblia normalmente usa o personagem que tem mais importância na história e descreve a sua genealogia.
Este evangelho foi escrito por Mateus, um cobrador de impostos que creu em Jesus (Mt 9.9), Ele queria apresentar Jesus ao público judeu para provar que Jesus era o tão esperado rei que traria o reino de Deus para o homem e cumpriria o plano redentor de Deus, por isto que ele traz na genealogia que jesus era Filho de Davi e de Abraão (v.1), esta genealogia conta quatorze gerações de Abraão até Davi, de Davi para o Exílio e do exílio até Cristo. Nesta passagem Mateus ao narrar esta genealogia nos traz algumas lições importantes que podemos avaliar nos personagens principais, dentre estes em Cristo que veremos tendo como base o tema abaixo.

TEMA: LIÇÕES QUE APRENDEMOS COM A GENEALOGIA DE JESUS

1.     A GENEALOGIA TRAZ JESUS COMO DESCENDENTE DE ABRÃAO. V.1-4
[1] Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. [2] Abraão gerou a Isaque; Isaque, a Jacó; Jacó, a Judá e a seus irmãos; [3] Judá gerou de Tamar a Perez e a Zera; Perez gerou a Esrom; Esrom, a Arão; [4] Arão gerou a Aminadabe; Aminadabe, a Naassom; Naassom, a Salmom”.

Abraão casou com Sara (Gn 11.29), saiu de Ur dos Caldeus para harã (Gn 11.31), chamado por Deus (Gn 12.1-5), foi ao Egito (Gn 12.10-20), fez aliança com Deus (Gn 15.18, 17.1-22), foi pai de Isaque, o filho da promessa (Gn 17.1-5), é o único do velho testamento chamado de crente (Gl 3.9), é chamado o pai da fé (Gl 3.7), chamado o amigo de Deus (II Cr 20.7). Cristo foi chamado Filho de Abraão (v.1), numa alusão á salvação dos povos pela fé na pessoa de Cristo. Vamos extrair algumas questões interessantes nesta questão.

1.1    O chamado para o crente Abraão foi para que por meio deste chamado o seu povo atraísse as nações para Ele. Gn 12.3
“Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àquele que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra”.

As Escrituras Apontam duas formas de Missões: a) A Missão centrípeta, no qual as pessoas atraem as pessoas para o centro, era este o chamado para Israel por meio de Abraão, os quais deveriam atrair as nações para o Deus verdadeiro e eles falharam na sua Missão; b) A missão centrifuga que usa a Força do centro para fora para todos os lados; c) A Igreja possui estas duas missões, centrípeta que atrai as pessoas pelo seu testemunho fiel (Mt 5.16) e, centrifuga, que vai até as pessoas para evangelizar elas  e falar da vida, perdão e graça que está na pessoa de Jesus (Mc 16.15; Mt 28.18-20; Mc 16.15-16; Lc 24.44-49; Jo 20.19-22; At 1.6-11). Temos cumprido nossa missão? A Missão dada a Abraão só se cumpriu perfeitamente em Jesus, isto será visto a partir do próximo item.

O Rev. Ronaldo Lidório diz em seu livro “Missões, o Desafio Continua”, ele narra a história vivida por ele no noroeste africano quando foi convidado para ir a uma reunião de oração, navegou seis dias de canoa e andou dois dias a pé, ao chegar ao local viu um salão coberto de palha, o líder estava em jejum fazia uma semana para que a igreja evangélica brasileira enviasse um missionário, Ronaldo foi a resposta das orações daqueles irmãos (LIDÓRIO, 2003, P.20). Muitos de nós não oramos por missões porque pode ser que ele seja a resposta de Deus para missões, e para muitos sair do seu mundinho nem pensar. A igreja tem dormido enquanto as pessoas caminham longe de Deus. Levante-se! Saia desta mesmice!

As duas principais missões da Igreja são: a) viver para glória de Deus (adoração, culto) e; b) promover a glória de Deus (evangelização, missões). Jonathan Edwards era pastor de uma grande igreja e ficava triste com tanta estagnação espiritual da sua vida e igreja, ele desafiou a si mesmo e a igreja para buscar a Deus e quando de madrugada estavam orando o Espírito santo foi derramado sobre eles com muito poder e aquelas pessoas saíram dali para evangelizar, o pastor Jonathan Edwards pregou durante 24h sem secar a garganta, falando da vida que Jesus dá para as pessoas e denunciando as injustiças sociais da sua época. Como temos vivido hoje, temos pregado contra o pecado? Contra o erro, roubo, corrupção, etc.?

Leonard Ravenhill escreveu dizendo que “evangelização não é um programa da igreja local, é uma paixão, um estilo de vida” (RAVENHILL, 1989, P.20), não espere a igreja enviar você, Jesus já te enviou, então pregue, atraia as pessoas para Cristo pelo seu testemunho como ensina a missão centrípeta, mas seja um agente do reino, indo até onde estão os perdidos como ensina a missão centrifuga.

Ronaldo Lidório escrevendo ainda sobre missões disse que ao chegar na Floresta Amazônica para iniciar os trabalhos encontrou um índio tradutor que quando encontrou uma aldeia e ali ao ser apresentado como missionário, os índios começaram a dizer “glórias a Deus” e “aleluia”, ele chegou e quis saber onde eles aprenderam este glórias a Deus e aleluia, eles disseram que foi seu João Pescador que falou para eles sobre Jesus Cristo, Ronaldo quis então conhecer seu João, ao chegar à casa do ribeirinho que estava preparando um peixe para o almoço, o índio apresentou o pastor dizendo: “seu João este é o Missionário Ronaldo Lidório que veio iniciar uma igreja aqui”, seu João disse: “Graças a Deus, chegou um missionário de verdade” e chamou a mulher: “Maria, vem ver um missionário de verdade”. Ronaldo com os olhos cheios de lágrimas disse: “Seu João, o senhor é um missionário de verdade”. Irmãos, todo crente é um missionário, como disse o pastor presbiteriano e missionário na Índia Alexander Duff disse que “todo coração com Cristo é um missionário e todo coração sem Cristo é um campo missionário”.

Irmãos! Saiamos da vida fechada, vamos evangelizar, pregar sobre Cristo e viver Cristo, quando eu vou até as pessoas eu lhes anuncio Jesus e quando eu vivo o que prego, eu atraio pessoas para Cristo. No Brasil, o evangelho que tem entrado nas casas é um evangelho distorcido, com venda de amuletos como rosa ungida, água ungida, toalha ungida, tijolo ungido toda esta parafernália de invenções de falsos profetas para vender a fé aos que com um coração carnal vão em busca destas coisas. O que temos feito? Precisamos levar o verdadeiro evangelho aos que se perdem. O chamado de Abraão é também o nosso, viver para Cristo e atrair pessoas a Ele, a missão de Cristo para Igreja é também a nossa missão, ir ao encontro do perdido. Vamos sair das quatro paredes? Mas, o chamado de Abraão só é plenamente realizado em Cristo no alcance as nações, isto é nosso próximo assunto.

1.2    O chamado para o crente Abraão foi plenamente realizado em Cristo Jesus que atrai homens de todas as tribos, povos, línguas e nações por meio da fé. Ap 7.9-14
[9] Depois destas coisas olhei, e eis uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, que estavam em pé diante do trono e em presença do Cordeiro, trajando compridas vestes brancas, e com palmas nas mãos; [10] e clamavam com grande voz: Salvação ao nosso Deus, que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro. [11] E todos os anjos estavam em pé ao redor do trono e dos anciãos e dos quatro seres viventes, e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus, [12] dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ações de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém. [13] E um dos anciãos me perguntou: Estes que trajam as compridas vestes brancas, quem são eles e donde vieram? [14] Respondi-lhe: Meu Senhor, tu sabes. Disse-me ele: Estes são os que vêm da grande tribulação, e levaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.

Aqui nesta revelação que Jesus deu ao seu servo João, ele viu o cumprimento da missão inicial lá de Abraão, mas também da missão da Igreja que foi em busca dos homens de todos os povos. Jesus que foi rejeitado pelos judeus porque eles tinham a mente pequena e achavam que a salvação era só para judeus, por isso Jesus disse que Deus amou o mundo (Jo 3.16), este texto não indica que todos os indivíduos do mundo serão salvos, mas pelo contexto da conversa de Jesus com o judeu Nicodemus, podemos chegar à conclusão que Jesus estava se referindo a judeus e gentios, ou seja, a salvação é para todos os povos, tribos e línguas, você se envolve com missões? Você pode contribuir como missões, Indo, Orando ou Contribuindo. Mas a missão não é apenas para que as pessoas conheçam a Jesus, mas devem ser desafiados a tomar uma decisão e se entregar a Ele, assunto das próximas linhas. se você pregar você terá resultados satisfatórios, este resultado será visto de maneira ampla no Dia de Cristo.

1.3   O chamado para o crente Abraão foi colocado como um desafio para ser aceito por todos os que querem se achegar a Deus por meio de Jesus. Gl 3.7,16
[7] Sabei, pois, que os que são da fé, esses são filhos de Abraão. [16] Ora, a Abraão e a seu descendente foram feitas as promessas; não diz: E a seus descendentes, como falando de muitos, mas como de um só: E a teu descendente, que é Cristo” (Gl 3.16).

Toda a mensagem além de transmitir a realidade do pecado do homem, necessita também se apresenta a ação salvadora de Cristo em favor do pecador caído, porém, se deve se concluir com um desafio de receber a Cristo por meio da fé em Jesus. Os filhos de Abraão não são os que nasceram com o sangue de Abraão na veia, mas os que tiveram os seus corações alvejados pelo sangue do descendente de Abraão, que é Jesus. Isso significa que a salvação se estendeu até nós e hoje você pode se tornar um filho de Abraão se você pela fé entregar a sua vida a Cristo, tornando-se um filho de Deus. Este desafio é feito hoje para você que está aqui e ainda não teve um encontro com Cristo, se entregue a Ele hoje! Além de falar de Jesus como filho de Abraão, também fala que Ele é filho de Davi. O que será que isto pode trazer de significação para nós? Isso é assunto para nosso próximo ponto.

2.     A GENEALOGIA DE JESUS TRAZ JESUS COMO DESCENDENTE DE DAVI. V.5-16
[5] Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede; e Obede, a Jessé; [6] Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias; [7] Salomão gerou a Roboão; Roboão, a Abias; Abias, a Asa; [8] Asa gerou a Josafá; Josafá, a Jorão; Jorão, a Uzias; [9] Uzias gerou a Jotão; Jotão, a Acaz; Acaz, a Ezequias; [10] Ezequias gerou a Manassés; Manassés, a Amom; Amom, a Josias; [11] Josias gerou a Jeconias e a seus irmãos, no tempo do exílio na Babilônia. [12] Depois do exílio na Babilônia, Jeconias gerou a Salatiel; e Salatiel, a Zorobabel; [13] Zorobabel gerou a Abiúde; Abiúde, a Eliaquim; Eliaquim, a Azor; [14] Azor gerou a Sadoque; Sadoque, a Aquim; Aquim, a Eliúde; [15] Eliúde gerou a Eleazar; Eleazar, a Matã; Matã, a Jacó. [16] E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo”.

Dizer que Jesus era o Messias prometido, significava que Ele era da descendência de Davi. Mateus 1 traz a genealogia de Jesus, isto implica que Ele foi humano. Jesus é um descendente de Davi, por adoção através de José e pelo sangue por meio de Maria. Primeiramente, porém, quando se referia a Cristo como o filho de Davi, a intenção era se referir ao Seu título messiânico encontrado nas profecias do Antigo Testamento a Seu respeito, dizer que Jesus era filho de Davi era dizer que Ele foi o prometido pelos profetas e que agora veio para trazer salvação para o seu povo dos seus pecados (Mt 1.21), que Ele veio para ser o nosso Emanuel que é Deus conosco (Mt 1.23), mas além destes fatos reais e verídicos sobre Jesus ser chamado de “Filho de Davi”, há outras implicações que podemos observar ao longo das Escrituras que serão observadas a partir das próximas linhas.

2.1   Davi foi o homem segundo o coração de Deus e Jesus é o único por meio de quem agradamos a Deus.

“E tendo deposto a este, levantou-lhes como rei a Davi, ao qual também, dando testemunho, disse: Achei a Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade” (At 13.22).

[16] E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre Ele. [17] Em seguida, uma voz dos céus disse: “Este é meu Filho amado, em quem muito me agrado” (Mt 3.16-17).

Amados, Davi é chamado o homem que agia conforme o coração de Deus, mas se formos observar Davi foi um homem falho, mentiu, adulterou, traiu, como ele pode ser chamado assim? Davi tinha um coração sincero, Deus prova os corações e ser agrada da sinceridade dos corações (I Cr 29.17), assim Davi agradava a Deus. Mas, se formos observar algumas semelhanças nos títulos de Davi e Cristo como por exemplo: Deus se agradava de Davi, e a Bíblia diz que Deus tem todo o seu prazer em cristo (Mt 3.17), Deus tinha prazer nas atitudes de Davi, mas todo o seu prazer está em Cristo, Davi era uma tipologia de Cristo, assim a única maneira de agradar a Deus é buscá-lo com a intervenção ou intercessão de Cristo. O pastor Batista calvinista John Piper diz falando sobre a necessidade de conhecer a supremacia de Cristo diz que

Todos os planetas da sua vida – sua sexualidade e desejos, seus compromissos e crenças, suas aspirações e sonhos, suas atitudes e convicções, seus hábitos e disciplinas, sua solidão e relacionamentos, seu trabalho e descanso, seus pensamentos e sentimentos – todos os planetas de sua vida estão seguros em órbita pela grandeza, gravidade e esplendor flamejante da supremacia de Jesus Cristo no centro da sua vida. E se Ele deixa de ser a brilhante, flamejante e satisfatória beleza no centro da sua vida, os planetas flutuarão em confusão, e uma centena de coisas estarão fora de controle, e mais cedo ou mais tarde elas irão colidir em destruição. [...] Ah, que o Deus todo-poderoso nos ajude a ver e saborear a supremacia de Seu Filho. Entregue-se a isso. Estude isso. Cultive esta paixão. Coma, beba e durma esta busca em conhecer a supremacia de Cristo (PIPER, John. A Supremacia de Cristo. Extraído de: <www.voltemosaoevangelho.com>).

Jonh Piper fala uma grande verdade, pois Jesus é superior todo e qualquer líder que existiu, existe ou existirá, Ele é Deus (Jo 1.1), se Deus se agradou dos seus servos imperfeitos e falhos como Davi e outros, por meio do seu Filho Jesus nos acolhe e por meio Dele temos um relacionamento com Deus de maneira perfeita. Algumas religiões ainda possuem o ensino da Confissão Auricular, na qual as pessoas precisam confessar seus pecados a um sacerdote, mas as escrituras ensinam que Cristo é o nosso sacerdote perfeito no céu, venceu as tentações sem pecar, e hoje nos socorre quando recorremos a Ele, conforme diz o autor aos Hebreus no trecho que exposto abaixo:

[14] Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. [15] Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. [16] Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna (Hb 4.14-16).

Davi foi um homem segundo o coração de Deus, porém foi imperfeito, mas o Filho de Deus, Jesus, nunca errou em nada, Ele é aquele em que Deus tem todo o seu prazer, se você desejar se aproximar de Deus de maneira aceitável precisa fazer por meio de Jesus! Davi também foi um dos reis de Israel, mas Jesus é chamado de o Rei (Lc 19.38), esta questão é a pauta do item a seguir.

2.2   Davi foi o rei escolhido por Deus e Jesus é o Rei dos reis e Senhor dos Senhores.

“Agora, porém, não subsistirá o teu reino; já tem o Senhor buscado para si um homem segundo o seu coração, e já o tem destinado para ser príncipe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o Senhor te ordenou” (I Sm 13.14).

[11] E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava montado nele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga a peleja com justiça. [12] Os seus olhos eram como chama de fogo; sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo. [13] Estava vestido de um manto salpicado de sangue; e o nome pelo qual se chama é o Verbo de Deus. [14] Seguiam-no os exércitos que estão no céu, em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. [15] Da sua boca saía uma espada afiada, para ferir com ela as nações; ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. [16] No manto, sobre a sua coxa tem escrito o nome: Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19.11-16).

Jesus, assim como Davi, era Rei, com a diferença de que o reinado de Jesus não terá fim, pois Ele é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores.. Davi como já citado acima era um dos reis de Israel, Jesus é o rei, por isso Ele além de ser chamado de Rei dos reis e Senhor dos senhores, também é tem atribuições divinas como Primeiro e Último Ap 1.17), Alfa e Omega (Ap 1.8), isto significa que antes Dele não houve quem o antecedesse e depois Dele não haverá outro que o substitua, em outras palavras: Jesus é o primeiro sem Segundo, e o Último sem antecessor. Conforme o Dr. Donald Kaller chamar Jesus de Rei é

Dizer que Ele vence todos os seus inimigos e nos dá a vitória sobre os nossos: carne, Mundo e Diabo; também é declarar que Ele venceu a nossa natureza pecaminosa e nos conquistou para Ele, ainda é pronunciar que quando tentamos lutar contra a sua vontade, Ele nos vence e a sua vontade permanece como fez com Pedro que negou Jesus (Mt 26.70), tentou voltar a pescar, numa tentativa de voltar atrás (Jo 21.1-14), mas Jesus não desistiu e venceu sua vontade (Jo 21.15-19), ou seja, Ele é o Rei vencedor do seu povo e pelo seu povo (KALLER, 1989, p.25).

Conforme Kaller Jesus é o nosso Rei, ou seja, só Ele pode mandar e nós como servos, obedecer. Você já tem Jesus como seu Rei? Já obedece a sua Palavra? Senão, passe a fazer isto a partir de agora!

2.3   Davi foi quem chamou Cristo de Senhor e Jesus só salvará aqueles que aceitarem o seu senhorio sobre eles.

“Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Sl 110.1).

[30] e, tirando-os para fora, disse: Senhores, que me é necessário fazer para me salvar? [31] Responderam eles: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (At 16.30-31).

Davi chamou Jesus de meu Senhor, e a salvação é dada como exigência que se aceite Jesus como Senhor, o interessante é que quando se fala sobre querer Jesus como Salvador todos dizem aceitar, porém, quando se fala em viver debaixo do senhorio de Jesus, obedecer a Ele, a maioria saem de fininho. Amados! Jesus disse que aquele que tem os seus mandamentos e os guarda, esse é o que o ama (Jo 14.21), você freqüentar igreja evangélica, cantar musica evangélica, ter sido batizado na igreja evangélica, nada disto te garante salvação, você precisa receber Jesus como seu Senhor e salvador. Alguém me disse que sua família toda foi de geração crente, seu tataravô, bisavôs, trisavôs, avôs, mãe, pai, esposa, filhos, então eu perguntei se ele era, a sua resposta era que era “quase crente”, ser quase crente é ser quase salvo, ser quase salvo é ser totalmente perdido, se Jesus vier hoje a pessoa quase sobe, por que é quase crente. Entregue-se a Cristo hoje, receba-o como Seu Senhor e seu Salvador, e terás uma vida de alegria e paz! Lembre-se que tão importante quando dizer que pertence a Cristo é obedecer a Ele, se Ele é Senhor, eu como servo devo obedecer-lhe em tudo. já vimos até aqui algumas lições tiradas da genealogia de Jesus como Filho de Abraão e de Davi, a partir de agora serão examinadas algumas verdades sobre o chamado e sua culminância no amor de Deus por meio de Jesus.

3.     A GENEALOGIA TRAZ JESUS COMO O DESCENDENTE, POR MEIO DO QUAL CULMINA O AMOR DE DEUS. V.17
“De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze; desde Davi até ao exílio na Babilônia, catorze; e desde o exílio na Babilônia até Cristo, catorze”.

A genealogia de Jesus tratando sobre a descendência de Abraão e Davi retratam a história da obra salvadora de Deus, quem escolheu o povo foi Deus, na genealogia de Mateus Ele cita Tamar que teve um caso com o próprio sogro (v.3); citou Raabe, que foi uma prostituta gentia (v.5); Rute era uma moabita que não tinha parte com Israel e foi enxertada no povo de Deus (v.5); Bate-Seba que Davi adulterou, que fora mulher de Urias (v.6), Maria, uma virgem que acabou vendo Deus cumprindo nela a promessa messiânica (Gn 3.15; Is 7.14; Gl 4.4). A genealogia apresenta que apesar do homem, Deus faz coisas improváveis, como colocar mulheres na genealogia do seu filho, pois estas eram menosprezadas no povo hebreu, e escolheu ainda mulheres que tiveram conduta duvidosa, numa alusão à sua misericórdia e ao poder da sua graça de tornar pessoas que caminhavam para o fracasso em pessoas novas e com uma vida transformadas por Ele.

Os principais personagens citados neste texto foram Abraão e Davi, Deus havia também dito que a sua promessa era para os seus descendentes. Será que estes descendentes permaneceriam firmes seguindo a Deus? Se eles se afastassem de Deus, será que o Senhor os desprezaria, se afastaria deles para sempre? Vamos analisar neste versiculo 17 estas verdades.

3.1    Deus fez o chamado para os crentes Abraão, Davi e seus descendentes. V.17a
“De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze [...]”

Deus tem desde sempre um povo escolhido por Ele para lhe ser por propriedade exclusiva, no VT era Israel e no NT a Igreja agora formada não apenas de judeus e gentios, mas de pessoas de todas as nações. Este chamado revela a soberania de Deus que escolhe (Ef 1.4) chama (Rm 8.29-30) e atrai seu povo para Ele (Jr 31.3), no Salmo 100 diz que foi Ele que nos fez povo do pasto e ovelhas da sua mão (Sl 100.3). Foi Ele que chamou Abraão (Gn 12.1), Ele também nos chama com santa vocação (II Tm 1.9), ou seja, a salvação é um ato monergístico, soberano de Deus, não é você que conquista a salvação, Deus te dá de graça. Ele chamou Abraão, Davi e seus descendentes que pela fé são todos os que seguem a Jesus (Gl 3.7), este é o Deus da Bíblia, soberano e poderoso que continua chamando pecadores para andar com Ele pela fé. Mas, os homens podem abandonar este chamado? Isto será visto abaixo.

3.2    Deus teve o chamado feito para o crente Abraão abandonado por seus descendentes. V.17b
“[...] desde Davi até ao exílio na Babilônia, catorze [...]”

Esta passagem fala sobre o exílio que foi uma maneira de Deus corrigir o seu povo, pois este se afastou de Deus, indo viver uma vida distante Dele (Lm 4.13), O exílio foi uma prova deste abandono do povo da aliança, trocando o senhor, a fonte das águas vivas por coisas sem valor como os ídolos (Jr 2.13), precisamos tomar cuidado porque os israelitas eram muito religiosos,mas seu coração estava longe do Senhor(Is 29.13). É possível que um cristão esteja dentro de uma igreja e distante de Deus. Você e eu precisamos a cada dia olhar para nós mesmos e ver se temos andado com o Senhor, pois se não tomarmos cuidado podemos agir como a Igreja de Laodiceia que causava náusea no Filho de Deus, ela era rica e abastada (Ap 3.17), ali tinha o melhor colírio, o melhor tecido, mas Jesus disse que ela era miserável, infeliz, pobre, cego e nu (Ap 3.17). Era rica na Terra, mas pobre no céu, o pecado daquela igreja era falta de fervor espiritual, disse Rev. Boanerges Ribeiro que igrejas mortas produzem pregadores mortos, que pregam sermões mortos para gerar mais igrejas mortas e uma pregação morta, mata a igreja. Temos que buscar fervor espiritual, pois como os descendentes de Abraão e Davi podemos cair na religiosidade seca e estar afastado de Deus.

3.3    Deus teve o chamado feito para o crente Abraão, que foi deixado de lado pelos homens, restabelecido por Cristo para os seus descendentes. V.17c
“[...] e desde o exílio na Babilônia até Cristo, catorze”.

Mateus ao organizar a genealogia em três seções de quatorze gerações apresenta o plano de Deus na história da redenção do seu povo, e que a história tinha um propósito com o chamado dos servos Abraão e Davi e até mesmo com o exílio, tudo isto culminaria com o amor de Deus revelado na pessoa de Jesus Cristo. Não há pecado maior do que a graça de Deus! Qualquer pessoa que se volte para Cristo arrependido dos seus pecados ele perdoa! O povo de Israel deixou o Senhor e foi em busca de outros deuses (Jr 5.19), por isso foram para o exílio, mas quando o povo se arrependeu Deus perdoou (Is 43.25), não importa como foi o seu passado, Deus perdoa todo o teu passado se você se arrepender e Ele não passa mais em rosto, pode ser que tua família, sociedade, amigos, irmãos, o diabo, façam você se lembrar do seu passado, mas Deus não passa mais rosto se você se arrependeu. A culminância do amor de Deus é a obra de seu Filho Jesus na cruz do calvário! Creia Nele e viva para Ele com todo o seu ser.

CONCLUSÃO
Esta mensagem trouxe algumas lições que foram extraídas da genealogia de Jesus, as quais foram assim enumeradas: Primeira, A GENEALOGIA TRAZ JESUS COMO DESCENDENTE DE ABRÃAO, o seu chamado foi para que seu povo atraísse as nações para Cristo, este chamado só pode ser realizado por meio de Jesus e deve ser aceito pelo homem por meio da fé; Segunda, A GENEALOGIA DE JESUS TRAZ JESUS COMO DESCENDENTE DE DAVI, como Davi era o homem segundo o coração de Deus, Jesus é o único meio de agradarmos a Deus, Davi foi o rei escolhido por Deus e Jesus é o Rei dos reis e Senhor dos Senhores, Davi chamou Jesus de Senhor e só será salvo quem aceitar Jesus como Senhor; Terceira, A GENEALOGIA TRAZ JESUS COMO O DESCENDENTE, NO QUAL CULMINA O AMOR DE DEUS, Deus fez o chamado para Abraão e seus descendentes, este chamado foi abandonado pelos seus descendentes, e Jesus restaura os descendentes e os leva de volta a Deus. Se você estiver afastado do Senhor, hoje Ele te convida para que se volte para o seu coração misericordioso, Ele te perdoará e te dará uma nova oportunidade, se ainda não conheces a Jesus, neste momento te apresentamos Ele, o qual te ama e quer te dá paz, felicidade e salvação.

REFERENCIAS

KALLER, Donald. A Igreja (Estudo Doutrinário. 3 ed. Patrocínio-MG: CEIBEL, 1989

LIDÓRIO, Ronaldo. Missões: o desafio continua / Ronaldo Lidório; revisão de Ângela Mara. – Belo Horizonte, 2003.

LOPES. Hernandes Dias. Avivamento Urgente. 1 ed. São Paulo-SP: Hagnos, 1997.

PIPER, John. A Supremacia de Cristo. Extraído de: <www.voltemosaoevangeelho.com>Acessoem20/09/2010.

RAVENHILL, Leonard. Porque Tarda o Pleno Avivamento. 1 ed. Venda Nova-MG: Betânia, 1989.

AUTOR: Veronilton Paz da Silva: Pastor Licenciado pelo PRVP; Missionário Presbiteriano na cidade de Sumé-PB; Bacharel em Teologia pelo IBHT; Licenciatura Plena em Letras – Língua Portuguesa pela UEPB; Formação Presbiteriana de Evangelista/Missionário pelo CPO/IBN e CEIBEL. Contato: cristaoreformado@gmail.com Cel: (083) 999713627