quinta-feira, 11 de abril de 2019

Estudos Bíblicos em Mateus - Rev. Veronilton Paz

 


TEXTO BÍBLICO: MATEUS 28.18-20
18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. 19 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”.

INTRODUÇÃO:

      Deus foi o primeiro a fazer missões, pois enviou seu filho Jesus para salvar a humanidade. Na história do Velho testamento vemos que Deus criou o homem (Gn 1.26, 27), o homem pecou (Gn 3.6-10) e Ele prometeu resgatar o homem por alguém que iria esmagar a cabeça da serpente (Gn 3.15). Deus escolheu Israel para que atraísse todas as nações para o Senhor, podemos ver isto no chamado de Abraão quando dito que ele seria uma benção para todas as nações (Gn 12.3), mas Israel fracassou na sua missão e ao invés de atrair as nações para o Senhor, eles foram atraídos pelas praticas pagãs destas nações (Jr 2.13). No Novo Testamento Jesus veio e deu uma missão para a sua igreja realizar, que é testemunhar Dele para todo o mundo, começando em Jerusalém, Samaria e até os confins da terra (At 1.8). Jesus enviou sua igreja para proclamar a sua graça, amor, poder e libertação.

     Embora as Escrituras não tragam de modo explicito o autor deste evangelho, Matthew Henry diz que alguns manuscritos antigos possuem a inscrição “de acordo com Mateus”, e Eusébio descreve que Papias se referiu a Mateus como tendo reunido os oráculos a respeito de Jesus em hebraico, bem como Clemente, Henry disse ainda que a tradição atribui este evangelho a Mateus, bem como João Calvino e outros reformadores, sendo, possivelmente, escrito antes de 70 a.D.e o lugar que foi escrito é bem plausível que tenha sido escrito em Antioquia, pois Inácio, o primeiro pai da igreja, a citar Mateus, era bispo naquela localidade (HENRY, 2008, P.118).

     Esta passagem de Mateus relata quando Jesus faz seu discurso de comissionamentoaos seus discípulos para que continuem a obra que Ele começou. Ele enviou a igreja para proclamar o evangelho. Este discurso está presente também em Marcos 16.14-20; Lucas 24.36-49; João 20.19-23; Atos 1.1-11. Nestes trechos há um desafio de anunciar o evangelho e confiar no agir de Deus. Toda missão tem uma base de sustentação, e quem sustenta a missão da igreja é Cristo. Nesta passagem gostaríamos de tratar sobre a base missionária da igreja, exaurindo o tema proposto abaixo.

TEMA: A BASE MISSIONÁRIA DA IGREJA

1.    BASEIA-SE NA AUTORIDADE DE CRISTO SOBRE TODAS AS COISAS. V. 18
“Toda autoridade me foi dada no céu e na terra”.

     A autoridade de Jesus descrita neste texto é a sua supremacia sobre tudo que existe, a sua soberania, o seu poder supremo, assim sendo ninguém pode questionar as suas ações, pois Ele está acima de todos e a ninguém deve nada, James Strong traz a assertiva que a palavra autoridade vem do grego ἐξουσία (Exousia) que significa liberdade para fazer o que quer, autoridade para uma decisão juridica, reger ou governar (STRONG, 2002, p.1469). Sobre esta autoridade de Jesus iremos examinar algumas lições que são:


1.1 Esta autoridade Dele não é pouca nem muita, ela é total.
“Toda autoridade [...]”

     Este texto fala que Jesus tem toda autoridade, ou seja, Ele tem poder absoluto. Esta atribuição de toda autoridade indica que Ele tem o controle de todas as situações, nada podendo acontecer fora desta autoridade ou do seu decreto, quando centraliza-se Cristo na  vida cristã, está apenas reconhecendo esta autoridade total que Ele  tem sobre nós. A igreja católica atribui alguma autoridade a Maria e aos santos quando afirma que eles “adquiriram mais do que precisavam para sua salvação e este baú que é um tesouro de boas obras”, disponibilizam para os pecadores buscar ajuda (Pequeno Catecismo Católico, A Comunhão dos Santos, 1999, p.55), porém quando lemos esta passagem, vemos que este ensino não se sustenta, afinal, se Cristo tem toda autoridade não há como sobrar algo para aqueles.

     Jesus comissionou a igreja depois da ressurreição com autoridade, esta autoridade adquirida passaria pelo estado de humilhação e de exaltação, com a ressurreição sua autoridade conquistada de modo titânico foi validada, sobre isto o Rev. Leandro Antônio de Lima, explicando sobre esta autoridade, disse que ela é jurídica por legitimidade, vejamos um trecho da obra:

Quando Jesus diz que toda autoridade lhe foi dada no céu e na terra está afirmando que a ressurreição o habilitou a conquistar a autoridade que Satanás lhe oferecera na tentação do deserto, em troca da submissão ao próprio Satanás, que não foi aceita. Porém, Cristo conquistou a autoridade legítima pelo caminho longo e árduo, o qual, de fato, era o único possível: O caminho da sangrenta cruz. Tendo então destronado o príncipe deste mundo, e conquistado a autoridade para que o evangelho fosse pregado a todas as nações, Cristo ressuscitou para garantir a execução dessa grande obra. Na ressurreição, Ele colheu os frutos do penoso trabalho da sua alma (Is 53.11), Ele conquistou toda autoridade (LIMA, 2016, p.81).

     Em outras palavras, o escritor citado está dizendo que a autoridade de Jesus é legítima e total, sendo confirmada na sua ressurreição dentre os mortos, para comissionar a sua igreja a levar o evangelho a todas as nações, quem envia tem toda autoridade, quem é enviado deve obedecer. Segundo William Smith, quando declaramos toda a autoridade de Jesus, isso faz com que nós não possamos lançar outro fundamento ou mensagem, mas a que já está declarada nas Escrituras como Cristocêntrica e transmiti-la de acordo com a vontade de quem tem toda a autoridade (SMITH, 1992, p.34). Ou seja, quem nos ordena fazer missões não é um pastor, concilio ou denominação, mas Aquele que tem toda autoridade, a Ele devemos obedecer. Obedecê-lo deve ser nosso maior prazer. Ele com a sua autoridade total nos conquistou e quer usar-nos para conquistar as nações.

1.2 Esta autoridade foi conquistada na terra como homem.
“[...] me foi dada [...]”

     Ele já tinha autoridade como Deus, quando se encarnou e passou pelo seu período de humilhação, ou seja, passou a conquistar a autoridade como homem, realizando sua obra aqui com a cruz e validando com a sua ressurreição, toda autoridade foi conquistada, sobre isto o Rev. José Martins afirma que

O termo usado aqui se refere não aquela autoridade que Jesus tinha no céu (Jo 17.5), mas a que Ele conquistou como o Verbo encarnado, por isso o autor sacro usa o termo “me foi dada”. Ele se encarnou para nos representar, a este homem o Pai deu a autoridade para iniciar e consumar a obra salvadora. Ele não tem apenas autoridade sobre algumas pessoas, mas Ele está no controle de tudo que existe (MARTINS, 1992, p.142).

     Jesus foi obediente até a morte, Ele não abriu mão nem um milímetro do plano, conquistando toda a autoridade, com a sua perfeita justiça, com o seu braço Ele executou a obra da salvação, realizou o sacrifício mais excelente (Hb 1.3), pisou sozinho o lagar (Is 63.3), experimentou o cálice da ira de Deus (Jo 18.11) e suportou toda a ignominia (Hb 12.2), aquele que era adorado pelos anjos (Hb 1.6), foi pisado, cuspido, escarnecido e morto pelos homens, com tudo isso suportou e venceu (Lc 18.32).

     A cruz foi o lugar onde Cristo foi humilhado e ao mesmo tempo ali foi lugar da vitória, ou seja, a cruz era um lugar de derrota e fracasso, porém, no dia em que nela penduraram o rabi da Galiléia, ela tornou-se o palco da vitória cósmica do Filho de Deus, na qual ele rasgou a divida, pisou a serpente e resgatou os eleitos. Ele conquistou toda a autoridade! Ele recebeu toda a autoridade! Jesus, o homem perfeito, tem toda autoridade! Ele é quem nos envia e a nós cabe obedecer!

     Perguntaram a uma missionária qual a razão dela fazer missões, ela disse que não tinha escolha, aquele que recebeu toda autoridade a comissionou e a ela não caberia perguntar, mas obedecer. Jesus conquistou toda a autoridade, nos dá autoridade sobre o mal, doenças e para pregar o evangelho, para isto nos dispondo o Espírito Santo.

1.3 Esta autoridade se estende na terra como já é plena no céu.
“[...] no céu e na terra”.

     A autoridade no céu é indicada por Rev. Leandro Lima como uma batalha escatológica, Ele expulsou do céu o que acusava os irmãos, seduzia as nações, então a vitória de Cristo, segundo o referido autor, seria nas regiões celestes e Ele venceu abrindo o céu para nós (Lima, 2016, p.88). A sua autoridade no céu foi conquistada por Ele como um rei que saiu para lutar e depois volta vitoriosamente, abrindo-se os portões para recebê-lo, tendo a igreja um representante que está assentado à direita de Deus, intercedendo, cooperando com ela e confirmando o seu serviço (Mc 16.19-20), por isso que a Igreja pode trabalhar crendo que os resultados virão dos céus, afinal Cristo tem toda autoridade lá.

     A autoridade de Jesus, embora se estenda a todo o universo, somente os que já pertencem é que entendem esta autoridade, sobre isto o pastor presbiteriano Willian S. Smith descreve que
      
A igreja é diferente já sabe que Jesus tem todo poder, já dobrou os joelhos perante Ele, confessou com os seus lábios que Ele é o Filho de Deus, já se submeteu a Ele.  Ser liberto do império das trevas quer dizer tornar-se súdito do Filho de Deus em um novo reino, o salvador fala aos seus discípulos com autoridade, essas pessoas deixaram tudo para segui-lo, assim submetendo-se a Ele [...] (SMITH, 1992, p.138).

     A igreja é a comunidade dos eleitos, sob a autoridade de Jesus, que os guarda e os leva a caminhar sob a tutela e proteção Dele no seu trabalho, o escritor reformado holandês Herman Ridderbos afirma que

Os discípulos deverão viver sob esta autoridade como um escudo, o horizonte se alarga, todas as nações são levadas em consideração, este trabalho será realizado de modo eficaz se a igreja estiver em comunhão com o Senhor exaltado que tem todo poder e autoridade (RIDDERBOS, 1980, p.95).

     A autoridade de Cristo na terra e no céu é um fato inconteste, Ele conquistou-a, esta autoridade suprema o faz nos comissionar para realizarmos a sua missão na terra, missão esta que será explanada nas linhas seguintes.


2.    BASEIA-SE NA ORDEM DE TRABALHO DADA POR JESUS A SUA IGREJA. V.19, 20a
19 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado [...]”.

     Jesus deu uma ordem para que sua igreja trabalhe para o seu reino, se movimente e faça o que Jesus ordenou. Alguns autores dizem que a grande comissão apenas se referia aqueles discípulos daquela época, porém outros autores dizem que todos os crentes fazem parte desta grande comissão, dentre estes, o Rev. Ronaldo de Almeida Lidório, por sua vez, diz que da mesma forma que Cristo discipulou os discípulos, nós devemos discipular as nações (LIDÓRIO, 2014, p.167). Assim sendo, este que vos fala concorda que a grande comissão se estende a todos os servos de Deus de todos os tempos, como afirmava o Rev. Luiz Ricardo Monteiro da Cruz: “a grande comissão ainda não acabou, nós estamos dando continuidade a ela, ela somente encerrará quando o arcanjo tocar a trombeta e nosso mui amado Jesus voltar”.

2.1 O trabalho da igreja é ordenado por Jesus: Fazer discípulos de todas as nações
“[...] fazei discípulos de todas as nações [...]”

     Jesus disse que tem toda autoridade, aqui nos dá a ordem de fazer discípulos de todas as nações. Ou seja, o programa de Cristo tem alcance global, atinge a todos os povos. O pacto de Lausane definiu que a missão da igreja é “pregar toda a Escritura, em todo tempo, e a toda criatura, em todo lugar”, então tomemos cuidado com os que só querem pregar para ricos ou pobres, brancos ou negros, o evangelho deve chegar a todos. Vale lembrar que a missão principal da igreja não seria a evangelização, mas a adoração. Assim sendo a evangelização é uma consequência da adoração, conforme afirma John Piper, “a adoração é o combustível da missão” (PIPER, 2001, p.17).

     A obra missionária é ordenada por Jesus, conforme descreve o missiólogo reformado John Leonard que a ordem de discipular se faz acompanhando a pessoa até chegar à condição de caminhar sozinha, conforme se examina no trecho da obra abaixo:

A ordem principal aqui neste trecho é fazer discípulos, mas fazer discípulos não é apenas dar um folheto, ou pregar uma vez e abandonar a pessoa evangelizada, é fazer como Cristo fez com os doze, dedicar-lhe tempo até chegar à maturidade. É como um adestrador de cavalo que leva o animal para ir acompanhando a carroça enquanto um já adestrado puxa, com o tempo ele já manso pode ir fazendo junto com o outro, depois disso faz sozinho (LEONARD, 1992, P.142).

     O nosso campo não é apenas nossa família, cidade, país; mas o mundo inteiro. Como disse John Wesley: “O mundo é o nosso campo”, então aqui se exclui a pescaria em aquário feita por algumas igrejas, fazer discípulos é ir buscar pessoas que ainda não ouviram falar de Jesus e buscar levá-las a Cristo, tendo um crescimento saudável.

     O pastor D. A. Carson afirma que esta ordem de Jesus para fazer discípulos, leva os seus discípulos a obedecer e confiar no poder de quem está ordenando (CARSON, 2010, p.687-688), ou seja, além de obedecer ao chamado devemos realizar o mesmo confiante que aquele que nos chamou tem toda autoridade para nos fazer gerar frutos na missão.

2.2  O trabalho da igreja é detalhado por Jesus: Como fazê-lo?

     Cristo não apenas ordena, mas também define como deve ser este trabalho. Este trecho no grego indica, segundo Strong, um particípio, denotando assim Constância e continuidade, ou seja, não devemos desistir de fazer missões e evangelismo nos grandes centros e também nos sertões. Vamos examinar um pouco sobre o detalhamento de Jesus sobre o trabalho da igreja, ou seja, a forma como a igreja irá realizar este trabalho. Explanaremos

a) Indo até onde as pessoas estão.
“[...] Ide, portanto [...]”

     A igreja ao realizar a missão de anunciar Jesus não deve esperar as pessoas procurar a igreja, mas deve ir até elas, como diz o poeta que “o artista vai aonde o povo está”. O grande problema na obra missionária é que muitos vão com a visão errada de alcançar status; ou fugir de problemas; busca por aventuras, quando a obra de Deus não é lugar para aventureiros; apenas para ter uma profissão garantida. Alguns motivos corretos para fazer missões são promoção da glória de Deus entre os povos; buscar alcançar os perdidos por gratidão ao Senhor em tê-lo alcançado; preocupação de por Palavras e ações tornar Cristo conhecido.

     A realidade é que muitos não estão indo, a realidade é que há inúmeras pessoas sem Jesus e muitos crentes estáticos, assistindo a banda passar enquanto as seitas se proliferam. Você está indo aos perdidos ou espera que outros façam? Lembre-se que para fazer discípulos é preciso ir à procura dos perdidos, como Deus foi em busca de Adão no Éden (Gn 3.8-9), o pastor em busca da ovelha perdida (Lc 15.3-7). Aquele que semeia a palavra de Deus terá resultados, pois Ela não volta vazia (Is 55.11). Que possamos sair do nosso mundo encantado e ir até os perdidos.

     Uma declaração que merece atenção é a de Carl J. Bosma,pois o mesmo declara que este o verbo indo no particípio se refere a toda a vida do cristão (BOSMA, 2009, pp.26-27), ou seja, na visão do referido autor fazer discípulo é uma atividade que o cristão faz com a vida toda, utilizando palavras e ações, enquanto vive o evangelho faz discípulos, ele não escolhe entre trabalho, lazer, estudo ou fazer discípulos, quando realiza aquelas, está realizando essa, não é ir à igreja, mas ser igreja, viver de modo integral e urgente o evangelho, e assim fazer discípulos.Esta declaração faz sentido porque o grupo de discípulos iniciou com um grupo de irmãos na Galiléia, se espalhou pela Judeia, Samaria e outras regiões distantes, a ideia de discípulo fazendo discípulo foi crescendo progressivamente até chegar até nós, e nós devemos pegar o bastão e levar para frente.

     Semelhante ao que disse Bosma, o pastor luterano José Roberto Cristofani atestou que a tarefa de ir é seguir o curso natural da nossa vida e a expressão “indo de um lugar a outro” revela a vida cotidiana das pessoas (CRISTOFANI, José Roberto. Olhando Mateus pelo Retrovisor. Extraído de: https://www.jrcristofani.com/blog/item/214-olhando-mateus-pelo-retrovisor-mateus-281820>acessoem22/01/2019). Deus de fato separa alguns dentre todos para sair para lugares distantes como fez com os apóstolos (Lc 5.1-11), Barnabé e Saulo (At 13.1-3) e outros, entretanto, o indo deste texto também nos incentiva fazermos do lugar onde estamos o nosso campo missionário. Depois de realizarmos esta etapa precisamos incorporar a pessoa á uma igreja local, fato este tratado a partir deste intervalo.

b) Incorporando-os a uma igreja local.
“[...] batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo [...]”

     A igreja é uma comunidade que Deus escolheu e por meio dela o evangelho de Cristo é proclamado. O rito de iniciação por meio do qual a pessoa é incorporada à igreja é o batismo. Aqui não trataremos sobre formas de batismo, mas sobre a necessidade de se está associado a uma igreja local, o autor aos hebreus alerta o povo que não deixe de congregar, mas admoestar uns aos outros (Hb 10.25). A ordem de batizar é ingressar a pessoa na igreja local, afinal o rito de iniciação da pessoa na comunidade visível é o batismo.

     O escritor Fritz Rienecker afirma ainda que a “a locução “no nome de” significa a entrega do batizando ao Pai, Filho e Espírito. A realidade de Deus é desdobrada em três aspectos num só nome” (RIENECKER.1994, p.304), na verdade fazer discípulo deve levar a pessoa discipulada a um testemunho público de pertencimento ao Senhor, assim sendo ingressar na igreja pelo batismo é afirmar para os que estão presentes que sua vida pertence ao Deus Trino: Pai, Filho e Espírito Santo, fazendo parte da grande comissão, por isso que a Confissão afirma que este sacramento vai continuar até o final do mundo (CFW, Capítulo XXVIII, I).

     A igreja foi figurada por alguém como uma fogueira e na qual os paus se aquecem um ao outro. Não podemos cair na bobagem de alguns que vivem a dizer que a igreja é coisa de homens. A igreja é projeto de Deus, é mais que vencedora e tem a missão de preparar discípulos para servir ao Senhor e fazer outros discípulos de Cristo. Quando Cristo nos reconciliou com Deus nos concedeu o ministério da reconciliação, a fim de que outros sejam também alcançados pela graça de Deus (II Co 5.18-21), isto fazemos por meio da igreja local. Lucas descreve a missão da igreja em termos de evangelização, libertação, restauração e proclamação (Lc 4.18, 19).Para J. C. Ryle, o batismo é uma união do converso à igreja local, com um testemunho publico da sua fé em Cristo (RYLE, 2002, p.261), ou seja, não se deve batizar quem não estar disposto a unir-se à igreja.

     O Pastor D. A. Carson escreve que somente deve ser batizado aquele que foi feito discípulo, ou seja, aquele que declarou pertencer à família de Deus, que é a igreja (CARSON, 2010, p.690), isso desanda o comportamento de algumas igrejas que batizam as pessoas sem se importar se elas já são discípulos de Jesus, pois fazer discípulos implica em batizar os conversos, ou seja, ingressá-los em uma igreja local.

     O Rev. Hernandes Dias Lopes tratando sobre este tema de batizar os conversos, afirmou que “a igreja é importante, pois não existe crente isolado, fora do corpo. Não existe ovelha fora do rebanho, aigreja foi instituída pelo Senhor e os novos crentes devem ser integrados a ela pelo batismo” (LOPES, Hernandes Dias. A grande Comissão, Uma Missão Inacabada. Extraído de: <http://ipbvit.org.br/2012/04/23/a-grande-comissao-uma-missao-inacabada/>acessoem15/10/2018), o pastor citado concorda com a ideia que o batismo marca o ingresso do discípulo na igreja.

     Alguém que foi discipulado não deve ser jogado a sua própria sorte, mas entregue a uma igreja local e ela o instruirá e ensinará a também fazer discípulos. O homem foi criado para viver em sociedade e a igreja é uma comunidade de adoradores que buscam viver para glória de Deus e proclamar esta glória entre as nações, ou seja, é o ambiente perfeito para um salvo viver. Os que servem a Deus são definidos como “povo de propriedade exclusiva de Deus” (I Pe 2.9), povo é aglomerado de pessoas e não um individuo solitário, então não há base para ser crente em casa. O salvo precisa estar na igreja.

c) Ensinando-os a guardar os ensinos de Jesus.
“[...] e ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado [...]”.

     O discipulador não deve somente ensinar a ortodoxia cristã, mas também a ortopraxia. Além de ensinar a verdade das Escrituras deve-se também falar da importância da obediência. Eles precisam saber sobre o que Jesus ordenou e que está na Bíblia toda. Não devemos negar a verdade da Palavra de Deus às pessoas, mas é importante o que vem depois do conhecimento. Tiago falou que os cristãos não devem ser apenas ouvintes, mas praticantes da Palavra (Tg 1.22),ou seja, o mais importante não é o que se ouve, e sim o que se faz com o que se ouve.

     Doutrina e obediência, teologia e devoção, conhecimento e prática devem andar juntas. Alertamos que a maior ferramenta de quem discípula é seu exemplo de vida, afinal Spurgeon dizia que o mundo não conhece teologia nem dogmas, o que veem é nosso amor demonstrado uns pelos outros e por eles. Jesus tinha autoridade para pregar e ser seguido porque seus ensinos condiziam com suas práticas. Sua teologia condiz com sua prática de vida.A igreja não pode falhar no ensino sobre Jesus, pois podemos cair no erro de tornarmos as pessoas discípulas dos homens e não de Jesus. Para que ela pertença a Jesus precisa aprender sobre Ele, não apenas algumas coisas sobre o Senhor, mas tudo sobre Ele.

     Ensinar neste texto indica algo constante, pois, segundo R. V. G. Tasker, discípulo não é alguém que aprendeu, mas que vive aprendendo sempre, os dias de escola do cristão não acabam nunca (TASKER, 1980, p.220), enquanto houver discípulo haverá ensinamento sobre Jesus, muitas vezes as pessoas esquecem com facilidade o que Jesus ensinou e precisam ser sempre relembradas, o ministério de ensino na igreja precisa ser bem cuidado, precisamos de professores bem preparados em conhecimento bíblico-teológicos para que transmitam seja no templo, de casa em casa ou nas suas ocupações, a sã doutrina de modo fiel e avivado.

3.    BASEIA-SE NA PROMESSA ENCORAJADORA DA PRESENÇA DE JESUSV.20b
“[...] E eis que estou convosco todos os dias até consumação do século”.

     Jesus encerra o seu discurso trazendo uma promessa consoladora para os seus servos que seria sua maravilhosa presença com eles, não é uma promessa de um político ou de um homem falível, mas de Jesus o perfeito homem e verdadeiro Deus. Vejamos um pouco sobre o que Jesus falou detalhado abaixo.

3.1  A presença de Cristo é uma realidade na sua igreja.
“[...] E eis que estou convosco [...]”

     Jesus ao prometer a sua presença, ela não trata de algo hipotético, mas de uma realidade tão grande que ela seria experimentada na vida daqueles que o servem, mas neste contexto específico tratando sobre a grande comissão, é uma esperança auspiciosa para quem se lança na missão, Sobre isso Sherron K. George, missióloga reformada expressou-se da seguinte forma:

Os missionários precisam muitas vezes deixar pai, mãe, irmãos e amigos. Muitas vezes deixam sua terra para ir a lugares longínquos com outras línguas e culturas. Ao lançar Mão no arado o missionário não deve olhar para trás. Muitas vezes há pessoas que mesmo dentro da igreja tentam dissuadir o irmão de sair para outras terras, afinal em todo lugar tem pessoas para evangelizar, mas o que as pessoas muitas vezes não entendem é que é melhor cumprir a ordem de Jesus. Ele promete que não nos deixará só, assim sendo quando formos para um novo lugar plantar uma igreja, o Senhor Jesus nos acompanha (GEORGE, 2001, pp.25-26).

     A promessa de Jesus de estar conosco sempre, além de ser uma realidade, conta com um fator de suma importância que é a sua fidelidade, Ele além de ser poderoso, é igualmente fiel, sobre isso o Rev. José Martins expressou da seguinte forma:

O Senhor que prometeu sua presença conosco é o mesmo que sempre cumpriu suas promessas sem falhar.  Quando obedecemos o seu chamado missionário não corremos o risco de ficarmos sem assistência, pois Jesus, o nosso divino companheiro, amigo fiel e fonte inesgotável de onde recebemos tudo que precisamos, nos assistirá em todas as coisas (MARTINS, 1992, p.146)

     Esta fidelidade dele pode nos assegurar daquilo que Paulo escreveu, pois o mesmo disse que O Apostolo Paulo diz que nada nos separará do amor de Deus em Cristo Jesus (Rm 8.37). Ele está e sempre será conosco! ALELUIA!!!. O bispo anglicano J. C. Ryle afirmou esta presença real em termos de consolo, força, animo e santidade, ele ainda descreveu que mesmo eles estando agora com uma grande responsabilidade de fazer discípulos, eles não estavam sem alento, a presença do Senhor os impulsionava e os mantinha vivos e atuantes, anunciando com palavras e ações o reino de Deus (RYLE, 2002, P.263). Mas, esta presença além de ser real é também permanente, veremos esta verdade briosa nas seguintes linhas.

3.2  A presença de Cristo é permanente na igreja.
“[...] E eis que estou convosco todos os dias [...]”

     Algo muito importante nesta passagem é que Jesus usou o verbo no presente “[...] estou [...]”, ele não disse estarei nem estive. Ele afirmando isto, no dizer do Rev. Hernandes Dias Lopes, está deixando claro que está presente em nossa vida e que iria continuar presente conosco (LOPES, Hernandes Dias. A grande Comissão, Uma Missão Inacabada. Extraído de: <http://ipbvit.org.br/2012/04/23/a-grande-comissao-uma-missao-inacabada/>acessoem15/10/2018). A partir do dia que fomos alcançados pela graça de Deus em Cristo Jesus, sua presença está em nossa vida. Outra expressão usada foi [...] todos os dias [...], ou seja, até mesmo nos momentos ruins Ele está com seu povo.

     Quando parece que ninguém se converte no campo, quanto mais pregamos as pessoas parecem que não dão ouvidos, ou quando falta visão para a igreja, Jesus está presente conosco. Ore pedindo despertamento missionário na igreja. Não desista da missão que o Senhor te chamou e não demore a atendê-la que inúmeras pessoas estão esperando uma palavra de salvação, Jesus está presente na igreja, devido a isto é que o evangelista Marcos descreve este chamado em termo de cooperação e confirmação da obra da igreja (Mc 16.20), Ele somente faz isso na igreja porque estápresente e atuante no seu povo.

     Sobre esta permanência de Cristo, embora ela seja também para um chamado especifico, refere-se a todo o povo de Deus como um povo missionário por isso que Chistopher J. A. Wright afirma que o povo da aliança recebe a promessa da própria presença permanente de Cristo entre eles como um eco do que já fazia na sua igreja no Velho Testamente tipificada pelo povo de Israel, quando prometeu estar com Moisés, Josué e todo o seu povo (WRIGHT, 2014, P.371).

     Jesus prometeu estar conosco todos os dias na vida e missão do seu povo. Ele é o Emanuel que significa Deus conosco (Mt 1.23), agora Ele traz esta auspiciosa promessa que Ele estará todos os dias do nosso viver. Esta é uma declaração inaudita, porque na cruz lhe faltou à presença dos amigos, agora Ele é o nosso amigo presente de todas as horas e a sua presença garante a vitória final para a sua igreja, lição graciosa que estaremos esmiuçando a partir deste intervalo de tempo.

3.3 A presença de Cristo garante a vitória final a igreja.
“[...] E eis que estou convosco [...] até a consumação do século”

     A palavra consumação exprime o cumprimento do plano salvador de Deus para o seu povo, a presença de Jesus estará conosco até a consumação do século, ou seja, até a vitória final de Cristo e de sua igreja. Neste desfecho glorioso da história o Senhor Jesus será glorificado por todos, inclusive pelos que o rejeitam agora (Fp 2.10-11). Esta será também a vitória final de Cristo sobre o mal (Ap 20.10), a conclusão da obra da redenção dos eleitos. Jesus mandou que fosse pregado o evangelho a todos os povos e garante sua presença na vida da igreja. Esta gloriosa presença leva igreja a ter resultados positivos na evangelização, pois quem convence de pecado é o Espírito Santo (Jo 16.8). O evangelho chegará a todos os povos, afinal, em Apocalipse João viu uma grande multidão de salvos de todas as tribos, povos, línguas e nações (Ap 5.9; 7.9)

     O escritor e pastor A. T. Robertson afirma que consumação do século é uma meta que está no futuro desconhecido por nós e a presença de Cristo conosco é um incentivo para um maior esforço na missão, a garantia que Ele nos acompanha até que se consuma tudo, trazendo a esperança que a missão será cumprida e receberemos a vitória final do Redentor ressurreto e todo-poderoso que permanece com o seu povo todo o tempo (ROBERTSON, 2011, p.337). Não sabemos quando será este dia, mas que sua presença nunca nos deixará, assim temos certeza que a nossa missão terão resultados que se confirmarão no final.A sua presença na igreja traz resultado para o seu trabalho de evangelização. Afinal de contas, Ele é quem abre o coração do pecador (At 16.14-16), concede arrependimento para a vida (At 11.18; II Co 7.9-10), coloca a fé no coração (Ef 2.8), etc., A presença de Jesus garante a nossa vitória como algo certo e concreto e um dia ela estaremos para sempre com o Senhor.

CONCLUSÃO:

     Esta mensagem ora transmitida, longe de presumir ser um compêndio sobre missões, é apenas uma introdução a este assunto muito importante para a igreja de Cristo.  Se os queridos irmãos desejarem saber mais sobre este tema muito importante para o povo de Deus, abaixo você pode ter a oportunidade de conhecer alguns autores que tratam sobre o assunto em questão. Esta mensagem trouxe um pouco de luz sobre um texto muito conhecido que trata sobre a grande comissão, foi detalhado sobre a base missionária da igreja que é: A autoridade de Cristo sobre todas as coisas; a ordem de trabalho dada por Cristo para sua igreja e; a promessa encorajadora de Jesus aos seus servos.

APLICAÇÃO:

     Temos feito a obra de Cristo? Se temos feito, a fazemos segundo nos prescreve o Senhor ou segundo nos indica nosso coração?Quem sou eu e você na missão da igreja? Somos agentes ou expectadores? Nossa vida tem sido um testemunho vivo da graça de Deus? Que a nossa vida e a vida da IPB, como um todo, seja um objeto de louvor ao Senhor no lugar onde estivermos inseridos, seja nas grandes cidades ou nos sertões, façamos discípulos do Senhor por meio de palavras e ações anunciando o reino de Deus. Amém!

REFERENCIAS:

BOSMA, Carl J.Missões e Sintaxe Grega em Mateus 28.19. In: CPAJ: FIDES REFORMATA XIV, Nº 1 (2009): pp.9-34.

CARSON, D. A. O Comentário de Mateus. 1 ed. São Paulo: Shedd Publicações, 2010.

CATÓLICO, Pequeno Catecismo. A Comunhão dos Santos. 1 ed. Lisboa – Portugal: FAIS, 1999.

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GEORGE, Sherron K. A Igreja Evangelística. 4 ed. Patrocínio - MG: CEIBEL, 2001.

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LIMA, Leandro Antônio. A Batalha Escatológica. 1 ed. São Paulo: Agathos, 2016.

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WRIGHT, Christopher J. H. A Missão de Deus: Desvendando a Grande Narrativa da Bíblia. 1 ed. São Paulo: Vida Nova, 2014.

domingo, 6 de janeiro de 2019

REFLEXÃO SEMANAL - BÍBLIA E PODER DE DEUS



Reflexão: Mateus 22.29
“29 Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus”.

Bíblia, poder ou Bíblia e poder, Qual você escolhe?

Há extremos que precisam ser evitados, o teólogo reformado John Stot disse que todos os extremos são perigosos, um dos extremos que precisam ser evitados é sobre a busca do conhecimento das Escrituras e do poder de Deus, embora este versículo esteja num contexto de resposta dada por Jesus aos saduceus que estavam lhe questionando sobre a ressurreição, podemos analisar os extremos que existem entre quem busca muito conhecimento, porém sem piedade ou poder de Deus; também aqueles que buscam poder demais se fantasiando com coisas sobrenaturais, esquecendo de observar se sua espiritualidade está regulada pelas Escrituras Sagradas. Extrairemos algumas lições sobre este assunto exaurido nas linhas abaixo.

Primeira, alguns erram quando separam as Escrituras do poder de Deus (v.29). Há uma dicotomia muito grande no meio evangélico, há um grupo de cristãos que estudam a Bíblia com muito afinco, dedicação e ortodoxia, porém já esqueceram, faz muito tempo, do seu primeiro amor (Ap 2.1-4), seus olhos quando falam em Jesus não brilham mais, não possuem entusiasmo para evangelizar, suas orações são mecânicas, perderam-se em busca da ortodoxia, antes queremos lembrar que a ortodoxia é uma benção, sem ela não pode existir uma espiritualidade saudável, ela é a regra de conduta e fé do cristão, mas as Escrituras separadas do poder de Deus geram uma aridez, uma ortodoxia morta.

O conhecimento das Escrituras sem estar molhado com o derramamento torrencial do Espirito Santo, não causa vida piedosa, faz o cristão tornar-se religioso, conhecedor das verdades das Escrituras, porém, falta o poder para que estas verdades inundem sua vida com uma cachoeira, possui luz na mente, mas falta fogo no coração, o Espírito é quem nos conduz à verdade (Jo 16.13), esta verdade está nas Escrituras (Jo 17.17). Muitos não têm poder para vencer as lutas e tentações, porque sabem sobre Deus, entretanto, não são bocas de Deus, o exemplo de Eliseu cabe bem aqui, pois não apenas conhecia a Deus, ele era boca de Deus, a Palavra de Deus era verdade na boca dele (I Rs 17.24). Muitos conhecem o Livro Sagrado, mas este livro não faz mais efeito nenhum na sua vida, se acostumou com o sagrado, o pecado não é mais tão grave para ele. Porque lhe falta o poder, A Bíblia fala sobre orar sempre (I Ts 5.17), jejuar (Jl 1.14), ter vida santa (I Ts 4.3), da infinitude de Deus (I Rs 8.27), porém muitas vezes oramos e buscamos a Ele como se Ele não tivesse nenhum poder. Falta crê naquilo que Deus revelou na sua Palavra, falta o poder!

Oh irmão! Olhe para as Escrituras e pense que tudo que Deus escreveu ali é a pura verdade, ore usando as Escrituras, peça segundo o que nelas está descrito, busque a este Deus revelado com a fé que Ele nos dispõe, usando as Escrituras Hudson Taylor rogou ao Senhor da seara pedindo trabalhadores para a sua seara (Mt 9.37-38), ele crendo nas Escrituras, disse: Ó Deus! Dá-me 100 homens que nada mais desejem do que a ti, e que nada mais temam do que te desagradar”, Deus não enviou 99 nem 101, enviou 100. Creia nas Escrituras, mas creia no poder de Deus, busque as Escrituras, mas busque este Deus de poder! Quem busca a este Deus Todo-Poderoso com sinceridade e quebrantamento não volta de mãos vazias.

Segunda, alguns erram quando separam o poder de Deus das Escrituras (v.29). O mesmo versículo também explica o outro lado, não adianta querer poder sem o conhecimento das Escrituras, temos visto muitas aberrações do tipo “eu recebo diretamente de Deus”, “Deus me revelou” ou eu “giro no poder de Deus”, isto não é poder, o poder de Deus é revelado pelas Escrituras, por exemplo no dia de pentecostes os irmãos não estava girando ou saltando, estavam assentados (At 2.2), o poder de Deus está no evangelho (Rm 1.16). Deus não fere a sua palavra, Ele a cumpre (Jr 1.12), por isso que João Calvino declarou que: “A Bíblia é a biblioteca do Espírito Santo, Ele passeia em todas as páginas da Bíblia, trabalha com a Bíblia, na Bíblia e pela Bíblia e nunca contra ela”. Buscar poder sem o conhecimento das Escrituras é mergulhar em um labirinto incerto é perigoso da espiritualidade que pode nos levar ao invés de comunhão com Deus para um engano religioso.

Devemos buscar a Deus em oração, jejum, consagração, fé, mas não é uma busca independente das Escrituras. Pelo contrário esta busca é encontrada na Palavra de Deus, pois ela nos ordena orar (Jr 29.12), jejuar (Is 58.6), consagrar-se (Sl 45.1). As Escrituras chamam esta busca por Deus de piedade, o significado de uma vida piedosa é justamente ter uma vida ortopraxa em que se pratica a verdade das Escrituras. Viver piedosamente é viver as Escrituras de maneira avivada, feliz e influenciadora. Ter poder na vida não é gritar, se arrepiar, falar com voz de choro, rodopiar, etc. A Escritura não afirma em nenhum lugar que você precisa das mandigas gospels do mercado da fé, você precisa entender que nem sempre onde há poder Deus está presente, porém, Deus está presente onde sua Palavra é pregada fielmente e ali Ele manifesta o seu poder.

Muitas pessoas sobem ao monte, como se ali tivesse algum poder especial, mas se quiser receber poder de Deus precisas ir para o monte de paginas chamado de Bíblia. Junto a isto precisa também orar a Deus conforme as Escrituras, pois a Confissão de Westminster afirma que deve-se orar somente por coisas lícitas, coisas lícitas são aquelas que não ferem as Escrituras. Ore buscando as promessas de Deus nas Escrituras, oração sem Bíblia são palavras soltas ao vento sem nenhum valor para a verdadeira espiritualidade. Se erram aqueles que conhecem as Escrituras, mas não buscam o poder, erram igualmente os que buscam poder sem o conhecimento das Escrituras.

Terceira, alguns acertam quando buscam igualmente as Escrituras e o poder de Deus  (v.29). Jesus orienta que se busque o conhecimento das Escrituras e também do poder de Deus, pois se nós conhecemos as Escrituras sem buscar o poder de Deus, pedindo que Ele aplique a sua Palavra em nossa vida, seremos infrutíferos, secos, vivendo uma vida apática, semelhantes à igreja de Sardes que parecia viva, mas estava morta (Ap 3.1), a de Efeso que tinha doutrina, entretanto perdeu o fervor (Ap 2.1-4). Por outro lado, se buscar o poder sem observar as Escrituras seremos fanático, teremos uma espiritualidade enganosa.

Quando aliamos a Bíblia com a busca pelo poder de Deus, seremos cheios de Deus, A Escritura traz passagens que indicam esta ligação entre Escrituras e poder, diz que enquanto meditava ateou-se o fogo (Sl 39.3), que a Palavra de Deus vivifica (Sl 119.25), que deve-se buscar ao Senhor e ao seu poder (I Cr 16.11), diz mais que a voz do Senhor é poderosa (Sl 29.4), despede chamas de fogo (Sl 29.7), como esta voz poderosa se examina nas Escrituras, conhecimento das Escrituras e poder de Deus andam juntos.

Para um uma pessoa ter uma vida espiritual com Deus o homem precisa ter um BOI na vida: Bíblia, oração e igreja, pois a Bíblia regula a nossa vida com Deus, a oração nos faz viver na pratica esta vida e a igreja nos ajuda a partilhar com outras pessoas. Saber a respeito de Jesus não nos faz cheios de poder, pois um grupo de exorcistas ambulantes quiseram expulsar demônios pelo Jesus a quem Paulo pregava, sem que tivessem intimidade com ele, os demônios deram uma surra neles (At 19.13-16), não basta saber sobre Ele é preciso ter intimidade com Deus. A Bíblia e o poder de Deus andam juntos, busque a Deus, você não pode agradar a Deus se separa a Bíblia do poder de Deus, mas se você busca conhecimento e o poder de Deus, você será um crente cheio de fervor espiritual e quando você falar será boca de Deus.

Para concluir, não devemos estar em um extremo ou outro, mas no equilíbrio, Bíblia e o poder de Deus, teologia e vida, ortodoxia e ortopraxia, conhecimento e piedade, devem andar juntos, devemos envidar esforços para conhecer as Escrituras, a boa teologia, aprofundar-se nas línguas originais, tudo isso é útil e bom para o cristão. Porém, buscar o poder de Deus em oração, consagração, ter uma vida fervorosa é algo que Deus requer também de nós. Precisamos clamar ao Senhor para que nosso conhecimento de Deus seja repleto da presença do Espírito Santo trazendo poder para nossas vidas, aplicando as Escrituras no nosso interior tanto agora como no ano que inicia. Não esqueça de que você não deve escolher Bíblia ou poder, você pode buscar hoje Bíblia e poder! Deus abençoe a todos nós!

Autor: Missº Veronilton Paz da Silva

sábado, 17 de novembro de 2018

Reflexão Semanal – O Retorno do Justo Juiz! Você Está preparado?


TEXTO: ATOS 17.31
“Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos”.

     Enquanto o Velho Testamento promete a vinda de Cristo, o Novo Testamento mostra como foi esta primeira vinda e nos aponta para a sua segunda vinda, através da qual finalizará os planos redentivos nesta terra, iniciaremos hoje os estudos específicos soHá um comentário de um autor desconhecido sobre o dia do julgamento que diz o seguinte:

 “O julgamento final é o dia quando Deus julgará todas as pessoas do mundo. Cada pessoa será julgada por Deus de maneira justa e imparcial. Teremos que dar conta de tudo que fizermos em nossas vidas. Quem for condenado irá para o lago de fogo, a destruição eterna. Mas quem for salvo irá para o Céu, onde não haverá mais sofrimento nem dor. Deus será completamente justo e ninguém poderá o enganar.  Mas todos pecamos e estamos condenados ao inferno. A única forma de sermos salvos é através de Jesus. Jesus morreu para pagar o preço de todo pecado. Quem crê em Jesus e o aceita como seu salvador será salvo. Jesus levou toda a condenação! (Fonte: https://www.bibliaon.com/julgamento_final/)”

     Esta passagem de Atos trata sobre o discurso de Paulo em Atenas, o berço da filosofia e politeísmo, ele ficou revoltado por causa da idolatria daquela cidade (v.16), que tinha muitos altares de deuses e para não esquecer nenhum, estabeleceram um com o nome “Ao Deus Desconhecido”, Paulo usou esta figura para falar sobre o Deus verdadeiro que não é instrumento da arte e imaginação do homem (v.22-29), após esta explicação sobre como adorar a Deus, convida os homens ao arrependimento (v.30), para finalizar ele traz a razão pela qual as pessoas deveriam se arrepender, que é o julgamento futuro e final de Deus e para isto devemos estar alerta e prontos, sobre este tão glorioso assunto, e inspirados no tema acima mencionado iremos extrair algumas verdades de maneira introdutória:

Primeira, Deus Julgará Todo o Mundo. Deus julgará todas as pessoas de todas as classes que existem na terra, não haverá como dar um jeitinho para escapar, pois seu julgamento e certo e todos hão de comparecer perante Ele naquele dia, sobre isto Paulo no seu discurso fala: “Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo [...]” (v.17a).

a. O mundo será julgado por causa do pecado que entrou nele e o corrompeu por completo, sobre este alastramento terrível a avassalador os calvinistas chamam de depravação total, que significa “a corrupção do pecado alcançando todas as partes da natureza humana e toda a raça humana, tratando sobre esta temática Paulo afirmou: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12), assim sendo ninguém pode dizer que tem qualquer mérito diante de Deus, pois todos são pecadores e só merecem de Deus a condenação eterna, quando Deus salva alguns o faz somente por sua graça.

b. O mundo será julgado porque Deus enviou homens para pregassem o evangelho, a escuta da pregação é um critério do julgamento divino, sobre isto o evangelista Marcos narrou as palavras de Jesus quando Ele disse: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15).

c. Esta palavra traz a evidencia do julgamento divino tanto nos salvos como nos perdidos, uma mesma pregação traz salvação para alguns que crêem e condenação para os descrentes, Jesus, nosso mestre, falou: “Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia” (Jo 12.48).

d. Ainda sobre este resultado duplo da pregação Paulo também falou que: “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus” (I Co 1.18), o julgamento de Deus será sobre todo o mundo e trará salvação para uns e condenação para outros, em qual grupo você está, nos salvos ou perdidos? Sobre este julgamento ainda continuaremos falando, a partir das próximas linhas, enfatizando a justiça de Deus.

Segunda, Deus Julgará de Maneira Justa. Deus julgará de maneira muito justa, podemos examinar isto nas palavras de Paulo quando disse: Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar [...] com justiça [...]” (v.17b).

a. Ninguém poderá dizer que o seu juízo foi injusto, Deus jamais poderia cometer injustiça porque seu caráter é justo e por Ele ama ser justo, atestando isto o salmista grafou sobre Jesus: “Amas a justiça e odeias a iniqüidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria, como a nenhum dos teus companheiros” (Sl 45.7), ou seja, Jesus tem prazer em ser justo, em fazer tudo com base no seu caráter santo, no seu julgamento não haverá palavras para desmanchar a sua sentença, sobre isto o Rev. Hernandes Dias Lopes disse que: No seu juízo desfalecem palavras humanas. A voz de Cristo detém a última palavra e é a única a ter razão”(Lopes, Hernandes Dias. Estudos no Apocalipse, p.14). Deus tem a palavra final, no seu tribunal é proferida a sentença judicial de maneira perfeita, não cabe recurso nem apelação, Ele é o reto juiz e diante Dele tudo se cala.

b. As suas ações são justas, seus caminhos são justos e verdadeiros, todos temem o seu nome por causa dos seus atos justos, a apostolo João no Apocalipse disse que os salvos exaltavam a justiça de Deus disse que: “entoavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo; por isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos” (Ap 15.3-4).

c. Todas as ações de Deus são justas, aquilo que ninguém sabe sobre você, Deus sabe, o seu julgamento é perfeito e justo (Sl 145.17), as aparências humanas não causam emoção em Deus, Ele conhece o coração do homem e seu julgamento virá de maneira justa. As pessoas podem até se dar bem aqui enganando, no juízo de Deus os conchavos não funcionam, pense nisso, mas, este julgamento além de ser para todo o mundo e de maneira justa, será feita apenas por meio de Jesus Cristo, isto será explicado a partir de agora.

Terceira, Deus Julgará por Meio de Jesus Cristo. O apostolo Paulo finaliza este discurso falando sobre o meio pelo qual Deus executa o seu julgamento que é Por meio de Jesus, sobre isto verifica-se as suas palavras dizendo que“Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar [...] por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (v.17c),

a. Jesus é o Filho de Deus que foi enviado ao mundo para salvar a humanidade (I Jo 4.14), Ele é o único meio pelo qual podemos nos aproximar de Deus, comprovando isto, João narrou as palavras de Jesus: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Ele não é um caminho ou uma possibilidade, pelo contrário, é o único caminho que pode levar o homem a se aproximar de Deus, Jesus é a ligação perfeita, é a ponte que vai dar no céu, quem crê Nele não é condenado o que não crê já está condenado (Jo 3.18).

b. Ele é o único mediador entre Deus e os homens, conforme Paulo Escreveu a Timóteo: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (I Tm 2.5), Paulo aqui trata sobre Cristo justamente como esta ligação que Deus fez para estar unido aos homens, podemos dizer então que Cristo é a única e verdadeira religião, pois religião vem do latim “religare” que significa religar o homem a Deus, somente Cristo pode fazer isto, não é a religião que faz isto, não são suas obras, somente Jesus pode fazer isto.

c. O julgamento é este que as pessoas cheguem a Deus por Jesus, se tentarem chegar por outro meio estarão condenados. A Bíblia também trata de Jesus como o nosso único intercessor, conforme atesta Paulo na sua Carta aos Romanos: “Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós” (Rm 8.34).

d. Ele conforme Joao condenará todo o que rejeitar o seu Filho Jesus Cristo, vejamos as palavras do apostolo: Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más” (Jo 3.17-19). 

e. Se você estiver em Cristo você estará livre da condenação e naquele dia do julgamento estará salvo, porém se busca chegar a Deus por outros meios ou se divide a sua glória com anjos, santos ou outros seres, estará naquele julgamento com uma sentença condenatória sem direito à defesa. O que deseja para a sua vida? Lembre-se que Deus julgará todo o mundo de acordo com a aceitação ou rejeição do seu filho, pense nisto!

    Para concluir queremos dizer que o julgamento de Deus é certo, Ele virá para julgar todo o mundo, Paulo falou como escapar deste julgamento chamado de ira vindoura de Deus, veja o que Ele disse: “E para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura” (I Ts 1.10), assim sendo, a única maneira de nós escaparmos da condenação eterna é tendo Jesus como nosso advogado, você já o tem?

Referencias:

A Bíblia de Estudo de Genebra. Textos Bíblicos e Notas de Rodapé. 2 2d. Ampliada. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.

Biblia Sagrada Online. Versículos Sobre o Julgamento Final. Extraido de: <https://www.bibliaon.com/julgamento_final>Acessoem20/10/2010.

BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002.

ERICKSON, Millard J. Introdução à Teologia Sistemática. São Paulo: Editora Vida Nova, 2002.

LIMA, Leandro Antônio de. A Grande Batalha Escatológica. 1ed. São Paulo: Agathos, 2016.

LOPES, Hernandes Dias. Estudos no Apocalipse. 1ed. Venda Nova: Betania, 2007.

O Culmann, Time, p. 87. Apud: HOEKAMA, Anthony. A Bíblia e o futuro. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001.

AUTOR: Missº Veronilton Paz da Silva


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Reflexão Bíblica – Josué 2.1




1 De Sitim enviou Josué, filho de Num, dois homens, secretamente, como espias, dizendo: Andai e observai a terra e Jericó. Foram, pois, e entraram na casa de uma mulher prostituta, cujo nome era Raabe, e pousaram ali.

A graça chegou, o prostíbulo fechou!

A Graça de Deus é maravilhosa, quando chega na vida de alguém, tudo que estava torto se endireita. As coisas que estavam desarrumadas se ajeitam e a pessoa passa a ter nova vida. A Bíblia conta a história de uma meretriz chamada Raabe, ela morava e tinha sua clientela em Jericó, mas teve uma ação de fé ao esconder os espias de Josué quando iam invadir Jericó (Js 2.1). Um fio escarlate ali posto na sua casa salvou a sua vida e de toda a sua família (Js 2.18). A graça de Deus transforma uma prostituta, não em uma ex-prostituta, mas em uma nova criatura. A chegada da graça ali fez a vida daquela mulher dar uma volta de 180º, uma mudança de direção e de sentido, vejamos o que aconteceu na vida Dela.

Primeira, ela fechou o prostíbulo e tornou-se uma mulher casada de respeito. Vemos que aquela mulher encontrou um homem Salmon que a tomou por esposa, conforme nos afirma Mateus no capitulo 1 e versículo 5a:5 Salmom gerou de Raabe a Boaz [...], Deus a honrou, fez que ela encontrasse casamento. Não importa como foi sua vida até hoje, você pode a partir deste instante dar um novo rumo a ela ! Jesus torna novas todas as coisas!

Muitas vezes vemos as pessoas menosprezarem outros que tiveram um passado impróprio, porém, as Escrituras afirmam que Deus perdoa aquele que se arrepende e dos seus passados não lembra mais (Is 43.25), ou seja, Ele não passa os nossos pecados em rosto. As pessoas, a sociedade, você e até o diabo podem lembrar-se dos seus pecados, mas Deus já perdoou e não vai mais te cobrar algo que já perdoou. Raabe de cafetina de bordel, passou a ser uma mulher casada. Oh que imensurável  é a graça de Deus!

A graça de Deus é maravilhosa, como afirma o teólogo Santo Agostinho: “A graça transforma lobos em cordeiros, monstros em homens e homens em anjos”. A graça purificou aquela mulher, agora ela não era de muitos, mas de um homem só. Isto somente a graça de Deus pode fazer. O coração do ser humano é depravado por natureza, mas tendo um encontro com a graça de Cristo, este coração encontra uma transformação espiritual e isto se traduz em ações santas. Você já foi alcançado pela graça de Deus?

Segunda, ela fechou o prostíbulo e entrou para o quadro dos heróis da fé. Aquela mulher que não era um bom exemplo, tornou-se um modelo de fé para ser imitado, conforme o autor aos Hebreus no capitulo 11 e versículo 31 afirma: 31 Pela fé, Raabe, a meretriz, não foi destruída com os desobedientes, porque acolheu com paz aos espias”, a sua atitude foi um exemplo de fé que deveria ser seguida pelo povo, ela é colocada no quadro da fé que possui pessoas como Jefté, Abraão, Isaque, Jacó, Moisés e tantos outros.

A graça de Deus alcança tanto a mulher religiosa que leva uma vida de casada, porém ainda sem um encontro com Cristo; mas também alcança uma prostituta que leva uma vida de paixão carnal, para que esta conheça a graça de Deus e seja salva. Certa vez eu estava evangelizando uma prostituta no centro de Monteiro-PB, passou um crente santarrão e disse: “Meu irmão não jogue perolas ao porco! Eu olhei para ele e disse: “Você um dia já foi porco também! Continuei pregando e aquela mulher depois de uns tempos veio a seguir Jesus, deixando a prostituição e vivendo para evangelizar. Vale a pena pregar o evangelho da graça de Deus!

Uma mulher que era prostituta passa a ser um modelo de fé para o povo de Deus, porque para Jesus não há causa perdida, nem problema insolúvel e muito menos pessoa irrecuperável, Ele tem todo poder para transformar uma vida que vivia na sarjeta, na esparrela do mundo em uma nova criatura. Deus de maneira graciosa operou na vida de Raabe e pode operar ainda hoje, pois nunca mudou e não mudará.

Pregue o evangelho da graça e deixe os resultados com Deus, mas fique ciente que você vai se surpreender com este Deus, pois Ele quebranta e salva pecadores que o mundo já havia desistido deles. A sua fé foi uma fé operante, pois Tiago descreve isto quando diz: “25 De igual modo, não foi também justificada por obras a meretriz Raabe, quando acolheu os emissários e os fez partir por outro caminho? 26 Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tg 2.25-26), ou seja, a fé cristã não pode ser apenas teórica, precisa ser prática, foi isto que o servo declarou aqui sobre Raabe, nós precisamos ter ortodoxia, mas também ortopraxia, não apenas conhecer a verdade, mas esta necessita se tornar real nossa vida.

Terceira, ela fechou o prostíbulo e entrou para a história da salvação. A genealogia de Cristo é algo bem interessante, pois ela é formada de pessoas que não mereciam estar ali, entre estas pessoas estava Raabe, atestado isto por Mateus no Capitulo 1 e versículo 5: 5 Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede; e Obede, a Jessé”, uma mulher que tem uma mancha na sua história, pois viveu como meretriz, porém, sua alma foi lavada quando creu em Deus, estava purificada do seu pecado. Sua presença na genealogia de Jesus só demonstra a graça de Deus aos pecadores, pois Jesus conquanto seja Rei, Soberano, elevado, ama está no meio de pecadores.

A genealogia de Jesus apresentando a pessoa de Raabe afirma a grande verdade que Ele veio para salvar o seu povo dos seus pecados (Mt 1.21), que a salvação não depende dos homens, mas Dele, pois se fosse por mérito, nenhum dos que estavam na genealogia Dele se salvaria. Aquela mulher entrou para a história da salvação, pois Davi era da linhagem dela e o Cristo que seria o salvador viria da descendência de Davi. Assim, a graça de Deus colocou ela na história da redenção do povo de Deus, bem como apresenta a gratuidade da salvação, ninguém poderia pagar o preço da redenção, mas Jesus pagou por nós.

A graça de Deus retira a pessoa de um lugar de desonra para um lugar de honra, pois aquela mulher que tinha má reputação, agora participa da linhagem real, da linhagem messiânica, Deus exalta aqueles que se humilham, pois ela pediu humildemente aos espias que livrassem ela e a família dela, sendo prontamente atendida. A graça nos faz pessoas humildes porque entendemos que a misericórdia de Deus é que nos salvou e não nossos méritos. Quando vemos Raabe participando da genealogia de Jesus, devemos nos ver ali, como a graça alcançou ela, semelhantemente a nós também.

Para concluir gostaria de perguntar se você já foi alcançado (a) pela graça de Deus, se sua vida já foi transformada por Ele, se você já experimentou a salvação que Jesus tem para te dar? Se a sua resposta é negativa, se entregue a Jesus ainda hoje, venha descansar nos seus braços gloriosos, nas suas promessas consoladoras e graciosas. Jesus pode salvar e libertar qualquer pessoa, somente Ele tem poder para isso. Que o seu amor te preencha totalmente e te faça feliz! Em Nome de Jesus!

Autor: Missº Veronilton Paz da Silva (Igreja Presbiteriana do Brasil)

sexta-feira, 29 de junho de 2018

IPB SE POSICIONA QUANTO AO USO DE TATUAGENS E PIERCINGS PELOS SEUS MEMBROS, PELO TEXTO A ORIENTAÇÃO É NÃO USAR


     A Igreja Orienta seus membros e oficiais a evitar questões como bebida, tatuagem, fumo, bailes, para evitar escândalos e que irmãos fracos cair, veja abaixo um trecho do documento da igreja:

SC-E - 2010 - DOC. LXXIV: Quanto ao documento 087 - Solicitação de posicionamento sobre uso de bebidas alcoólicas, tatoo, piercings, participações em festas mundanas: Quanto ao documento 087, Solicitação de Posicionamento Sobre Uso de Bebidas Alcoólicas, Tatoo, Piercings, Participações em Festas Mundanas. Considerando: 1) Que não devemos nem podemos exigir dos membros de nossas igrejas nada que vá além do evangelho de Cristo. 2) Que "todas as coisas são lícitas, mas nem todas convém" (1Co 6.12), tudo o que transgride a regra de moderação é pecado (Fp 4.5) e toda forma de mundanismo é contrária à santidade cristã (1Jo 2.15-17); 3) Que o amor para com os de consciência mais fraca deve ser levado a sério, a ponto dos fortes evitarem escandalizar àqueles (Rm 14.1-23); 4) Que a Igreja deve atentar para os aspectos culturais da sociedade na qual está inserida, a fim de testemunhar eficazmente o evangelho de Cristo, sendo cuidadosa tanto com a forma quanto com o conteúdo de seu discurso e prática (1Co 9.19-27); 5) Que "tudo o que destrói o corpo, que é o Templo do Espírito Santo, é pecado e deve ser evitado; não obstante, reconhece que a Igreja é constituída de crentes que estão caminhando em santificação, uns mais e outros menos, devendo os conselhos esforçarem-se por conseguir o melhoramento espiritual de maneira amistosa e fraternal" (AG 1936-040 e AG 1936-041); 6) Que toda prática pecaminosa, seja de membros seja de oficiais da Igreja, deve ser corrigida nos termos da Escritura, conforme Mateus 18.15-20, e do Código de Disciplina da IPB. O SC-E/IPB - 2010 RESOLVE: 1) Reafirmar as decisões Ag-1936-040 e Ag-1936-041 (citadas acima) e Ag-1900-Doc 21 e CE-E2-1974-Doc. 10, como seguem: "Ag-1900- Doc. 21 - Vícios Sociais - Todos os obreiros da Igreja Cristã Presbiteriana do Brasil devem combater com insistência os vícios, os exageros da moda e tudo quanto rebaixe o nível da espiritualidade [...]. Extraido de: <http://se.icalvinus.net/icalvinus.php?d=1530280453402>Acessoem29/06/2018)

     Nenhum oficial ou membro presbiteriano está autorizado a falar em nome da denominação dando opiniões contrárias as que a denominação tomou. A nossa autoridade que é a Escritura diz que devemos obedecer a liderança (Hb 13.17), veja o que a Bíblia Portuguesa diz sobre tatuagem:

“Não façam cortes nem tatuagens na vossa pele em lembrança dum defunto. Eu sou o Senhor! Sociedade Bíblica de Portugal, 2005)

     O contexto trata de um tipo de tatuagem em luto ao morto, mas não deixa de ser tatuagem, numa realidade sertaneja traz confusão e escândalo, alguns dizem: “O que é que tem demais fazer?”, eu o pergunto: “O que tem demais não fazer?”, será que o egoísmo é tão grande que você não pensa no mal que pode causar ao evangelho, mas pensa apenas no desejo do seu coração? Que pensemos mais na glória de Deus e não no nosso coração carnal!

Missº Veronilton Paz da Silva

quarta-feira, 20 de junho de 2018

POSIÇÃO DA IPB QUANTO AO USO DE BEBIDA ALCÓOLICA, JOGOS DE AZAR E FREQUÊNCIAS À BAILES PROFANOS


“E tu dentre todo o povo procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que odeiem a avareza; e põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinquenta, e maiorais de dez” (Êx 18.21)

     Vemos por vezes presbiterianos postando em redes sociais e também fomentando em conversas o uso de bebidas, jogos, participação em bailes, mas a IPB não aprova o uso destas coisas pelos seus membros, vejamos o que nos diz o Digesto Presbiteriano Online sobre o assunto:

1) BEBIDAS ALCOÓLICAS - A. Recomendar a todos os concílios inferiores envidem esforços para que os membros da nossa Igreja se esforcem para abandonar o uso, mesmo moderado, de todas as bebidas alcoólicas, exceto remédios. AG-1900-021. B. Recomendar a todos os membros da nossa Igreja que são fabricantes ou negociantes de bebidas alcoólicas que se esforcem para deixar esse ramo de negócio ou meio de vida, a fim de não concorrerem, nem direta, nem indiretamente para a ruína do corpo e da alma de seus semelhantes. AG-1900-021. C. Recomendar aos Presbitérios que tomem medidas positivas e eficazes para combater a fabricação e venda de bebidas alcoólicas por membros da Igreja" (Ag-1900-Doc 21); "CE-E2-1974- Doc. 10 - Doc. X - Quanto ao Doc. 21 - Consulta Sobre o Uso de Bebidas Alcoólicas e Jogos, no Presbitério Sudoeste de Goiás. Considerando que: 1) A Igreja Presbiteriana do Brasil, defende e prega a aplicação integral dos princípios que a Bíblia contém, visando à edificação dos crentes; 2) Os vícios sociais, tais como o fumo, o álcool, o jogo, inclusive a loteria esportiva, e também, a frequência a bailes, reconhecidamente contribuem para a deterioração da pessoa humana, cristã ou não; 3) É dever das igrejas, lutar por todos os meios e modos, continuamente contra vícios; O Supremo Concílio resolve: Recomendar vigilância redobrada, em todos os seus concílios, instituições e igrejas contra os males acima referidos" (CE-E2-1974-Doc. 10). 2) Determinar que os conselhos observem o Art. 83, alínea "n", e os ministros, o Art. 36, alíneas "e" e "f" da CI-IPB, pastoreando cuidadosamente os membros da Igreja em cada caso específico, com vistas ao uso devido da liberdade cristã, sem que se dê ocasião à carne. (Digesto Presbiteriano, p.05. Extraído de: <http://se.icalvinus.net/icalvinus.php?d=1529492984558>Acessoem2/06/2018).


     O digesto traz a posição da IPB sobre o uso, comercialização ou mesmo incentivo ao uso da bebida, para a Igreja os seus membros devem se abster totalmente de usar bebidas alcoólicas ou qualquer outra coisa que prejudique o corpo ou faça seu irmão fraco cair, devemos edificar e não destruir o corpo de Cristo. Quanto aos jogos de azar, também existe um posicionamento de não se envolver ou promover os mesmos. Participar de festas profanas também é imotivado para membros da IPB. Cabendo aos concílios evitar que seus membros vivam em pecado.

     Um oficial ou um membro que deseja viver ingerindo e promovendo o uso de bebidas alcóolicas, praticando e incentivando jogos de azar e promovendo ou desfrutando de festas profanas, está sendo desobediente ao que se propôs a obedecer quando foi batizado e/ou fez publica profissão de fé, bem como quando foi ordenado, deveria estes pedir desligamento da referida igreja e não viver sendo desobediente e, porque não dizer, insubmisso aos concílios superiores da Igreja. Sejamos homens de verdade!

Missº Veronilton Paz da Silva