quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Cadê Os Direitos Humanos?

A imprensa, os grupos de "direitos humanos" e o Estado Brasileiro, estão com medo de "denunciar, apurar e prender" os homossexuais que defendem a Pedofilia em sua filosofia e prática de vida!

Terra Magazine faz vista grossa à apologia homossexual à pedofilia


Comentário de Julio Severo

Já que a onda é ser a favor da agenda gay, todo mundo na mídia quer mostrar de que lado está, como se isso fosse grande novidade. Sem apurar as credenciais de sua fonte, o Terra Magazine publicou um artigo radical e ideológico sobre “assassinatos de homossexuais”, não querendo desagradar à ideologia reinante na cultura — da própria mídia liberal, é claro. Daí, tire uma ideia: Se o Portal Terra estivesse na União Soviética, ou não Alemanha nazista, estaria fazendo pela ideologia reinante exatamente o que já está fazendo nesta matéria.

Esses pretensos jornalistas têm alguma preocupação pela verdade e objetividade? Importantes ativistas homossexuais têm defendido publicamente a pedofilia, e a grande imprensa brasileira está calada. Uma imprensa moralmente obtusa deixa os “intelectuais” homossexuais pró-pedofilia à vontade. Veja aqui os exemplos verídicos de homossexuais brasileiros defendendo explicitamente a pedofilia enquanto o jornalismo sem vergonha faz vista grossa:

Pedofilia e homossexualismo

Luiz Mott: Pedofilia já!

Outra coincidência? Mais um defensor do homossexualismo e da pedofilia

O dia em que o sexo entre homens e meninos não mais chocar

Abaixo, a matéria completa do Terra Magazine:

http://juliosevero.blogspot.com/2011/01/terra-magazine-faz-vista-grossa.html

Etica Cristã

O ultrassom que mudou minha vida — a conversão pró-vida de Abby Johnson em suas próprias palavras

Abby Johnson


Nota: O seguinte é o primeiro capitulo do livro de Abby Johnson que está para ser publicado. Para mais informações sobre o livro, que será lançado em 11 de janeiro, clique aqui.

10 de janeiro de 2011 (Notícias Pró-Família) — CHERYL MOSTROU A CABEÇA NA ABERTURA DA PORTA DO MEU ESCRITÓRIO. “Abby, estão precisando de mais alguém lá na sala de exames. Você está disponível?”

Ergui os olhos da minha papelada toda, surpresa. “Certamente”.



Abby Johnson

Embora tivesse trabalhado na Federação de Planejamento Familiar* durante oito anos, eu nunca havia sido chamada para a sala de exames para ajudar a equipe médica durante um aborto, e eu não tinha ideia do motivo por que eu precisava agora. Quem auxiliava nos abortos eram as enfermeiras profissionais, não a equipe de funcionários da clínica. Como diretora desta clínica na cidade de Bryan, Texas, eu estava em condições de preencher qualquer posição se fosse absolutamente necessário, exceto, é claro, as posições dos médicos ou enfermeiras que realizavam procedimentos médicos. Eu tinha, em poucas ocasiões, concordado com o pedido de uma paciente de permanecer com ela e até segurar a mão dela durante uma operação, mas só quando eu havia sido a conselheira que havia trabalhado com ela durante a entrada e aconselhamento. Esse não foi o caso hoje. Então por que é que precisavam de mim?

O médico aborteiro em atendimento hoje tinha estado na clínica de Bryan apenas duas ou três vezes antes. Ele tinha um consultório particular de aborto a cerca de 160 km de distância. Quando eu havia conversado com ele sobre o emprego várias semanas antes, ele tinha explicado que em seu próprio consultório ele só fazia abortos guiados por ultrassom — a operação de aborto com o menor risco de complicações para a mulher. Pelo fato de que esse método permite que o médico veja exatamente o que está acontecendo dentro do útero, há menos chance de perfurar a parede uterina, um dos riscos do aborto. Eu respeitei isso acerca dele. No que se referia a mim, quanto mais se pudesse fazer para manter as mulheres saudáveis e seguras, melhor. Contudo, eu havia explicado para ele que essa prática não era o protocolo em nossa clínica. Ele compreendeu e disse que seguiria nosso padrão de operação, embora concordássemos em que ele estava livre para usar o ultrassom se sentisse que uma situação particular justificasse isso.

Segundo sei, nunca tínhamos realizado abortos guiados por ultrassom em nossa clínica. Fazíamos abortos no sábado, a cada quinze dias, e a meta incumbida de nossa filial da Federação de Planejamento Familiar era realizar entre 25 e 35 operações naqueles dias. Gostávamos de terminá-los por volta das 14h. Nossas operações típicas levavam cerca de 10 minutos, mas um ultrassom aumentava para cinco minutos, e quando se está tentando agendar 35 abortos num só dia, esses minutos a mais contam.

Senti a relutância de um momento fora da sala de exames. Nunca gostei de entrar nessa sala durante uma operação de aborto — nunca vi com agrado o que acontecia por trás dessa porta. Mas já que todos tínhamos de estar prontos a qualquer momento para ajudar e realizar a tarefa, empurrei a porta para abrir e entrei.

A paciente já estava sedada, ainda consciente, mas grogue, a brilhante luz do médico iluminando sobre ela. Ela estava em posição, os instrumentos estavam colocados em ordem na bandeja ao lado do médico, e a enfermeira profissional estava posicionando a máquina de ultrassom perto da mesa de operação.

“Vou realizar um aborto guiado por ultrassom nesta paciente. Preciso que você segure a sonda do ultrassom”, explicou o médico.

Ao pegar a sonda do ultrassom na mão e ajustar as configurações da máquina, argumentei comigo mesma: “Não quero estar aqui. Não quero ter parte num aborto”. Não, atitude errada — eu precisava me preparar mentalmente para essa tarefa. Respirei profundamente e tentei me sintonizar com a música do rádio que estava tocando suavemente no fundo. “É uma boa experiência de aprendizado — nunca vi um aborto guiado por ultrassom antes”, eu disse para mim mesma. “Talvez isso me ajude quando eu aconselhar mulheres. Aprenderei de primeira mão sobre esse procedimento mais seguro. Além disso, tudo estará terminado em questão de poucos minutos”.

Eu não poderia ter imaginado como os próximos 10 minutos abalariam os alicerces dos meus valores e mudariam o curso da minha vida.

Eu tinha ocasionalmente realizado ultrassons de diagnóstico para clientes antes. Era um dos serviços que oferecíamos para confirmar as gravidezes e avaliar quanto estavam avançadas. A familiaridade de se preparar para um ultrassom aquietou meu desconforto de estar nessa sala. Apliquei o lubrificante na barriga da paciente, então manobrei a sonda do ultrassom até que o útero dela foi mostrado na tela e ajustei a posição da sonda para capturar a imagem do feto.

Eu estava esperando ver o que eu tinha visto em ultrassons passados. Geralmente, dependendo do avanço da gravidez e da posição do feto, eu veria primeiro uma perna, ou a cabeça, ou alguma imagem parcial do tronco, e precisaria manobrar um pouco para obter a melhor imagem possível. Mas desta vez, a imagem estava completa. Eu conseguia ver o perfil inteiro e perfeito de um bebê.

“Parece-se com Grace aos três meses”, pensei, surpresa, recordando da minha própria experiência de ver minha filha, três anos antes, aninhada em segurança dentro do meu útero. A imagem agora diante de mim parecia a mesma, só que mais clara e nítida. Os detalhes me deixaram perplexa. Eu conseguia ver claramente o perfil da cabeça, os braços, as pernas e até os dedinhos dos pés e das mãos. Tudo perfeito.

Mas muito rapidamente, a vibração com a memória emocionante de Grace foi substituída por uma onda de ansiedade: “O que estou para ver?” Meu estômago começou a ficar apertado. “Não quero assistir ao que está para acontecer”.

Suponho que isso parece esquisito vindo de uma profissional que vinha administrando uma clínica da Federação de Planejamento Familiar durante dois anos, aconselhando mulheres em crise, agendando abortos, revisando os relatórios mensais de orçamentos da clínica e treinando as funcionárias. Mas esquisito ou não, o fato simples é, nunca tive interesse em promover o aborto. Eu tinha me envolvido com a Federação de Planejamento Familiar oito anos antes, crendo que seu propósito era principalmente impedir gravidezes indesejadas, reduzindo assim o número de abortos. Essa tinha sido minha meta. E eu cria que a Federação de Planejamento Familiar salvava vidas — as vidas das mulheres que, sem os serviços fornecidos por essa organização, poderiam recorrer a algum açougueiro de fundo de quintal. Tudo isso passou rápido pela minha mente enquanto eu estava cuidadosamente segurando a sonda no lugar.

“Treze semanas”, ouvi a enfermeira dizer depois de tomar as medidas para apurar a idade do feto.

“Certo”, disse o médico, olhando para mim, “apenas segure a sonda no lugar durante a operação de modo que eu consiga ver o que estou fazendo”.

O ar levemente frio da sala de exame me deu uma sensação de calafrio. Meus olhos estavam ainda fixos na imagem desse bebê perfeitamente formado. Eu estava assistindo à medida que uma nova imagem entrava na tela do vídeo. A cânula — um instrumento em forma de canudo ligado à extremidade do tubo de sucção — havia sido inserida no útero e estava se aproximando do lado do bebê. Parecia um invasor na tela, fora de lugar. Errado. Parecia simplesmente errado.

Meu coração estava batendo aceleradamente. O tempo estava andando devagar. Eu não queria olhar, mas não queria parar de olhar também. Eu não conseguia assistir. Fiquei horrorizada, mas fascinada ao mesmo tempo, como alguém acanhado que diminui a velocidade enquanto passa de carro por algum horrível acidente de carro — não querendo ver um corpo mutilado, mas apesar de tudo olhando.

Meus olhos voaram para a face da paciente; lágrimas escorriam dos cantos dos olhos dela. Eu podia ver que ela estava sofrendo. A enfermeira tocou levemente a face da mulher com um lenço.

“Apenas respire”, a enfermeira gentilmente a instruiu. “Respire”.

O ultrassom que mudou minha vida — a conversão pró-vida de Abby Johnson em suas próprias palavras

Abby Johnson


Nota: O seguinte é o primeiro capitulo do livro de Abby Johnson que está para ser publicado. Para mais informações sobre o livro, que será lançado em 11 de janeiro, clique aqui.

10 de janeiro de 2011 (Notícias Pró-Família) — CHERYL MOSTROU A CABEÇA NA ABERTURA DA PORTA DO MEU ESCRITÓRIO. “Abby, estão precisando de mais alguém lá na sala de exames. Você está disponível?”

Ergui os olhos da minha papelada toda, surpresa. “Certamente”.



Abby Johnson

Embora tivesse trabalhado na Federação de Planejamento Familiar* durante oito anos, eu nunca havia sido chamada para a sala de exames para ajudar a equipe médica durante um aborto, e eu não tinha ideia do motivo por que eu precisava agora. Quem auxiliava nos abortos eram as enfermeiras profissionais, não a equipe de funcionários da clínica. Como diretora desta clínica na cidade de Bryan, Texas, eu estava em condições de preencher qualquer posição se fosse absolutamente necessário, exceto, é claro, as posições dos médicos ou enfermeiras que realizavam procedimentos médicos. Eu tinha, em poucas ocasiões, concordado com o pedido de uma paciente de permanecer com ela e até segurar a mão dela durante uma operação, mas só quando eu havia sido a conselheira que havia trabalhado com ela durante a entrada e aconselhamento. Esse não foi o caso hoje. Então por que é que precisavam de mim?

O médico aborteiro em atendimento hoje tinha estado na clínica de Bryan apenas duas ou três vezes antes. Ele tinha um consultório particular de aborto a cerca de 160 km de distância. Quando eu havia conversado com ele sobre o emprego várias semanas antes, ele tinha explicado que em seu próprio consultório ele só fazia abortos guiados por ultrassom — a operação de aborto com o menor risco de complicações para a mulher. Pelo fato de que esse método permite que o médico veja exatamente o que está acontecendo dentro do útero, há menos chance de perfurar a parede uterina, um dos riscos do aborto. Eu respeitei isso acerca dele. No que se referia a mim, quanto mais se pudesse fazer para manter as mulheres saudáveis e seguras, melhor. Contudo, eu havia explicado para ele que essa prática não era o protocolo em nossa clínica. Ele compreendeu e disse que seguiria nosso padrão de operação, embora concordássemos em que ele estava livre para usar o ultrassom se sentisse que uma situação particular justificasse isso.

Segundo sei, nunca tínhamos realizado abortos guiados por ultrassom em nossa clínica. Fazíamos abortos no sábado, a cada quinze dias, e a meta incumbida de nossa filial da Federação de Planejamento Familiar era realizar entre 25 e 35 operações naqueles dias. Gostávamos de terminá-los por volta das 14h. Nossas operações típicas levavam cerca de 10 minutos, mas um ultrassom aumentava para cinco minutos, e quando se está tentando agendar 35 abortos num só dia, esses minutos a mais contam.

Senti a relutância de um momento fora da sala de exames. Nunca gostei de entrar nessa sala durante uma operação de aborto — nunca vi com agrado o que acontecia por trás dessa porta. Mas já que todos tínhamos de estar prontos a qualquer momento para ajudar e realizar a tarefa, empurrei a porta para abrir e entrei.

A paciente já estava sedada, ainda consciente, mas grogue, a brilhante luz do médico iluminando sobre ela. Ela estava em posição, os instrumentos estavam colocados em ordem na bandeja ao lado do médico, e a enfermeira profissional estava posicionando a máquina de ultrassom perto da mesa de operação.

“Vou realizar um aborto guiado por ultrassom nesta paciente. Preciso que você segure a sonda do ultrassom”, explicou o médico.

Ao pegar a sonda do ultrassom na mão e ajustar as configurações da máquina, argumentei comigo mesma: “Não quero estar aqui. Não quero ter parte num aborto”. Não, atitude errada — eu precisava me preparar mentalmente para essa tarefa. Respirei profundamente e tentei me sintonizar com a música do rádio que estava tocando suavemente no fundo. “É uma boa experiência de aprendizado — nunca vi um aborto guiado por ultrassom antes”, eu disse para mim mesma. “Talvez isso me ajude quando eu aconselhar mulheres. Aprenderei de primeira mão sobre esse procedimento mais seguro. Além disso, tudo estará terminado em questão de poucos minutos”.

Eu não poderia ter imaginado como os próximos 10 minutos abalariam os alicerces dos meus valores e mudariam o curso da minha vida.

Eu tinha ocasionalmente realizado ultrassons de diagnóstico para clientes antes. Era um dos serviços que oferecíamos para confirmar as gravidezes e avaliar quanto estavam avançadas. A familiaridade de se preparar para um ultrassom aquietou meu desconforto de estar nessa sala. Apliquei o lubrificante na barriga da paciente, então manobrei a sonda do ultrassom até que o útero dela foi mostrado na tela e ajustei a posição da sonda para capturar a imagem do feto.

Eu estava esperando ver o que eu tinha visto em ultrassons passados. Geralmente, dependendo do avanço da gravidez e da posição do feto, eu veria primeiro uma perna, ou a cabeça, ou alguma imagem parcial do tronco, e precisaria manobrar um pouco para obter a melhor imagem possível. Mas desta vez, a imagem estava completa. Eu conseguia ver o perfil inteiro e perfeito de um bebê.

“Parece-se com Grace aos três meses”, pensei, surpresa, recordando da minha própria experiência de ver minha filha, três anos antes, aninhada em segurança dentro do meu útero. A imagem agora diante de mim parecia a mesma, só que mais clara e nítida. Os detalhes me deixaram perplexa. Eu conseguia ver claramente o perfil da cabeça, os braços, as pernas e até os dedinhos dos pés e das mãos. Tudo perfeito.

Mas muito rapidamente, a vibração com a memória emocionante de Grace foi substituída por uma onda de ansiedade: “O que estou para ver?” Meu estômago começou a ficar apertado. “Não quero assistir ao que está para acontecer”.

Suponho que isso parece esquisito vindo de uma profissional que vinha administrando uma clínica da Federação de Planejamento Familiar durante dois anos, aconselhando mulheres em crise, agendando abortos, revisando os relatórios mensais de orçamentos da clínica e treinando as funcionárias. Mas esquisito ou não, o fato simples é, nunca tive interesse em promover o aborto. Eu tinha me envolvido com a Federação de Planejamento Familiar oito anos antes, crendo que seu propósito era principalmente impedir gravidezes indesejadas, reduzindo assim o número de abortos. Essa tinha sido minha meta. E eu cria que a Federação de Planejamento Familiar salvava vidas — as vidas das mulheres que, sem os serviços fornecidos por essa organização, poderiam recorrer a algum açougueiro de fundo de quintal. Tudo isso passou rápido pela minha mente enquanto eu estava cuidadosamente segurando a sonda no lugar.

“Treze semanas”, ouvi a enfermeira dizer depois de tomar as medidas para apurar a idade do feto.

“Certo”, disse o médico, olhando para mim, “apenas segure a sonda no lugar durante a operação de modo que eu consiga ver o que estou fazendo”.

O ar levemente frio da sala de exame me deu uma sensação de calafrio. Meus olhos estavam ainda fixos na imagem desse bebê perfeitamente formado. Eu estava assistindo à medida que uma nova imagem entrava na tela do vídeo. A cânula — um instrumento em forma de canudo ligado à extremidade do tubo de sucção — havia sido inserida no útero e estava se aproximando do lado do bebê. Parecia um invasor na tela, fora de lugar. Errado. Parecia simplesmente errado.

Meu coração estava batendo aceleradamente. O tempo estava andando devagar. Eu não queria olhar, mas não queria parar de olhar também. Eu não conseguia assistir. Fiquei horrorizada, mas fascinada ao mesmo tempo, como alguém acanhado que diminui a velocidade enquanto passa de carro por algum horrível acidente de carro — não querendo ver um corpo mutilado, mas apesar de tudo olhando.

Meus olhos voaram para a face da paciente; lágrimas escorriam dos cantos dos olhos dela. Eu podia ver que ela estava sofrendo. A enfermeira tocou levemente a face da mulher com um lenço.

“Apenas respire”, a enfermeira gentilmente a instruiu. “Respire”.

“Já está quase no fim”, sussurrei. Eu queria ficar focada nela, mas meus olhos rapidamente voltaram para a imagem na tela.

No começo, o bebê não estava consciente da cânula, que gentilmente examinou o lado dele, e por um rápido segundo senti alívio. “É claro”, pensei. O feto não sente dor. Eu tinha assegurado a inúmeras mulheres disso conforme a Federação de Planejamento Familiar havia me ensinado. “A massa fetal nada sente quando é removida. Por isso, controle-se, Abby. Essa é uma operação simples e rápida”. Minha cabeça estava trabalhando muito para controlar minhas reações, mas eu não estava conseguindo abalar uma inquietação interior que estava rapidamente se transformando em terror enquanto eu assistia à tela.

O próximo movimento foi o súbito puxão de um pezinho enquanto o bebê começou a dar chutes, como se estivesse tentando se afastar do invasor examinador. À medida que a cânula pressionava o lado dele, o bebê começou a lutar para virar e escapar. Parecia claro para mim que ele estava conseguindo sentir a cânula, e ele não estava gostando do que estava sentindo. E então a voz do médico cortou o ar, me espantando.

“Mais luz aqui, Scotty”, ele disse despreocupadamente para a enfermeira. Ele estava dizendo a ela que ligasse a sucção — numa operação de aborto a sucção não é ligada até o médico sentir que tem a cânula exatamente no lugar certo.

Tive um impulso súbito de gritar “Parem!” para abalar a mulher e dizer: “Olhe para o que está acontecendo com o seu bebê! Acorde! Rápido! Impeça-os!”

Mas ao mesmo tempo em que pensei nessas palavras, olhei para a minha mão segurando a sonda. Eu era um “deles” realizando esse ato. Meus olhos rapidamente voltaram para a tela de novo. A cânula já estava sendo girada pelo médico, e agora eu conseguia ver o corpinho sendo violentamente torcido pela cânula. Nesse momento brevíssimo parecia como se o bebê estivesse sendo torcido como um pano de prato, torcido e espremido. E então começou a desaparecer dentro da cânula diante dos meus olhos. A última coisa que vi foi a espinha dorsal, pequenina e perfeitamente formada, sendo sugada pelo tubo, e então se foi. E o útero estava vazio. Totalmente vazio.

Fiquei petrificada, sem poder acreditar. Sem perceber, larguei a sonda, que deslizou pela barriga da paciente e foi parar numa das pernas dela. Eu estava conseguindo sentir meu coração batendo muito — batendo tão forte que meu pescoço palpitava. Tentei respirar fundo, mas parecia que eu não estava conseguindo respirar. Meus olhos ainda estavam parados na tela, ainda que estivesse escura agora porque eu tinha perdido a imagem. Mas eu estava longe de tudo o que estava acontecendo ao meu redor. Eu me sentia chocada e abalada demais para me mover. Eu estava consciente do médico e da enfermeira tendo um bate-papo causal enquanto trabalhavam, mas tudo parecia distante, como vago barulho no fundo, difícil de ouvir com todo o som da pulsação do meu próprio sangue em meus ouvidos.

A imagem do corpinho, mutilado e sugado, estava rodando de novo na minha mente, e com ela a imagem do primeiro ultrassom de Grace — como ela tinha aproximadamente o mesmo tamanho. E eu podia ouvir em minha memória um dos muitos argumentos que eu tive com meu marido, Doug, acerca do aborto.

“Quando você estava grávida de Grace, não era um feto; era um bebê”, Doug havia dito. E agora isso me atingiu como um raio. “Ele estava certo! O que estava no útero dessa mulher a apenas um momento atrás estava vivo. Não era apenas massa, apenas células. Era um bebê humano. E estava lutando por sua vida! Uma batalha que ele perdeu numa fração de segundos. O que eu disse para as pessoas durante anos, o que tenho crido, ensinado e defendido, é mentira”.

De repente senti os olhos do médico e da enfermeira em mim. Fiquei abalada e sem saber o que pensar. Notei a sonda caída na perna da mulher e tateei para colocá-la de volta no lugar. Mas minhas mãos estavam tremendo agora.

“Abby, está tudo bem com você?” o médico perguntou. Os olhos da enfermeira sondaram a minha face com preocupação.

“Sim, estou bem”. Eu ainda não tinha conseguido colocar a sonda na posição correta, e agora eu estava preocupada porque o médico não estava conseguindo ver o interior do útero. Minha mão direita segurava a sonda, e minha mão esquerda descansava timidamente na barriga quente da mulher. Dei uma espiada rápida na face dela — mais lágrimas e uma expressão facial de sofrimento. Movi a sonda até recapturar a imagem do útero dela agora vazio. Meus olhos voltaram a olhar minhas mãos. Olhei para elas como se nem fossem minhas.

Quantos estragos essas mãos fizeram durante os oito anos passados? Quantas vidas foram tiradas por causa delas? Não só por causa das minhas mãos, mas também por causa das minhas palavras. E se eu tivesse conhecido a verdade, e se eu tivesse contado a todos aquelas mulheres?

E se?

Eu havia acreditado numa mentira! Eu havia cegamente promovido o “programa da empresa” por muito tempo. Por quê? Por que eu não tinha feito pesquisas para descobrir a verdade por mim mesma? Por que eu fechei os ouvidos para os argumentos que eu havia ouvido? Oh, Deus, o que eu havia feito?

Minha mão ainda estava na barriga da paciente, e eu estava tendo a sensação de que eu tinha acabado de arrancar dela algo com essa mão. Eu a tinha roubado. E minha mão tinha começado a doer — eu estava sentindo uma real dor física. E bem ali, quando eu estava em pé ao lado da mesa, com a mão na barriga da mulher em choro, este pensamento veio do fundo de dentro de mim:

“Nunca mais! Nunca mais”.

Entrei num estado automático, agindo como um robô. Enquanto a enfermeira limpava a mulher, eu afastava a máquina de ultrassom. Então, gentilmente despertei a paciente, que estava mancando e grogue. Eu a ajudei a se sentar, convenci-a a usar uma cadeira de rodas, e levei-a à sala de recuperação. Envolvi-a num cobertor leve. Como tantas pacientes que eu tinha visto antes, ela continuou a chorar, em óbvio sofrimento emocional e físico. Fiz tudo o que pude para deixá-la com mais conforto.

Dez minutos, talvez 15 no máximo, haviam passado desde que Cheryl tinha pedido para eu ajudá-la na sala de exames. E nesses poucos minutos, tudo mudou. Drasticamente. A imagem daquele bebezinho se torcendo e lutando ficou rodando de novo na minha mente. E a paciente. Senti-me tão culpada. Eu havia tirado algo precioso dela, e ela nem mesmo sabia disso.

Como é que isso tinha vindo a ocorrer? Como é que deixei isso acontecer? Eu havia investido a mim mesma, meu coração, minha carreira na Federação de Planejamento Familiar porque eu me importava com as mulheres que estavam em crise. E agora eu mesma estava enfrentando uma crise que era só minha.

Recordando agora aquele dia no final de setembro de 2009, compreendo como Deus é sábio por não revelar nosso futuro para nós. Se eu tivesse sabido então a tormenta que eu estava para sofrer, talvez eu nunca tivesse a coragem de ir em frente. De qualquer forma, já que eu não sabia, eu não estava ainda buscando coragem. Contudo, eu estava buscando compreender como me encontrei nesse lugar — vivendo mentiras, espalhando mentiras e trazendo sofrimento para as próprias mulheres que eu tanto queria ajudar.

E eu precisava desesperadamente saber o que fazer em seguida.

Esta é a minha história.

Para ler o restante do livro, clique aqui.

* Nota do tradutor: A Federação de Planejamento Familiar é a maior rede de clínicas de aborto dos EUA.

Artigos relacionados:

Ex-diretora de clínica de aborto descreve ter assistido à luta de um bebê em gestação antes de ser abortado

Federação de Planejamento Familiar promove aborto por lucro

Diretora de clínica de aborto se demite depois de assistir a uma ultra-sonografia de aborto

Traduzido por Julio Severo: http://www.juliosevero.com/

“Já está quase no fim”, sussurrei. Eu queria ficar focada nela, mas meus olhos rapidamente voltaram para a imagem na tela.

No começo, o bebê não estava consciente da cânula, que gentilmente examinou o lado dele, e por um rápido segundo senti alívio. “É claro”, pensei. O feto não sente dor. Eu tinha assegurado a inúmeras mulheres disso conforme a Federação de Planejamento Familiar havia me ensinado. “A massa fetal nada sente quando é removida. Por isso, controle-se, Abby. Essa é uma operação simples e rápida”. Minha cabeça estava trabalhando muito para controlar minhas reações, mas eu não estava conseguindo abalar uma inquietação interior que estava rapidamente se transformando em terror enquanto eu assistia à tela.

O próximo movimento foi o súbito puxão de um pezinho enquanto o bebê começou a dar chutes, como se estivesse tentando se afastar do invasor examinador. À medida que a cânula pressionava o lado dele, o bebê começou a lutar para virar e escapar. Parecia claro para mim que ele estava conseguindo sentir a cânula, e ele não estava gostando do que estava sentindo. E então a voz do médico cortou o ar, me espantando.

“Mais luz aqui, Scotty”, ele disse despreocupadamente para a enfermeira. Ele estava dizendo a ela que ligasse a sucção — numa operação de aborto a sucção não é ligada até o médico sentir que tem a cânula exatamente no lugar certo.

Tive um impulso súbito de gritar “Parem!” para abalar a mulher e dizer: “Olhe para o que está acontecendo com o seu bebê! Acorde! Rápido! Impeça-os!”

Mas ao mesmo tempo em que pensei nessas palavras, olhei para a minha mão segurando a sonda. Eu era um “deles” realizando esse ato. Meus olhos rapidamente voltaram para a tela de novo. A cânula já estava sendo girada pelo médico, e agora eu conseguia ver o corpinho sendo violentamente torcido pela cânula. Nesse momento brevíssimo parecia como se o bebê estivesse sendo torcido como um pano de prato, torcido e espremido. E então começou a desaparecer dentro da cânula diante dos meus olhos. A última coisa que vi foi a espinha dorsal, pequenina e perfeitamente formada, sendo sugada pelo tubo, e então se foi. E o útero estava vazio. Totalmente vazio.

Fiquei petrificada, sem poder acreditar. Sem perceber, larguei a sonda, que deslizou pela barriga da paciente e foi parar numa das pernas dela. Eu estava conseguindo sentir meu coração batendo muito — batendo tão forte que meu pescoço palpitava. Tentei respirar fundo, mas parecia que eu não estava conseguindo respirar. Meus olhos ainda estavam parados na tela, ainda que estivesse escura agora porque eu tinha perdido a imagem. Mas eu estava longe de tudo o que estava acontecendo ao meu redor. Eu me sentia chocada e abalada demais para me mover. Eu estava consciente do médico e da enfermeira tendo um bate-papo causal enquanto trabalhavam, mas tudo parecia distante, como vago barulho no fundo, difícil de ouvir com todo o som da pulsação do meu próprio sangue em meus ouvidos.

A imagem do corpinho, mutilado e sugado, estava rodando de novo na minha mente, e com ela a imagem do primeiro ultrassom de Grace — como ela tinha aproximadamente o mesmo tamanho. E eu podia ouvir em minha memória um dos muitos argumentos que eu tive com meu marido, Doug, acerca do aborto.

“Quando você estava grávida de Grace, não era um feto; era um bebê”, Doug havia dito. E agora isso me atingiu como um raio. “Ele estava certo! O que estava no útero dessa mulher a apenas um momento atrás estava vivo. Não era apenas massa, apenas células. Era um bebê humano. E estava lutando por sua vida! Uma batalha que ele perdeu numa fração de segundos. O que eu disse para as pessoas durante anos, o que tenho crido, ensinado e defendido, é mentira”.

De repente senti os olhos do médico e da enfermeira em mim. Fiquei abalada e sem saber o que pensar. Notei a sonda caída na perna da mulher e tateei para colocá-la de volta no lugar. Mas minhas mãos estavam tremendo agora.

“Abby, está tudo bem com você?” o médico perguntou. Os olhos da enfermeira sondaram a minha face com preocupação.

“Sim, estou bem”. Eu ainda não tinha conseguido colocar a sonda na posição correta, e agora eu estava preocupada porque o médico não estava conseguindo ver o interior do útero. Minha mão direita segurava a sonda, e minha mão esquerda descansava timidamente na barriga quente da mulher. Dei uma espiada rápida na face dela — mais lágrimas e uma expressão facial de sofrimento. Movi a sonda até recapturar a imagem do útero dela agora vazio. Meus olhos voltaram a olhar minhas mãos. Olhei para elas como se nem fossem minhas.

Quantos estragos essas mãos fizeram durante os oito anos passados? Quantas vidas foram tiradas por causa delas? Não só por causa das minhas mãos, mas também por causa das minhas palavras. E se eu tivesse conhecido a verdade, e se eu tivesse contado a todos aquelas mulheres?

E se?

Eu havia acreditado numa mentira! Eu havia cegamente promovido o “programa da empresa” por muito tempo. Por quê? Por que eu não tinha feito pesquisas para descobrir a verdade por mim mesma? Por que eu fechei os ouvidos para os argumentos que eu havia ouvido? Oh, Deus, o que eu havia feito?

Minha mão ainda estava na barriga da paciente, e eu estava tendo a sensação de que eu tinha acabado de arrancar dela algo com essa mão. Eu a tinha roubado. E minha mão tinha começado a doer — eu estava sentindo uma real dor física. E bem ali, quando eu estava em pé ao lado da mesa, com a mão na barriga da mulher em choro, este pensamento veio do fundo de dentro de mim:

“Nunca mais! Nunca mais”.

Entrei num estado automático, agindo como um robô. Enquanto a enfermeira limpava a mulher, eu afastava a máquina de ultrassom. Então, gentilmente despertei a paciente, que estava mancando e grogue. Eu a ajudei a se sentar, convenci-a a usar uma cadeira de rodas, e levei-a à sala de recuperação. Envolvi-a num cobertor leve. Como tantas pacientes que eu tinha visto antes, ela continuou a chorar, em óbvio sofrimento emocional e físico. Fiz tudo o que pude para deixá-la com mais conforto.

Dez minutos, talvez 15 no máximo, haviam passado desde que Cheryl tinha pedido para eu ajudá-la na sala de exames. E nesses poucos minutos, tudo mudou. Drasticamente. A imagem daquele bebezinho se torcendo e lutando ficou rodando de novo na minha mente. E a paciente. Senti-me tão culpada. Eu havia tirado algo precioso dela, e ela nem mesmo sabia disso.

Como é que isso tinha vindo a ocorrer? Como é que deixei isso acontecer? Eu havia investido a mim mesma, meu coração, minha carreira na Federação de Planejamento Familiar porque eu me importava com as mulheres que estavam em crise. E agora eu mesma estava enfrentando uma crise que era só minha.

Recordando agora aquele dia no final de setembro de 2009, compreendo como Deus é sábio por não revelar nosso futuro para nós. Se eu tivesse sabido então a tormenta que eu estava para sofrer, talvez eu nunca tivesse a coragem de ir em frente. De qualquer forma, já que eu não sabia, eu não estava ainda buscando coragem. Contudo, eu estava buscando compreender como me encontrei nesse lugar — vivendo mentiras, espalhando mentiras e trazendo sofrimento para as próprias mulheres que eu tanto queria ajudar.

E eu precisava desesperadamente saber o que fazer em seguida.

Esta é a minha história.

Para ler o restante do livro, clique aqui.

* Nota do tradutor: A Federação de Planejamento Familiar é a maior rede de clínicas de aborto dos EUA.

Artigos relacionados:

Ex-diretora de clínica de aborto descreve ter assistido à luta de um bebê em gestação antes de ser abortado

Federação de Planejamento Familiar promove aborto por lucro

Diretora de clínica de aborto se demite depois de assistir a uma ultra-sonografia de aborto

Traduzido por Julio Severo: http://www.juliosevero.com/

O Senhor Não Rejeitará para Sempre

 Spurgeon
 
"Pois o Senhor não rejeitará para sempre." Lamentações 3:31

Ele poderia rejeitar por um tempo, porem não para sempre. Uma mulher poderia prescindir de seus adornos por uns dias, mas não os esqueceria, nem os jogaria fora no lixão. O Senhor não costuma rejeitar aqueles aos quais ama: pois "como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim.(João 13:1). Alguns falam de estar na graça ou fora da graça, como se fôssemos coelhos que entram e saem de suas tocas - mas, na verdade, não é assim. O amor do Senhor é um assunto mais sério e permanente que isso.

Ele nos elegeu desde a eternidade, e nos amará por toda a eternidade. Ele nos amou de tal forma para até morrer por nós, e, portanto, podemos estar seguros de que Seu amor jamais morrerá. Sua honra está tão envolvida na salvação do crente, que não pode rejeitar-lo como tampouco poderia rejeitar suas próprias roupas correspondentes a seu ofício de Rei da Glória. Não, não! O Senhor Jesus, como Cabeça, nunca rejeita Seus membros - como Esposo, nunca rejeita a Sua esposa.

Vocês pensaram que eram rejeitados: Por quê pesaram tão mal do Senhor que os desposou com Ele? Rejeitem tais pensamentos, e não permitam jamais que se alojem em suas almas outra vez."Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu."(Romanos11:2)"o SENHOR, o Deus de Israel diz que odeia o repúdio"(Malaquias 2:16).

______________________
trad. Projeto Spurgeon

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Gratidão

Graça e paz!
Sou grato a Deus pelas bençãos que me deu, como família, trabalho. Já passei por muitas lutas e o Deus Soberano me deu vitória e hoje 10/01/2010 onde completo 36 anos de vida destes são quinze na presença de Deus, então posso dizer: Muito Obrigado Senhor! "Só o Senhor é Deus" (I Rs 18.21)

Liturgia Reformada

Prefácio ao Saltério Genebrino

Márcio Viana

Sabemos que a Salmodia ou Cântico dos Salmos é bastante antiga. Desde os primórdios da História da Igreja o povo de Deus entoavam os hinos bíblicos ao maravilhoso Deus Javé. Os Salmos era o antigo hinário inspirado de Israel e da Igreja Primitiva.
O Livro de Salmos é uma coleção de hinos de Israel, escritos por diferentes autores, durante um período de mais ou menos 800 anos. Há vários tipos de salmos: hinos de louvor a Deus; orações pedindo ajuda, proteção e salvação; pedidos de perdão; canções de agradecimento pelas bendições de Deus; orações em favor do rei; canções para ensinarem as pessoas a fazerem o bem; súplicas para que Deus castigue os inimigos; e outros. As orações ás vezes são pessoais; outras vezes são nacionais, em favor de todo o povo. A forma usada na poesia hebraica se chama de paralelismo, que aliado à riqueza de comparações, dá graça e beleza aos Salmos.
A palavra Salmos (Tehillim  no hebraico que significa  Cânticos de Louvor ou Louvores) ganhou esse nome quando em 200 a.C. foi feita a tradução do Antigo Testamento hebraico para o idioma grego por 70 sábios judeus. Esta tradução ficou conhecida como a Versão dos Setenta ou Septuaginta (LXX). Nesta versão, os Salmos recebem o título de Psalmói: Cânticos entoados com o auxílio de instrumentos de cordas, o Psalteriôn, que na época do Antigo Testamento já era bastante conhecido (Sl 33.2; Sl 108.2; e Sl 144.9). Daí o Livro de Salmos (ou Liber Salmorum conforme a tradução latina de Jerônimo feita no século IV conhecida por Vulgata) ser conhecido também por Saltério.
Jesus cantou os Salmos junto com seus discípulos. Na instituição da Santa Ceia com toda certeza Jesus e os discípulos fizeram uso dos Salmos (Mt 26. 26-30) principalmente os Salmos do Hallel (Sl 105-107; 111-118; 135; 136; 146-150) que eram cantados quando os cordeiros eram sacrificados pelos sacerdotes judeus na grande Festa da Páscoa. Possivelmente o apóstolo Paulo fizera uso do Saltério quando estava preso junto com Silas, pois o Livro dos Salmos era o hinário mais conhecido entre os judeus ( At 16. 25).
A igreja Primitiva utilizava o Saltério cantando-o nas reuniões públicas nas catacumbas e nos martírios. No século IV, Agostinho experimentou a Salmodia como um dos melhores meios de consolo e estímulo. Em sua época cantava-se os Salmos junto com hinos seguindo a tradição das igrejas do Oriente (ver Confissões de Agostinho 9, 7) o que gerou mais tarde grande polêmica pois vários hinologistas queriam introduzir seus próprios hinos com seus próprios estilos na liturgia da igreja havendo disputas entre si. A situação só foi resolvida com o Concílio de Nicéia, realizado no século IV, que condenou este abuso e decretou que somente se cantassem e se lessem na igreja as Escrituras canônicas dos profetas e dos apóstolos. Nisto estava incluídos os Salmos.
A Salmodia atravessou os séculos chegando até o tempo da Reforma Protestante. Foi o grande Reformador francês João Calvino que deu novo impulso ao Cântico de Salmos. Ele julgava que o Livro de Salmos era um dos fatores de maior importância na vida dos crentes para despertar os corações para uma oração contínua e ardente. (João Calvino, Institutas da Religião Cristã livro III, XX, 32). Calvino dizia que “Não existe outro livro onde mais se expressem e magnifiquem as celebrações divinas, seja da liberalidade de Deus sem paralelo em favor de sua Igreja, seja de todas as suas obras. (...) Não há outro livro em que somos mais poderosamente estimulados à realização desse sacro exercício.” (João Calvino, O Livro dos Salmos, Vol. 1. p. 35, 36.) Calvino considerava os Salmos como “Uma Anatomia de Todas as Partes da Alma.” (João Calvino, O Livro dos Salmos, Vol. 1, p. 33).
No ano de 1536 Calvino expunha seu desejo de se cantar os Salmos nos cultos públicos. Nos seus “Artigos Sobre A Orientação Do Culto Público” estabelecido em 16 de janeiro de 1537, Calvino afirmava: “O segundo ponto se refere aos Salmos. Desejamos que se cante na igreja, conforme o exemplo da Igreja Primitiva e seguindo o testemunho do apóstolo Paulo, que nos disse que se deve cantar nas reuniões [de culto público] com a boca e com o coração. Nós não fazemos conta do proveito e da edificação que isto nos dá até que tenhamos experimentado. Pois, digo a verdade, conforme fazemos agora no culto, que as orações dos fiéis soam tão frias que devíamos sentir rubor ou vergonha. Os Salmos nos impulsarão a levantar nosso coração a Deus, e despertarão poderosamente nosso favor para invocá-Lo e engrandecer Seu nome com todas as formas de louvores.” (Corpus Reformatorum, XXXVIIIa, Opera Omnia Xá p. 12).
Mas foi somente em 1538 em Estrasburgo que Calvino deu o primeiro passo na confecção do que seria mais tarde o Saltério Genebrino (ou Genebrês ou Huguenote). Ele, com ajuda do poeta francês Clemente Marot, lançou uma pequena coletânea de 19 salmos contendo ainda o Cântico de Simeão, os Dez Mandamentos e o Credo Apostólico todos em verso. Esse pequenino hinário tinha o seguinte título: “ALCUNS PSEAUMES ET CANTIQUES MYS EM CHANT, Strasburg, 1539”.
O próprio Calvino participou na elaboração deste Saltério, conforme nos informa o Dr. Herminsten Maia Pereira da Costa nas notas de rodapé da Edição Especial das Intitutas traduzidas do francês pela ed. Cultura Cristã, p. 21: “Calvino... traduziu alguns salmos [Sl 25, 36, 46, 91 e 138], valendo-se efetivamante do talento do poeta francês Clemente Marot (c. 1496 - 1544) – que conhecera em Ferrara em 1536 -, e Theodoro de Beza (1519 – 1605), posteriormente recorreu ao precioso trabalho do compositor francês Loys Borgeois (c. 1510 – c. 1560) – que adaptou as canções populares e antigos hinos latinos e, também, compôs outras músicas para a métrica dos salmos de Marot – e Claude Goudimel (1510 – 1572), que morreu no massacre da noite de São Bartolomeu. O Saltério iniciado por Calvino em 1539 dispunha de 19 salmos, sendo concluído por Beza (c. 1562). Ele tornou-se “um dos livros mais importantes da Reforma”, e um protótipo dos hinários procedentes da Reforma, tendo um verdadeiro “dom de línguas”, sendo traduzido para o alemão, holandês, italiano, espanhol, boêmio, polonês, latim, hebraico, malaio, tamil, inglês etc., sendo usado por católicos, luteranos e outras denominações”.
No Prefácio da edição de 1542 do Saltério Genebrino, Calvino escreveu: “... Nós sabemos por experiência que o canto tem grande força e vigor para mover e inflamar o coração dos homens, a fim de invocar e louvar a Deus com um mais veemente e ardente zelo”.
Um refugiado que visitou a igreja de Calvino em Estrasburgo descreveu emocionado o que viu:
“Todos cantam, homens e mulheres, e é um belo espetáculo. Cada um tem um livro de cânticos nas mãos [Saltério]. (...) Olhando para esse pequeno grupo de exilados, chorei, não de tristeza, mas de alegria, por ouvi-los todos cantando tão sinceramente, enquanto cantavam agradecendo a Deus por tê-los levado a um lugar onde Seu nome é glorificado”.
Calvino não usava instrumentos musicais em sua congregação. Achava que a utilização de instrumentos lembrava a igreja papista e que não havia qualquer menção a isto no Novo Testamento. Dizia que as Igrejas Apostólicas não utilizavam instrumentos musicais. Por causa disso o Senado de Genebra tentou vender todos os órgãos existentes na cidade o que não conseguiu. Então os órgãos foram deixados de lado nas igrejas. Calvino reintroduziu o canto congregacional da Igreja Primitiva nas congregações genebrinas em detrimento dos corais. Com certeza uma reação aos corais católicos onde só uma parte de pessoas ou o clero podiam cantar.
A partir daí o canto congregacional dos Salmos espalhou-se nas igrejas Reformadas de França, Suíça, Holanda, Alemanha etc. Na Escócia foi introduzido pelo fundador do Presbiterianismo, John Knox (discípulo de João Calvino), sendo seguido mais tarde pelos ingleses. No século XVII os Puritanos (reformados ingleses e escoceses de várias denominações presbiterianas, batistas e congregacionais  chamados pejorativamente desse nome por desejarem mais pureza no culto, na doutrina e na vida) reuniram-se na Abadia de Westminster em 12 de junho de 1643 a mando do Parlamento para elaborarem uma nova Confissão de Fé para a igreja da Inglaterra seguindo o modelo das igrejas genebrinas. Dessas sessões saíram a Confissão de Fé de Westminster, o Catecismo Maior, o Catecismo Menor, um Diretório de Culto e um Saltério. (O Diretório de Culto de Westminster, Prefácio edição de 2000, editora Os Puritanos, São Paulo- SP).
O Diretório de Culto de Westminster afirmava isto no item Do Cântico dos Salmos: “É dever dos cristãos louvar a Deus publicamente cantando Salmos juntos na Igreja, e também em particular na família”.
Ao cantar os Salmos, a voz deverá ser afinada e ordenada com seriedade; mas o cuidado maior precisa ser o de cantar com o entendimento e com graça no coração, erguendo melodias ao Senhor.
Para que toda a Igreja possa se unir no canto, todas as pessoas que sabem ler deverão ter um hinário dos Salmos; e os demais que não estejam incapacitados por idade ou outro motivo, são exortados a que aprendam a ler. Mas no momento, quando há muitos na Igreja que não sabem ler, é conveniente que o Ministro [Pastor], ou algum outro indivíduo apto por ele e os outros presbíteros. leia os Salmos, cada verso por sua vez, antes de ser cantado”.
Conforme ordenava a Confissão de Fé de Westminster no capítulo XXI - Do Culto Religioso e Do Domingo, parágrafo V: “A leitura das Escrituras, com santo temor, a sã pregação da Palavra e a consciente atenção a ela, em obediência a Deus, com entendimento, fé e reverência; o cântico de salmos (grifos nossos), com gratidão no coração; bem como...” (A Confissão de Fé de Westminster, editora Cultura Cristã, 17ª edição – 2001, Cambuci – São Paulo – SP).
Desejamos de todo coração que todas as igrejas Presbiterianas e Evangélicas Reformadas lusófonas cantem os Salmos para o Senhor conforme a tradição do povo  de Israel e da Igreja Primitiva resgatada pelos antigos Reformadores.
A Deus seja toda glória!

Extraído do site: http://www.eleitosdedeus.org

Isto É Uma Vergonha!!!

Duas pastoras lésbicas casam-se em Boston, Massachusetts

A Reverenda Katherine Hancock Ragsdale, decana e presidente da Escola Episcopal Divinity, e Mally Lloyd, cânone ordinária, se casaram, no Sábado, na Catedral de St. Paul, em Boston, diante de aproximadamente 400 convidados. A Sua Excelência Reverendíssima Thomas M. Shaw, o bispo da Diocese Episcopal de Massachusetts, celebrou o casamento.

Para os anglicanos ortodoxos, o matrimônio entre lésbicas foi outro ato de desafio.

Esta é outra ação de desprezo imprudente pela vida da Comunhão Anglicana e a autoridade da Bíblia da Igreja Episcopal,” o Rt. Rev. David C. Anderson, presidente e diretor geral do Conselho Americano Anglicano, disse ao The Christian Post. “Eles continuam ignorando os pedidos das petições da Comunhão para a restrição e continuam seu próprio caminho.”

A Igreja Episcopal dos EUA define o matrimônio como entre um homem e uma mulher. Mas em 2009, o organismo nacional aprovou uma resolução que permite aos bispos, em particular em jurisdições civis onde o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo e as uniões civis são legais, de “generosa resposta pastoral a satisfazer as necessidades dos membros desta Igreja.”

Este ano, Shaw deu bandeira branca para o clero das dioceses de Massachusetts para celebrar os casamentos. O casamento do mesmo sexo foi legalizado em Massachusetts em 2004.



A bênção das uniões do mesmo sexo dentro da Igreja Episcopal não é nada novo, e tais ações tem chamado a reprimenda da Comunhão Anglicana, que se compõe de mais de 77 milhões de membros em todo o mundo.

Os líderes anglicanos de todo o mundo acordaram uma moratória da benção das uniões do mesmo sexo em 2004. Também acordaram a prática da suspensão na consagração dos bispos que vivem em relações do mesmo sexo. Mas o corpo dos EUA continuou desafiando a moratória diante da frustração dos anglicanos conservadores.

Robert H. Lundy, porta-voz do Conselho Americano Anglicano, assinalou que a Igreja Episcopal desde há muito tempo abençõa as uniões do mesmo sexo. Mas a última união entre Ragsdale, 52 anos, e Lloyd, 57 anos, está sendo considerada como um matrimônio, e o primeiro matrimônio entre lésbicas do clero episcopal.

Para muitas pessoas, isto é dividir os cabelos,” comentou Lundy. “Pode ser a primeira vez que se chama matrimônio, mas não nada novo.”

Tudo isto vai ilustrar melhor, para aqueles ao redor da Comunhão, o que temos falado aqui,” disse. E a AAC há muito tempo disse que a Igreja Episcopal se afastou do Cristianismo e o Magistério da Comunhão Anglicana tradicional.

Para a maioria das pessoas, já se quebrou o vidro há muito tempo,” disse Lundy.

O ano passado, a Igreja Episcopal consagrou seu segundo bispo abertamente gay, apesar dos apelos da Comunhão Anglicana para a prática de “retenção de graça.”
Fonte: The Christian Post

A Verdadeira Prosperidade

"aquele que atende também será atendido." Provérbios 11:25b

Se eu considero cuidadosamente a outros, Deus me considerará - e de uma maneira ou outra me recompensará. Devo considerar aos pobres, e o Senhor me terá em conta. Devo cuidar dos pequenos, e o Senhor me tratará como Seu pequenino. Devo alimentar a Seu rebanho, e Ele me alimentará. Devo regar Seu jardim, e Ele converterá minha alma em um jardim irrigado. Essa é a própria promessa do Senhor- a mim, corresponde cumprir a condição e logo esperar seu cumprimento.

Poderia preocupar-me comigo até ficar mórbido; poderia vigiar meus próprio sentimentos até não sentir nada; e poderia lamentar minha própria debilidade até ficar extremamente frágil para lamentar-me . Seria muito mais conveniente para mim converter-me em um abnegado, e por amor a meu Senhor Jesus, que começasse a preocupar-me pelas almas dos que me rodeiam. Meu tanque está esvaziando - as chuvas frescas não chegam para encher-lo; o que farei? Vou tirar a tampa, e deixar que seu conteúdo saia para regar as plantas que estão murchando em minha volta. O que vejo? minha cisterna parecia encher-se conforme esvaziava! Um manancial secreto está brotando! Enquanto tudo estava estancado, o fresco manancial estava selado; porem, conforme minha reserva flui para fora para regar a outros, o Senhor pensa em mim. Aleluia!

____________________________
trad. projeto Spurgeon

Meios de Graça

Evidências bíblicas para o batismo por aspersão

Heitor Alves

Há muita polêmica em torno da maneira como o batismo deve ser administrado. É por imersão (mergulhar em água) ou por aspersão (derramamento de água)? Como a Bíblia é silenciosa quanto a forma, gera-se não poucos debates entre os imersionistas e os aspersionistas.
Os imersionistas tentam provar que a imersão é a forma correta de se ministrar o batismo, mas as interpretações que eles fazem de alguns textos bíblicos para defender o batismo por imersão são superficiais, incongruentes e infundadas.
Ainda que ficasse provado que os apóstolos batizavam por imersão, que João Batista batizava por imersão ou que Jesus foi imerso, ainda assim poderíamos continuar batizando por aspersão, sem desobedecer a Bíblia, pois no batismo a água é um símbolo; com isso, não importa a quantidade de água utilizada no sacramento. A eficácia do batismo não está na quantidade de água utilizada, pois é apenas um ritual visível de uma Verdade invisível já presente na vida do crente. Jesus não definiu a quantidade de água que devia ser usada. Ele nem falou em “água” na instituição!
No entanto, apesar de reconhecer que a Bíblia não diz claramente como deve ser a forma, acredito que ela dá “pistas”, de como dever ser a maneira de ser administrado o batismo. Não há mandamentos do tipo “Batizai por aspersão” ou “Batizai por imersão”, mas encontramos algumas dicas de como o batismo deve ser administrado. Vamos a elas.

A Função da Água no Batismo

Se na instituição do batismo Jesus não mencionou “água”, por que temos de usar água no batismo?
A água faz parte do batismo porque ela é um símbolo de purificação. A água aparece tanto no AT como no NT. Veja:
Disse também o SENHOR a Moisés: Vai ao povo e purifica-o hoje e amanhã. Lavem eles as suas vestes... (Êx 19.10).
Moisés, tendo descido do monte ao povo, consagrou o povo; e lavaram as suas vestes. (Êx 19.14).
Note que o lavar as vestes fez parte da purificação do povo.
Quando Deus deu instruções para a edificação do tabernáculo, ordenou que fosse colocada uma bacia de bronze entre a tenda da congregação e o altar para que, nela, os sacerdotes lavassem as mãos e os pés antes de chegarem ao altar para ministrar os sacrifícios. Este lavar as mãos e pés fazia parte da purificação dos sacerdotes.
Agora veja o seguinte texto:
Toma os levitas do meio dos filhos de Israel e purifica-os; assim lhes farás, para os purificar: asperge sobre eles a água da expiação... (Nm 8.6,7).
Note mais uma vez que a purificação dos levitas deveria ser com água.
Vemos também que todas as cerimônias de purificação registradas no livro de Levítico incluíam o uso da água (Lv 15-17).
Nas bodas em Caná da Galiléia, onde Jesus fez o seu primeiro milagre, havia “seis talhas de pedra, que os judeus usavam para as purificações” (Jo 2.6). Estas purificações eram cerimonias, seguindo os mesmos moldes das purificações do Antigo Testamento.
A água é usada porque é um agente universal de limpeza. É um símbolo de pureza espiritual.

A Aspersão no Antigo Testamento

A aspersão era uma prática comum nos rituais de purificação registrados no Antigo Testamento. A confirmação da aliança de Deus com Israel foi selada com a aspersão. Veja:
Moisés escreveu todas as palavras do SENHOR e, tendo-se levantado pela manhã de madrugada, erigiu um altar ao pé do monte e doze colunas, segundo as doze tribos de Israel. E enviou alguns jovens dos filhos de Israel, os quais ofereceram ao SENHOR holocaustos e sacrifícios pacíficos de novilhos. Moisés tomou metade do sangue e o pôs em bacias; e a outra metade aspergiu sobre o altar. E tomou o Livro da Aliança e o leu ao povo; e eles disseram: Tudo o que falou o SENHOR faremos e obedeceremos. Então, tomou Moisés aquele sangue, e o aspergiu sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o SENHOR fez convosco a respeito de todas estas palavras. (Êx 24.4-8).
A celebração do Dia da Expiação, uma das festas mais importantes dos judeus, também era selada com a aspersão:
Da congregação dos filhos de Israel tomará dois bodes, para a oferta pelo pecado, e um carneiro, para holocausto. Arão trará o novilho da sua oferta pelo pecado e fará expiação por si e pela sua casa. (...) Tomará do sangue do novilho e, com o dedo, o aspergirá sobre a frente do propiciatório; e, diante do propiciatório, aspergirá sete vezes do sangue, com o dedo. Depois, imolará o bode da oferta pelo pecado, que será para o povo, e trará o seu sangue para dentro do véu; e fará com o seu sangue como fez com o sangue do novilho; aspergi-lo-á no propiciatório e também diante dele. (...) Do sangue aspergirá, com o dedo, sete vezes sobre o altar, e o purificará, e o santificará das impurezas dos filhos de Israel. (Lv 16.5,6,14,15,19).

O profeta Ezequiel, profetizando sobre a restauração de Israel, disse: “Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados” (Ez 36.25). O profeta Isaías, quando profetizou que o Senhor derramaria o seu Espírito, disse: “Porque derramarei água sobre o sedento e torrentes, sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção, sobre os teus descendentes” (Is 44.3). A linguagem profética destes dois textos é simbólica mas a forma utilizada é a aspersão. Isso evidencia que a aspersão de água é o modo escolhido por Deus para purificar seu povo.
A purificação dos levitas era por aspersão:
Toma os levitas do meio dos filhos de Israel e purifica-os; assim lhes farás, para os purificar: asperge sobre eles a água da expiação; e sobre todo o seu corpo farão passar a navalha, lavarão as suas vestes e se purificarão (Nm 8.6,7).
Deus não estava dando uma “idéia” a Moisés de como ele deveria proceder com a purificação. Era um mandamento explícito. Deveria ser por aspersão porque o próprio Deus assim falou. É o que chamamos de Princípio regulador do Culto. Assim como Deus ordenou que a Arca deveria ser levada nos ombros, ou que Moisés deveria falar à pedra para que jorrasse água, ou que não colocasse fogo estranho no tabernáculo, da mesma forma, Deus ordenou que a purificação deveria ser aspergindo água nos levitas.
Supor que se purificavam por imersão é supor que agiam sem mandamento; é supor que agiam contra as mais claras instruções positivas a respeito da purificação. Seus batismos e purificações estavam estabelecidos pela lei.
Vejam outro exemplo de purificações por aspersão:
Todo aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, e não se purificar, contamina o tabernáculo do SENHOR; essa pessoa será eliminada de Israel; porque a água purificadora não foi aspergida sobre ele, imundo será; está nele ainda a sua imundícia. (...) O limpo aspergirá sobre o imundo ao terceiro e sétimo dias; purificá-lo-á ao sétimo dia; e aquele que era imundo lavará as suas vestes, e se banhará na água, e à tarde será limpo. No entanto, quem estiver imundo e não se purificar, esse será eliminado do meio da congregação, porquanto contaminou o santuário do SENHOR; água purificadora sobre ele não foi aspergida; é imundo. (Nm 19.13,19,20).

Primeiro eu citei a Bíblia, agora vou citar um documento que visa apenas ser uma referência histórica das purificações dos judeus. É o livro de Eclesiástico. Mesmo que o livro de Eclesiástico não faça parte do Cânon Sagrado, e por conseguinte, não ser regra de fé e de prática, ainda assim ele poder nos ser útil apenas para informações históricas. Veja o que diz o capítulo 34.25: “Aquele que se batiza depois de haver tocado num corpo morto, e torna a tocá-lo, de que lhe valerá o ter-se lavado?”. O texto histórico está em plena concordância com o que diz o texto sagrado de Números.

A Idéia do Batismo no Novo Testamento

Dois textos são suficientes para concluirmos que o Novo Testamento não faz nenhuma ligação entre o batismo e a forma imersionista.
Paulo diz:
“... tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés.” (1Co 10.2).

Ora, como é possível um batismo na nuvem por imersão? Mesmo que seja uma afirmativa figurada, ainda assim a idéia fica meio sem lógica. O método da aspersão estaria mais adequada para o texto em questão, pois a nuvem esteve sempre acima do povo judeu durante o dia, e a passagem do mar foi a pés enxutos. As águas do mar sempre estiveram dos lados e acima formando uma grande parede enquanto o povo ia passando. Não tem o que discutir aqui: o povo não foi imergido no mar durante a travessia.
Outro texto:
...os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água, a qual, figurando o batismo, agora também vos salva, não sendo a remoção da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo (1Pe 3.20,21).

As Escrituras nos dizem que o episódio do dilúvio e da arca de Noé é figura, ou seja, um tipo do batismo cristão. Simboliza tanto o julgamento sobre os ímpios como salvação para a família de Noé. Se olharmos em Gênesis 7.13-24, veremos que a arca com os justos (que são os que devem receber o batismo) não foi imersa em água, ao contrário a água foi derramada, isto é aspergida do céu em forma de chuva e a arca flutuou sobre as águas da grande enchente, trazendo salvação sobre os tripulantes da arca. Já os ímpios foram submersos (imersão) em água, trazendo perdição para suas vidas. O batismo dos ímpios, que foi por imersão, mostra o julgamento contra eles. Qual dos batismos com suas respectivas formas você prefere?
A Bíblia Shedd, que tem como seu editor o dr. Russell P. Shedd (pastor batista), faz o seguinte comentário no texto de 1Pedro 3.21:
3.21 Figurando (lit. “antítipo”) batismo. O tipo são os acontecimentos no tempo de Noé. Compare-se a água do dilúvio (que tanto destruiu os pecadores como sustentou a arca da salvação) com a água do batismo que testifica o julgamento de Deus tomado por Cristo e a salvação providenciada nele, nossa arca.
Até mesmo o batista Shedd concorda que o batismo dos ímpios, que ficaram do lado de fora da arca, foi um batismo de destruição. Os ímpios foram submergidos, imersos em um batismo que condenou todos eles.

O Batismo de João Batista

O batismo de João Batista, muito provavelmente era por aspersão. Porque eu digo isso? Há algum texto que indique que o batismo de João Batista era por aspersão? Não. Contudo, tenho convicções de que ele batizava por aspersão seguindo o mesmo modelo de purificações apresentados no Antigo Testamento. Veja:
  1. O profeta Malaquias escreveu o seguinte: “Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim...” (Ml 3.1).
  2. Jesus afirmou que esta profecia se refere a João Batista: “Este é de quem está escrito: Eis aí eu envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti” (Mt 11.10).
  3. A mesma profecia diz que o mensageiro “purificará os filhos de Levi” (Ml 3.3).
  4. Esta purificação, como todas as purificações do Antigo Testamento, era feita aspergindo águas sobre eles: “Toma os levitas do meio dos filhos de Israel e purifica-os; assim lhes farás, para os purificar: asperge sobre eles a água da expiação...” (Nm 8.6,7).
Está difícil concluir que o batismo de João Batista era feita por aspersão? A linguagem da profecia é simbólica, mas a forma que deveria ser usada é a aspersão. Muitos sacerdotes, filhos de Levi, foram batizados por João Batista. E o mais provável é que tenham sido batizados por aspersão, conforma a dá a entender a profecia de Malaquias. Disso não tenho dúvidas.

“Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?”

Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: Quem és tu? Ele confessou e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo. Então, lhe perguntaram: Quem és, pois? És tu Elias? Ele disse: Não sou. És tu o profeta? Respondeu: Não. (...) E perguntaram-lhe: Então, por que batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? (Jo 1.19-21,25).
Aqui temos um detalhe que vai determinar a forma ou a maneira que era realizada o batismo de João Batista. Os judeus perguntaram se ele era Cristo, Elias ou Profeta. Mas, o que o batismo tem a ver com Cristo, Elias ou um dos Profetas? Tudo. Vejamos.
1) Porque batizas, se não és o Cristo? A pergunta envolve o seguinte pensamento: os judeus viram João Batista fazer o que o Messias (Cristo) iria fazer. E o que o Messias iria fazer?
Os judeus sabiam que Moisés, “segundo a lei”, “aspergiu todo o povo”. Sabiam que isso era típico, e que o tipo e a coisa tipificada hão de ter semelhança; e estavam bem familiarizados com os “diversos batismos” do Antigo Testamento, que eram todos feitos por aspersão (ver Hb 9.10,19,20; Nm 19.18-21).
Além disso, esses judeus sabiam o que disseram os profetas. Conheciam as Escrituras que prediziam a vinda do Messias. Ezequiel, evidentemente, indicando as bênçãos do reinado do Messias, havia dito:
Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei.  E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. (Ez 36.25,26)
Isaías também, falando sobre a vinda do Messias, escreveu: “Assim borrifará muitas nações” (Is 52.15).
Deste modo, pode-se ver que, no tocante ao uso da água como ordenança religiosa a lei dizia: “aspergirá o povo” (Hb 9.19; Nm 19.18,20); os profetas diziam: “aspergirá o povo” (Is 44.3; Ez 36.25-27. Com tudo isso em mente, era de se esperar que o Cristo viesse para cumprir a lei e os profetas (Mt 5.17).
Esses judeus tiraram a conclusão de que João Batista seria o Cristo porque ele, João Batista, estava fazendo exatamente aquilo que a lei e os profetas diziam que Cristo iria fazer. Ora, a lei nunca mandou imergir. Nenhum dos profetas disse que o Cristo imergiria. É claríssimo, pois, que esses judeus não teriam concluído que João Batista seria o Cristo, se o tivessem visto a mergulhar gente na água do Jordão.
2) Porque batizas, se não és Elias? O profeta Malaquias declarou que Elias haveria de vir para preparar o caminho do Messias (Ml 3.1; 4.5). “Eis que eu vos envio o profeta Elias”. Em conexão com a vinda de Elias e de nosso Senhor, faz o referido profeta a seguinte declaração: “E purificará os filhos de Levi” (Ml 3.3).
E desde que João Batista se apresentou como o mensageiro, era natural que esses judeus, conhecedores das Escrituras, lhe perguntassem: “És tu Elias?” E o motivo da pergunta é que o próprio Messias ou o seu mensageiro havia de “purificar os filhos de Levi”. Ora, João Batista estava fazendo exatamente isso, pelo que devia ser Elias e, em certo ponto o era, no sentido de exercerem missões semelhantes, embora em épocas diferentes. “E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir” (ver Mt 11.14). Isso mostra como esses judeus compreendiam, neste ponto, as Escrituras do Antigo Testamento. Eles tinham investigado o caso de João Batista à luz das Escrituras e tinham concluído: ele era Elias!
Ora, se João era Elias e havia de purificar os filhos de Levi: De que modo os filhos de Levi deveriam ser purificados? Em Números 8.6,7, somos informados como os filhos de Levi deviam ser purificados: “asperge sobre eles a água”.
As profecias afirmam que Deus derramaria água ou aspergiria água sobre o seu povo. Não existe nenhum texto, nem no Antigo Testamento nem no Novo Testamento, que afirme que Deus imergiria o seu povo em água.
Como seria possível, então, que os judeus chegassem à conclusão de que João Batista era Elias, se ele estivesse a imergir, em vez de aspergir os filhos de Levi, como o Senhor havia ordenado? Mais uma vez concordam a lei e os profetas, mas nunca em favor da imersão, pois é claro que Elias devia aspergir os filhos de Levi, e João Batista era, segundo a interpretação deles, o Elias.
3) Porque batizas, se não és o Profeta? Que tipo de Profeta esperavam os judeus, e baseados em quê?
Aguardavam um profeta semelhante a Moisés. Em Deuteronômio 18.15, Moisés havia dito:
O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás...
Isto significava que o profeta prometido havia de agir à semelhança de Moisés. E o que tinha feito Moisés a todo o povo? Hebreus 9.19 responde:
porque, havendo Moisés proclamado todos os mandamentos segundo a lei a todo o povo, tomou o sangue dos bezerros e dos bodes, com água, e lã tinta de escarlate, e hissopo e aspergiu não só o próprio livro, como também sobre todo o povo...

Segundo a lei, ele havia aspergido todo o povo (Nm 19.18-20). E o que esses judeus teriam visto João Batista fazer que os levou a concluir que ele era o profeta semelhante a Moisés? É claro que o viram aspergir o povo, exatamente como Moisés havia feito. Seria possível tirar tal conclusão se João Batista, em vez de aspergir o povo, como Moisés havia feito, o mergulhasse sob as águas do Jordão, coisa que Moisés nunca fez, que a lei nunca ordenou, que nenhum profeta jamais predisse e que, conseqüentemente, nenhum judeu esperava que o Messias praticasse?
Podemos concluir então:
  1. Se os judeus foram levados a crer que João Batista era o Cristo, foi porque a lei tipificava e os profetas proclamaram que ele haveria de aspergir água sobre o povo; e o Cristo vinha cumprir a lei e os profetas;
  2. Se eles perguntaram a João Batista se ele era Elias, foi porque este (Elias) haveria de preparar o caminho, aspergindo os filhos de Levi a fim de que estes prestassem ao Senhor um culto aceitável;
  3. Eles indagaram a João Batista se ele era o profeta semelhante a Moisés, porque ele estava aspergindo o povo, exatamente como Moisés tinha feito.

O Derramamento do Espírito e a Aspersão

Outra forte evidência de que João Batista batizava por aspersão está na forma como Jesus anunciou o batismo com o Espírito Santo. Ele disse:
Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo (At 1.5).
No dia de Pentecostes eles receberam este batismo:
Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar... Todos ficaram cheios do Espírito Santo... (At 2.1,4).
Este era o cumprimento da profecia de Joel:
E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias. (Jl 2.28,29).
Jesus usou a mesma construção gramatical para batismo com água e batismo com o Espírito Santo. E, segundo a profecia de Joel, O Espírito Santo seria derramado sobre as pessoas. Pedro testemunhou que o Espírito Santo foi derramado sobre eles: “Quando, porém, comecei a falar, caiu o Espírito Santo sobre eles, como também sobre nós, no princípio. Então, me lembrei da palavra do Senhor, quando disse: João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo” (At 11.15,16). Percebam que Pedro associou o derramamento do Espírito com o batismo com água.
Se no batismo com o Espírito Santo o Espírito caiu, ou foi derramado, sobre as pessoas, então batismo com água significa que a água é derramada sobre as pessoas. A idéia é a mesma.

Conclusão

A partir do que vimos, não há evidências de que a imersão era praticada pelos apóstolos e nem pelos profetas. Os imersionistas insistem em se apegar na ocasião em que quase três mil pessoas foram batizadas no dia de Pentecostes (At 2.37-41) para defenderem sua forma batismal.
Mas o que eles esquecem é que em Jerusalém não havia rio, mas apenas reservatórios de água para uso da população beber e para preparar alimentos. Veja nos mapas das terras bíblicas a cidade de Jerusalém, e verão que há o tanque de Betesda e o tanque de Siloé, além de mais uns dois tanques. É claro que as autoridades locais não permitiriam que os apóstolos imergissem quase três mil pessoas nesses reservatórios. Haveria o risco de contaminar a água e o perigo de proliferação de doenças, e sem contra que raramente chovia no deserto para que o tanque enchesse novamente com água limpa.
Imagine o constrangimento e a dificuldade de se batizar por imersão pessoas enfermas, idosas ou deficientes físicos? Além destas dificuldades, é claro a discriminação que o batismo por imersão faz a pessoas com dificuldades de locomoção.
Além de tudo isso, há um altíssimo risco de morte por afogamento. Estou exagerando? Um garoto de 14 anos morreu afogado em Sergipe quando participava de um batismo evangélico na Praia da Coroa do Meio. Já em Minas Gerais, Marlon Mila Barcelo, de 13 anos morreu afogado durante a celebração de um batismo por uma igreja evangélica de Governador Valadares.
Nós usamos a aspersão porque ela é a forma de batismo que tem mais evidência bíblica, é a mais prática, não discriminaliza ninguém e não mata ninguém por afogamento.
Extraído do site: http://www.eleitosdedeus.org

Existem Apóstolos Modernos




Por Marcelo Lemos

Como escrevi semana passada, são várias as questões que chegam a nós, sendo que algumas delas acabam se repetindo. Dentre as mais comuns,  estão aquelas referentes a prática do Dizimo – e mesmo depois que publicamos o texto “Sobre a obrigatoriedade do dizimo”, nova versão da mesma dúvida nos foi enviada. Outra classe de perguntas frequentes diz respeito a atualidade dos dons, e hoje, com a Graça de Deus, queremos responder uma delas.

Antes de prosseguirmos, recomendo a leitura dos textos publicados em nossa categoria sobre “Atualidade dos Dons”, nela reúno textos que refletem extratos da minha teologia sobre este tema. E, a fim de auxiliar o leitor a ter uma compreensão mais abrangente do meu pensamento, aconselho em especial o texto “O Batismo com o Espírito Santo”, de minha autoria. O texto é meu, mas não advogo qualquer originalidade no tratamento da questão, de fato, minha teologia carismática recebe forte influencia do Bispo anglicano John Stott, em seu livro “Batismo e Plenitude do Espírito Santo” (altamente recomendado!).

As minhas observações que se seguem são bem especificas, e pretendem responder a algumas questões também específicas que chegam.

Pergunta do leitor: “Existem apóstolos na Igreja de hoje?.

Nominalmente falando, existem. Muitos homens e mulheres, sem se esconderem da luz do dia, advogam para si status “apostólico”. Mas, obviamente, a dúvida dos nossos leitores não se refere ao fato, mas a validade do fato. Em se compreendendo a função do Ministério Apostólico no Novo Testamento, compreende-se também a impostura e a perniciosidade do movimento apostólico atual.

Esta minha convicção nasce da função claramente atribuída por S. Paulo a função apostólica: “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra de esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor” (Efésios 2.19-20).

A figura a descrever a Igreja é de fácil compreensão: um edifício que vai sendo construído sobre um firme fundamento. Há na figura o estático, o imutável, e o dinâmico, que tanto cresce e evolui, quanto se deteriora e se reforma. O fundamento é o imutável, o que não se altera no tempo. O fundamento é Cristo, a pedra angular, revelado a nós hoje, por meio de seus mensageiros, ontem inspirados pelo Santo Espírito (profetas e apóstolos). Defender a existência de apóstolos atuais, equivale a negar a Escritura (Antigo e Novo Testamento) como único fundamento da fé cristã. A existência de autoproclamados apóstolos atuais, desnuda o desprezo da cristandade atual por um dos pilares da fé reformada, Sola Scriptura.

O edifício místico, a Igreja mesma, não é estático, esta ainda sendo construído, e assim é enquanto houver o homem não-glorificado, pecador. Ao contrário do Fundamento, o edifício não é perfeito, nem imutável; antes, evolui, erra, e carece de Reforma. Como evolui? Pela produção teológica, que nasce da reflexão do Fundamento. Como erra? Afastando-se, em sua reflexão e prática, do Fundamento. Como é capaz de se reformar? Recusando-se a tornar o status co coisa sacrossanta, obrigando-se a autocritica a luz do Fundamento.

Por isso, negue a imutabilidade do Fundamento, torne-o atualizável e passível de evolução, e transforme a fé cristã em algo moldável aos caprichos e as alucinações dos poderosos. Faça isso, e ampute o cristianismo de seu dorso original, relegando-o a um lugar desonroso no Panteão de falsos deuses, que disputam a preferencia da humanidade. Sim, pois o poder fé cristã reside em seu fundamento histórico, sem isso, ela é como outra religião qualquer.

Defender a existência de homens com função apostólica hoje, equivale a dizer que a Bíblia não é suficiente para nossa vida e prática, que ainda precisamos de novas orientações apostólicas, ou seja, carecemos de homens que desfrutam de uma comunhão especial com Deus, com acesso a novas revelações, e sob a autoridade dos quais, devemos nos comportar sem maiores questionamentos.

Conclusões inevitáveis, pois, segundo as Escrituras, a função do apóstolo é servir como “fundamento” da fé, da Igreja. As orientações de Márcio Valadão são fundamentos para a sua fé, e possuem a mesma autoridade da Bíblia? As orientações de Rene Terra nova são fundamentos para a sua fé, e possuem a mesma autoridade de S. Paulo? Se a resposta é afirmativa, então, você tem em tais homens seus apóstolos, mas abre mão da Escritura como sendo sua regra suficiente de fé; se a resposta é negativa, você relega os autoproclamados apóstolos, e se mantem firme no único fundamento: as Escrituras.

Pergunta do Leitor: “S. Paulo era um falso apóstolo?”.

Com a morte de Judas (o traidor), decide a Igreja que se deveria eleger alguém em seu lugar. Na votação que escolheu Matias como substituto, descobrimos algumas credenciais importantes que se exigia do apóstolo: “... é necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós, começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição” (Atos 1.21,22).

1) Cada um dos candidatos deveriam ter convivido com Jesus, desde o dia em que batizou a João, o Batizador. Uma exigência que assegurava que tal homem seria capaz de transmitir as futuras gerações os ensinamentos de Cristo.

2) Cada um dos candidatos deveria ter estado presente no dia da Ressurreição de Cristo, e também no dia de sua Ascensão. Essa exigência assegurava que tal homem seria capaz de servir como testemunho, como diz o texto de Atos, “da sua ressurreição”.

Não por menos, admitir o próprio S. Paulo ser um apóstolo “abortivo”. Todavia, demonstra Paulo em sua defesa, que apesar de sua tardia experiência de vocação, que o exclui do     grupo que andou com Jesus desde o batismo de João, ele possuía todos os requisitos para exercer o ministério de apóstolo: “... que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos. E por derradeiro de todos apareceu também a mim, como a um abortivo. Porque eu sou o menor dos apóstolos...” (I Cor. 15. 4-9).

Nem todos que presenciaram a vida, a morte e a ressurreição do Cristo foram feitos apóstolos; estes, careciam ainda de uma vocação especial, a incumbência de serem transmissores fiéis da Revelação, que é Cristo. Por isso, S. Paulo não apenas demonstrar ser testemunha, ainda que tardia, da Ressurreição do Cristo, como também de ter sido especialmente vocacionado a tarefa de lançar os fundamentos teóricos da fé nascente, como os demais apóstolos: “Mas, faço-vos saber, irmãos, que o Evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo” (Galátas 1.11,12).

De fato, ninguém evangelizou S. Paulo diretamente, mas foi convencido pessoalmente pelo próprio Senhor Jesus, no caminho para Damasco. Até aquele momento, Saulo, seu nome original, estava convicto de que Cristo era um farsante, os relatos correntes de sua ressurreição, mitos, e a fé evangélica, mera superstição. Todavia, o próprio Cristo revelou-se ressuscitado perante ele, transformando sua mente (Atos 9). Depois, durante três anos de isolamento na Arábia, ele recebeu a doutrina que deveria ensinar aos gentios (Galátas 1.15-17), que foi posteriormente validada e autorizada pela Igreja de Jerusalém, sede dos primeiros apóstolos (Galatas 2.9-10).

Não há, portanto, qualquer coisa no Novo Testamento que justifica rejeitarmos S. Paulo como um apóstolo verdadeiro. E sua vocação tardia em nada justifica a consagração de novos apóstolos atualmente, pois o Novo Testamento defende a autoridade de Paulo como uma exceção a regra, de modo que, havendo exceção, não se destrói a regra, antes, a estabelece!