quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Heresiologia

É Importante o Quarto Mandamento Para Hoje?

Gunnar Vingren Lima Ferreira

Como Surgiu o Dispensacionalismo?

Após, de maneira breve mostrar algumas nuanças do ensino dispensacionalista, vejamos então o seu surgimento na história da igreja. Nunca esquecendo, como ressaltou o Reverendo Gaspar de Souza que “a intenção não é depreciar os crentes Dispensacionalistas, pois são membros do Cristianismo Histórico e Ortodoxo, e Crentes no Senhor Jesus Cristo”, o mesmo afirma ainda que “os pilares do Cristianismo são aceitos e defendidos por eles”[1]. Thomas Ice diz que o Dispensacionalismo foi gerado no “útero reformado”[2] mesmo não sendo sinônimo da teologia Reformada, havendo assim, certos elementos que os torna distintos em si.
Mesmo tendo certos desdobramentos dentro do Dispensacionalismo que compreende o período inicial chamado de Pré-Scofieldiano (1831-1909); o Dispensacionalismo Clássico ou Scofieldiano (1909 – 1965); O Dispensacionalismo Essencialista (1965 – 1986 – Charles C. Ryrie) e o Dispensacionalismo Progressivo (1986 -) – Craig A. Blaising, Darrel L. Bock e Robert L. Saucy. Iremos nos deter apenas no período inicial e clássico, que é o que estamos refutando em nosso estudo, sendo este o popularizado no Brasil e tendo influenciado os evangélicos de modo geral (não posso esquecer o contra senso que há entre aqueles que professam a Fé Reformada, oficias ou não, que adotam contrariamente aos seus Símbolos de Fé, o ensino Dispensacionalista).

a) Pré-Scofieldiano (1831-1909):

Esse período inicia-se com John Nelson Darby (1800-1882) “é inquestionavelmente o pai do moderno dispensacionalismo”.[3] Segundo Ice:
O dispensacionalismo chegou à América do Norte antes da Guerra da Secessão, por intermédio de Darby e outros crentes da denominação dos Irmãos. Depois da guerra, os ensinamentos dispensacionalista ocupavam a mente de um bom número de líderes cristãos, e por volta de 1875 seus aspectos distintivos já tinham se propagado por todo Canadá e pelos Estados Unidos. O dispensacionalismo se disseminou por meio da pregação, de conferências, da fundação de escolas e da literatura. Na virada daquele século, o dispensacionalismo era bem conhecido e rapidamente se tornou o sistema teológico mais popular.[4]
O Reverendo João Alves, também salienta no prefácio do livro Uma Refutação Bíblica ao Dispensacionalismo do autor Arthur W. Pink o seguinte:
Esse movimento teve grande divulgação na América do Norte por meio das conferências de John N. Darby, um dos seus fundadores e principais expoentes. Também se tornou popular com a criação de institutos bíblicos e alguns seminários, principalmente os que não tinham filiação denominacional, grandemente influenciados com esse novo modo de interpretar as Escrituras. Mas foi especialmente com a publicação da Bíblia de Referência de Scofield, em 1909, com suas notas explicativas de rodapé, que ele se tornou conhecido em quase todo o mundo. Praticamente todas as denominações foram influenciadas por esse novo modo de interpretar, inclusive as de tradição reformada.[5]
Como estamos vendo, a heresia dispensacionalista com sua força cruzou o atlântico e chegou ao Brasil. Darby “embora não fosse um teólogo especializado em teologia sistemática, foi um expositor da ‘verdade dispensacionalista’. Ele sintetizou verdades exegéticas a fim de demonstrar a trajetória completa da história bíblica, a ação de Deus na história humana”.[6]

b) O Dispensacionalismo Clássico ou Scofieldiano (1909 – 1965):

Temos neste período a figura ilustre e lendária de Cyrus Ingerson Scofield (1843-1921) ou simplesmente Scofield. O dispensacionalista Thomas Ice sobre ele escreve o seguinte:
Converteu-se a Cristo aos 36 anos de idade. Mas tarde, nos idos de 1880, James Brookes discipulou Scofield ensinando-lhe o dispensacionalismo em Saint Louis. Ordenado ao ministério pelos congregacionais, Scofield pastoreou tanto igrejas congregacionais quanto presbiterianas... Ficou conhecido como sistematizador que popularizou o dispensacionalismo por intermédio da tão conhecida e polêmica Bíblia de Scofield com Referência (1909). Essa obra foi o recurso que mais atuou na propagação do dispensacionalismo em todos os países de fala inglesa. Entretanto, o dispensacionalismo já havia se constituído num movimento crescente antes de Scofield. A sua Bíblia apenas o tornou mais popular. Scofield foi altamente reconhecido dentre dos círculos dispensacionalistas e sua influência permanece até hoje.
O ensino dispensacionalista e sua propagação podem ser visto através de vários canais, como a literatura e afins, e aqui, temos, por exemplo, a Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD) nas obras expressas de Orlando Boyer (Daniel Fala Hoje, A Visão de Patmos) e numa obra recente de Nels Lawrence Olson (Alinhamento dos Planetas) além de outras. No cinema temos o filme de terror juntamente com a literatura apavorante chamado “Deixados Para Trás” de Tim LaHaye e Jerry Jenkins.

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Notas:

[1]SOUZA, Gaspar Rodrigues. A Relevância do Antigo Testamento para a Igreja contemporânea, Recife: SPN, 2006, Obra sem publicação.
[2]ICE, Op. Cit; Pg. 78.
[3]ICE, Op. Cit; Pg. 60.
[4]ICE, Op. Cit; Págs. 65,66.
[5]PINK, Arthur. Uma Refutação Bíblica ao Dispensacionalismo, São Paulo: Ed. PES, 2002, Pg. 10 (Prefácio do Reverendo João Alves dos Santos).
[6]Apud, ICE, Op. Cit; Pg. 65.
[7]ICE, Op. Cit; Pg. 69.

Extraído do site: http://www.eleitosdedeus.org

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